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Os debates presidenciais.

por Luís Menezes Leitão, em 06.01.16

Dos debates presidenciais que até agora vi fiquei com uma conclusão óbvia. Estas eleições presidenciais são as mais tristes da história da democracia e a esmagadora maioria dos candidatos poderia seguramente fazer alguma coisa mais útil como, por exemplo, ir cultivar batatas em lugar de andar a recolher 7.500 assinaturas apenas pelo prazer de ocupar o espaço mediático numa candidatura presidencial completamente inútil.

 

Tem-se visto de tudo. Um candidato abandona um debate em directo, desrespeitando o compromisso com a televisão, apenas porque o tempo de antena que lhe deram não foi aquele que desejava. Outro candidato discursa sistematicamente contra a corrupção, parecendo que ainda não percebeu que o lugar em disputa não é o de procurador-geral da república. Outro candidato promete, imagine-se, alterar a constituição, competência que o presidente não tem, a qual é obrigado a jurar cumprir e fazer cumprir no acto de posse. E outro candidato passeia o seu habitual estilo gongórico, dizendo coisas de um absoluto vazio, como a de que é preciso "um tempo novo". E chegamos a assistir a debates em que os candidatos estão de acordo em tudo, sem que ninguém lhes pergunte se nunca pensaram em desistências recíprocas.

 

Os jornalistas moderadores assistem normalmente a este triste espectáculo com enfado e perplexidade, nada questionando a candidatos que manifestamente não têm nada de relevo para dizer. A excepção tem sido Rodrigues dos Santos que tem colocado aos candidatos algumas perguntas que devem ser feitas. No debate entre Sampaio da Nóvoa e Henrique Neto, ficou claramente à vista, por mérito deste último, a vaguidade total e a absoluta ausência de ideias de Nóvoa. Rodrigues dos Santos fez-lhe apenas algumas perguntas concretas, como qualquer jornalista tem o dever de fazer. Parece que por isso uma apoiante de Nóvoa apresentou uma queixa na ERC, demonstrando assim que os apoiantes de Nóvoa acham que os jornalistas estão nos debates como figuras de corpo presente, e que questionar o seu candidato já passou a ser crime de lesa-majestade.

 

Eu só peço a Deus que esta eleição presidencial acabe já à primeira volta. É que não há santo que aguente aturar mais duas semanas disto.

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6 comentários

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De Anónimo a 07.01.2016 às 01:15

Diz bem, o Presidente não tem autoridade de alterar a constituição, mas tem o dever e a obrigação, de a cumprir e fazer cumprir, tal como jurou perante a mesma. Tal nunca foi feito, pelo actual presidente que mais não fez senão passear e fazer tudo, para prolongar a vida dum governo que constantemente violou a dita. O que até aqui, ficou bem claro, é que Marcelo Rebelo de Sousa concorda com tudo e com todos e que ainda não diz nada de substancial. Onde está a personalidade deste senhor que quer ser Presidente? É triste, mas mais uma vez vamos ter um Presidente que é eleito não pelo que vale, mas pelas andanças pela televisão e que tem o desplante de dizer que não põe cartazes. Não precisa, a televisão já lhe pagou e o deu a conhecer aos portugueses. Cada povo tem aquilo que merece e os portugueses são o reflexo disso mesmo.
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De lucklucky a 07.01.2016 às 08:43

Hehe
Mas é assim tão diferente dos outros anos?

Quanto ao sofrimento pode sempre desligar a TV.
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De Nonimo a 07.01.2016 às 09:40

Faz uma afronta gratuita, no que diz respeito a Paulo Morais, que alias tera' o meu voto.

Meu senhor, ou quer combater a corrupcao que e' manifesta, ou enfia a viola no saco, aceita viver numa republica das bananas, onde os contribuintes sao assaltados diariamente, mas nao se deve por a criticar demagogicamente quem o faz.

Tem o procurador-geral competencias para alterar a legislacao? Nao tem. E' um cargo executivo que simplesmente obedece 'a legislacao em vigor.
A critica de Paulo Morais e' justamente 'a legislacao produzida, que e' feita com a participacao de grandes casas de advogados, que produzem diversas escapatorias legais, depois vendidas aos seus clientes.
Tem o senhor, professor de direito, interesse em manter tal estado de coisas?
Nao quero crer.
Tem o senhor, professor de direito, desconhecimento disto?
Nao me parece.

Sendo um problema de corrupcao colocado no coracao do sistema politico, que esta' perfeitamente identificado, onde pretende o senhor resolve-lo?
E' manifesto que nao houve vontade na Assembleia de mudar este estado de coisas, e estando o sistema politico dominado pelos partidos, ou espera que os partidos mudem, passando a praticas honestas, ou aceita a corrupcao como fado nacional.

O Presidente nao tem competencia legislativa, mas tem competencia de questionar a constitucionalidade, e de questionar o funcionamento de toda a estrutura do Estado.

Porque, meu senhor, ou aceita a doenca e convive com esta sangria como mal incontornavel, ou questiona a podridao dos orgaos que sao responsaveis pelo Estado a que chegamos. E a unica forma que tem de questionar todo o Estado e' do topo da sua hierarquia, a menos que seja favoravel a revolucoes nas ruas.

Compreende-se que as prostitutas do regime se sintam incomodadas, e procurem todos os meios de descredibilizar o homem, e como nao encontram outra forma, recorrem 'a afronta, a ofensas veladas, porque nem inteligencia teem para produzir aqui demagogia gratuita.

Nao se compreende que pessoas serias nao vejam que o problema foi bem identificado, que alguem se propoem finalmente resolve-lo, e alinhem no discurso do deboche.

Nao espanta que Paulo Morais seja inconveniente da esquerda 'a direita, porque foi todo o regime que se manifestou doente e incompetente de se regenerar.

Ontem, Paulo Morais deixou uma pergunta muito simples a Marcelo, que foi incompetente de lhe responder.

- Nao se colocara' em causa o principio de separacao de poderes, quando as mesmas sociedades de advogados actuam no campo legislativo e judicial?

Ao que parece toda a Faculdade de Direito e' incompetente em entender isto, e chumba rotundamente numa questao basica.
Isso diz muito do outro sitio onde se pode localizar o problema.
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De Luís Lavoura a 07.01.2016 às 09:47

Quem é o candidato que "promete alterar a constituição"? E. já agora, com que objetivo (em que sentido) deseja alterá-la?
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De Vento a 07.01.2016 às 12:44

Não concordo. O que hoje assistimos, com tanta proliferação de candidatos, é a urgente necessidade de encontrar um equilíbrio na nação. Equilíbrio esse que não foi capaz de ser concretizado quer pela anterior maioria quer pelo actual PR.
O problema da nação não passa pela estabilidade, mas pelo equilíbrio. Salazar também foi capaz de gerar uma certa estabilidade, através de profundos desequilíbrios.
Não estou nada certo que Marcelo vença à primeira. E se isto não ocorrer não vencerá as eleições.

Todavia, porque hoje se vive num mercado com bastantes ofertas para se gerarem tais equilíbrios (refiro-me ao número de candidatos disponíveis) necessito de um só dado, para acrescentar a minhas equações, que me proporcione uma posição definitiva sobre em quem votar.

Uma coisa é certa, já todos compreenderam que necessitam de se mudar para poder acompanhar as mudanças. E isto é bom.
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De BELIAL a 07.01.2016 às 18:42

Uma chuchadeira.


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