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Pensamento da semana

por Ana Cláudia Vicente, em 30.09.17

Procura, diante dos acontecimentos, ter as tuas reacções, não as dos outros.

Agostinho da Silva (1906-1994)

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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22 comentários

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De V. a 24.09.2017 às 01:28

E se as reacções possíveis já tiverem sido todas utilizadas — como é que é?
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De Vlad, o Emborcador a 24.09.2017 às 10:07

Não me parece! Conhece alguém que num funeral tenha tirado as cuecas e subido para a campa do defunto....use a imaginação....a mensagem poderia ser esta: morte não me assustava com as tuas cores escuras. Aguardo-te em cuecas, como mereces....uma postura muito à Diógenes de Hipona
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De V. a 24.09.2017 às 11:00

Então primeiro tirou as cuecas e subiu para a campa mas depois aguarda a morte em cuecas? Isto assim não dá, pá. Sejamos sérios. Ou sim ou sopas.

Seja como for... Eis mais uma reacção que não vamos poder utilizar. Uma ou duas, aliás.
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De Vlad, o Emborcador a 24.09.2017 às 17:47

V, desculpe-me mas é o maldito do teclado do telefone
Não, imagine o V.
No funeral enquanto o vigário de Cristo pronúncia sábias e presbíteras palavras, sobre a morte e a vida, o ciclo cósmico, Deus chama a si os que mais ama.....a ladainha do costume.....um assistente de tão capcioso momento decide que a morte não nos deve merecer a mínima deferência. Ela deve ser vilipendiada, esgadanhada aos berros e não abonada em sussurros de respeito. Dizia eu, o tipo decide, ao ouvir o diabo interior, desapegar-se de tão sinistro ritual, desapertar-se do cinto, que lhe sustenta a vergonha, e lesto salta para cima do féretro, invectivando a desditiosa ceifeira apertando a genitália. ...penso que nunca ninguém teve tal originalidade de desafecto perante tão ubíquo e iníquo momento.

Agora a sério. Conheço um tipo que levou a sogra atada ao tejadilho do carro desde o Alentejo até Castelo Branco de onde era originária. Pediam-lhe um balurdio pelo transporte do cadáver. Pôs a velha embrulhada num lençol em cima de uma tábua de engomar, tudo apertado ao tejadilho de um 2 cavalos. ...penso que não a conseguiu pôr dentro do carro em virtude da rigidez cadavérica ou do odor nauseabundo, não sei. O tipo parou no Crato para almoçar- penso que umas migas com plumas de porco preto- e roubam-lhe o carro. ...o resto não sei...mas é do camandro...penso que até gostava da sogra..ficou 3 meses com baixa médica
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De V. a 24.09.2017 às 18:34



Do not go gentle into that good night.
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De Vlad, o Emborcador a 24.09.2017 às 20:00

Esse poema fiquei a conhecê -lo no filme Interstellar.
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De V. a 24.09.2017 às 20:30

Belíssimo filme, por sinal, cheios de ideias geniais: um planeta das nuvens congeladas, um outro com um mar de 50 cm e uma onda perpétua, robots quadrangulares.. Fabuloso.
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De Vlad, o Emborcador a 24.09.2017 às 21:16

Existe o livro que foca a ciência por detrás do filme. Está na net em PDF, The Science in Interstellar.
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De V. a 24.09.2017 às 22:42

grato pela dica. talvez dê uma olhadela, há ali partes que escapam com facilidade à compreensão de um leigo (não tanto o jogos temporais na orla do vazio mas sobretudo as 4D).
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De SemioZeus a 26.09.2017 às 16:08

Vlad

Um assunto muito velho mas, na altura, passou por verdadeiro, no tempo da minha adolescência, na época da "outra senhora" e, quando ouvi, saiu da boca de alguém que dizia conhecer uma pessoa de família, da família que tinha passado as férias a fazer campismo no Algarve (essa do Alentejo é nova e nem faz sentido, juntar a tábua de engomar). A coisa parece ter sido muito simples, desmontaram a tenda, onde enrolaram a falecida, sendo transportada no tejadilho... para ir "apanhando ar" porque as viagens eram longas, mesmo que só fosse do Algarve até Lisboa, nada de Crato nem Castelo Branco (Do Crato até Castelo Branco, nessa altura, seria mais de um dia de viagem e, com sol e calor, ficaria uma sogra irreconhecível). Pior que a despesa, o maior problema seria o tempo gasto com a papelada, era mais simples metê-la na cama (direitinha) e dizer que tinha morrido durante o sono.
Ignorância, "facilitismo", qualquer coisa serve para não usar a Lógica e, serão sempre geradores de erros que sofistas até adoram incentivar, em seu próprio benefício.
Por exemplo, 109.000.000 de euros cobrados, Ao Dia, pelo Fisco, a 10.285.469 portugueses, com uma Dívida em relação ao PIB que, de 124% já vai nos 139,02%, alguém dizer que não se pode assustar "as criancinhas" com fantasmas, digamos que será a melhor maneira, de passar um erro a tragédia mas, aqui, até podem ver na História, as várias probabilidades do que pode acontecer, quando um narcisista consegue um número suficiente de seguidores. Olhamos para a Europa e para o Mundo onde, nas posições de Poder, além de serem muitos, também não faltam os respectivos seguidores, uns porque lhes convém e, a maioria por continuar "às escuras".

Quanto "ao carro e à sogra", condiz que roubaram o carro enquanto almoçavam mas, o carro apareceu e nada foi roubado, nem sequer a sogra, tendo tudo sido encontrado pela polícia, com as respectivas confusões, a questão principal é que o gatuno ou gatunos, desembrulhar até desembrulharam mas, suponho que, uns, devem ter mudado para outro tipo de roubos, coisas pequenas onde não houvesse o risco de desembrulhar "prendas" tão grandes mas, quem sabe, talvez algum se tivesse curado, nunca mais roubando o que não lhe pertencia, nem sogras alheias.
Nunca apanharam os ladrões que nem sequer roubaram nada, apenas mudaram o carro e a sogra de sítio.

Já agora, só para ver como as "certezas" podem facilmente enganar, até aquela de eu ser a isa dos comentários longos, havia o Ariam e, antes, havia muitos mais. A razão até é simples e devia experimentar, escrever comentários tentando treinar a sua metade direita do cérebro ou a metade esquerda, uma mais propícia ao emocional que, sem saber disso e se for predominante, cair facilmente num papel de seguidor e a outra mais racional que, desequilibrada, pode criar tiranos.

Sabe como o Cérebro funciona?
O que é Consciência?
Sabendo isto, fica mais fácil não nos manipularem, nem nos enganarmos a nós próprios e ver o Mundo, Vida ou Morte, de uma forma completamente diferente.
Tempo, Eus, certezas... criações fictícias como as memórias, pois com as células a renovarem-se, permanentemente, a única coisa que se pode assemelhar a isso serão as proteínas que lhe dirão, apenas que "já passou por ali".
A ciência evolui e, até se sabe porque continuamos na mesma ou pior e, a razão fundamental será, só dar Lucro continuar a infantilizar adultos.
O 1% e restantes sociopatas aproveitam e basta usarem Propaganda, para as massas colaborarem, na criação das probabilidades que lhes convém.

Como me restam poucas letras, deixo-lhe dois vídeos mas, com o seu Livre Arbítrio pode escolher outras probabilidades, como não os ver e até continuar a querer optar pela ilusão do Eu. O único problema é que, com muitas "ilusões" juntas, podemos todos acabar numa das probabilidades de extinção desta nossa criação colectiva.
Quando os Físicos já sabem que o Tempo é uma criação fictícia e, aquilo que julgamos sólido são apenas partículas que vibram numa frequência tão baixa que não conseguimos ver, já chegámos àquela fase em que, à Humanidade, é urgente passar de criança à fase adulta.

https://www.youtube.com/watch?v=dbh5l0b2-0o
Athene's Theory of Everything

https://www.youtube.com/watch?v=nQKMNI5X148
What is Consciousness? What is Its Purpose?
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De Ana Cláudia Vicente a 24.09.2017 às 17:32

É-me difícil acreditar que existe um repertório finito de acontecimentos e/ou de reacções humanas conexas.

Leio este aforismo de Agostinho da Silva do seguinte modo: é fácil esquecermo-nos de que a resposta que damos aos eventos que testemunhamos (e/ou nos quais estamos envolvidos) é muito condicionada pelas nossas circunstâncias; não é fácil pensar (muito menos agir) em liberdade, simplesmente porque nem sempre chegamos a saber o que isso realmente é.
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De V. a 24.09.2017 às 18:37

Sim, concordo. Estava só a divagar — a procurar uma resposta nova ;)
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De Vlad, o Emborcador a 24.09.2017 às 19:59

O Agostinho era lelé da cuca. Tinha 30 gatos num apartamento. Os mais corajosos que o visitavam tinha de o fazer sob apneia. Sempre avaliei a qualidade de uma filosofia pela sanidade do filósofo. A de Nietzsche não valia um prego. Levou-o à loucura. A de Agostinho à zoofilia.
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De V. a 24.09.2017 às 20:37

A filosofia, levada a sério, dá cabo da cachimónia. Porque a saída é sempre a mesma. Só Epicuro acertou no que estava a fazer, mais ou menos.
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De Vlad, o Emborcador a 24.09.2017 às 21:17

Já dizia o outro. A filosofia é a Arte do Aprender a Morrer...
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De Vlad, o Emborcador a 24.09.2017 às 09:53

Grande verdade. Mas um risco para a breve trecho ser-se considerado pela psiquiatria da normalidade um alienado (qual a doença que esta psiquiatria burguesa da normalidade daria a Agostinho da Silva?). Ou na melhor das hipóteses um revolucionário. Ou dançamos ao ritmo da música que nos tocam ou somos convidados a sair da sala..pelo que ouço por aí apenas os fslhsdos não gostam de dançar. ...relembrando um pensador indiano, é sinal de doença toda a rápida adaptação a uma sociedade profundamente doente.
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De tric.Lebanon a 24.09.2017 às 14:35

por acaso...perante a expansão islâmica é impossível ter a reação dos independentistas catalães...
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De Maria Dulce Fernandes a 24.09.2017 às 15:18

Mesmo dotados de consciência lemingue diante de todos os acontecimentos, creio que cada pessoa reagirá de modo diferente, porque afinal não há duas pessoas iguais, por mais iguais que sejam.
Isto é um facto. Se alguém pestanejar 3 vezes e outrem 4 vezes pode dizer -se que tiveram diferentes reacções.
Acredito que algumas vezes terá que se recorrer ao video-árbitro...
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De Cristina M. a 24.09.2017 às 21:09

... terá sido numa desgarrada com Saramago, respondendo-lhe à tirada: «“O heroico de um ser humano é não pertencer a um rebanho». na verdade, é uma luta sem fim - afirmar que somos únicos.
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De Anónimo a 25.09.2017 às 10:10

Na muche!
João de Brito
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De Blondewithaphd a 25.09.2017 às 16:42

Excelente pensamento!
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De Anónimo a 26.09.2017 às 22:20

Ou eu estou louca - o que não é nada impossível - ou os comentários que li constituem interpretações muito curiosas do pensamento da Ana Cláudia para esta semana.
Confesso que não conhecendo nenhuma das versões da história da sogra, nem das loucuras do morto/vivo em cuecas, ri bastante com o que aqui se produziu.
Felizmente para todos porque eu ia comentar, com muito menos graça e saber filosófico!

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