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Os discípulos de Chamberlain

por Pedro Correia, em 09.04.14

Neville Chamberlain cumprimentando Hitler em Munique (1938)

 

É comum ouvir-se por estes dias, a propósito da política de canhoneira aplicada por Vladimir Putin na Ucrânia, um conceito desenterrado dos mais bafientos baús da História.

Que conceito é esse? O de "apaziguamento".

 

Em síntese, os defensores desta tese recomendam a atitude dos três macaquinhos da fábula: há que vendar os olhos, cobrir os ouvidos e emudecer perante sucessivas violações do direito internacional para não indispor os prevaricadores. Se for preciso inverte-se até o ónus da prova, transformando o agressor em agredido e o agredido em agressor. Como o Grande Irmão de Orwell, que instituiu um Ministério da Verdade para melhor disseminar as mentiras enquanto incentivava as massas a urrarem o mais cruel e acéfalo dos paradoxos: "Guerra é paz!"

Não há nada de original nisto. Quando escuto os apóstolos do apaziguamento recordo-me sempre do mais infausto e patético de todos os primeiros-ministros britânicos: Arthur Neville Chamberlain. Céptico perante os aliados, crédulo perante os inimigos. De uma granítica intransigência face às vozes que o alertavam contra os riscos do compromisso a todo o preço, sempre pagos mais tarde a custos elevadíssimos. E de uma benevolência sem limites face à ofensiva totalitária.

De tanto querer a paz, na sua indesmentível boa fé, facilitou o caminho aos promotores da guerra. Da mais sangrenta, devastadora e homicida das guerras.

 

Recordo em particular o acalorado debate na Câmara dos Comuns travado a 25 de Junho de 1937 -- em que, não por coincidência, foi invocado várias vezes o nome de Portugal.

Era a primeira vez que Chamberlain ali discursava sobre política internacional desde que fora empossado como chefe do Governo conservador britânico, no mês anterior. E logo ali ficou bem patente o seu anseio em levar à prática uma política de "apaziguamento" com as feras totalitárias que faziam da guerra civil espanhola terreno experimental para um incêndio muito mais vasto que não tardaria a deflagrar no mundo.

Comentando a aparente resignação de Berlim na sequência do recente afogamento de um navio alemão ao largo da costa espanhola, o antecessor de Churchill não hesitou em elogiar o regime de Hitler por "ter demonstrado um grau de moderação que devemos reconhecer". O massacre de Guernica, cometido pela tenebrosa Legião Condor, ocorrera dois meses antes...

Incapaz de ler os sinais da História, Chamberlain pedia "cabeça fria" no Parlamento britânico e recomendava aos próprios jornalistas que "medissem as palavras" para não ferir as susceptibilidades dos inimigos da democracia. E rematou assim, cego perante as evidências: "Se todos formos prudentes, pacientes e cautelosos seremos capazes de salvar a paz na Europa."

 

O antigo primeiro-ministro liberal David Lloyd George respondeu-lhe da melhor maneira. Observando sem rodeios que Hitler violara já três acordos internacionais subscritos pelo Estado alemão. Ao inutilizar o Tratado de Versalhes (1919) reintroduzindo o serviço militar obrigatório. Ao rasgar o Pacto de Locarno (1925), invadindo e remilitarizando a Renânia. E ao transformar em letra morta o Acordo de Não-Intervenção na Guerra Civil de Espanha (1936), disponibilizando instrutores, armamento e aviação a Franco.

E Lloyd George retorquiu a Chamberlain: "Precisamos de cabeças frias, sim, mas também de corações fortes."

Solidários com os que sofrem as agressões, não com aqueles que as praticam. E aprendendo sempre com as lições da História.

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46 comentários

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De Vento a 09.04.2014 às 14:33

Meu caro Pedro,

em boa hora li o seu excelente comentário, que vai carregado de verdade e de oportunidade sem nunca cair no "ministério da verdade". A primeira parte de seu comentário introduz-nos nas semelhanças dos diversos períodos históricos.

E sim, deparamo-nos com uma rendição europeia face ao diktat germânico, com alguma constestação no UK.

Na realidade aquilo que Hitler tinha em sua mente para poder dominar a Europa e tentar subjugar o mundo através do eixo Roma-Berlim-Tóquio (sem esquecer as alianças pontuais no médio oriente até à Turquia) mantém-se ainda no imaginário germânico, isto é, poder chegar à Crimeia e apoderar-se das reservas energéticas aí existentes e assim, naquele tempo, poderem alimentar a sua máquina de guerra desde as divisões panzer, aviões, barcos, submarinos até ao mais simples motociclo.
Só que desta feita, sabendo também do efeito que os ditos mercados, também por eles controlados, podem fazer no sentido de subjugar as nações aos mais diversos propósitos, esta guerra para poder ser alimentada e exportada uma vez mais conta com as suficiências energéticas nas quais é necessário investir política e economicamente no sentido de poder dominar, subjugar e chamar a si alianças de outros quadrantes que não a tradicional UE - da qual, numa primeira fase, necessita -, conhecendo a dependência que essas outras nações têm deste factor, desde os países bálticos até à Polónia.

Na realidade a guerra civil de Espanha foi um terreno para testar novas tácticas de guerra e a performance de novas tecnologias, sem esquecer que a famosa blitzkrieg não é uma ideia alemã mas sim ITALIANA testada precisamente sobre o sangue dos mártires em Espanha.
Quem quiser pode ver uma outra versão sobre a blitzkrieg, aqui: http://veja.abril.com.br/especiais_online/segunda_guerra/edicao001/sub1.shtml
É correcto que quer Daladier quer Chamberlain foram as alminhas apaziguadores desta realidade que culminou numa guerra sangrenta, e hoje a França também não está longe assim desta façanha. A importância da região da Renânia-Westfalia no universo bélico hitleriano tinha como objectivo também impedir a ocupação dos países baixos (Benelux) por parte de forças hostis no sentido de evitar-lhes a progressão até território alemão, ver aqui:
http://pt.encydia.com/es/Renania_do_Norte-Westfalia

Depois destes acrescentos à sua reflexão podemos depreender que a Rússia, consciente das memórias históricas, não tinha outra solução que não a de agredir a integridade territorial Ucraniana (em que sempre esteve presente) para evitar as jogadas que hoje em dia se mascaram através dos mercados e mercadores.
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De lucklucky a 09.04.2014 às 15:16

Um texto digno do Pravda Vento. Tudo conversa fiada só para colocar esse ultimo parágrafo.
Que tal colocar aí e substituir Rússia por Portugal.

"...podemos depreender que a Portugal, consciente das memórias históricas e assim podemos atacar Espanha, Angola, Moçambique e a presença desde há 500 anos atrás..."
Qualquer caudilho pode fazer um discurso com sua bitola que justifica Portugal declarar guerra uma mão cheia de países. E isto somos nós que estamos numa ponta da Europa. Imagine-se para quem está no meio.

Quando é a União Soviética - não me enganei no nome é isto que está em causa- há certas pessoas que se especializam a ser pacifistas excepto neste caso.
De repente quando é a Rússia a memória histórica já existe.
Por essa ordem de ideias que tal todos os países de Leste se lembrarem dos 50 anos sobre a sua pata. Legitima a ocupação da Rússia?
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De Vento a 09.04.2014 às 18:40

Vivo ansioso na expectativa de suas palavras, lucky. Obrigado por tão assídua preleção. Prometo que continuarei a melhorar.
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De lucklucky a 10.04.2014 às 11:20

Não espere nada uma vez que não tem argumentos para justificar porque é que a Rússia pode ter memória histórica e com isso justificar agressões militares mas a Polónia não.

- Polónia é só um exemplo entre muitos -
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De Vento a 09.04.2014 às 21:58

Pedro, uma pequena adenda ao meu comentário para acrescentar a importância da região do Caucaso na guerra da Crimeia.

Deixo aqui um documentário sobre a batalha da Crimeia:

http://www.youtube.com/watch?v=BsqdGsDGloE

E mais esta notícia de um estudo levado a efeito por Bruxelas e americanos:

http://brasil.elpais.com/brasil/2014/04/02/internacional/1396464277_212512.html

E não estranhemos que mais a sul comece a aquecer o ambiente:

http://navalbrasil.com/riquezas-em-petroleo-e-gas-do-ira-atraem-as-5-irmas/

e outra ainda:

http://correiodobrasil.com.br/destaque-do-dia/apoio-a-posicao-russa-quanto-a-crimeia-tem-aumentado-na-ue/693504/
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De vento a 09.04.2014 às 23:37

Sim, tem razão Pedro. Procurei inserir a visão externa a este acontecimento, mas fiquemo-nos pelas nossas ideias e pelos factos históricos.

Retorno assim ao meu primeiro comentário, dizendo-lhe que só numa coisa estou de acordo com o Pedro: no direito e dever de tudo se fazer para que vivamos em paz. E a Europa colocou em sério risco esta paz. E a Alemanha, através de seus governantes, mais uma vez revela que é muito perigosa quando está folgada.
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De Pedro Correia a 10.04.2014 às 11:22

Sou incapaz de comparar a Alemanha hitleriana aos dirigentes alemães da actualidade, caro Vento. Aqui - julgo eu - o paralelo é com quem agride, quem invade, quem ocupa, quem conquista, quem anexa, quem "liberta" com aspas.
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De Vento a 10.04.2014 às 12:36

Pedro,

vê agressão segundo um sentido puramente belicista. A classe, parte, dirigente alemã pensou que o superavit de suas contas lhes permitia andar em roda livre por onde quer que quisessem.
E à maneira hitleriana quiseram propagar a sua arrogância pelos quatro cantos do mundo. Começaram também a ensaiar a pantominice com as contas russas no Chipre, e a senhora Merkel esqueceu-se que estas matérias não são para meninas; são mesmo para homens de barba rija, e só para estes e não para os meninos que desgovernam uma boa parte desta Europa convencidos que a merdice que têm na cabeça a respeito de números são de imediato validadas por uns rabiscos numa folha de cálculo.

Em resumo, Pedro, os alemães quiseram ir ao pote e encontraram um enxame de abelhas. Com toda esta parvoice quem ganhou foi a Rússia, China e EUA. A Europa continua destinada a sentar-se e ouvir o canto da sereia.
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De Pedro Correia a 10.04.2014 às 14:04

Não sei o que a Rússia possa ter ganho ao anexar a Crimeia. Mas aguardo ainda que algum dos ilustres comentadores deste blogue possa esclarecer-me.

Eu sei o que já perdeu.
Está mais isolada diplomaticamente (já viu a lista dos dez países que apoiaram Moscovo na assembleia geral da ONU?).
Vê agravar-se os problemas económico do país, que importa metade do que come, ao iniciar um braço-de-ferro com os países membros da União Europeia e da NATO.
Arrisca-se a perder os melhores parceiros económicos, que estão precisamente na Europa Ocidental.
Vê aumentar exponencialmente os focos de turbulência nas suas zonas fronteiriças - nada mais natural, pois quem semeia ventos colhe tempestades. Nem a fiel Bielorrússia se sente tranquila perante o expansionismo russo, já para não falar da China, que nunca deixou de alimentar sérias suspeições nesta matéria.
E, acima de tudo, desenterra velhos fantasmas da História numa réplica anacrónica do pior da Guerra Fria. Precisamente todos aqueles fantasmas que ninguém desejaria ver desenterrados, a ocidente ou oriente dos Montes Urais.
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De Vento a 10.04.2014 às 14:24

Pedro,

já respondi a essa questão deixando um link em anterior comentário, este:
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/04/02/internacional/1396464277_212512.html
Depois, há também que equacionar isto:
http://www.embrussia.ru/node/75

Seguidamente a alemanha depende de 46% da energia vinda da Rússia, depois a Rússia representa um mercado que tem ajudado a Europa a não estar mais fundo do que se encontra.

A Rússia, ao anexar a Crimeia, não ganhou nem mais nem menos do que ganhava anteriormente; a Europa, e a Alemanha em particular, é que pretendiam mais do que era possível comer. E quem é lambão acaba com um ataque cardíaco.

E sim, com este cenário provocado pela Europa, e em particular pela Alemanha, nem a Bielorússia se pode sentir tranquila. Aliás, ninguém, quer os que estão a favor quer contra a anexação da Crimeia - e quero referir que eu até agora só tenho debatido o quadro que levou a esta anexação - pode sentir-se tranquilo.

Mas a minha posição expresso-a aqui: Infelizmente isto aconteceu como aconteceu, mas surgiu no mundo o sinal que deve fazer pensar os governantes de polichinelo sobre os caminhos que andam a trilhar e a conduzir os povos.
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De Pedro Correia a 11.04.2014 às 00:48

Caro Vento, já percebi que gosta de acentuar muito a dependência energética da Europa central face a Moscovo. "A Alemanha depende de 46% da energia vinda da Rússia", acentua.
Uma vez mais inverto a sua equação: o que parece ser uma prova de força russa parece-me a mim uma prova de fraqueza.
Os russos não diversificaram o tecido económico, têm uma agricultura que não supre as necessidades alimentares da população e uma indústria em grande parte anquilosada (excepto a indústria de armamento). Estão demasido dependentes das exportações de petróleo e gás natural para manterem a tímida taxa de crescimento económico que vêm registando.
Ora o fornecedor precisa dos clientes: se estes partirem em busca de outros mercados resta-lhe venderem a energia a si próprios.
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De Vento a 11.04.2014 às 11:26

Pedro,

quando acentuei a dependência energética pretendi revelar que para os alemães se essa dependência mudasse de mãos, para eles, cairia que nem ginjas.
A "dependência" russa para algum desenvolvimento da sua economia só acentua o necessário cuidado que devia ter sido levado a efeito nessa equação sobre a situação da Ucrânia. É que assim ficam todos a perder.
Mas também já referei que a China encntra-se há muito tempo em negociações com a Rússia para a construção de um gasoduto até seu território. Isto ainda não se concretizou porque eles não chegaram a um acordo sobre preços. A China pretende preços abaixo daqueles que a Rússia pratica à Europa.

No entanto os russos têm capacidade tecnológica para desenvolver as actividades que lhes são necessárias; O que eles já deixaram claro foi algo assim:
Os negócios de agiotagem e a subverção do sentido do poder aqui não pega.

Mais ainda, a situação que a Europa vive preocupa a China, na medida em que uma quebra significativa da economia europeia afecta a capacidade produtiva e económica da China. Aos chineses interessa-lhes uma Europa débil, para poderem comprar em saldos, mas não lhes interessa uma Europa arruinada.
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De Vento a 11.04.2014 às 12:20

Pedro,

depois deste comentário fiquei a pensar e decidi recuperar de meus arquivos umas informações saídas em 2007.

Antes de anexar os links pretendo dizer-lhe que tenho muito gosto em partilhar consigo e com seus leitores todas as informações e conhecimentos possíveis sobre esta matéria.
Quero também dizer-lhe que os EUA saem a ganhar nesta matéria porque se cria uma maior dependência da Europa ao outro lado do atlântico, de onde surgiu também um ataque feroz ao euro por razões que oportunamente debateremos. Aliás, toda a política agressiva alemã desde a I Guerra mundial só originou dependências à Europa, enfraquecendo-a consecutivamente. E os Ingleses, que são uma espécie de bobi americano, na sua ânsia de algum protagonismo mundial têm acompanhado com interesse este enfraquecimento, a não ser quando lhes é conveniente, como é o caso do cheque agrícola que sempre disputam com a França e pelos interesses que têm no petróleo do mar do norte.

Aqui vão os links que recomendo os leia com particular atenção:

http://paginavermelha.org/noticias/070319-russia4.htm

Leia bem este para verificar o que está em causa na contenda entre Rússia e Bielorússia:

http://paginavermelha.org/noticias/070226-russia1.htm
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De Pedro Correia a 11.04.2014 às 12:24

Caro Vento: Moscovo tem tudo a perder se abrir agora uma guerra energética com a UE aproveitando o facto de parte significativa do continente europeu depender (em cerca de 30%) do abastecimento de gás russo. Esta factura é essencial na economia russa.
Essa guerra dará origem, nomeadamente, à exploração em larga escala das vastas reservas naturais de gás norte-americanas que provocará uma redução drástica do preço deste combustível nos mercados internacionais. Quem acabará por ganhar, além dos EUA, são os actuais produtores concorrentes da Rússia, nomeadamente a Argélia, já hoje a principal fornecedora de gás a países como Portugal.
A geopolítica servia-nos de chave para a interpretação do mundo até ao fim da Guerra Fria. Hoje nada se entende de essencial no capítulo das relações internacionais sem conhecimentos elementares de geoeconomia. Resta ver se Putin, treinado na velha escola, percebe alguma coisa disto.
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De Vento a 11.04.2014 às 12:42

Pedro,

talvez fique surpreendido com a notícia que lhe vou dar. Portugal, ao largo da costa algarvia, possui reservas de gás natural que se exploradas serviam para abastecer-nos durante 20 anos. Porquê não as utilizar?

Este porquê indicar-lhe-á a resposta às questões que aponta. O mundo tem petróleo suficiente para ir criando independências, mas as 7 irmãs ficam irritadas com esta possibilidade. A única maneira de manter rentabilidade em torno da energia é criar desestabilização e controlo sobre os recursos já explorados e a explorar, que se tornam assim mais rapidamente rentabilizados por quem lhes deita a mão.
O preço do petróleo não reflecte a realidade existente, ele devia estar ainda mais baixo. E as companhias petrolíferas também especulam em bolsa sobre a sua capacidade de gerar riqueza. Se tivesse verificado que os stocks energéticos das companhias petrolíferas americanas estavam abaixo do valor real com essas companhias se apresentavam cotadas em bolsa certamente que compreenderia a razão da invasão do Iraque e da Líbia (entre outros factores).

Por último, o capítulo das relações internacionais não é constituído só por anjos, há também demónios. E o ocidente nesta matéria também tem os seus.
Os anjos somos nós que procuramos um mundo melhor e uma democracia saudável, os demónios são aqueles que pretendem subverter este sentido angelical, procurando sempre levar os anjos a acreditar que eles lutam pela paz e democracia.
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De Pedro Correia a 12.04.2014 às 11:31

Claro que o preço do petróleo está inflacionado. Desde que a OPEP o transformou em arma política, na década de 70, com fixação dos preços em cartel houve sucessivas crises energéticas que originaram crises políticas. Na crise de 2008 chegou a haver investidores a pagar 200 dólares por barril. Daí a importância dos investimentos em fontes energéticas alternativas. Daí também a importância de celebrar acordos com países produtores de petróleo que não pertençam à OPEP.
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De Vento a 12.04.2014 às 15:37

Pedro,

a questão desta pantominice toda surge precisamente nos anos 70. Os credores dos EUA, neste período, com o endividamento norte-americano também por causa da guerra no Vietaname, exigiam que o dólar fosse indexado ao ouro. Com esta indexação a moeda americana caíria para níveis imprevistos e geraria uma dependência dos EUA a seus credores.
As acções, então, levadas a efeito pela política norte-americana na Arábia e outros países circumvizinhos alcançou o feito de criar uma nova moeda transaccional: os petrodólares, que evitaram essa dependência e a quebra da hegemonia monetária.
Anos depois, com Saddam a vender petróleo aceitando euros e Kadhaffi a ameaçar com a mesma estratégia e o Irão a querer seguir-lhes as pisadas, o Euro e esses indíviduos transformaram-se nos inimigos dos EUA. Associado a isto a entrada da Rússia como novo player internacional no sector energético, e com o abastecimento à Europa de leste e Central destes seus recursos, geraram enorme desconforto.

Pedro, tenho a certeza que compreende agora tudo quanto tenho vindo a dizer, o resto deixo ao critério de sua capacidade para investigar.
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De Pedro Correia a 12.04.2014 às 11:25

Mas não se pode falar em "dependência energética" apenas na óptica do comprador. Isso só existiria se não houvesse mais ninguém a vender. A "dependência energética" acaba por ser maior para o vendedor. Veja-se o caso venezuelano. A Venezuela exporta um milhão de barris de petróleo para os EUA. Apesar de toda a retórica "anti-imperalista", esta relação contratual é vital para o regime de Caracas: se os norte-americanos recorrerem a outra fonte para importar petróleo não poderá haver pior notícia para Maduro.
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De Vento a 12.04.2014 às 15:23

Pedro,

a questão das compras de petróleo por parte dos americanos prende-se com a sua estratégia de manter suas reservas seladas para usarem tem empos mais difíceis.
Mas a questão do petróleo não passa pela diversificação de fontes abastecedoras, passa pela impossibilidade, ao momento, de romper com as estratégias monopolistas das 7 irmãs que viram na ascenção da Rússia como produtor e fornecedor de energia uma grave ameaça a suas políticas que foram secundadas pela criminosa acção de Bush no Iraque com o apoio de Blair e Barroso a servir de mordomo.
Por outro lado, se a Europa, e em particular a Alemanha, tivesse tido juizinho a possibilidade de construir uma parceria com uma Europa do AtLântico aos Urais originaria um novo vigor a este continente. Vigor este que de todo os EUA e a própria Inglaterra, por causa do petróleo do mar do Norte e seus interesses noutras partes, não desejam.

Claro que Maduro está a cair de podre, os discursos populistas de base operária só surtem efeitos com o estômago das populaçãoes cheio. Como isto está a acabar os EUA já ameaçam com sanções. É tudo uma questão de oportunidade.
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De Pedro Correia a 14.04.2014 às 22:55

Caro Vento: a Alemanha tinha perdido o "juizinho", para usar a sua expressão, na época que foco no meu artigo. Lamentavelmente, nessa época os principais líderes europeus (os da França e do Reino Unido) optaram pelo apaziguamento a todo o custo com quem jamais pensou em fazer a paz pois tinha como único desígnio a guerra.
Felizmente não é esse o comportamento da Alemanha dos nossos dias. Pelo contrário, tanto quanto lido na imprensa internacional mais credível a chanceler Merkel tem suscitado as maiores reservas a qualquer resolução do actual conflito entre Moscovo e Kiev com recurso à força.
Invertem-se de algum modo os papéis. O que não deixa de ser mais uma daquelas ironias em que a História é fértil.
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De Pedro Correia a 14.04.2014 às 23:01

Meu caro, não me parece nada que à China interesse uma Europa débil. A única potência regional europeia de que a China desconfia historicamente - e com a qual travou aliás uma guerra em 1969, o que é o mesmo que dizer anteontem em termos históricos - é precisamente a Rússia. Pequim sempre desconfiou do expansionismo russo e jamais dará o assentimento a acções que encoragem ou premeiem esse expansionismo. Já aliás, nos tempos da Guerra Fria, Mao criticou duramente a invasão da Checoslováquia pelos blindados soviéticos, não hesitando em romper com o "irmão ideológico".
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De Luís Lavoura a 09.04.2014 às 15:11

Tal como já diversas pessoas fizeram notar, a atual situação deve ser comparada, não aos preâmbulos de 2ª Grande Guerra, mas sim aos preâmbulos da 1ª Grande Guerra, quando um punhado de dirigentes políticos pouco conscientes e pouco cuidadosos conduziram a Europa a uma enorme carnificina por causa de um naco relativamente secundário de terra (a Sérvia).
(Provavelmente, aliás, Chamberlain tinha bem consciência desse precedente histórico quando decidiu optar pelo apaziguamento.)
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De Pedro Correia a 09.04.2014 às 23:25

Optou mal: os resultados não podiam ter sido piores.
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De Luís Lavoura a 10.04.2014 às 09:32

Nunca se sabe como a história teria sido se as opções tivessem sido outras.
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De Pedro Correia a 10.04.2014 às 11:17

Dificilmente teria sido pior. A II Guerra Mundial foi a mais mortífera de todos os tempos.
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De Luís Lavoura a 10.04.2014 às 11:26

Exatamente, e Chamberlain tentou, com a sua política de apaziguamento, evitá-la.

Repare: a Checoslováquia era um país pouco mais importante do que a Sérvia. Chamberlain terá pensado, se a Sérvia deu origem à carnificina da 1ª Guerra, não deixemos que a Checoslováquia dê origem a uma nova carnificina. Não deixemos que um país insignificante volte a levar as grandes nações da Europa à guerra. Repare que Chamberlain pensava em função da sua experiência passada, que era a tragédia da 1ª Guerra.

Portanto, a política de apaziguamento era racional. Não sabemos o que teria acontecido se ela tivesse sido prosseguida, ou seja, se a Inglaterra e a França não se tivessem importado quando em 1939 a Alemanha invadiu a Polónia. Possivelmente a Alemanha nunca teria invadido a França nem tentado invadir a Inglaterra. Possivelmente a 2ª Guerra teria sido "apenas" entre a Alemanha e a Rússia e entre os EUA e o Japão. Se assim tivesse sido, teria certamente sido uma tragédia ligeiramente menor...

Ou seja, não sabemos se Chamberlain optou mal.

Em todo o caso, penso que não devemos deixar que um pedaço insignificante de terra, a Crimeia, nos leve a aproximar de uma nova guerra.
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De Pedro Correia a 10.04.2014 às 13:53

O seu argumento final é uma réplica exacta do que disseram os arautos da "não-intervenção" na Guerra Civil de Espanha. Arautos que tinham como expoente máximo Chamberlain à frente do governo do Reino Unido. Enquanto caíam Málaga, Bilbau, Santander com a preciosa ajuda da aviação germânica e da infantaria italiana...
A propósito deixo, para maior esclarecimento de quem acompanha este blogue, a hiperligação que permite ler a transcrição integral do debate na Câmara dos Comuns ocorrido a 25 de Junho de 1937. Garanto que a leitura é muito interessante: ninguém dará o tempo por mal gasto.
Que Chamberlain, depois de tudo quanto aconteceu, seja hoje apontado como figura de referência na cena política do século XX é um elucidativo sinal dos tempos.
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De Luís Lavoura a 09.04.2014 às 15:16

sucessivas violações do direito internacional

Acontece, lamentavelmente, que o direito internacional está prenhe de contradições internas, pelo que, de uma forma ou da forma oposta, ele acaba sempre por ser violado.

A contradição interna neste caso é entre o direito à autodeterminação dos povos e o direito à integridade territorial dos Estados, que são ambos reconhecidos pelo direito internacional. Como é evidente, um destes direitos será sempre, irremediavelmente, violado em casos em que há um povo que pretende (maioritariamente, ou sequer presumivelmente) separar-se de um qualquer Estado.

O direito internacional também está a ser violado no Saara Ocidental, no norte do Mali, no norte da Somália, na Tchetchénia e em milhentas outras regiões da terra. Diariamente violado.
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De Pedro Correia a 09.04.2014 às 23:22

O facto de o direito internacional estar a ser violado em vários pontos do globo não implica que aplaudamos novas violações. A menos que tenhamos uma ética "à la carte": umas violações são más e outras são boas.
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De Luís Lavoura a 10.04.2014 às 09:35

Tal como eu disse, o direito internacional tem contradições internas, pelo que, tanto a sua aplicação prática como o julgamento que cada um faz sobre tal aplicação são sempre "à la carte".
Por exemplo, durante dezenas de anos os EUA apoiaram a anexação de Timor-Leste pela Indonésia, e depois, num certo instante, mudaram de opinião e passaram a apoiar o direito à autodeterminação do povo desse território. Ou seja, aplicaram o direito internacional "à la carte".
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De Pedro Correia a 10.04.2014 às 14:05

Repito: sou contra essa concepção do direito internacional. Fiquei no entanto sem saber qual é a sua posição nesta matéria.
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De Luís Lavoura a 10.04.2014 às 15:54

Fiquei no entanto sem saber qual é a sua posição nesta matéria.

A minha posição é, em geral, a favor da autodeterminação dos povos que se querem autodeterminar.
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De Pedro Correia a 10.04.2014 às 18:46

Deduzo então que seja partidário da independência da Chechénia.
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De Luís Lavoura a 11.04.2014 às 11:02

independência da Chechénia

Com certeza, acho que o povo dessa região (e doutras quaisquer) deve ter o direito de, em eleições livres, se pronunciar sobre se quer tornar-se independente.
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De Luís Lavoura a 11.04.2014 às 12:37

Não li os linques, mas acredito que o cenário seja péssimo.
Não digo que seja fácil organizar eleições livres. Em muitos casos pode ser difícil, a começar pela definição do universo de eleitores (o qual pode incluir já muitos colonos desde outras origens, por exemplo, marroquinos que se instalaram no Saara Ocidental). No entanto, o que interessa é que não devemos rejeitar a priori a possibilidade de independência nem a possibilidade da realização de referendos ou eleições nesse sentido.
(Tem que se ter cuidado em demonstrar que o povo quer efetivamente tornar-se independente e que essa não é apenas a vontade de alguns auto-proclamados líderes que querem ter um país no qual mandar - caso de muitas independências no passado.)
O caso de Timor-Leste é exemplar. Fez-se um referendo, o povo votou, as condições não foram boas mas votou, e a independência fez-se. É assim que em todos os outros locais se deve fazer também.
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De Pedro Correia a 12.04.2014 às 11:20

De facto, no Kosovo não é fácil organizar eleições livres.
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De lucklucky a 09.04.2014 às 15:38

O mais perigoso com tipos como Putin (e Hitler) é que acabam por acreditar na sua estrela.
O bluff funcionou a tendência para repetir é enorme.
Depois acabam por fazer uma aposta que o outros não podem aceitar.
Mas nessa altura já estão todos armados , a lógica do conflito já se estabeleceu, não existe réstea de confiança alguma, logo a guerra é até ao fim e torna-se impossível a paz sem a destruição total de um dos lados.

O pior de Chamberlain & Co. - Daladier foi atrás mas não tinha ilusões - foi como contribuíram para a reputação de Hitler dentro da Alemanha e perca de reputação do Estado Maior Alemão.

Hitler fez bluff sempre contra a vontade dos seus generais que sabiam que uma guerra não poderia ser vencida com o paupérrimo exército Alemão dos anos 30.
As apostas arriscadas de Hitler que deram vitórias fáceis sem combate apesar dos avisos dos seus generais criaram uma grande ascendência moral de Hitler e dos quadros militares afectos aos nazis mas com grau mais baixo na hierarquia sobre os mais graduados da escola prussiana, tradicional e conservadora.
Isto levou mais tarde à dominação de Hitler sobre grandes aspectos das operações militares.
É só ler a biografia dos generais alemães e ver como ficaram reféns de uma reputação intocável de Hitler que só foi possível construir com a ajuda dos "apaziguadores".

Um exemplo:
http://en.wikipedia.org/wiki/Franz_Halder
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De Pedro Correia a 10.04.2014 às 11:17

O 'bluff' de Hitler funcionou, tanto era o temor dos apóstolos do 'apaziguamento' a qualquer preço. Enquanto apregoavam as virtualidades da paz, fechavam os olhos às ofensivas nazis e fascistas. Na Abissínia, na Áustria, na Checoslováquia. Enquanto assobiavam para o lado, quando ainda era possível conter a fera, o III Reich armava-se até aos dentes, o que possibilitou novas e cada mais vez dramáticas e cada vez mais sangrentas ofensivas contra outras nações e outros povos.
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De graça a 09.04.2014 às 19:47

Não podia estar mais de acordo. Excelente artigo, Pedro.
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De Pedro Correia a 09.04.2014 às 23:13

Obrigado, Graça.
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De Carlos Faria a 10.04.2014 às 16:02

Plenamente de acordo com o teor do artigo de Pedro Correia e os grandes arautos do apaziguamento esquecem-se de dizer que Hitler não só foi conquistando terreno por anexações, como ganhando tempo para aumentar o seu potencial bélico de forma acelerada, ao contrário da Inglaterra e França que nada faziam de significativo nesse sentido, a primeira para não provocar o ditador e a segunda confiante na sua linha Maginot.
Tal não quer dizer que eu defenda uma estratégia belicista, mas não aposto na ingenuidade dos prevaricadores.
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De Pedro Correia a 11.04.2014 às 00:42

O mais espantoso para mim, Carlos, é a inversão do ónus da prova. Sucede hoje como sucedia na década de 30. Chamberlain, contra todas as evidências, dois meses após 'Guernica', ainda ousava enaltecer a suposta "moderação" de Hitler, que transformara em farsa a chamada 'não-intervenção' na guerra civil de Espanha.
"Creio que a Alemanha é sincera no seu desejo de paz", declarou - na mesma linha - um deputado conservador no debate que menciono, em Junho de 1937. Também em política o pior cego é o que não quer ver.
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De Romão a 14.04.2014 às 11:24

Acho que o Pedro Correia não está da dar a devida importância á dependência energética da UE face á Russia. Nesse ponto concordo com o comentador Vento. Por isso, deixo aqui um pequeno apontamento:

A dependência externa no abastecimento de recursos energéticos

A UE e a Noruega em conjunto asseguram apenas 37% das necessidades de petróleo. A conclusão é clara: a Europa tem uma grande dependência do exterior e em especial da Rússia (27%) e, face ao declínio da produção do Mar do Norte, não está a prestar atenção suficiente à necessidade de diversificar os seus abastecimentos e reforçar a contribuição do Norte de África, da África Ocidental e da Bacia Atlântica. Relativamente ao gás natural a Europa assegura 53% das suas necessidades, tendo a Rússia (24%) e a Argélia (19%)como principais fornecedores.

Esta acentuada dependência externa é ainda agravada por vários factores como por exemplo:
o reforço considerável do poder das companhias nacionais de petróleo dos países produtores (as NOC’s) que controlam já 80% das reservas mundiais de petróleo. As companhias internacionais, entre elas as europeias (as IOC’s), controlam apenas 7% das reservas de petróleo deforma directa e mais 13% de forma indirecta através dos contratos de partilha de produção (“Production Sharing Agreements”). A Saudi-Aramco (companhia nacional da Arábia Saudita) é hoje 10 vezes maior do que a Exxon;

a competição da China e da Índia no acesso a novas reservas recorrendo a estratégias, em particular a China, que privilegiam as relações políticas que respaldam as relações comerciais entre as companhias nacionais dos países produtores e as companhias estatais chinesas;

os constrangimentos estruturais do mercado do petróleo: embora o mercado seja global, não é de todo um mercado totalmente aberto.Há um condicionamento estrutural quer do lado da oferta pois os países produtores como a Arábia Saudita e outros não permitem o acesso às suas reservas, quer do lado da procura, pois em muitos países do mundo como a China, a Malásia, a Indonésia, o Irão ou a Venezuela, os combustíveis são subsidiados;

o factor russo: a dependência dos fluxos de petróleo e gás natural da Rússia, conjugada com o controlo da rede de gasodutos, é preocupante e todas as projecções de evolução tendem a acentuar esta dependência para patamares excessivos, numa perspectiva de segurança energética e, o mesmo é dizer, de segurança global. A aquisição de activos no “downstream” em vários países europeus como a Alemanha, a França, o Reino Unido ou a Holanda e a expansão do controle da rede de distribuição, é parte integrante da estratégia russa de projecção de poder económico e estratégico com base nos seus recursos energéticos. A galinha dos ovos de ouro do Sr. Putin.

A vulnerabilidade dos fluxos energético -Um dos problemas mais importantes em termos de segurança energética é assegurar o fluxo do petróleo e gás necessário para alimentar o funcionamento da economia dos países consumidores.
Hoje circulam pelos mares do planeta 40 MB/D o que corresponde a cerca de 50% da produção mundial. Uma parte significativa (17 MB/D) circula no Estreito de Ormuz que é uma das vias marítimas mais congestionadas do mundo e dentro de 25 a 30 anos, esta quantidade pode duplicar.
Para a Europa esta situação é complementada com importância dos estreitos do Bósforo e Dardanelos. Outro ponto de congestão muito acentuada e que interessa sobretudo aos países da Ásia e em especial à China, Japão e Coreia do Sul, é a situação no Estreito de Malaca.
Por estas razões é importante para a Europa apostar nos projectos de pipelines que visam evitar o Bósforo e assegurar ligações com o Mediterrâneo, destaca-se os projectos Burgas-Alexandropoulos, o projecto Nabucco e o pipeline Samsung-Ceyhan, que atravessa a Turquia, para que não fique refém do sistema de pipelines russos, embora estes sejam um elemento essencial do abastecimento energético europeu.
Fonte: EIR Energy Intelligence Research.

A segurança energética da Europa do futuro que não pode ficar totalmente dependente da Rússia, pelo devem ser criadas alternativas.
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De Pedro Correia a 14.04.2014 às 22:49

Caro Romão:
Não posso estar mais de acordo consigo: a Europa tem de criar alternativas às actuais fontes de abastecimento energético, não podendo continuar tão dependente do autocrata russo.
Nem toda a Europa corre esse risco. Portugal, por exemplo, em nada depende da Rússia. Os países mais dependentes são os estados bálticos, Áustria, Itália e Alemanha.
Paradoxalmente, a violação da soberania territorial ucraniana por Moscovo vai acelerar a busca de fontes alternativas. Que passarão, por exemplo, pela intensificação do abastecimento de gás natural oriundo da Argélia e da Líbia.
Putin arrisca-se portanto a ter uma vitória de Pirro: representando as receitas das suas exportações de gás natural e petróleo cerca de um quarto do total de divisas da Federação Russa, essa quantia vai reduzir-se drasticamente à medida que as exportações para a Europa Central e Ocidental diminuírem.
Como referi em diálogo com outro leitor, a dependência nestas coisas funciona sempre em dois sentidos: por vezes quem vende está ainda mais dependente de quem compra do que o contrário.

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