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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 17.02.17

 

No país do achismo, quem tem olho é tudólogo.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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28 comentários

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De Manuel Silva a 12.02.2017 às 11:21

Caro Pedro:
Bom dia.
É só para lhe deixar isto.
Vale a pena ler e guardar o link.
«O Acordo Hortográfico», Manuel Alte da Veiga, in blogue De Rerum Natura.
http://dererummundi.blogspot.pt/2017/02/acordo-hortografico.html
Bom fim-de-semana.
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De Pedro Correia a 12.02.2017 às 22:04

Obrigado, meu caro. Um abraço.
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De antónio a 12.02.2017 às 11:53

Por favor acrescente também "doutrinador"...
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De Pedro Correia a 12.02.2017 às 22:06

Aí é que a porca torce (ainda mais) o rabo.
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De JSC a 12.02.2017 às 20:38

A falta de cultura filosófica em Portugal e da argumentação clássica é deveras preocupante na sociedade.

Os factos hoje contam pouco, um pouco à semelhança da imagem que hoje em dia é tudo, longe vão aos tempos em que se apresentavam factos para chegar Às conclusões.
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De Pedro Correia a 12.02.2017 às 22:07

Os factos hoje só atrapalham. De tal maneira que muitos já nem escrevem factos. Escrevem "fatos". E acreditam que é mesmo assim.
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De amendes a 13.02.2017 às 08:16

Portugal é um país de muita fé:

Na troika e na raspadinha!

Obs. esquecia-me de Marcelo!
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De Pedro Correia a 15.02.2017 às 09:04

Devemos acautelar-nos contra os erros de percepção mútuos. Podem ser tramados.
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De Anónimo a 14.02.2017 às 11:56

Poucas vezes tenho lido comentários tão inteligentes e com tanta graça como
neste caso.
Tiro-lhes o chapéu!

Exemplos:
- Inteligente e com muita graça:
De Teresa Ribeiro a 12.02.2017 às 12:35
Também acho ;).

- Inteligente:
De JSC a 12.02.2017 às 20:38
A falta de cultura filosófica em Portugal e da argumentação clássica é deveras preocupante na sociedade.

Depois disto, reconheço a modéstia da minha própria achega:
- No país do achismo, quem tem olho tem sempre razão.
João de Brito



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De Pedro Correia a 15.02.2017 às 09:06

Eu pisco o meu olho à sua sapiência.
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De Einzeturzende Neubaten a 15.02.2017 às 09:09

Embora os factos existam, a sua realidade, a sua significação, é imaginada (Platão e o mundo das formas). E isto porque cada um de nós interpreta os factos à sua maneira. Desta forma estaremos mais perto da verdade quando decidirmos procurá - lá de ouvidos e olhos fechados. Como defende, Heisenberg, a Realidade apenas existe se vista. Contudo existe muita verdade para lá daquela percepcionada por cada um de nós. Nesta linha de raciocínio consulte - se também Kurt Godel e o teorema da incompletude. Qualquer teoria matemática parte de pressupostos não passíveis de demonstração. Assim não existem tudologos, apenas achistas. Apenas a certeza da dúvida.
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De Pedro Correia a 15.02.2017 às 10:38

Já o velho Parménides, pelo contrário, garantia que o ser era eterno e imutável e toda a mudança é pura ilusão dos nossos sentidos.
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De Einstürzende Neubauten a 15.02.2017 às 11:11

O Ser, a Vida em Geral, sim, parece-me Eterna/Cíclica (acho eu!). Existiu o Big Bang, a grande expansão, depois sucederá o Big Crunch, a grande contração do Universo que condensará toda a matéria cósmica num espaço ínfimo. E depois novo Big Bang. Num ciclo interminável.

A Vida geral é eterna. Quando morrermos os nossos elementos orgânicos entrarão na formação de plantas. Servirão de alimento a vermes, rosas, girassóis. Tal como da morte das estrelas retirámos o elemento químico Ferro para com ele fazermos a hemoglobina (pigmento que transporta oxigénio, nos nossos glóbulos vermelhos) - todos os elementos químicos pesados resultaram da explosão de SuperNovas, não tendo origem terrestre.

E as nossas futuras mães, as futuras vidas, alimentar-se-ão de novos cadáveres, de outras mortes. E da morte, a vida retirará os elementos nutritivos (átomos e moléculas orgânicas e não orgânicas) dos que outrora foram para voltar a nascer. A morte é como a seiva da vida. O seu leite e mel.

O que ressalta daqui é uma lógica de Ciclo e Repetição

Talvez tudo se resuma ao Eterno Retorno de Nietzsche, em que o que muda são os actores convidados e não o argumento.

Correcção:
Queria dizer Schrödinger, e não Heisenberg.

O Gato de Schrödinger é uma experiência mental, frequentemente descrita como um paradoxo, desenvolvida pelo físico austríaco Erwin Schrödinger, em 1935. A experiência procura ilustrar quão estranha é a interpretação de Copenhague da mecânica quântica, imaginando-a aplicada a objetos do dia-a-dia. No exemplo, há um gato encerrado em uma caixa, de forma a não estar apenas vivo ou apenas morto, mas sim "morto-vivo

O experimento também traz à tona questionamentos quanto à natureza do "observador" e da "observação" na mecânica quântica; se você, pelo fato de abrir a caixa e deparar-se com um gato morto, é ou não o responsável pela sua morte. Foi no transcurso desse experimento que Schrödinger criou o termo Verschränkung
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De Pedro Correia a 15.02.2017 às 14:58

Eterno retorno? Segundo Heraclito, ninguém pode banhar-se duas vezes nas águas do mesmo rio.
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De Jorg a 15.02.2017 às 18:02

Heisenberg não diz nada que sustente tal disparate sobre a natureza da Realidade - e, se se der ao trabalho de se cultivar com atenção, até percebe que resolve, de forma positiva, muitos problemas relativos a erros de percepção mutuos...
Igualmente Gödel não tem nada ver com tal alinhamento de raciocinio - existem alias dois teoremas da incompletude, que substânciam, não um relativismo que endosse alarvidades do tipo "muita verdade para lá daquela percepcionada por cada um de nós" - apenas nos acautela, de forma rigorosamente brilhante, para as limites (que não impossibilidades) da racionalização partindo de pressupostos axiomáticos que utilizamos para percepcionar essa realidade, calibrando-os, o que os torna muitos úteis para ponderar como patranha paleio de "erros de percepção mutuos".
Na Universidade contava-se esta anedota sobre âmbitos de conhecimento e correlacionadas aplicações práticas - num teste psicológico desenhado para homens de ciência, uma jovem em trajes sucintos sentava-se, em poses sedutoras, na extremidade iluminada de um quarto 'autrement' escurecido.
O primeiro a ser submetido ao teste era um matemático - a psicologa de serviço explicou-lhe o teste "o senhor tem de se dirigir, em linha recta, para a extremidade iluminada onde se encontra aquela exuberante jovem, mas seguindo a seguinte sequência de passos - o seu segundo passo terá de ter associado um comprimento que é 1/2 do primeiro; o seu terceiro passo terá de ter associado um comprimento que 1/2 do segundo; e assim sucessivamente.."
O matemático, perante tal explicação, recusa fazer o teste declarando despeitado- "nunca conseguirei chegar junto de tão gentil cachopa!!"
Segue-se um engenheiro (ou um físico experimental..). Ouvida a explicação, esfrega as mãos, e dispõe-se a caminhar de acordo com a sequência indicada pela psicologa. Esta ainda lhe diz "repare que tal sequência matemática para os passos implica que nunca vai conseguir chegar até a extremidade iluminada!"
O engenheiro responde-lhe, com expressão marota "eu sei! Mas sei também que consigo chegar suficientemente perto para poder fazer uma série de coisas interessantes!"
Nota de rodapé: A psicóloga ajustou um pressuposto (axioma?) para o teste- que os participantes masculinos se impressionassem com cachopas...
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De Einstürzende Neubauten a 15.02.2017 às 20:27

Jorg se gosta de impressionar cachopas, leia correctamente. Corrigi, posteriormente, para Schrödinger

Quanto a Godel, fique com esta de outro genial matemático, discípulo de Bertrand Russel:

"Os limites de minha linguagem são os limites de meu mundo."

Ou se quiser leia o Pessoa - “O mito é o nada que é tudo.”

Qual dos dois é o Jorg?

http://revistasera.info/wp-content/uploads/2013/08/criacao-adao.jpg
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De Jorg a 16.02.2017 às 10:45

Igualmente Schroendinger não tem nada a ver com tal disparate sobre a percepção da realidade - sabia que as escalas quânticas, quando nela se procurava medir um parâmetro, eram afectadas,modificando outros distintos parâmetros mensuráveis, pelo observador/experimentalista, mas tal é independente da certificação de existência do objecto por mera opção de decisão de observação do sujeito. Aliás, foi o argentino "Quino" numa das tiras da Mafaldinha que populariza o alerta para as subjacências tacanhas de tais intelectuais maravilhamentos de criação de realidades pela mera existência de egocentrico sujeito - o Manelinho, em frente a um globo terrestre, pergunta "Mafaldinha, o mundo já existia antes de nós nascermos?"
"Claro que existia" replica a Mafaldinha.
Manelinho, põe aquela expressão de presunto tudólogo e contesta " E para quê!!".

O conhecido de Russel, que não discípulo (graças a Deus) vista a originalidade e autonomia, também mencionou "Wovon man nicht sprechen kann, darüber muss man schweigen " - o que é valioso critério para não ser tomado por parvo com boutades tipo "erros de percepção mutuos" e pode ainda servir para ultrapassar binária bipolaridade facil de acoplar a "achismos" e "tudologias".

De Pessoa, prefiro (previsível) Alberto Caeiro, sempre atento á Eterna Novidade do Mundo - acautelado, porém, por aquele poema da Mensagem que nos avisa sobre os Colombos cujo pavoneamento "É justa auréola dada/Por uma luz emprestada"

Boa Noite & Boa Sorte
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De Einstürzende Neubauten a 16.02.2017 às 13:14



https://www.youtube.com/watch?v=ndZl7L_ciAQ

https://www.youtube.com/watch?v=ABZ8rrDMc54
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De Einzeturzende Neubaten a 15.02.2017 às 15:33

Heráclito estava errado. Se o tempo for infinito e a matéria finita tudo o que foi terá probabilidade de voltar a ser. Tudo o que passou, voltar a passar. Nisto consiste o Eterno Retorno. Por aqui a probabilidade é sempre diferente de zero. Tempo infinito e matéria finita
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De Pedro Correia a 15.02.2017 às 16:03

Heráclito assumia-se como herdeiro espiritual de Platão.
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De Pedro Correia a 16.02.2017 às 12:53

Era ao contrário: resultado de escrita apressada. Corrigido lá mais para baixo.
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De Einzeturzende Neubaten a 15.02.2017 às 16:53

Não tendo formação em filosofia, penso que todos os metafísicos são herdeiros de Platão. Dessa ideia de a verdade esconder -se sob um manto diáfano da aparência. Cuidado com a Mentira Verosimil e a Verdade inverosímil!!
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De Pedro Correia a 15.02.2017 às 17:54

Todos somos de algum modo herdeiros de Platão.
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De JAB a 15.02.2017 às 17:06

A frase é "notável" e há bons comentários por aqui.
Mas, a não ser que seja num contexto de humor, Heráclito é anterior a Platão... um pré-socrático. Platão conjuga a "permanência" (ménei) de Parménides representada na "ideia" com a "mudança" (rei) de Heráclito representada nas coisas, ou na realidade. Mais tarde, Aristóteles apresentará sucessivamente a "matéria prima" e a "forma substancial", para explicar o mesmo. E nós cá continuamos a filosofar...
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De Pedro Correia a 15.02.2017 às 17:55

Escrevendo à pressa, exprimi-me mal. Platão é que se reclamava herdeiro simultâneo de Heráclito e de Parménides.

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