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Penso rápido (12)

por Pedro Correia, em 30.06.14

Vivemos num tempo fragmentado, que convida à dispersão. E somos vítimas crescentes dessa fragmentação. A nossa capacidade de concentração é cada vez mais escassa. Paramos a série televisiva a meio para ver não importa o quê, tornámo-nos incapazes de assistir a um filme de duas horas sem interrupções, espreitamos a todo o momento o ecrã do telemóvel em busca de novas mensagens mesmo sem esperarmos mensagem alguma, as redes sociais solicitam-nos adesões ou indignações contínuas, os dias vão-se dissolvendo em 24 horas de espuma. Este estúpido frenesim em que mergulhámos graças aos avanços tecnológicos impede-nos quase sempre de pensar. E afinal era nisto que devíamos investir muito mais do nosso tempo: pensar.

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18 comentários

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De Maria Dulce Fernandes a 30.06.2014 às 13:34

Saber pensar é uma dádiva. São poucos os que pensam a sério e que reflectem sobre o pensamento. Vive-se o hoje sem pensar no amanhã. Talvez porque não valha a pena sofrer por antecipação?
Ontem, foi um Domingo terrível e eu, que também sou mãe, ando para aqui a pensar na melhor forma de não pensar.
Boa semana.
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De Pedro Correia a 01.07.2014 às 23:14

Bem a percebo, Dulce. Qualquer mãe e qualquer pai não podem deixar de reflectir nisso. Como é tudo tão frágil e tão fugaz.
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De Acidente rápido a 30.06.2014 às 14:07

E, depois de ter sido amplamente noticiado que falar ao tlm e guiar em simultâneo seria pesadamente coimado, é ver a cada passo pessoal a fazê-lo (ou até a mandar sms). Enfim...
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De Pedro Correia a 01.07.2014 às 23:14

Pois é: nem assim...
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De Carlos Duarte a 30.06.2014 às 15:13

Caro Pedro Correia,

Como escreveu e bem, pensar demora tempo e dá trabalho. Raramente é algo efémero e dura bem mais que 15 minutos. Por tudo isto, é algo completamente desajustado ao mundo de hoje.
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De Pedro Correia a 01.07.2014 às 23:11

Hoje em dia quem pensa é um excêntrico, Carlos. Quase um marginal.
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De Ana A. a 30.06.2014 às 15:32

Subscrevo na íntegra!
Paradoxalmente esta tecnologia que devia deixar-nos com mais tempos livres, no trabalho e no lazer, em vez de libertar, escraviza...
Mas é assim que "devemos" ser: escravos de uma felicidade bovina!
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De Pedro Correia a 01.07.2014 às 23:15

Faz falta uma revolta dos escravos, Ana. Mas onde está o Espártaco?
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De Ana A. a 02.07.2014 às 15:30

Pois aí é que reside o perigo: o grande líder que nos libertará!
Alimentemos o Espártaco que há em nós, e façamos as nossas revoluções pequenas e diárias, dentro e fora de nós!
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De Pedro Correia a 02.07.2014 às 19:13

Tem toda a razão. É isso mesmo.
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De António Cabral a 30.06.2014 às 18:53

Assino por baixo. Nos últimos excelentes quatro dias, telemóvel só para os filhos, máquina fotográfica, passeios/caminhadas, bons jantares com os amigos, IPAD para ver a METEO e comentar o seu post, computador nas últimas horas para colocar fotos no blogue. Será da idade?
António Cabral (marrevoltado.blogspot.com)
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De Pedro Correia a 01.07.2014 às 23:17

Faz muito bem, António. Devemos ser nós a mandar na tecnologia e não ela a mandar em nós.
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De Fernando Torres a 30.06.2014 às 21:28

Uma enorme epifania, este seu texto.
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De Pedro Correia a 01.07.2014 às 22:19

Grato, Fernando.
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De Costa a 30.06.2014 às 23:34

Tudo tem um botão com a inscrição OFF , ou coisa equivalente. É sempre possível desligar tudo. Deixar ficar talvez o leitor de CDs (máquina, parece, já anacrónica; e com ela eu) que sempre nos pode oferecer qualquer coisa calma (anacronismo) e compatível com umas páginas de papel e tinta (outro anacronismo: papel e tinta; isso e o hábito de ler). Sendo certo que o silêncio (mais um anacronismo) é para a leitura talvez o melhor companheiro.

Isso e bastar-se uma pessoa com uma conta ou duas de e-mail, consultadas regularmente. E um vulgaríssimo "chat" - Skype ou Messenger -, usado com parcimónia, por exemplo se alguém querido está longe.

"Redes sociais", não uso. Prezo a minha intimidade e a noção de vida privada (mais anacronismos), e não tenho amigos aos centos. Mas conheço os que tenho e porque são amigos. De resto acredito que tudo pode ser usado para nossa conveniência.

A noção de conveniência é que andará muito pervertida. E não só neste âmbito. Já a noção de incontactável, coisa aliás apenas relativa, o direito a assim estar e o respeito por assim querer estar serão verdadeiras bizarrias. E se o são, eu também o sou.

Costa
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De Pedro Correia a 01.07.2014 às 23:18

Candidato a um dos comentários da semana, meu caro. Gostei desta sua reflexão. Temos de começar a passar palavra.
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De l.rodrigues a 01.07.2014 às 10:11

"It used to be that machines automated work, giving us more time to do other things. But now machines automate the production of attention-consuming information, which takes our time. For example, if one person sends the same e-mail message to 10 people, then 10 people have to respond.

The physical friction of everyday life—the time it took Isaac Newton to travel by coach from London to Cambridge, the dead spots of walking to work (no iPod), the darkness that kept us from reading—has disappeared, making every minute not used productively into an opportunity cost.

And finally, we can measure more, over smaller chunks of time. From airline miles to calories (and carbs and fat grams), from friends on Friendster to steps on a pedometer, from realtime stock prices to millions of burgers consumed, we count things by the minute and the second."

Esther Dyson

http://edge.org/responses/what-do-you-believe-is-true-even-though-you-cannot-prove-it
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De Pedro Correia a 01.07.2014 às 23:10

Pois. Libertamo-nos de uma dependência e criamos muitas outras.

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