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Pontaria ao andar de baixo

por Pedro Correia, em 03.07.17

 

«No meu país não acontece nada.»

Ruy Belo

 

Ao 18.º dia decorrido desde a tragédia de Pedrógão, nem uma demissão nas estruturas sob a tutela do malogrado ministério da Administração Interna - a que podemos chamar ministério da Desorganização Interna, enredado em passa-culpas de soma zero. Nada de novo: regressámos à rotina pasmacenta neste quente mês de Julho.

Ao menos no ministério da Defesa, sem ter ocorrido um só óbito, já houve exonerações: cinco oficiais situados em patamares médios da cadeia de comando foram removidos "para não interferirem nas averiguações" em curso - espantosa justificação que vale para o  assalto aos paióis de Tancos mas não se aplica aos inquéritos que decorrem para apurar causas e culpas na catástrofe de Pedrógão. Perante a maior pilhagem de armamento de guerra confiado à guarda do Estado em Portugal, os altíssimos comandos castrenses permanecem nos seus postos, reconfigurando a noção de ética militar. Imitam afinal o criativo conceito de "responsabilidade" garbosamente assumido pelo ministro da tutela: em perfeita sintonia, todos fazem pontaria ao andar de baixo. Enquanto aguardam que o País vá tranquilamente a banhos.

Como escreveu Ruy Belo, "a boca é p'ra comer e p'ra trazer fechada / o único caminho é direito ao sol".

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25 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 03.07.2017 às 14:22

Enoja-me o que sucedeu nas últimas semanas em Portugal. Enoja-me um PM que faz pouco dos que governa, não abdicando das pomposas férias, mesmo com o que de gravíssimo se passou em Portugal. Pensará que regressado nos atira para a boca uns rebuçados de indicadores económicos e a malta esquece

Portugal pelo que dizem saiu da Crise. Mas vejo que estamos numa bem pior, de que se calhar nunca saímos. A falência do Estado.

Somos a anedota da Europa. Há pouco tempo tivemos um gordo espião que se enfrascava com prostitutas de Leste, viciado em jogo, que passou informações à Rússia.
Depois morreram 64 pessoas e a culpa era apontada a uma trovoada/ fenomenos imprevisíveis, não se sustentando tal tese por decerto haver pessoas, naqueles bandos, menos desarvegonhados .

Agora Tancos e o material roubado. Parece que as patrulhas não se faziam há 24 horas e os ditos paióis são vistos através do Google maps. A prineira justificação foi a rede estar danificada - há por aqui um padrão de mediocridade . Atribuiem- se culpa a coisas (ou aos mortos).
Como se quem lá foi roubar dependesse, para ser bem sucedido, da integridade de uma rede de arame. Isto é mau demais.

Portugal não é um país. É um bacio. Portugal não tem direito a hino. Apenas ao lamento.

Falta ainda essa coisa do SIRESP/BPN/GES/PT da qual António Costa é também responsável, como anterior MAI.

Esse Azeredo não foi da ERC? Deve saber tanto da paióis como eu de lagares de azeite...sempre os mesmos a mamarem...entreguem Portugal à REMAX.
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De Vlad, o Emborcador a 03.07.2017 às 15:57

Tem razão, mais essa!! A fuga só pode ter saído do Ministério...epá, Pedro, pare lá com isso, senão corto os pulsos...prometa-me que no seu próximo post vai abordar o tamanho ideal dos seios femininos...já sei que vamos ter o Lavoura a chatear, e a Inês Pedrosa indignada, mas tanto se me dá! Aguento...

E desculpe as falhas na ortografia, mas ora tenho um olho aqui, ora o olhar noutro lado...
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De Luís Lavoura a 03.07.2017 às 17:19

O Pedro Correia é muito bom a dizer mal do governo, o que é muito fácil quando não se tem que apresentar soluções.
Ora, eu gostaria de perguntar ao Pedro Correia que soluções tem a sugerir para o problema dos drones e dos exames?
Em relação aos drones, eu não percebo nada da matéria, mas creio já ter lido que é altamente não trivial identificar um drone no espaço e ainda menos trivial abatê-lo...
Sobre os exames, acha o Pedro que o ministério deveria ter cancelado aquele exame e marcado um outro? Ou quê?
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De Ego Alter Pedro Correia a 03.07.2017 às 17:50

"O Pedro Correia é muito bom a dizer mal do governo, o que é muito fácil quando não se tem que apresentar soluções"

Para apresentar soluções politicas temos os políticos e os partidos. Para as/os avaliar temos os cidadãos.

Sobre drones:

O Bloqueador de Drones é um Sistema de contra-medida Eletrónica.

Sobre os exames parece-me óbvio que os alunos não o fizeram em pé de igualdade. Portanto deveriam ser anulados

Em:
http://fiquelinda.com.br/seios-no-tamanho-ideal/

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De Luís Lavoura a 03.07.2017 às 18:04

Anular os exames causaria imenso prejuízo a imensas famílias. Teriam que ser marcados exames novos. Implicaria contratar pessoal para mais horas extraordinárias. E imensas outras complicações. É uma coisa a evitar a todo o custo.
É verdade que houve fraude. Mas pode-se presumir com segurança que poucos alunos terão beneficiado dela. (Poucos terão tido acesso prévio ao conhecimento do que iria sair nos exames.) Parece-me péssima ideia anular os exames por uma minoria ter cometido fraude.
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De Javardoura a 03.07.2017 às 19:20

Não os anular causará maior prejuízo ao maior número de famílias cujos filhos não tiveram acesso à desdita informação. Quanto a contratar pessoal, o Buda do Chiado sempre pode tirar proveito de uma diminuição na taxa de desemprego.

Quanto às fraudes serem cometidas por uma minoria é natural, ou deixariam de haver fraudes - existe uma qualquer lei em biologia que fala disso.
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De Pedro Correia a 03.07.2017 às 21:03

Violações grosseiras do princípio da legalidade e do direito à igualdade, avalizadas pelo ministro da (des)Educação. É caso para nos questionarmos que cidadãos está este ministro a formar.
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De AntónioF a 03.07.2017 às 15:26

Caro Pedro,
apesar das nossas visões muitas vezes discordantes, creio que já o disse, gosto de ler, e por vezes comentar, os textos que escreve.
Confesso, por isso, que estava na expectativa sobre o que o Pedro iria escrever, no passado dia 1 de Julho.
Qual o propósito?
Não, não é por ser o aniversário do clube que ambos somos simpatizantes - ou será doentes?
Mas por ser um dos poucos dias que nós, Portugal, nos podemos orgulhar: fomos pioneiros a nível mundial no domínio dos valores da dignidade do ser humano - o dia em que foi, neste país, abolida a pena de morte:
Não ter encontrado, neste espaço, nenhum texto sobre essa efeméride e ver textos que mostram uma visão, do nosso ramerrame, quezilento, que este país se tornou, foi uma decepção.
Creio, porém, que se tratou somente de um infeliz esquecimento e por isso, ainda que retrospectivamente, convido o Pedro a escrever sobre esse tema.

Fazendo um contraponto à frase abre este seu texto «No meu país não acontece nada» de Ruy Belo. Nesse dia, 1 de Julho de 1867 o que aconteceu neste país, aconteceu à escala planetária.

Victor Hugo, em carta publicada no Diário de Notícias de 10 de Julho de 1867, disse:
"Está, pois, a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande História. Penhora-me a recordação da honra que me cabe nessa vitória ilustre. Humilde operário do progresso, cada novo passo que ele avança me faz pulsar o coração. Este é sublime. Abolir a morte legal, deixando à morte divina todo o seu direito todo o seu mistério, é um progresso augusto entre todos. Felicito o vosso parlamento, os vossos pensadores, os vossos escritores e os vossos filósofos! Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfruta de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Ódio ao ódio. Viva a vida! A liberdade é uma cidade imensa, da qual todos somos cidadãos. Aperto-vos a mão como a meu compatriota na humanidade".
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De Pedro Correia a 03.07.2017 às 15:33

Tem toda a razão, caro António. Todos devemos orgulhar-nos dessa data ilustre, contributo civilizacional português para o mapa dos direitos universais.
150 anos depois, lamentavelmente, a pena de morte ainda vigora em muitos países. Desde logo nos três maiores países do globo - Rússia, EUA e China. Este é um combate que todos devemos continuar a travar. Um combate sem tréguas.

E já que falo em Victor Hugo, uma das minhas frases preferidas é precisamente dele. Esta: «Sou daqueles que não hesitarão nunca em escolher entre essa virgem chamada consciência e essa velha prostituta chamada razão de Estado.»

Abraço leonino

P. S. - Se puder, indique-me o seu endereço electrónico para lhe enviar um convite.
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De Vlad, o Emborcador a 03.07.2017 às 16:00

Aboliu-se a escravatura e depois massacraram-se tribos em Africa, em nome da civilização...havia que tirar o preto da sua selvajaria ao som do chicote...pare lá com isso...é tudo mau demais.
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De Vlad, o Emborcador a 03.07.2017 às 16:21


Partidário da pacificação pela força das armas, António Enes é nomeado Comissário Régio a 9 de Outubro de 1895 e promete à rainha D. Amélia de Orleães, na audiência real que lhe foi concedida à despedida, trazer preso aos pés de Sua Majestade o famoso tirano (Ngungunhane ) da África do Sul. O espírito com que abraça a missão é claro nas declarações que então faz:

O Estado não deve ter o menor escrúpulo em obrigar e, se necessário for, forçar esses rudes negros da África, esses ignorantes párias, esses semi-idiotas selvagens da Oceânia a trabalhar.

O jornal O Liberal de 27 de Dezembro de 1908, escreveria sobre Mahune e Queto, os fuzilados de Chaimite:

Morreram heróica e corajosamente e, ao caírem fuzilados, a cada um por sua vez foi-se a eles o tenente de artilharia Aníbal Miranda e espetou-lhes uma espada no coração, praticando assim em frente aos soldados sevícias sobre moribundos indefesos, facto que constitui grave infracção das leis da guerra, punível com a pena de morte pelas leis militares

O Diário de Notícias do dia seguinte escreve: Quando entramos nos alojamentos, do navio Africa, estavam todos os pretos deitados e o Gungunhana, que ocupava uma extremidade da tarimba, tinha o rosto coberto. Alguém lhe descobriu a cara e o preto despertou, olhando para todos com olhos desconfiados. Pouco depois, como os jornalistas e outras pessoas admitidas a bordo eram cada vez em maior número e o espaço faltasse, foi ordenado que subisse a pretalhada para a tolda, onde se faria a sua exibição...

AntónioF pare também lá com isso....parece que toda a gente me quer ver doente!!!Não mereço...caneco

V, ajude-me!! Triclibano venha em meu auxilio!!

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De rão arques a 03.07.2017 às 15:39

Serviços mínimos: O Sr. Ministro tinha obrigação em primeiro lugar, depois de comunicar ao PR, chamar os militares atingidos para pedir explicações. Em vez disso, feito guerrilheiro sem trilho, desbarata munições a praticar tiro instintivo sobre fantasmas que lhe agitam o lençol com que ele próprio cobre a cabeça.
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De Pedro Correia a 03.07.2017 às 15:54

O PR anda a pisar terreno minado, como se percebe cada vez melhor.
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De Vlad, o Emborcador a 03.07.2017 às 16:33

O PR é um palhaço...e aquela relação que tem com Rita Cabral , cheira-me a disfarce!!...aliás disfarce habitual nos que tremem perante santinhos e velinhas
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De Pedro Correia a 03.07.2017 às 20:35

Calma, emborcador. Não pise o risco. Todos devemos respeito ao Presidente da República. Não é a mesma coisa falar dele ou do Salvador Sobral.
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De Helena Sacadura Cabral a 04.07.2017 às 15:27

Ó Eomborcador trazer para este diálogo a vida íntima do PR é de muito mau gosto e surpreende-me que se ache normal que o faça.
A relação afectiva entre o PR a Dra Rita Cabral, de uma enorme discrição, é assunto que só aos dois diz respeito e nós temos a obrigação de respeitar isso e não levantar suspeitas pouco dignas acerca de qualquer deles. Gostaria que lhe fizessem isso a si? Ou a um familiar chegado?
Possivelmente o Emborcador prefere o Monsieur Hollande e as suas namoradas, a viverem no no Eliseu, pagas com o dinheiro dos contribuintes...
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De rão arques a 03.07.2017 às 17:04

Ouçam
E o vento mudou
Ele não voltou
As aves partiram
As folhas caíram
Ele quis viver
E o mundo correr
Prometeu voltar
Se o vento mudar
E o vento mudou
E ele não voltou
Sei que ele mentiu
P'ra sempre fugiu
Vento por favor
Leva o seu rancor
Ninguém vai morrer
Por não mais o ter
E não tenham dó
Que eu não estou só
Batam-lhe ao taipal
Oiça bem ou mal
Nuvens não choraram
E quando voltaram
Soube que mentira
P'ra sempre fugira
Nuvens por favor
Não tenham qualquer dor
Eu não vou morrer
Por não mais o ter
Calem-se
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De Pedro Correia a 03.07.2017 às 20:34

'O Vento Mudou'. Foi já há 50 anos. É uma canção que não envelhece.
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De Maria Dulce Fernandes a 03.07.2017 às 19:31

Pedir transparência nas decisões tomadas, não é pedir a anorexia do governo. Pedir responsabilidades não é pedir exposição de POCs na praça pública. Pedir justiça não é pedir que exponham todos os esquizofrénicos com a síndrome da perseguição.
Apenas pedimos a verdade. A verdade é algo indefinido, de que nunca conheceremos a décima parte e que presentenente associamos à síndrome de Tourette : tiques, toques, truques e palavras absurdas.
Um excelente texto, Pedro, como habitualmente.
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De Pedro Correia a 03.07.2017 às 20:33

Obrigado, Dulce. Confesso que é com alguma relutância que regresso à escrita política: prefiro bem mais escrever sobre outros temas.
Mas 64 mortos em Pedrógão fizeram-me voltar. A revolta perante a falta de autoridade do Estado, incapaz de garantir a segurança mais elementar dos cidadãos, falou mais alto. E acho inconcebível que a ministra Constança de Sousa e o ministro Azeredo Lopes ainda estejam em funções.
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De Helena Sacadura Cabral a 04.07.2017 às 15:37

E um lúcido comentário como é costume de quem o assina!
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De João Campos a 03.07.2017 às 20:09

Bom, o António Costa já fez aquilo que sabe fazer melhor: foi sacudir a água do capote para uma ilha espanhola. De parvo não tem nada, realmente.

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De Pedro Correia a 03.07.2017 às 20:31

Dizem-me que está em Maiorca. Os minorcas ficaram em Lisboa.
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De Helena Sacadura Cabral a 04.07.2017 às 15:39

De morte, esta tua resposta.

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