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Pensamento da Semana

por Isabel Mouzinho, em 21.10.17

Há os que "subscrevem por baixo", os que "encaram de frente" e os que gostam de ler "Elsa"de Queiroz. Há as facas de "dois legumes" e os bodes "respiratórios". Há estas e muitas outras enormidades de uma lista interminável, que vamos ouvindo e lendo todos os dias. 

A língua portuguesa, nem sempre muito bem tratada num país que se envergonha de si e tende a valorizar o que vem de fora - línguas incluídas -, assumiu contornos de total despropósito com a chegada do "Novo Acordo Ortográfico", que veio permitir que hoje valha quase tudo. Como se a correcção linguística não fosse muito relevante. Na verdade, estas ou quaisquer outras incorrecções já não espantam ninguém. Pior: vão-se transformando em "normalidade", perante a indiferença generalizada dos que consideram que dizer "assim" ou "assado" não tem a menor importância, esquecendo, ou ignorando, que o domínio da língua e o uso que se faz dela também diz muito da cultura de um povo.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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47 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 15.10.2017 às 13:41

Para mim um idioma é um código de símbolos e significados que tem como primeiro propósito a transmissão/comunicação de informação.

Desta forma um idioma será tão mais perfeito quanto menos informação se perder na comunicação. Ou seja, quanto mais resistente ao erro, mais próximo da perfeição esse idioma se encontra .

O português é um péssimo idioma porque, ao fim de anos de ensino, tanto alunos, como professores, como nativos, têm sempre muitas incertezas quanto à forma correcta de bem escrever inúmeros vocábulos.

Porventura por termos feito do português o nosso código pensemos frequentemente mal. Afinal pensamos por palavras. Pensamos em português.
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De Vlad, o Emborcador a 15.10.2017 às 21:21

Pensemos, ou pensamos?
O Licor Beirão que decida.
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De gty@sapo.ot a 18.10.2017 às 02:33

A língua não serve apenas para "comunicar": serve para se pensar, elaborar conceitos, reflectir, etc. Não se pensa além da língua, não se pensa primeiro e comunica depois.... As descobertas das neurocognitivas de que a língua - e a escrita, principalmente, numa sociedade baseada na escrita como é a nossa, ensinam-nos - que a língua não é um mero e indiferente "meio de transporte" ou uma embalagem: pelo contrário, estrutura o próprio pensamento e o ser humano, de tal modo que os cérebros dos analfabetos e dos alfabetizados são diferentes e essas diferenças são observáveis com as modernas técnicas radiológicas.
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De Vlad, o Emborcador a 18.10.2017 às 08:16

Pensamos com palavras. Desses pensamentos /raciocínios surgem juízos /ideias.

Não podemos ter pensamentos se não tivermos palavras. E os pensamentos serão tanto mais ricos quanto maior a riqueza do vocabulário do pensante. Isto porque as coisas só existem após terem um nome.

E as ideias na organização de um sistema social necessitam de ser comunicadas.

Confira a teoria cibernética da comunicação
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De Anónimo a 19.10.2017 às 11:36

Não temos pensamento sem palavras? Anda a ler os artigos errados.
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De Vlad, o Emborcador a 19.10.2017 às 15:09

Mesmo o pensamento matemático necessita de proposições verbais. Mas envie-me o link dos artigos.
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De Anónimo a 19.10.2017 às 16:16

Pense numa praia. Aquilo que imagina é uma composição de memórias e abstrações ou simplesmente a palavra "Praia" a pairar no ar?
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De gty@sapo.ot a 20.10.2017 às 02:20

I suppose you could say that language is humaness, because human consciousness is language-consciousness. Language is so close to us (is us, we are it) we can’t understand it. We are in language as a fish is in water: for the fish there’s no such thing as water, water is just the way things are, it’s the medium for being. Language is that for our being human. I have been wondering about language almost all my life and I cannot understand it and I cannot get used to it. It is probably the case that I am no closer to understanding language now, after all these years of exploration, than I have ever been. Still, I am always writing about this effort to become familiar with language. It seems to be my chief topic: can we get friendly with language, can we know what we are? The poet Paul Celan writes, “whenever we speak with things in this way (in poetry) we dwell on the question of their where-from and where-to, an open question without resolution.” (in his speech “The Meridian,” in Paul Celan Collected Prose, translated by Rosemary Waldrop, the Sheep Meadow Press, 1986, page 50)
http://www.normanfischer.org/essays-all/beyond-language
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De Vlad, o Emborcador a 20.10.2017 às 12:33

A/C Gty

De acordo. Sinceramente estamos a entrar numa área sobre a qual não existe consenso. Contudo a forma complexa de pensamento ( pensamento científico) exige, a meu ver, linguagem.

Podemos é afirmar que mais difícil do que pensar é não pensar em coisa alguma. (Yoga). E talvez por aí se chegue mais perto da verdade. Pois o silêncio não mente como o eco das palavras ( quem fala por nós? )

Penso que Elias Canneti tem um livro sobre isso.

A Consciência das Palavras
de Elias Canetti
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De Vlad, o Emborcador a 20.10.2017 às 08:05

Não estando numa praia, "vejo-a" pela memória, não a penso.
Pensar lógicamente implica raciocínio. Não raciocíno uma praia.

O pensamento não existe se não puder ser expressado sob alguma forma linguística, quer seja externa, oral ou escrita, quer seja interna, e, neste último caso, sob a forma de uma "surda" linguagem interior, uma linguagem interna "silenciosa". Não é possível pensar em algo complexo e abstrato sem uma forma linguística; por exemplo, não é possível pensar "matéria atrai matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias (lei da gravidade), sem a expressão linguística em que é vazada. Como pensá-la sem dizê-la, dentro de nós, com aquelas palavras? Não é possível pensar tal lei através de sensações, percepções ou imagens. Posso ter a "figuração" sensorial de algo que cai, como uma pessoa, um lápis, uma moeda, mas não posso entender o significado dessa queda, em termos de lei, sem expressá-lo mediante a linguagem interior, silenciosa.




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De Anónimo a 20.10.2017 às 14:29

é óbvio que o pensamento lógico não existe sem formalismo.
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De Vlad, o Emborcador a 20.10.2017 às 08:45

Poderá argumentar que os bebés pensam sem palavras. Mas será pensamento, o que pensam? Ou reflexos, que são apenas encadeamentos sensoriais automáticos?

Pensar, no sentido humano do termo, pensar humanamente, pensar superiormente, implica verbalização.


O mundo em que vivemos, seres humanos que somos, é um mundo linguístico, uma realidade de símbolos e leis sem a qual não só seriamos incapazes de comunicar entre nós mas também de aprender a significação do que nos rodeia", F. Salvater.
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De gty@sapo.ot a 20.10.2017 às 02:10

Estamos basicamente de acordo.
Apenas me queria "insurgir" contras a enfâse posta na "comunicação.

Quanto à teoria cibernética há que saber, primeiro, com que máquinas estabelecer a analogia.
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De Vlad, o Emborcador a 20.10.2017 às 12:39

A/C gty:

Referia-me, pela Cibernética, unicamente à Teoria da Informação. Quais as características que um código deve ter para suportar o erro, interno/externo, e não desvirtuar a mensagem - redundância, etc?
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De LMR a 20.10.2017 às 18:49

"Porventura por termos feito do português o nosso código pensemos frequentemente mal. Afinal pensamos por palavras. Pensamos em português."

Nós não fizemos do Português o nosso código; até parece que aos nossos antepassados foi dado a escolher há milénios que idioma gostariam de falar; dá a entender ainda que só insistimos em usá-lo hoje em dia por caturrice ou deficiência intelectual, quando poderíamos evoluir para outro mais claro e lógico, seja lá qual esse for. Talvez Esperanto.

O que acabou de escrever é um mau pensamento, ou pelo menos o expressou confusamente; e porém saiu gramaticalmente correcto. O idioma, claramente, não é a sua desculpa.

O seu tipo de raciocínio está sempre a um passo de generalizações; o nosso problema não é pensarmos em Português. Não nos têm faltado bons pensadores, ensaístas, filósofos, cientistas, jornalistas, políticos e professores ao longo da história.

E se quer falar de idiomas perfeitos, tem de excluir o Francês: negativas duplas, segundo a Lógica, denotam uma mente que se expressa sem clareza. Devemos também eliminar o Inglês, com a sua ortografia caótica. Os alemães por vezes têm dúvida acerca de como declinar palavras mediante qual dos 4 casos estiveram a usar. Os estudantes orientais, segundo estudos recentes, começam a ter dificuldade em lembrar-se de como desenhar ideogramas, por causa de maior exposição ao alfabeto romano graças à tecnologia. Não existe nenhum idioma perfeito; também não encontrará nenhum linguista, tirando algum ridiculamente nacionalista, que defenda que um idioma é mais perfeito, claro ou eficiente do que outro, até porque ele nem saberia como definir esses critérios para comparação. Os idiomas são como são, e a história demonstra que de qualquer um saem bons pensadores.

Pensar que há algo de fundamentalmente errado com o Português não passa do velho pessimismo nacional que não leva a lado nenhum e só oculta o problema real.
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De Vlad, o Emborcador a 21.10.2017 às 11:51

A/C LMR

Estava mais na provocação.
Não me leve mais a sério do que eu sobre mim mesmo.
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De Cristina M. a 15.10.2017 às 14:10

não foi, seguramente, a partir de 2009 que se começou a escrever mal. os exemplos-caricatura que apresenta sempre existiram e continuarão a existir. estar ou não de acordo com o "novo" de '90 é algo diferente de se assumir que o ensino e/ou aprendizagem da Língua Portuguesa precisam há muito de muito mais seriedade.
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De kika a 15.10.2017 às 14:49

A tendência hoje é o patchwork.
Quem defende a cultura que nos é própria são os racistas ,
fascistas e etc.
Não sou a pessoa indicada para me indignar com esse estado de coisas
porque também estou perfeitamente consciente das minhas lacunas.
Como sou atrevida e descomplexada vou botando comentários em tudo o
que é sítio sem me preocupar das reacções dos outros comentadores.
Esse atrevimento ajuda-me a escrever melhor. È a principal razão que me
leva a ler o que todos os dias se escreve neste espaço.
Agradeço e peço desculpa de poluir o vosso Blog .

kika
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De Maria Dulce Fernandes a 15.10.2017 às 16:06

O novo AO diz tudo da imbecilidade de quem o assinou.
Foi o mesmo que vender a mãe por 30 dinheiros e as contrapartidas sub/ultramarinas do costume, que acabamos por deitar para o lixo ou pagar com língua de palmo.
Palavras para quê? São artistas portugueses ...

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De gty@sapo.ot a 18.10.2017 às 02:38

O denominado "acordo" pura e simplesmente não existe na ordem jurídica internacional e, por isso, muito menos na nacional, à luz do artº 8º da Constituição.
A ortografia portuguesa é regida pelo Decreto nº 35.228 de 8/12/45 - que está plenamente em vigor.
O espantoso - e que nos devia fazer pensar a todos - é como uma ficção pode ser impingida a cidadãos de um estado que se diz democrático de direito!
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De Cristina M. a 18.10.2017 às 14:02

como está em vigor a norma que obriga à aplicação do dito AO em tudo o que é administração e serviços públicos. escolas incluídas...
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De gty@sapo.ot a 20.10.2017 às 02:25

É uma norma ilegal.

Há uma hierarquia de normas e a resolução do conselho de ministros do acusado José Sócrates (tomada, aliás, contra a vontade da Prof.ª Doutora Pires de Lima, ministra da cultura) e o importante é que uma resolução não se pode sobrepor nem revogar um decreto-lei. Simples.

Agora, ou se tem alma de cidadão ou se tem alma de lacaio...

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De Cristina M. a 20.10.2017 às 14:53

ó gty, e moderar esses juízos de valor, hein?
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De jerry khan a 15.10.2017 às 16:49


cul tura
e
colt ura
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De Helena Sacadura Cabral a 15.10.2017 às 18:11

Ora aqui está um belo pensamento que nos servirá de escudo para as agressões diárias feitas à língua portuguesa!
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De Anónimo a 15.10.2017 às 19:09

Pior do que os exemplos que apresenta é o que fazem com o verbo haver: houveram muitas pessoas que...
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De sampy a 17.10.2017 às 00:57

Hei por bem dizer-te que ainda hás-de habituar-te...
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De JgMenos a 15.10.2017 às 19:31

Desde que o 'assumido' passou a ser o libertador da mediocridade até à obscenidade, não há muito a esperar.
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De Cristina M. a 15.10.2017 às 21:28

dúvida: escrevi um comentário há cerca de 3/4 horas que não foi publicado.
terá sido do sistema ou foi opção da Isabel?

cumprimentos,
Cristina M.
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De IO a 15.10.2017 às 21:55

Temos também o "embater contra" o "repetir outra vez" e outros...tudo no dia de hoje
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De Anónimo a 16.10.2017 às 12:59

Pleonasmo não é erro: serve para dar ênfase. Ora repita lá outra vez...e subscreva em baixo...O Pleonasmo é uma luz claramente vista.
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De V. a 17.10.2017 às 00:58

É o "ir de encontro" em vez de "ir ao encontro". "Destrocar", "subir rápido", "à séria", "parabenizar", "vou-lhe ser sincero", "contatos", "os cabos d´ávila", "liberado", etc, etc. Um bando de filhos de uma égua maldita.

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