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Penso rápido (86)

por Pedro Correia, em 07.12.17

Não gosto de ver termos que estiveram ligados a um passado de ignomínia transpostos para a linguagem comum nas redes sociais. Termos como genocídio, holocausto, nazi, colaboracionista, "solução final": tudo isto se vulgariza, no debate político actual, como quem diz que amanhã estará de chuva. Tais rótulos vão-se banalizando ao ponto de perderem por completo o significado e a sua precisão histórica. E tornando-nos cada vez mais imunes à sua verdadeira acepção, como símbolo concreto do horror absoluto.

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19 comentários

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De Rão Arques a 07.12.2017 às 13:34

Palavras gastas e destemperadas são rastilhos de demolições recicladas fora de prazo.
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De Pedro Correia a 07.12.2017 às 16:58

Tudo isto tem a ver também com a compressão acelerada do vocabulário. Há duas gerações comunicávamos com um número médio de três mil palavras, hoje trezentas bastam. E às vezes sobram.
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De Vlad, o Emborcador a 07.12.2017 às 13:35

Qualquer política eliminacionista, que pode não ser exterminacionista, surge quando se faz de um grupo o responsável por todo o mal que acontece a um país, comunidade. Este processo designa-se por diabolização do Outro. Esta etapa, nas ideologias eliminacionistas, são regra geral acompanhadas por campos de reeducação, sobretudo destinadas aos opositores que se consideram ainda capazes de "salvar" - jovens, ou seguidores e não ideólogos.

O Extermínio sucede quando, além da diabolização do Outro, sucede-lhe a sub-humanização. O grupo rival não partilha das qualidades ontológicas que fazem do humano, uma pessoa. E assim justifica-se e aceita-se o extermínio. O Outro é um animal. Uma besta.

Todos os sistemas que visam a Transformação da Humanidade o fazem (nunca as democracias). Mas o Pedro, nessa sua senda de ódio aos comunistas (a reencarnação do mal - como Hitler cria) participa nessa filosofia. Propaga ódio. Afinal as qualidades morais e de verdade estão sempre do "seu" lado. Num único lado. Os outros, os comunistas, ou de extrema esquerda, são escória....são diabólicos e sub humanos, personificações do Mal...e neste sentido, faz da sua opinião, do seu pensamento, um totalitarismo.


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De Pedro Correia a 07.12.2017 às 16:57

Ora viva, Vlad.
É um gosto vê-lo novamente por cá.
O DELITO sem os seus comentários não tem a mesma graça.
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De Vlad, o Emborcador a 07.12.2017 às 17:28

https://www.wook.pt/livro/a-pior-das-guerras-daniel-jonah-goldhagen/10747280

A Pior das Guerras
Genocídio, extermínio e violência no século XX
de Daniel Jonah Goldhagen

Estes pouco conhecidos, afinal são índios...

Memorias de un Pueblo - Guatemala, Historia de un genocidio
https://www.youtube.com/watch?v=Rbt1yIKCdMQ

Israel también apoyo con armas el genocidio en Guatemala
https://www.youtube.com/watch?v=OZZLrys7k2I

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De Pedro Correia a 07.12.2017 às 17:46

Agradeço-lhe a sugestão de leitura.
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De lucklucky a 09.12.2017 às 12:56

Típico do totalitário Vlad. Note-se as tácticas:

Odiar quem te quer fazer mal é o mesmo que odiar alguém só por existir.

100 milhões de mortos provocados pelo Comunismo e Extrema Esquerda são testemunho de qualidades morais.

----
Pelo que o Vlad defende foi um erro resistir a Hitler.



Atendendo à aliança Nazi-Comunista não admira. Desde que mudasse a suástica para um estrela vermelha tudo estaria bem.
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De Vlad, o Emborcador a 09.12.2017 às 15:36

Não percebeste porra nenhuma. Pior do que não saber é julgar saber-se de tudo e sobre todos...leste no meu comentário "nunca nas democracias "? Os eliminacionsmos são típicos de ditaduras sejam elas à esquerda ou à direita...mas isso não te interessa coisa nenhuma. Emprenhas pelos ouvidos. Adoras ouvir-te...
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De Anónimo a 07.12.2017 às 15:43

Foi o que aconteceu ao termo fascismo.Houve um tempo em que tudo o que não fosse de uma esquerda era fascismo.Estava sempre pronto a servir.Serviu-se mal a História e degradou-se o significado.Talvez a intenção fosse essa.
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De Pedro Correia a 07.12.2017 às 16:58

Banalizar conceitos que nada têm de banal é meio caminho andado para contemporizar com eles. Com os conceitos e com a realidade que eles traduzem.
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De Anónimo a 07.12.2017 às 20:30

"Banalizar conceitos que nada têm de banal é meio caminho andado para contemporizar com eles. Com os conceitos e com a realidade que eles traduzem".

Assino por baixo.
António Cabral
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De Pedro Correia a 08.12.2017 às 09:01

Infelizmente isto vai-se generalizando. Até à náusea.
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De Maria Dulce Fernandes a 07.12.2017 às 21:28

E o pior de tudo, é que são termos vulgarmente usados fora do contexto, e com o significado completamente canibalizado .
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De Rão Arques a 08.12.2017 às 08:26

Fantasmas e fantasias que inundam a sociedade.
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De Robinson Kanes a 07.12.2017 às 22:51

Hoje em dia a vontade de querer saltar por cima do ruído leva a isto... E quando as coisas se banalizam perdem a intensidade e... quando más... facilmente se repetem.
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De Pedro Correia a 08.12.2017 às 09:01

É isso, Robinson. Tal e qual.
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De Cristina M. a 08.12.2017 às 09:25

fazer o uso das palavras que o Pedro refere (por exemplo) com o descuido que o Pedro menciona, deve-se (também) ao desconhecimento do seu significado e contexto originais.
tem-se uma ideia vaga, longínqua do que elas carregam em si, como algo que ocorreu há muito tempo e/ou está muito longe de nós.
na verdade, há más memórias que deviam ser melhor tratadas.
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De Pedro Correia a 08.12.2017 às 09:29

Essa desvirtuação semântica é fruto da ignorância, sim, Cristina. Ignorância às vezes induzida por alegada gente sábia, o que a torna ainda mais indesculpável.
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De Trigueiros a 12.12.2017 às 10:51

Nem a propósito do seu comentário, deixo aqui uma frase de um dos ditadores mais horrorosos da história, no seu livro "proibido":

"Não ignoro que é pela palavra, muito mais do que por livros, que se ganha os homens: todos os grandes movimentos que a História registou ficaram a dever muito mais aos oradores do que aos escritores"

É uma frase que dá que pensar,ainda por mais nos dias de hoje onde faz tanta falta ler-se bons escritores e, acima de tudo, entender o passado.

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