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Podemos

por Pedro Correia, em 12.06.14

 

Formada nas redes sociais no início do ano, Podemos tornou-se a quarta maior força eleitoral de Espanha nestas europeias - e a terceira mais votada em Madrid - com uma mobilização clara e eficaz contra a "casta" que domina a cena política do país há quatro décadas. Conquistou mais de 1,2 milhões de votos, correspondendo a quase 8% dos votos expressos, e elegeu cinco eurodeputados.

Houve logo analistas que se apressaram a rotulá-la, procurando reduzir ao esquematismo das fórmulas já gastas pelo uso um fenómeno como este, que é novo. E complexo. E sintomático do desencanto de uma larga fatia dos cidadãos perante a representação política tradicional.

Este escrutínio de 25 de Maio deixou bem claro: ou os partidos mudam radicalmente ou verão fugir cada vez mais eleitores em futuras eleições. Em Espanha, PP e PSOE perderam em conjunto mais de cinco milhões de votos e recuaram cerca de 30 pontos percentuais face aos resultados de 2009. Funcionou como um sinal de alarme que deve ser levado a sério.

Entretanto vale a pena espreitar um dos spots de propaganda televisiva com a marca Podemos. Para se perceber como os votos começam a ser conquistados por esta via. Com profissionalismo e competência.

E aqui não há empates: ou se ganha ou se perde. Na televisão, quem concebeu esta campanha jogou para vencer. Como bem se vê.

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12 comentários

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De da Maia a 12.06.2014 às 13:49

Com os nossos publicitários, arriscaria a ficar "Pode-mos".
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De Pedro Correia a 12.06.2014 às 16:13

Te-mo que sim.
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De l.rodrigues a 12.06.2014 às 14:45

Interessante. Mas quando diz:
"ou os partidos mudam radicalmente ou verão fugir cada vez mais eleitores em futuras eleições. "

Que mudanças tem em mente? É que podemos falar de crises de representatividade, de aparelhos reféns de clientelas e de lógicas de poder interno. Tudo bem. Mas a pergunta fundamental decorre do próprio nome da actividade: Política. Mudar, para quê?

É que se hoje as democracias europeias, e especialmente as periféricas, estão presas num colete de forças ideológico, urdido nos tratados sucessivamente assinados sem verdadeiro debate e escrutínio popular, a única verdadeira mudança só pode surgir rasgando o colete, questionando as políticas e mudando-as. A "Europa" está preparada para isso?

Os partidos que até agora detiveram o poder e construiram a Europa que temos, destruindo a que desejávamos, estão prontos para atacar o que ainda ontem defendiam?

Os responsáveis de hoje (com todos os duplos sentidos) estão prontos a ser os responsáveis por aquilo a que chamavam irresponsabilidade?
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De Pedro Correia a 12.06.2014 às 16:55

Refiro-me essencialmente ao seguinte:

1. Pôr fim ao lançamento de novas etapas na "construção europeia", com consulta popular. Exactamente ao contrário do que sucedeu connosco. Aderimos à "Europa" sem referendo. Abolimos as fronteiras sem referendo. Entrámos na moeda única sem referendo. Aderimos às imposições do Tratado Orçamental também sem consulta popular. E mesmo o referendo que chegou a constar do programa eleitoral do PS em 2005 foi metido na gaveta quando este partido venceu as legislativas.
Ou a Europa se edifica de acordo com a vontade popular ou não se edificará de todo.

2. Firmar um pacto de regime para alterar profundamente a lei eleitoral. Com esta inovação de base: a existência de dois círculos - um de carácter local ou regional e outro de carácter nacional, em que o primeiro funciona em sistema aberto, com lista nominal de candidatos que podem ser votados ou eliminados pelo eleitor, e o segundo assenta no modelo clássico, de sigla partidária. Este sistema misto permite aproximar eleitos de eleitores e responsabilizar mais os titulares dos órgãos políticos, que passam a resultar da escolha directa dos cidadãos. Mantendo o sistema de representação proporcional.

3. Defendo igualmente o alargamento das candidaturas independentes, que hoje só são admitidas nas eleições locais.

4. Estas mudanças exigem alterações ao texto constitucional que devem constar desse pacto de regime, subscrito no mínimo por três das quatro principais forças partidárias representadas no Parlamento. Um pacto que seria aproveitado para alterar outras matérias da Constituição, manifestamente inadaptadas à realidade actual.

5. Não é preciso inventar nada. Há estudos elaborados sobre esta questão, assinados nomeadamente por Manuel Meirinho e André Freire. Falta só haver vontade política para os tornar realidade. Tendo sempre em atenção o seguinte princípio, enunciado por John Kennedy: «Aqueles que impossibilitam a evolução pacífica tornam inevitáveis as revoluções violentas.»
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De Também Temos a 12.06.2014 às 15:44

Cá também temos o Movimento Partido que elegeu dois deputados (em breve dois completos desconhecidos, pois o ex não vai lá ficar) e que, depois de querer juntar-se aos Verdes e levar com os pés, se juntará aos Liberais (!)
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De Pedro Correia a 12.06.2014 às 16:14

É diferente. Este é um movimento colectivo, nascido nas redes sociais. O outro funcionou à margem das redes sociais, centrado no discurso de uma pessoa só.
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De Gonçalo Correia a 12.06.2014 às 15:44

Enquanto e desencanto
Enquanto uns ganham, outros perdem. Enquanto uns agem, outros cristalizam. Enquanto uns mudam, outros aborrecem. Enquanto uns pensam, outros embrutecem. Enquanto uns ousam, outros desencantam. Enquanto uns socializam, outros ficcionam.
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De Pedro Correia a 12.06.2014 às 16:18

Esta mensagem televisiva é clara, directa, incisiva, de apreensão rápida e fácil. Sem deixar de ter um certo grau de sofisticação. Deve ser analisada com atenção por políticos e publicitários. Porque é uma lição de eficácia política. Dá dez a zero à maioria do que se faz por cá.
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De lucklucky a 12.06.2014 às 16:46

Populismo, Totalitarismo... Espaço para a Diferença não há.
Logo é igualzinho aos que já cá estão.

E não percebo o que é diferente de muita publicidade, alguma até feita cá.
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De Pedro Correia a 12.06.2014 às 17:12

Acompanhei com atenção a propaganda partidária na TV nestas europeia e não vi nada - mesmo nada - com qualidade equivalente.
Espaço para a diferença? Isto é diferente. Gostemos ou não.
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De JSP a 12.06.2014 às 23:58

A incógnita manter-se-à até às "autárquicas" ( para lhe chamar de alguma maneira) do próximo ano, em Maio segundo creio.
E dependerá muito do estado do PSOE por essas "fechas"...
Entretanto, Cayo Lara y sus muchachos já tomam medidas de contra-insurreição - vide o número, a roçar o circense , montado ontem nas Cortes...
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De Pedro Correia a 13.06.2014 às 00:32

Os eleitores não estão só cansados com o comportamento dos partidos de governo: deploram também uma certa maneira de fazer oposição protagonizadas pelo comunistas espanhóis, que jamais conseguiram vencer uma eleição a nível nacional e persistem em ser apenas uma força de protesto inconsequente (como em Portugal se verificou também no 10 de Junho, com o lamentável comportamento do 'professor' Mário Nogueira, sindicalista profissional pago pelo erário público que não dá uma aula há longos anos).
Já deixaram há muito de ser revolucionários. Ficaram a meio caminho. Fazendo de conta que o são.

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