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"acordo ortográfico" de 1990, concebido por Cavaco Silva e que José Sócrates mandou ratificar em 2008, surgiu com o propósito de unificar a grafia. Propósito utópico, irrealizável: nunca haverá unidade ortográfica entre os países de língua portuguesa (reparem, por exemplo, como os brasileiros - e só eles - persistem em chamar Cingapura a Singapura).

Não unificou: baralhou ainda mais a ortografia. Passou a haver três normas - a que radica no português europeu com ramificações em Angola, Cabo Verde, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, a norma brasileira e o modelo híbrido que o AO90 veio introduzir. Híbrido porque nuns casos transformou a nossa ortografia em mero decalque da brasileira enquanto noutros aprofundava as diferenças - como nas palavras recepção, decepçãoexcepcional, introspecçãoexpectativaimperceptível ou espectadores (que alguns aqui no torrão, por motivos que talvez Freud explique, adoram transformar em "espetadores").

 

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Instalou-se portanto uma ortografia à la carte que em vez de clarificar só confundiu. E em vez de democratizar, como seria intenção subsidiária dos esdrúxulos legisladores que pariram este ornitorrinco, gerou uma nova aristocracia do idioma, acentuando as distâncias entre os que o escrevem correctamente - por exemplo, sem quebrar famílias lexicais, como em "Egito"/egípcio, "caráter"/característica ou "setor"/sectorial - e os restantes, que se sentem obrigados a usar o acordês embora discordem dele e na intimidade persistam em escrever como sempre escreveram. Seguindo aliás o insuspeito precedente do próprio Cavaco, principal patrocinador político da coisa.

 

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Quando passo os olhos pelo Observador fico sempre com a noção desta dualidade, ali cultivada com esmero. Nas peças informativas, destinadas ao "povinho", este jornal digital faz questão de nos bombardear com títulos e entradas em acordês: "Moçambique promete desinfetar a casa"; "Portugal já adotou o novo acordo ortográfico"; "Portugal é eletrónico e este filme ensina-lhe isso"; "Onde para a Viatecla?"  Não porque os jornalistas que assinam estas peças necessariamente assim queiram, mas porque existe uma norma interna que tal impõe. Como se a Resolução do Conselho de Ministros assinada em Janeiro de 2011 por Sócrates que tornou obrigatória a aplicação do AO90 apenas ao "Governo e todos os serviços, organismos e entidades sujeitos aos poderes de direcção, superintendência e tutela do Governo", se estendesse afinal aos restantes organismos, públicos e privados - dos tribunais às empresas, das editoras às redacções de jornais.

Já os selectos artigos de opinião dos habituais colunistas do Observador, em nítido contraste, são na grande maioria escritos em português correcto - ou seja, na grafia pré-acordês. Refiro-me por exemplo aos textos de Rui Ramos, Luís Aguiar-Conraria, Laurinda Alves, Paulo de Almeida Sande, Alexandre Homem Cristo, João Carlos Espada, Mário Pinto, Paulo Tunhas, Helena MatosJoão Marques de AlmeidaCarlos Silva e Maria João Avillez.

Upstairs, downstairs: pura dualidade ortográfica introduzida pelo "acordo" que visava unificar o idioma. Passaram a existir os proletários da escrita e os aristocratas da escrita - os primeiros, forçados a aplicar o AO90; os outros, dispensados da sua utilização.

 

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É quanto basta para ilustrar o ridículo deste ornitorrinco legado ao País por Cavaco e Sócrates, que se atreveram a legislar sobre a língua sem conhecimentos sumários da matéria.

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32 comentários

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De Luís Lavoura a 05.05.2016 às 11:09

O Pedro Correia castiga Cavaco e Sócrates como se eles fossem responsáveis por todas as leis elaboradas no seu tempo. Na verdade, a nova ortografia foi elaborada por técnicos da matéria, e Cavaco e Sócrates aprovaram de cruz - eles não tinham nada que dar parecer contra algo que tinha sido elaborado por pessoas que, ao contrário deles, percebiam da matéria.

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De Luís Lavoura a 05.05.2016 às 11:12

Não porque os jornalistas que assinam estas peças necessariamente assim queiram, mas porque existe uma norma interna que tal impõe.

Claro, e é assim mesmo que deve ser.

Eu também, quando escrevi um livro para uma editora inglesa, submeti-me a alguns caprichos ortográficos e gramaticais dessa editora (e, suponho, de todas as outras editoras do Reino Unido), não escrevi inglês como me dá na minha real gana.

Não faltava mais nada, que um jornalista, escrevendo para um jornal, fosse impôr a esse jornal a ortografia que muito bem lhe apetecesse!
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De Luís Lavoura a 05.05.2016 às 11:17

Só em Portugal, um país de amplas liberdades, é que se permite que cada um escreva num jornal como muito bem lhe apetece. Em qualquer país a sério, as pessoas, quando publicam num jornal ou numa editora, têm os seus textos revistos por um especialista em língua, que obriga esses textos a conformar-se com o estilo e com a ortografia desse jornal ou editora. E, evidentemente, se as pessoas não se submetem, os seus textos são pura e simplesmente recusados por esse jornal ou editora.
Mas, como Portugal é um país de bananas, um país das mais amplas liberdades, em que cada um faz o que lhe apetece e não se submete à lei, acontecem bandalheiras como essa que o Pedro constata no Observador.
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De V. a 05.05.2016 às 11:41

Bananas é pensar que um especialista da língua com funções censórias de "revisor" — que seria sempre uma mistura do prómuçulmano comunista Boaventura Sousa Santos com o polícia fascista das dinâmicas sociais Augusto Santos Silva — é uma criatura necessária num País livre.
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De Desconhecido Alfacinha a 05.05.2016 às 11:20

Caríssimo,

Um abraço e muita força apenas.

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De Pedro Correia a 05.05.2016 às 14:07

Um abraço, meu caro. É um gosto (re)vê-lo por cá.
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De V. a 05.05.2016 às 11:21

"concebido por Cavaco Silva " — ainda só vou aqui é já estou em panic mode.
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De Pedro Correia a 05.05.2016 às 14:07

Mais um lindo serviço que a pátria deve ao filho mais célebre de Boliqueime.
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De V. a 05.05.2016 às 11:25

Eu disse aqui desde o início que se estava a criar (a partir do futebolês que troca adjectivos por advérbios e do SICês, uma sub-língua dos subúrbios jornalísticos de Lisboa) duas classes de falantes e uma divisão fatal entre gente com categoria e chunga generalizada.
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De Pedro Correia a 05.05.2016 às 14:08

Hei-de escrever sobre esse tema com algum vagar um dia destes. Há matéria inesgotável.
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De JS a 05.05.2016 às 12:49

Excelente súmula do que é este AO.

1- "O Pedro Correia castiga Cavaco e Sócrates como se eles fossem responsáveis por todas as leis elaboradas no seu tempo...."
Eram.

2- "... e Cavaco e Sócrates aprovaram de cruz ...".
Sem dúvida.

3- "... percebiam da matéria.".
Qual matéria?. Negócio?. Ego?. Ingenuidade?.
...
"Um rei fraco faz fraca a forte gente"
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De Pedro Correia a 05.05.2016 às 14:13

"O medo vai ter tudo / pernas / ambulâncias / e o luxo blindado / de alguns automóveis // Vai ter olhos onde ninguém os veja / mãozinhas cautelosas / enredos quase inocentes / ouvidos não só nas paredes / mas também no chão / no tecto / no murmúrio dos esgotos / e talvez até (cautela!) / ouvidos nos teus ouvidos."
O' Neill (sem "acordo ortográfico")
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De Dr. Ghozé Pablito a 05.05.2016 às 12:59

As pessoas que insistem que o português correto é o de antes do acordo têm noção que antes deste ouve outros vários acordos? E que por essa perspetiva estaríamos sempre a recuar, reclamando que anteriormente é que era, chegando inevitavelmente aos tempos de Camões?

Curiosamente, o AO 1990 tenta aproximar a ortografia o mais próximo possível das suas raízes, por isso não se entende esta guerra de que antes de 1990 é que se escrevia bem. Por isso muita gente igualmente confunde o novo acordo ortográfico com cedências ao brasileiro, já que do outro lado do Atlântico a ortografia sofreu menos atentados do que em Portugal, sendo, portanto, mais «pura».

Como alguém disse, só se é contra o AO 1990 por dois motivos: ignorância ou má fé...
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De Pedro Correia a 05.05.2016 às 14:17

O "Doutor Ghozé" (ahqu' horrror, tem uma consoante muda no pseudo-nome) confunde raízes com folhas ou flores.
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De Tiro ao Alvo a 05.05.2016 às 16:31

E tem consoantes mudas a menos, caro Pedro Correia. Ele, sem querer, pôs o AO a falar quando escreveu esta preciosidade: "antes deste ouve outros vários acordos". Fantástico!
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De Pedro Correia a 05.05.2016 às 17:04

Ele assim só prova que é duro de ouvido. Nem consegue ouvir a bela sonoridade da letra agá.
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De AntónioF a 06.05.2016 às 13:34

Caro Pedro, a propósito da letra agá, já me cruzei com alguns livros, provavelmente o Pedro também, que apresentavam como epigrafe, não sei se autógrafa ou alógrafa, a seguinte frase:

«HCESAR os que vão escrever te saúdam»
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De Pedro Correia a 06.05.2016 às 14:01

Essa é a ironia que eu mais aprecio, António. E tenho pena que nós, portugueses, troquemos tantas vezes a fina ironia pelo grosso sarcasmo.

(A quem não sabe: HCESAR era o teclado das antigas máquinas de escrever, de fabrico nacional, existentes em todos os organismos da administração pública)
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De AntónioF a 06.05.2016 às 18:32

Caro Pedro, por se falar em agá-cesar, em ironia... enfim por se falar do português que somos e do português que falamos, permita-me:

«Fernando Assis Pacheco não foi de cultivar vocação para estátua. A empáfia provocava-lhe fernicoques. É escusado procurar nele grandes proclamações. «Peçam a grandiloquência a outros / acho-a pulha no estado actual da economia.»
Martelando apenas com um dedo a velha Olivetti Lettera 32, de teclado agá-césar, sacou dela versos e breves, reportagens e notas de leitura, prosa urgente e poesia sem receita. Misturou tudo numa peculiaríssima confecção: a gravitas e o riso, o decisivo e o desimportante, o vernáculo e as palavras-de-sete-e-quinhentos.
Assis Pacheco levou sempre extraordinariamente a sério aquilo que fazia, incapaz de uma frase banal, mesmo na mais banal página impressa, destinada a embrulhar peixe no dia seguinte. Isso e o avesso: Assis - «o Assis», como era tratado por todos - não se levava minimamente a sério, sabendo dolorosamente que tudo é transitório. Um sic transit gloria mundi aprendido na guerra, onde a morte («morte merdeira / coisa ruim de cinza e névoa e cinza») lhe ensinou que o importante é «cuidar dos vivos».
De uma forma ou de outra, quase tudo é riso em Fernando Assis Pacheco. Fazer troça da própria dor pode ser um poderoso analgésico.»

PACHECO, Fernando Assis - Bronco Angel, o cow-boy analfabeto. perf. Carlos Vaz Marques. 1ª ed. Lisboa : Tinta-da-china, 2015. p.9
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De Pedro Correia a 06.05.2016 às 19:15

Meu caro, é sempre um enorme prazer matar saudades da excelente prosa de Fernando Assis Pacheco. Obrigado por tê-lo trazido aqui.
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De Helena Sacadura Cabral a 05.05.2016 às 23:07

"Houve" outros vários acordos.
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De Pedro Correia a 05.05.2016 às 23:52

Dá que pensar, Helena. Terá aparecido primeiro o 'houve' ou a galinha?
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De M. a 06.05.2016 às 20:41

Portanto, como ouve outras normas anteriores, tudo o que possa aver em seguida é obrigatoriamente melhor. Assim que sair o novíssimo acordo este passa a ser mau, é isso?

O que o marquetin e o consumismo internacionalista tem andado a fazer hás cabeças. Ele à cousas...
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De V. a 07.05.2016 às 13:55

Nunca houve acordos a não ser as duas ou três imposições dos partidos republicanos/maçons depois da fúria unilateral dos (ainda) independentistas brasileiros. Perdeu-se nessa altura uma boa oportunidade para se chamar Brasileiro e Português às duas correntes maiores da língua — o que hoje seria bastante benéfico para nós em termos de "internet". Mas os nossos políticos primam por terem as suas já por natureza vistas curtas ofuscadas pela ideia de que qualquer alteração simplista e simplificadora se traduz em "progresso" e que os que se lhe opõem são velhos do restelo. Hão-de reparar que este discurso passou para alguns nativos nas caixas de comentários: a primeira coisa que fazem é chamar "velho do restelo" aos seus antagonistas e perguntar-lhes se ainda gostariam de escrever com "ph". E a verdade é que ainda que seja uma comparação incorrecta porque ph passou a f (não desapareceu), seria uma língua muito mais bela se assim fosse. Assim é mais republicana, cheira a carimbos incompetentes e a secretaria: feia e embaraçosa como a bandeira da república.
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De Maria Dulce Fernandes a 05.05.2016 às 15:03

Qual acordo ? Já ouvi dizer por aí que há um acordo oncográfico, mas como ainda não acordei hoje, desconheço.
E continuarei a desconhecer e a batalhar contra todos os correctores que insidiosamente incorporam os nossos gadgets quais Big Brothers, a alterar continuamente os nossos dizeres e a obrigar-nos a uma escrita que não é a nossa.
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De Pedro Correia a 05.05.2016 às 15:25

Não há acordo nenhum, Dulce. Só desacordo. Vemos, ouvimos e lemos - não podemos ignorar.
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De M. S. a 05.05.2016 às 18:02

Caro Pedro:
Não comento no DO desde há muito e só por cá passo pontualmente.
Mas hoje valeu a pena.
Esta bordoada no Aborto Ortográfico vai fazer-me dormir melhor esta noite.
Para mim, que não gosto de complicar, há três razões para estar contra o Aborto Ortográfico:
1.ª - Propôs-se unir a ortografia mas desuniu-a mais do quer estava. Como contabilizou a Maria Regina Rocha num artigo que os Lavouras que por aqui opinam sem fundamento e conhecimento de causa deviam ler (http://www.publico.pt/opiniao/jornal/a-falsa-unidade-ortografica-25921941);
2.ª - É incoerente, propôs soluções diferentes para situações semelhantes.
3.ª - (Que não tem directamente nada a ver com o Aborto Ortográfico). O país tinha em 1990 e, especialmente, em 2008) coisas muito mais importantes com que se preocupar do que com a (unificação?) da grafia da Língua.
Por exemplo, o crescimento da economia que, desde a entrada na CEE e, especialmente, desde a entrada no euro, foi piorando a olhos vistos, tornando o país insustentável, pois foi criando dívida inevitavelmente.
Mas gente pequena, abortos políticos como Cavaco e Sócrates (embora cada um à sua maneira) só se podiam preocupar-se com coisas pequenas.
Cumprimentos, e nunca desista desta luta, pois nunca ficará só: pelo menos seremos sempre dois.
--------
P. S. O linguista António Emiliano, professor na Universidade Nova de Lisboa, grande companheiro do grande poeta e intelectual Vasco Graça Moura na luta contra o Aborto Ortográfico, publicou imensos textos e livros sobre este aborto.
Todos os Lavouras deste nosso Portugal os deveriam ler antes de opinar à toa.

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De Pedro Correia a 05.05.2016 às 18:54

Muito gosto em vê-lo por cá, meu caro. Os seus comentários fazem falta aqui no DELITO.
Só por isso já valeu a pena madrugar hoje e redigir este texto, que já tinha ontem na cabeça e esta manhã me saiu de rajada.
Não desistirei, não. E agora até parece que estamos (ainda) mais acompanhados.

P. S. - Tenho muita admiração pelo António Emiliano, que conheci 'in illo tempore', como excelente pianista, éramos ambos estupidamente novos. Infelizmente os livros dele são difíceis de encontrar nos dias que correm. Mereciam reedição.
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De M. S. a 05.05.2016 às 20:05

Caro Pedro:
Adaptando a canção «Enquanto há força», do saudoso Zeca Afonso:
Enquanto há força [contra o Aborto Ortográfico]
No braço que vinga
Que venham ventos
Virar-nos as quilhas
(...)
Seremos muitos
Seremos alguém
------------------------------------
P. S. Eu a bater-me contra o Aborto Ortográfico e logo deixei escapar, pelo menos, dois abortos (duas gralhas) no meu comentário.
É o que dá escrever à pressa.
Ao menos as parteiras acordistas tiveram muito tempo para fazerem parir uma coisa decente: não um aborto.
Desta é que os comentadores acordistas me vão comer vivo.
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De Pedro Correia a 05.05.2016 às 20:38

Não vão comê-lo vivo, meu caro. Andam já empaturrados de tanto comerem consoantes.
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De alvaro silva a 06.05.2016 às 16:48

HXUM perante estes sábios...
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De Pedro Correia a 06.05.2016 às 17:12

Alguns não são sábios e HXUM, isto é, incham na mesma.

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