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Os mesmos

por Pedro Correia, em 07.10.17

Aqueles que há um ano se indignaram contra o primeiro-ministro britânico David Cameron por convocar o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia são os mesmos que agora se insurgem contra o chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, por não reconhecer validade ao suposto "referendo" separatista na Catalunha.

Há um ano, argumentavam que decisões de carácter institucional tão relevante e com consequências políticas tão sérias, como o Brexit, não podiam estar à mercê dos mecanismos plebiscitários por alimentarem o populismo mais rasteiro e subverterem o espírito da democracia representativa. Agora são os primeiros a advogarem tal princípio na questão catalã, fazendo tábua rasa do que antes defendiam.

É o que costuma acontecer a quem professa princípios de geometria muito variável. Acabam a defender tudo e o seu contrário ao sabor das circunstâncias.

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16 comentários

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De V. a 07.10.2017 às 10:42

Muito bom. É sempre bom salientar a geometria variável de todas estas agremiações de camelos e de idiotas úteis — para que o valor real dos seus argumentos esteja sempre presente.
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De Pedro Correia a 07.10.2017 às 23:45

A única coisa que não varia são as variações deles. Avariadas.
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De Alain Bick a 07.10.2017 às 11:22

o japonês NUKU é remédio santo
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De Vlad, o Emborcador a 07.10.2017 às 18:56

Quem argumenta contra os princípios plebiscitários são os mesmos que têm construído a Europa de costas voltadas para o povo europeu, por pouco dele fazer. Daí a sua fragilidade e os novos renascimentos . O povo europeu pede agora a palavra
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De V. a 07.10.2017 às 22:44

Não sei se foi de costas para o povo, caro Vlad. Milhões de empregos, toneladas de euros despejados em economias mais fracas — a classe média europeia quadruplicou a sua qualidade de vida nos últimos 30 anos. A crise é inegável, mas a ideia muitas repetida de que a Europa está a ser construída contra as pessoas deixa-me alguma perplexidade. Alguém imagina como isto era nos anos 80? Eu era miúdo mas lembro-me bem de Lisboa nos anos 80... Parecia Coimbra LOL :P
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De Vlad, o Emborcador a 07.10.2017 às 22:57

V, esta Europa de instituições supranacionais e não democráticas, que decidem em nosso nome mas sem o nosso voto são em tudo semelhantes aos regimes totalitários. Socialistas ou outros. Ainda não se deu conta?
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De V. a 08.10.2017 às 01:29

As instituições são a cristalização daquilo que não temos pachorra para fazer. Íamos votar e decidir coisas em plenário todos os dias? Isso é giro mas também pressupõe uma jovialidade que não caracteriza todos os povos. Aliás, só os Suíços é que mantêm esse espírito — e como diria o Becas, não é do queijo, é dos buracos.
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De Vlad, o Emborcador a 07.10.2017 às 23:03

São exercícios que não consigo fazer. Para um habitante do Burkina Faso a IIGG não não existiu. Em matemática fala-se em erro de retrospetiva / perspectiva.
Mas desconfio que nos temos alimentado, ao longo destes anos, com as sobras da mesa de alguém.
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De Anónimo a 07.10.2017 às 19:03

Faz lembrar aquele antigo exercício de pontuação:

"Deixo os meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres.”

Sem pontuar e marcar sempre pontos
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De jo a 07.10.2017 às 23:34

Essas queixas lembram-me um jogo de espelhos.

Como se os que apoiaram o Brexit não andassem agora a clamar contra a o referendo catalão.

Custa a compreender tanta indignação. Pensava que o futuro dos catalães devia poder ser decidido por eles, mas parece que não têm esse direito.

Já agora uma pergunta?
A Catalunha tem de sair da UE se se separar de Espanha, porque não sendo o mesmo país os tratados deixam de se lhe aplicar, então Espanha tem de abandonar a UE também, porque a Espanha sem Catalunha não é o mesmo que Espanha com Catalunha.

Tendo a RFA Deixado de existir há alguns anos, a Alemanha unificada não deveria ter pedido a adesão à UE?

OU as regras só são rígidas quando convêm a quem manda?
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De Pedro Correia a 07.10.2017 às 23:45

A RFA deixou de existir?!
A RFA existe, está bem e recomenda-se. República Federal da Alemanha.

A RDA é que deixou de existir. Era membro do Comecon e do Pacto de Varsóvia, além de satélite da URSS.
Por coincidência, o Comecon também deixou de existir. E o Pacto de Varsóvia foi à vida. E a URSS aposentou-se compulsivamente.
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De jpt a 08.10.2017 às 07:51

na mouche
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De Anónimo a 08.10.2017 às 18:57

Aqueles que há uns anos rejubilaram com a independência do Kosovo são os mesmo que agora se perfilam na primeira linha da condenação aos que aspiram por uma Catalunha livre e independente. Ah e tal, não é a mesma coisa...
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De Pedro Correia a 08.10.2017 às 22:18

É tão verdade isso como a frase simétrica a essa: aqueles que há uns anos estiveram na primeira linha da condenação da independência do Kosovo são os mesmo que agora rejubilam com a suposta independência unilateral da Catalunha.
Vá lá a gente entendê-los. Eu não entendo.

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