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Plano B

por Pedro Correia, em 17.05.17

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Na vida, devemos ter sempre um plano B. Por maioria de razão isso deve acontecer na política.

Surpreendentemente, o PSD assumiu o protagonismo da oposição a partir de Novembro de 2015 sem um plano B. Apostou todas as fichas na certeza antecipada de um péssimo desempenho da economia portuguesa, subestimando a capacidade de António Costa para neutralizar os ímpetos reivindicativos do PCP e do Bloco de Esquerda, que queriam fazer disparar a despesa pública com o reforço do investimento estatal.

Ao contrário do que os sociais-democratas auguraram, sempre sem cenário alternativo, Costa não andou a reboque dos dois partidos menores da actual coligação parlamentar: foram os bloquistas e os comunistas a abdicar das suas teses, no essencial, concedendo uma espécie de livre-trânsito ao Governo. Que até ultrapassou os anteriores na “obsessão com o défice”.

E ainda bem. Como o Instituto Nacional de Estatística acaba de confirmar já com dados de 2017, a economia portuguesa segue em rota ascendente. Com o maior crescimento trimestral desde 2010, cifrado em 2,8% e sustentado em simultâneo no aumento das exportações e na recuperação do investimento. Como mandam as boas práticas.

 

São óptimas notícias para o País. No entanto, dado todo o seu discurso anterior, parecem más notícias para o PSD. Que, sem plano B, perdeu o mote e se mostra incapaz de dar a volta rumo a um novo argumentário.

Talvez isso explique o motivo de o líder social-democrata andar desaparecido por estes dias, que por motivos vários têm sido de júbilo para milhões de portugueses.

 

Mas, mesmo com Passos Coelho ausente, outra figura de relevo do partido laranja poderia ter surgido a comentar os mais recentes indicadores estatísticos do desempenho económico do País. Também não. Nem Maria Luís Albuquerque, nem Luís Montenegro, nem Marco António. Nem Leitão Amaro ou qualquer outro vice-presidente da bancada parlamentar.

Estarão talvez todos reunidos, a congeminar um plano B.

Já vão tarde.

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18 comentários

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De Maria Dulce Fernandes a 17.05.2017 às 13:54

O povo não votou na geringonça. A geringonça surgiu como uma espécie de golpe palaciano. Ninguém acreditava que funcionasse. " Ninguém" estava errado.
Não representa o povo porque não foi eleita por sufrágio universal, base fundamental da Democracia. E foi aí que a chamada Social Democracia se espalhou. Pensou como tantos, ( eu inclusive) " não lhes dou dois meses" e deitaram-se à sombra da bananeira a assistir.
Agora lançar mísseis de penas de pato há-de adiantar-lhes muito...
Nem B, nem C... nem planos sequer, penso eu de que.
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De Pedro Correia a 17.05.2017 às 15:19

Há quem tenha planos de A (argúcia) a Z (zaragata).
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De Nebauten a 17.05.2017 às 15:32

Mas qual golpe? Acaso é um governo para além do que a Constituição permite? Agora já sabe que quando vota elege deputados e não governos. Desta forma todo o voto é útil, ao contrário do que nos diziam. A maioria dos portugueses votou nos partidos que formam/apoiam o governo. Quanto ao povo ...o que é o povo? É aquela etéria entidade em nome da qual toda a elite legítima uma qualquer forma de poder, mas da qual se esquece ao governar?

Onde anda Coelho e Montenegro? De tão caladinhos julgo que nem respiram, já . Resumem-se a dois zombies políticos - estão mortos sem saber que o estão .
Nesse aspecto Coelho é para o psd o que Sócrates foi para o ps
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De Luís Lavoura a 17.05.2017 às 15:39

O povo votou, por sufrágio universal, deputados da Assembleia da República. Esta última é representativa.
A geringonça é um governo de coligação, tal e qual como o governo anterior. É tão boa ou tão má em termos democráticos, tão representativa ou tão pouco, como o governo anterior era. A geringonça é sustentada por uma maioria de deputados, tal como o governo anterior era. O povo não escolheu a atual coligação, tal como não tinha escolhido a coligação que sustentava o governo anterior. Em Portugal, ao contrário daquilo que acontece, ao que julgo, na Dinamarca (veja-se a série Borgen) não é costume os partidos anunciarem antes das eleições com quem tencionam coligar-se depois delas.
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De Jorg a 17.05.2017 às 17:10

..lembro-me destes argumentos em Itália nos anos 90 (em que por lá vivi..)..com os governos e.g. Dini, Amato, D'Alema, os primeiros de Prodi, e até Monti, Letta, Renzi, Gentiloni... chamavam-lhe e chamam-lhe ainda " un Inciucio" e foi permitindo legitimação politica de um Berlusconi - que sempre que esteve há frente de um governo, tinha ganho eleições com coligação claramente anunciada em campanha eleitoral - e parece que agora abre caminho para endossar um governo de um cómico (ou mesmo palhaço....) pleno de Bazófia&Laracha...
Quando constato este linguajar, dou comigo a pensar que se calhar, o sistema politico em PT até já 'tá mais "avançado" que o italiano...
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De AntónioF a 18.05.2017 às 09:35

Cara Maria Dulce,
diz que "o povo não votou na geringonça. A geringonça surgiu como uma espécie de golpe palaciano."
Se olha para este governo saído da Assembleia da República, como todos os anteriores, como um golpe palaciano, então, com todo o respeito cara senhora (ou menina), não sabe para que vota quando se trata de eleições legislativas. Convém aprender!
Cumprimentos.

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