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Os resultados da medida de resolução do BES.

por Luís Menezes Leitão, em 08.01.18

Quando Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque anunciaram a medida de resolução do BES com um empréstimo de 4.900 milhões de euros ao Fundo de Resolução, eu escrevi logo aqui que a ideia de que o Estado recuperaria o dinheiro emprestado não passava de um sonho de uma noite de Verão. Mas só agora, passados quatro anos, o Estado reconhece ter perdido todo o capital que meteu irresponsavelmente nesta operação. Naturalmente que os responsáveis por essa decisão já não estão em funções e são os contribuintes que irão assumir uma perda, que lhes garantiram que nunca teriam.

 

Este é um bom aviso para aqueles que com tanta ligeireza quiseram pôr o dinheiro da Santa Casa a financiar o Montepio. Como bem se salientou no El País o dinheiro dos pobres não pode servir para salvar bancos. Houvesse respeito pelos dinheiros públicos, com a garantia de que nunca serviriam para socorrer negócios privados, e é seguro e certo que os privados teriam mais cuidado na gestão dos seus próprios negócios.

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8 comentários

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De Luís Lavoura a 08.01.2018 às 14:26

os privados teriam mais cuidado na gestão dos seus próprios negócios

Isso quer dizer na prática o seguinte: se as pessoas soubessem que os bancos podiam falir e que se falissem não seriam socorridos, então ninguém poria o seu dinheiro no banco. Os empresários guardariam o dinheiro com que pagar aos seus trabalhadores debaixo do colchão, o LML não teria conta bancária e pediria aos seus clientes que lhe pagassem em notas, com as quais o LML depois percorreria a rua até ao seu atuomóvel receoso de que qualquer gatuno lhe saltasse em cima, etc.

Os bancos, LML, são essenciais a uma sociedade moderna, e só pode haver bancos se houver confiança de que eles não falem.
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De Luís Menezes Leitão a 08.01.2018 às 14:51

Que estejam calados, portanto.
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De Vítor Augusto a 08.01.2018 às 14:50

E porque é que não explica aqui, que se os que já não estão em funções não tivessem dito não ao pedido do Sr. Salgado, ainda hoje os contribuintes estariam a pagar para o saco roto do BES, GES, e das benditas contas do sr. que sempre viveu em dificuldades, não 4 mil milhões, mas 40 ou 80 mil milhões, que estariam agora adicionados à nossa já bem apertada corda ao pescoço, chamada divida externa, pela via da venda de dívida soberana, soberana salvo seja?
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De Luís Menezes Leitão a 08.01.2018 às 15:08

Se tivessem dito não ao Senhor Salgado e também a qualquer medida de resolução os contribuintes não estariam a pagar absolutamente nada. Os depositantes é que sim. Em qualquer caso eles prometeram que os contribuintes nunca pagariam nada e as promessas devem ser honradas, ou então não se fazem.
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De Luís Lavoura a 08.01.2018 às 15:34

os contribuintes não estariam a pagar absolutamente nada. Os depositantes é que sim.

Exatamente. Os depositantes do BES é que perderiam o seu dinheiro. Acontece que muitos contribuintes são depositantes do BES. Acontece também que muitas empresas dependiam do dinheiro que tinham depositado no BES para o seu funcionamento (para pagar aos seus trabalhadores e fornecedores, etc). Acontece finalmente que os depositantes noutros bancos, ao verem que os depositantes no BES tinham perdido o seu dinheiro, ficariam muito temerosos de também eles perderem o dinheiro que tinham depositado noutros bancos, e correriam a retirá-lo de lá. E acontece que tudo isso criaria um caos brutal na economia.

Uma coisa simples é deixar falir um banco pequenino e muito selecto como o Banco Privado Português. Outra coisa um bom bocado pior, mas ainda assim tolerável, é deixar falir um banco médio como o Banco Português de Negócios. Já deixar falir um grande banco como o BES afigura-se-me intolerável. (E eu não sou, nem nunca fui, depositante do BES.)
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De jo a 09.01.2018 às 11:18

Então, se são os contribuintes que têm de arcar sempre com os prejuízos provocados pelas falências dos bancos, terão de ser os contribuintes a receber os lucros. Por essa lógica os grandes bancos têm de ser do Estado.

Está a dizer que os bancos de grandes dimensões têm de ser estatais, ou diz que só os prejuízos é que são para o Estado?
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De Marco a 09.01.2018 às 12:06

As regras europeias protegem depósitos inferiores a 100k€. Estes perdem zero em caso de falência.

Por isso, em deixando falir o BES, quem tivesse lá mais de 100k€ é que ficava a arder. E, desculpe a expressão, mas eu quero mais é que depositantes com mais de 100k€ no banco se fodam.
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De Luís Lavoura a 09.01.2018 às 12:35

Eu concordo consigo em princípio, mas
(1) Há certamente muitas empresas que precisam de ter no banco mais de 100 mil. Qualquer empresa com 100 trabalhadores precisa de ter 100 mil no banco só para lhes pagar os salários (incluindo contribuições sociais).
(2) Pagar os 100 mil euros a cada um que os tenha pode ficar mais caro do que salvar o banco. Por exemplo, salvar o BES custou 5 mil milhões de euros; bastaria haver no BES 50 mil depositantes que lá tivessem cada um 100 mil euros, para ficar ao mesmo custo dar a cada um desses 50 mil depositantes os seus 100 mil euros.

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