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Não, senhor. Não mesmo. Por muito que nos queiram fazer acreditar, o maior escândalo jornalístico associado à tragédia de Pedrógão Grande não é um artigo publicado no El Mundo sob pseudónimo, nem a reportagem da Judite, nem a impreparação dos jornalistas, nem a repetição das frases feitas, nem a exploração abusiva dos sentimentos e das emoções. Tudo isso levanta naturalmente interrogações deontológicas e é susceptível de crítica cerrada. Mas há pior. Vejamos os factos. Temos, desde logo, 64 vítimas mortais, ao que parece 12 desaparecidos e centenas de feridos. É uma das maiores tragédias humanas à escala planetária provocada por um incêndio florestal. Temos depois a política da floresta e de prevenção e combate a incêndios mais do que questionável ao longo de décadas. Temos os Kamov que não voam e não servem para combater fogos. Temos o SIRESP cuja aquisição está envolta em suspeitas sérias e que não funcionou em várias situações de emergência já conhecidas em 2016. Temos carrinhas com antenas que não comunicam. Temos uma estrada que não foi fechada e onde morreram mais de quatro dezenas de pessoas. Temos o camião de frio da Protecção Civil que não funciona. Temos a origem do incêndio que é preciso apurar para lá das versões pré-estabelecidas. Tudo isto são factos que um jornalista experiente deveria querer conhecer e aprofundar. Como compreender então que, entre outros, Paulo Baldaia e Fernanda Câncio se tenham apressado, no DN e com os cadáveres ainda quentes, a decretar a inevitabilidade do sucedido? Como é possível que tenham prescindido imediatamente, perante tudo isto, da função essencial de jornalista que é fazer perguntas? Este sim é o elefante no meio da sala do jornalismo português, o escândalo que é preciso investigar. Com que propósito, em nome de que interesses, a mando de quem abdicaram das perguntas para abundar nas respostas?

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13 comentários

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De WW a 25.06.2017 às 15:52

O Rui Rocha tem toda a razão mas deveria também ter incluído este facto :

"Acontece que, até ao momento, ninguém encontrou o avião despenhado."


https://aventar.eu/2017/06/23/factos-alternativos-em-pedrogao-grande/
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De Einstürzende Neubauten a 25.06.2017 às 15:53

"Como compreender então que, entre outros, Paulo Baldaia e Fernanda Câncio se tenham apressado, no DN e com os cadáveres ainda quentes"

Hmmm, cheira-me a mau jornalismo, ou piada de mau gosto.... Se o Pedro Correia o lê, o Rui fica acorrentado! Opte, se puder, pelo pescoço. Dizem que prolonga a gozo da poda.
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De JSP a 25.06.2017 às 16:09

A voz do(s) dono(s), meu caro.
Dois dos mais lídimos representantes da Prostituição Comunicacional cá da Paróquia...
Parece que ainda há quem lhes leia os pasquins.
Masoquismos...
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De José António Abreu a 25.06.2017 às 16:54

Boas perguntas, Rui, para as quais, evidentemente, conheces as respostas: estavas cá no tempo do Sócrates.
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De Einsturzende neubauten a 25.06.2017 às 19:25

Meu caro, Abreu, já que estamos numa de aligeirar de cargas, diga-me, se a má colheita de tomates deste ano, ou do anterior ( quando é que se colhem tomates?) pode ser atribuída ao Sócras?
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De José António Abreu a 25.06.2017 às 20:38

Obviamente - e você sabe-o - a questão não é o Sócrates. É a sabujice da comunicação social perante governos do PS, tão visível hoje como há oito ou dez anos, nos tempos do vosso dilecto herói.
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De José António Abreu a 25.06.2017 às 20:39

Isto, claro, em parte por afinidade ideológica, em parte porque a comunicação social sabe que "quem se mete com o PS, leva".
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De Einstürzende Neubauten a 25.06.2017 às 21:25

O que é curioso é os Educadores nacionais, muitos deles jornalistas, dos bons, dizerem até à exaustão que nunca devemos generalizar, ou tomar um grupo caracterizado quer por ideologia, cor da pele, género, etc, como personificação do mal absoluto, seja ele no referente à politica, moral, costume....

O José oficina o quê?

Jornalistas/Comentadores da vanguarda, e da TV:

Helena Matos
Camilo Lourenço
Bagão Félix
José Miguel Júdice
Alberto Gonçalves
David Diniz
....e podia continuar,

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De Nebauten a 25.06.2017 às 23:20

José Rodrigues dos Santos, José Alberto Carvalho, Judite de Sousa, Correio da Tarde, O Diabo, Observador....
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De Nebauten a 25.06.2017 às 23:24

Helena Garrido, Fátima Bonifácio, António Barreto, Pulido Valente, João Pereira Coutinho, João Miguel Tavares. ...
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De V. a 26.06.2017 às 01:28

Temos uma estrada que não foi fechada e onde morreram mais de quatro dezenas de pessoas.

Não sei se o problema foi aquela estrada não estar fechada se foi terem fechado as outras incluindo o ic8, afunilando toda a gente no mesmo sítio ao cair da noite, 6 horas depois do fogo ter começado.
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De Luís Lavoura a 26.06.2017 às 09:26

Não sei se o problema foi aquela estrada não estar fechada se foi terem fechado as outras incluindo o ic8

Olhando para um mapa, parece-me que a EN 236-1, que é no sentido norte-sul, nada tem a ver com o IC8, que é no sentido leste-oeste. Não são estradas alternativas. O IC8 vai de Pombal (Oeste) a Castelo Branco (Leste), a EN 236-1 vai de Castanheira de Pera (Norte) a Pedrogão Grande (Sul).
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De Luís Lavoura a 26.06.2017 às 09:19

uma estrada que não foi fechada

Há vi este disparate de sugestão de fechar a estrada vezes de mais.

É impossível fechar uma estrada como aquela. Aquela estrada tem N entroncamentos com estradas terciárias que levam a N aldeias que há ao longo do seu percurso. Para fechar uma estrada assim seria necessário pôr um GNR em cada um desses entroncamentos. E todas as aldeias ficariam sem acessos. E os GNR pereceriam nas chamas.

Há que compreender que aquela estrada não é uma autoestrada nem um IP, que só têm acessos de 5 em 5 ou de 10 em 10 quilómetros. Aquela estrada tem acessos de 500 em 500 metros, ou menos. É uma estrada rural, de acesso a muitas aldeias. Não é uma coisa fácil de se encerrar. Muito menos quando tem chamas a toda a volta.

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