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Os Yes Men.

por Luís Menezes Leitão, em 02.04.16

Dou inteira razão à Teresa neste post. Infelizmente a vida partidária está cheia de yes men, incapazes de ter algum posicionamento crítico e limitando-se a concordar, atentos, veneradores e obrigados, com aquilo que o líder propõe. Podem os próprios sair beneficiados, com cargos atribuídos para recompensar as fidelidades, mas esse é um factor de enorme empobrecimento dos partidos, e no final acaba por prejudicar os próprios líderes.

 

A este propósito recordo-me de uma conversa elucidativa que tive com um professor norte-americano, logo após a eleição de George W. Bush para presidente dos Estados Unidos. Na altura esse professor norte-americano disse-me que estava muito preocupado com as fracas capacidades intelectuais do presidente eleito, claramente visíveis no seu discurso, considerando que isso poderia ser muito prejudicial para o país. Na altura observei que ele se tinha feito rodear de uma excelente equipa, onde pontificavam nomes como Colin Powell e Condoleezza Rice, e que por isso não havia razão para preocupações. A resposta que ele me deu foi elucidativa: "Não concordo que ele tenha uma excelente equipa, mas mesmo que a tivesse, tem que ter a inteligência necessária para saber a quem ouvir. E se todos lhe estiverem a dizer o mesmo, terá seguramente uma péssima equipa".

 

Pensei muitas vezes nessa observação, quando vi os sucessivos desastres a que George W. Bush conduziu os Estados Unidos. De facto o grande problema dele era estar rodeado de yes men, incapazes de lhe chamar a atenção para os erros das suas políticas.

 

 

Não há efectivamente nada pior para um político que rodear-se de uma corte de yes men, que só lhe dizem aquilo que ele quer ouvir. Cedo ou tarde, isso só pode conduzir esse político à derrota. É estranho por isso que os políticos recorram tanto a esse tipo de gente.

 

Razão tinha Samuel Goldwin quando disse: "Não quero yes men à minha volta. Quero pessoas capazes de me dizerem a verdade, mesmo que isso lhes custe o emprego".

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11 comentários

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De António Cabral a 02.04.2016 às 10:14

Muito bom dia. Respeitosamente,não me parece nada estranho, pois pululam por cá e lá fora, políticos e politiqueiros muito semelhantes a caciques, e uma enorme escassez de estadistas que tenham aprendido a ler e ver dicionários e, em consequência, interiorizar as noções de, decência, hombridade, honestidade intelectual, e de serviço. Cumprimentos. António Cabral
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De Vento a 02.04.2016 às 12:12

Para pessoas com bom senso e formação cívica é fácil compreender as verdades que reflecte em seu texto e o apadrinhamento que faz da reflexão da Teresa.

Mas o tema carece de outros exemplos. Vi por aqui os politólogos de serviço e os cientistas políticos (na realidade a política é para os cientistas do fingimento) muito indignados pela não atitude por parte de uma formação parlamentar relativamente ao tema das condenações operadas em Angola.

No entanto, a situação inverteu-se e fez-se silêncio. Mas o silêncio destes não serviu para abafar a voz de homens livres, e eu também não abafo a minha:

http://rr.sapo.pt/noticia/50798/historicos_do_cds_chocados_com_chumbo_a_condenacao_a_angola?utm_source=rss

Aqui temos, bem próximo de cada um de nós, um exemplo dos Yes men.

Por vezes eu gostaria de ter jeito para grandes e teatrais indignações.
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De Vento a 02.04.2016 às 19:14

Trago aqui um outro tema que lhe interessará:
http://economico.sapo.pt/noticias/wikileaks-revela-alegado-plano-do-fmi-para-fazer-ceder-a-grecia-e-a-alemanha_246217.html
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De do norte e do país a 02.04.2016 às 18:10

Julgo que em Portugal (e muito provavelmente noutros países) o problema dos yes-man poderá não ser o maior dos problemas. Ou seja, na minha opinião um problema ainda mais agudo na política Portuguesa é falta de honestidade intelectual dos seus actores motivada pela necessidade de defesa, não de posições partidárias, mas de meros interesses partidários.
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De Anónimo a 02.04.2016 às 22:26

Razão tinha Samuel Goldwin quando disse: "Não quero yes men à minha volta. Quero pessoas capazes de me dizerem a verdade, mesmo que isso lhes custe o emprego".

Declaração politicamente mais cínica e pessoalmente mais egoísta não poderia existir!

João de Brito
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De Anónimo a 03.04.2016 às 00:23

Mais depressa diria que Bush era ele mesmo um "yes man" de quem era realmente influente, do que chamaria a Colin Powell e Condoleezza Rice "yes men".
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De Teresa Ribeiro a 03.04.2016 às 12:25

"É um factor de enorme empobrecimento dos partidos, e no final acaba por prejudicar os próprios líderes" - exactamente!
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De Octávio dos Santos a 03.04.2016 às 14:32

Quais foram «os sucessivos desastres a que George W. Bush conduziu os Estados Unidos»? Quais foram «os erros das suas políticas»?
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De Anónimo a 03.04.2016 às 22:46

Cada pergunta! Está a gozar?
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De Jorg a 04.04.2016 às 09:13

O que me faz confusão no seu post e também, e especialmente, no da sua colega de Blog é que tais reflexões apareçam com PPC como catalisador - num País que foi capturado e amestrado pela Socretinada, a começar pelas maltas da "xuxalada" e a acabar no 'Beau Monde' das academias, finança, comunicação social e consultorias da Capital, onde tanta gente sempre 'prenhe' de ideias e de visões de mundo (ou 'mundovisões') se calou perante tanta labrega histeria e demagogia alimentada a mamar créditos sem caução, achar que PPC é mote de parabola sobre "yes man" - que alias teve, no PSD e até no próprio Governo, criticos dos mais acérrimos e que lhe fizeram tudo menos favores (Crato, perante uma licenciatura Manhosa, correu com Relvas do Governo ; Gaspar, perante os outros ministros a ditar, desde sempre, "não há dinheiro";Ferreira Leite, Marques Mendes, o actual Presidente Marcelo, até o Presidente Cavaco, p.ex. na crise do "irrevogável" ou nas sucessivas avaliações de constucionalidades) - é de sorrir como perante aquela plausibilidade que nos querem impor naquele anuncio antigo do Trinaranjus onde aparece um Gago " 'ta...'ta...'tava a gu...gu..guzar com..comigo?" "nã...nã..não- 'ta...tava a gu..guzar com ele.."
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De lucklucky a 04.04.2016 às 23:21

O autor não sabe do que fala.

Não fez investigação nenhuma sobre G.W.Bush.
Talvez possa ler Bob Woodward sim o do Watergate por exemplo. E outros.

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