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Penso rápido (3)

por Pedro Correia, em 16.06.14

Judite Sousa, que tem Marcelo Rebelo de Sousa à sua frente e não precisa portanto de chamar por ele, fez-lhe ontem vinte e duas vénias em forma de título académico: Marcelo - profere ela, num ritual sincopado - é o "Professor". Isto acentua a aura do visado: podia ser violinista ou ourives, mas não seria a mesma coisa. Prestamos tributo às formas de tratamento com ancestral desvelo: o verniz de modernidade não resiste a dois minutos de televisão.

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22 comentários

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De JSP a 16.06.2014 às 12:59

"Neste país em pequenino, respeitinho é que é precisio" ( cito de memória )...
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De Pedro Correia a 16.06.2014 às 13:34

O'Neill, sempre actual. Escrevendo sobre o Portugal de ontem. Que é o de hoje e o de amanhã.
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De Luís Lavoura a 16.06.2014 às 13:14

Quando fui trabalhar para uma universidade americana o meu superior hierárquico era um professor mais-que-catedrático, famosíssimo no campo científico em questão. Eu tratava-o sempre por "Professor" e ele queixava-se de que eu era a única pessoa ali que o tratava dessa forma: todas as outras pessoas, desde os estudantes até às secretárias, tratavam-no pelo nome próprio. Na América todos se tratam pelo nome próprio (na Rússia tratam-se pelo nome e patronímico).
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De Pedro Correia a 16.06.2014 às 13:36

Aqui houve um ministro que vinha dessa cultura e mal aterrou em Portugal e disse que gostaria de ser tratado pelo nome próprio foi enxovalhado e ridicularizado pelas bempensâncias de turno. Bastou isso para se tornar politicamente irrelevante, fizesse ele o que fizesse.
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De IsabelPS a 16.06.2014 às 15:20

Exacto.
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De Penso eu de que a 16.06.2014 às 13:18

Ontem, Marcelo gastou substanciais minutos da sua missa dominical a falar de futebol.

Neste ponto até estou de acordo com Jorge Jesus: doutores a falar de bola?! Já chegam os jornalistas especializados, os treinadores desempregados, os antigos jogadores. Irra, que é demais.
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De Pedro Correia a 16.06.2014 às 13:38

É a ditadura das audiências. E cedeu o lugar em antena, mais depressa do que é costume, para dar lugar a mais um espectáculo-realidade ('reality-show' em português técnico).
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De Carlos Duarte a 16.06.2014 às 14:27

Caro Pedro Correia,

Sinceramente não me choca. O Marcelo tem direito (pleno) ao título e é nossa tradição - por oposição à anglo-saxónica, por exemplo - em usar-se títulos académicos. Já, por outro lado, a "mania" de tratar por "Dr." pessoas que têm licenciaturas e bacharelatos devia morrer de uma vez por todas (os médicos são a excepção evidente): o Senhor e Senhora chegam e sobram nesses casos.

Em relação aos EUA, acho piada ao facto de não usarem os títulos, mas os cargos eleitos vêm todos com título a reboque: ninguém diz "Obama", é tudo "President Obama" - e o título mantém-se após deixarem o cargo, o que é francamente estranho.
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De Pedro Correia a 16.06.2014 às 14:37

Carlos, a questão essencial aqui - e por isso me dei ao trabalho de contar até 22 - não é o título académico, que pertence com todo o mérito ao Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa. Para efeitos académicos, como professor de Faculdade de Direito, ou para efeitos políticos, enquanto membro do Conselho de Estado.
Refiro-me à linguagem televisiva, onde a constante invocação de títulos académicos, totalmente a despropósito, é mero ruído. Que funciona apenas como muleta vocal: nada tem de informativo.
Nem precisamos de ir à televisão: fiquemo-nos pelas situações mais comuns de diálogo. Se estivermos, você e eu, a falar frente a frente nenhum de nós necessitará de chamar o outro: estamos ali, olhos nos olhos, qual a necessidade de tal evocação, tenha cada qual o título académico ou a carteira profissional ou a condição social que tiver?
Tratar vinte e duas vezes Marcelo Rebelo de Sousa por "professor" num só trecho de Jornal das 8 da TVI é algo revelador sobre muita coisa que me dispenso de sublinhar por ser tão óbvia.
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De Carlos Duarte a 16.06.2014 às 14:41

Certo, eu percebi. Mas sendo um "frente-a-frente", não é uma conversa particular, onde esses títulos podem (eventualmente e com a devida autorização expressa ou tácita) cair. Neste caso específico, acho que só peca por defeito - gostava mais de ver os entrevistadores tratar as pessoas com o devido respeito e distânciamento. Com Senhor(a), Doutor(a), Professor(a) e por aí em diante. O mesmo se aplicaria inversamente aos entrevistados. Se for uma entrevista "pessoal" (i.e. não profissional, não política), tudo bem. Nas outras, a distância pode ter um efeito higiénico importante.
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De Pedro Correia a 16.06.2014 às 14:48

Não há distância que resista a "Professor" multiplicado por vinte e dois, Carlos. Que tanto vale para o professor Marcelo Rebelo de Sousa como para o professor Eduardo Lourenço ou o professor António Damásio ou o professor Jesualdo Ferreira (e porque não hão-de os jornalistas televisivos, que muitas vezes são também professores universitários, ser igualmente tratados dessa forma pelos entrevistados-seus-colegas?)
Vinte duas vezes depois, deixa de ser tratamento atencioso e educado para se tornar ruído. Apenas ruído.
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De Carlos Duarte a 16.06.2014 às 14:55

Novamente, não discuto isso. Concordo que podia perfeitamente utilizar um "neutro" Senhor, especialmente como vocativo, após "estabelecer" o título uma ou duas vezes.

Quanto ao Sr. Jesualdo Ferreira, que eu saiba não é Professor Catedrático (que, já agora, é o único academicamente correcto para Professor).

Peço desculpa se isto parece "pedante", mas enerva-me a soltura com que se usa (mal) os títulos em Portugal e nunca mais esqueci a verdadeira lição que o Sr. Henrique Neto deu na minha faculdade quando o trataram por Engenheiro. Que não era engenheiro, apenas Senhor. Naquele caso, com um "S" muito maiúsculo.
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De Pedro Correia a 16.06.2014 às 15:13

Pois, Carlos, já vi, Carlos, que estamos em franco desacordo nesta matéria, Carlos, eu acho que quando duas pessoas estão frente a frente, Carlos, não precisam, Carlos, de estar sempre a chamar uma pela outra, Carlos, pois estão lá e não fogem, Carlos, mas cada um, Carlos, fica com a sua tese, Carlos, eu entendo que numa conversa de vinte minutos alguém chamar vinte e duas vezes Professor ou seja o que for a quem tem pela frente, Carlos, mais não é do que ruído, Carlos, ou uma muleta verbal incómoda, Carlos, ou sinal de manifesta insegurança, Carlos, ou sei lá o que mais, Carlos, já escrevi catorze vezes o seu nome, Carlos, agora já faz quinze, Carlos, isto é, dezasseis, e para atingir a interlocutora do Professor ainda me falta escrever mais seis, Carlos, agora só falta cinco e daqui a pouco dá o Portugal-Alemanha e o país vai parar, Carlos, eu quero ver também e depois hei-de comentar, Carlos, isso propicia uns bons bate-papos, Carlos, até os senhores professores catedráticos gostam de falar disso.
E eis o seu nome escrito vinte e duas vezes, Carlos, perdão, vinte e duas é só agora, Carlos. Tudo está bem quando acaba bem.
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De Carlos Duarte a 16.06.2014 às 15:59

Acho que não estamos em desacordo, eu é que terei interpretado mal o post. Pensei que o "foco" (para evitar o horroroso "enfoque") era no utilizar do título "Professor" e não na repetição. Na repetição absolutamente de acordo, mas podia ser Professor, Senhor, Marcelo, o que fosse. Quanto ao título, não venho nada de incorrecto, como aliás tinha já dito.
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De Pedro Correia a 16.06.2014 às 16:47

Estamos de acordo quanto a isso. Cortesia merecida, sim. Mesuras exageradas e repetitivas, não.
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De Paulo Inácio a 18.06.2014 às 02:12

Finalmente percebeu. Desculpe meter o bedelho, mas só depois ali do "desenho" o senhor lá chegou. Concordo com o post ! Além da repetição irritante, o uso do "ó" é a cereja em cima do bolo, de mau gosto.
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De Pouca Coisa a 16.06.2014 às 16:00

Ora, Marcelo não é nada sexy.

http://www.youtube.com/watch?v=soJix7Xf7ho
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De macarvalho a 17.06.2014 às 12:08

Deu-me um mote original.
Pior mesmo, só Judite de Sousa a dizer - também vezes sem conta - "Mas, ó Dr. Medina..., um must de elegância jornalística e não só.
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De Pedro Correia a 17.06.2014 às 12:46

Não costumo ver esse. Aliás, se visse tudo quanto é apresentado em antena pela mencionada jornalista, não me sobraria tempo para fazer mais nada. É, sem dúvida, a recordista nacional em presença na pantalha.
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De Carlos Azevedo a 18.06.2014 às 01:39

Não me surpreende. O Pedro não viu como o ex-ministro da Economia foi gozado pela nossa «Intelligentsia» (modo de dizer; não temos tal) por ter pedido para ser tratado apenas pelo seu nome próprio, Álvaro? É um país de gente pequenina, que se curva pela frente e espeta um punhal pelas costas.

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