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O trágico destino dos escritores

por Pedro Correia, em 13.04.17

Foi só há pouco tempo, ao ler um notável ensaio de William Styron intitulado Visível Escuridão (Darkness Visible, 1990) que me apercebi das estreitas relações entre a depressão e o ofício da escrita. É quase inacreditável o número de grandes autores que cometeram suicídio, no auge de uma grave depressão.
Styron fez uma lista, que está longe de ser exaustiva: Hart Crane, Virginia Woolf, Cesare Pavese, Romain Gary, Ernest Hemingway, Jack London, Sylvia Plath, Henri de Montherlant, John Berryman, Wiliam Inge, Paul Celan, Tadeusz Borowski, Anne Sexton, Serguei Essenin, Vladimir Maiakovski. E Stefan Zweig, Primo Levi, Emilio Salgari, Yasunari Kawabata, Arthur Koestler, Paul Nizan, Yukio Mishima, Sándor Márai, Reinaldo Arenas, David Foster Wallace – acrescento eu.
No caso português, poderíamos mencionar, por exemplo, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Mário de Sá Carneiro, Luís de Montalvor, Manuel Laranjeira, Trindade Coelho, Florbela Espanca, Miguel Rovisco.
Outros houve, outros há.
 
“Apesar do raio de alcance da depressão ser ecléctico, demonstrou-se de forma bastante convincente que os temperamentos artísticos (particularmente os poetas) são especialmente vulneráveis a este mal – que, nas suas manifestações clínicas mais graves, colhe mais de 20 por cento das suas vítimas através do suicídio”, escreve Styron nesta notável obra sobre uma das maiores doenças da nossa civilização (Visível Escuridão, com tradução portuguesa de Teresa Caria, foi editada pela Bertrand em 1991). O próprio Styron – galardoado com o Prémio Pulitzer e o American Book Award, universalmente aplaudido por romances como A Escolha de Sofia – sofreu de depressão. “Receamos a perda de tudo, de todos os próximos e dos amados. Há um medo agudo do abandono. Ficar sozinho em casa, mesmo só por um momento, provocava-me um pânico e uma trepidação estranhos”, recorda o escritor neste impressionante e dilacerante depoimento.
“Não mais palavras. Um acto. Não voltarei a escrever.” Com estas palavras, redigidas num bilhete que lhe serviu de testamento, Pavese despediu-se da arte e da vida. O que levará um grande autor ao desespero? Quem de nós conhece devidamente os abismos da existência humana?
 
Texto reeditado e ampliado

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39 comentários

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De lucklucky a 14.04.2017 às 17:52

Eu disse uma parte do Bukowski do Hemingway.
Como o Pedro Correia escreveu(r) é um acto solitário.

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