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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 17.06.17

Populismo tornou-se um rótulo tão abrangente e desgastado que serve para designar tudo e nada ao mesmo tempo.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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22 comentários

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De JS a 11.06.2017 às 16:44

Exacto. Como se houvessem políticos não-populistas ...
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De J. L. a 11.06.2017 às 22:34

Caro JS
Estude o verbo haver. Olhe que há políticos que estudaram gramática.
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De Pedro Correia a 11.06.2017 às 22:54

"Hádem" a ver alguns que estudaram.
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De Pedro Correia a 11.06.2017 às 22:54

Até o Papa é pop.
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De Sérgio de Almeida Correia a 12.06.2017 às 08:37

É verdade, Pedro. Ficam aqui as referências de dois textos interessantes e recentes sobre o assunto:

"Too much has been made of populism as if its varieties have, in Jan-Werner Müller’s terms, an ineluctable ‘inner logic’; as if it were a transcultural and wholly coherent form of political organization, even a kind of political ‘regime’ or a technology of government akin to ‘bureaucracy’ or ‘totalitarianism’; or some kind of radical alternative to liberal democracy (cf. Lefort, 1986; Müller, 2016, p. 10). But populism is not really a ‘thing’ at all. It is, rather, an ‘effect’, a style, a syndrome, a device – or series of devices – involving, to varying degrees and inten- sities, the myth of direct popular power – a component of politics of different shades. Populism is generically hybrid and parasitic; in myriad forms, sometimes in extremis, sometimes not, it has long coexisted with liberalism and democracy." (Populism: a deflationary view, Maxine Molyneux and Thomas Osborne,Economy and Society, Volume 46, Number 1, February 2017: 1–19)

"(...) analyses of populism are often conceptually vague and have the tendency to conflate populism with related but distinct political phenomena, such as nationalism, social and economic conservatism, and anti-immigrant discourse. This confusion has an analytical cost. If we are unclear about the meaning of populism, we will have difficulty understanding its implications for political change.
A sizeable academic literature in political science, history, and sociology has
been grappling with populism for over 40 years, generating important insights
about the phenomenon and its role in electoral and legislative politics. These
insights have become more consistent in recent years as scholars have come to
recognize that populism is a common feature of democratic politics that spans
ideological positions and world regions." (Three Lessons of Contemporary
Populism in Europe and the United States, Bart Bonikowski,Brown Journal of World Affairs, Fall/Winter 2016, volume xxiii, issue i)
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De Pedro Correia a 12.06.2017 às 22:13

Obrigado pelas achegas, Sérgio. Confesso que já estou cansado de ouvir mencionar este rótulo nas mais diversas situações, procurando explicar tudo e acabando por não explicar nada.
É um bocado como a história do Pedro e o lobo: de tanto se falar no lobo, sem justificação, um dia quando ele apareceu mesmo já ninguém estava alerta.
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De Psicogata a 13.06.2017 às 10:26

Penso que terá a ver com o facto dos políticos recorrerem cada vez mais a discursos populistas, mesmo que não seja para agradar às massas, mas apenas à maioria da massa.
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De Pedro Correia a 13.06.2017 às 11:43

Populista é hoje confundido com popular. Deixou de se falar em políticos populares e passou a falar-se apenas em políticos populistas.
Também é confundido com demagogo. Deixou de se falar em demagogia política e passou a falar-se apenas em populismo.

O populista é aquele que estabelece linhas fronteiriças entre "os de baixo" e "os de cima". Sendo "os de baixo" o povo, em abstracto, e "os de cima" os políticos". E apela ao derrube dos que estão "em cima" - os políticos. Mas não todos: o populista age na política como se não fosse político, como se estivesse "em baixo".
É aquele que diz, como acabo de ouvir Pablo Iglesias dizer na Câmara dos Deputados em Madrid durante o debate da moção de censura ao Governo, "os espanhóis são muito melhores do que os seus políticos". Subentende-se, claro, que ele é excepção à regra. Ele é político - líder de um partido, deputado - mas age como se o não fosse. Fala de dentro como se estivesse de fora.
Isto é populismo.
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De Psicogata a 13.06.2017 às 11:51

Sem dúvida, basta assistir aos debates e peças jornalísticas, às vezes são os próprios políticos a acusarem-se uns aos outros de populismo, quando não se referem a medidas populares.

A palavra está na moda e por isso usa-se com frequência, parte da confusão deve-se também que o povo, os oprimidos, são a massa.
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De Pedro Correia a 13.06.2017 às 22:23

É isso, Psicogata. Está na moda. Usa-se e abusa-se dessa palavra até à náusea.
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De Maria Dulce Fernandes a 13.06.2017 às 13:18

Presentemente é popular ser populista, e como os termos se confundem vai dar tudo ao mesmo e a moda pegou. Muitos usuários do termo populista desconhecem o que significa na realidade.
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De Pedro Correia a 13.06.2017 às 22:21

Direi mesmo: a maior parte, Dulce. Julgo que grande parte daqueles que utilizam esta expressão - incluindo os tudólogos que aparecem noite após noites nos mesmos canais de televisão - imaginam que populista é sinónimo absoluto de popular.
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De Anónimo a 13.06.2017 às 21:14

Populista é todo aquele que não é situacionista.
Antigamente, era comunista.
Mudam-se os tempos, mas não se mudam as vontades.
Ou melhor: os situacionistas de hoje são ainda mais intolerantes (logo, mais ditadores) que os de antigamente.
Sei o que digo, porque apanhei com os dois.
João de Brito
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De Pedro Correia a 13.06.2017 às 22:22

Não me parece que os comunistas alguma vez tenham sido populistas. Excepto talvez uns quantos venezuelanos, que são uma espécie híbrida de comunistas.
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De Anónimo a 13.06.2017 às 23:31

De facto até a mim já chamaram populista e demagogo. Às vezes parece-me que são nomes que se atiram quando já não se tem mais argumentos.
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De Pedro Correia a 13.06.2017 às 23:35

Eu a si, quanto muito, chamaria anónimo. Não mais que isso.
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De Anónimo a 14.06.2017 às 00:31

Acertou! Tem direito a música.
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De lucklucky a 17.06.2017 às 22:52

Já se começou a virar contra quem a usava como arma de ataque, logo estraga a narrativa. Não há maior populista que alguém que diz que tira a A para dar a B.

Foi como as "fake news", de repente todos começaram a apontar as mentiras e erros da CNN, Washington Post, New York Times, BBC etc...
A partir daí nunca mais se viu o uso da expressão "fake news"...

Ou a "Pátria". Há 20 anos atrás quem falasse de Pátria era um perigoso fascista para a esquerda ou um salazarento anti "europeu" para a direita "moderna".
Hoje o PCP coloca "Pátria" nos cartazes e todos os políticos já podem usar essa palavra que há anos estava proibida, e até clamar por patriotismo.
Bastaram poucas décadas para os ventos das palavras mudarem.
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De Pedro Correia a 30.06.2017 às 21:04

Há os psicopatas e há os psicopátrias.

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