Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O segundo debate Marcelo-Sampaio.

por Luís Menezes Leitão, em 08.01.16

Há 25 anos Marcelo Rebelo de Sousa envolveu-se de alma e coração numa candidatura à câmara de Lisboa, fazendo tudo para chamar a atenção de um eleitorado que não o conhecia, como conduzir um táxi pelas ruas da capital e mergulhar no Tejo. A sua campanha local apareceu com tanta força que ninguém do PS se dispunha a enfrentar Marcelo nessa corrida. Vítor Constâncio demitiu-se, perante as sucessivas recusas que foi recebendo, e o seu sucessor, Jorge Sampaio, foi obrigado, enquanto líder da oposição, a apresentar uma candidatura pessoal contra Marcelo. Já nessa altura coube a António Costa fazer as pontes para um acordo de esquerda contra Marcelo. Mas mesmo esse acordo não parecia ser suficiente, uma vez que Sampaio suscitava pouco entusiasmo perante a energia e o brilhantismo de Marcelo.

 

Isto foi assim até que se realizou um debate entre Sampaio e Marcelo. Nesse debate Marcelo decidiu adoptar uma pose mais serena por contraponto ao que até então tinha sido a sua intervenção. Esse erro foi-lhe fatal. Jorge Sampaio, com a experiência de advogado de barra, explorou as fragilidades do discurso de Marcelo e, ao contrário do que se esperava, Marcelo não foi capaz de lhe dar a réplica devida. Marcelo saiu do debate a dizer que se calhar tinha desiludido os seus apoiantes e de facto nesse dia perdeu as eleições.

 

Nestas eleições, passou-se o contrário. Marcelo optou por uma campanha completamente vazia, o que envolvia sérios riscos como aqui salientei. Mas, ao contrário do que se passou há 25 anos, não descurou o debate com Sampaio da Nóvoa. Pelo contrário, entrou completamente a matar, chamando a atenção para a total falta de currículo político do candidato, a sua ignorância absoluta da função presidencial, e o seu comprometimento ideológico com uma minoria dos eleitores. Nóvoa, perante o massacre que sofreu, só lhe faltou levantar os braços e invocar a convenção de Genebra. Lá foi dando uns apartes sobre o serviço nacional de saúde, que Marcelo facilmente desmontou, e fez referência aos antigos presidentes que o apoiam, o que Marcelo ridicularizou. No fim Marcelo deu-lhe uma estocada final decisiva quando chamou a atenção para a carrinha dos seis assessores que ele tinha trazido, criando no público a sensação de que sem assessores Nóvoa não existe.

 

Marcelo teve passados 25 anos a sua segunda oportunidade num debate político decisivo. Desta vez não a desperdiçou. No próximo dia 24 será entronizado presidente. E, diga-se de passagem, no actual quadro político é a melhor solução para o país.

Autoria e outros dados (tags, etc)


13 comentários

Sem imagem de perfil

De do norte e do país a 08.01.2016 às 09:26

Nóvoa aparenta um nível de competência e idêntico àquele que o apoiou inicialmente.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 08.01.2016 às 10:24

Concordo com o que escreveu, mas S.N. tem razão quando diz que MRS muda consoante o " palco"! É o caso da banca, o amigo Salgado e muuuito mais!Acho muito "fala barato" e para Presidente não me inspira confiança! Pela primeira vez vou votar em Branco!
Sem imagem de perfil

De luís campos a 08.01.2016 às 12:00

Bom dia,

Só lhe posso dar os parabéns! Escrever um artigo para afirmar uma conclusão já prévia, é como ir à cartomante. As respostas já são conhecidas. A entronização de Marcelo é dos media e de textos que se esquecem de analisar as contradições de quem fala para si próprio e para os seus apoiantes. A rábula de Ricardo Araújo Pereira sobre a interrupção voluntária da gravidez e a entrevista nas Legislativas, no seu programa sobre o valor clubístico dos partidos diz tudo sobre que realidade o candidato pensa construir. Basicamente a mesma que Aníbal Cavaco Silva, com uma diferença, dizer umas graçolas. A entrevista mostrou algo que este texto entre outras coisas esquece, a elegância de Marcelo Rebelo de Sousa é enorme, infinita, mas apenas em monólogo. Será eleito? Sim, o País não se pensa. Aliás Marcelo ao contrário de António Nóvoa tem pouco de professor. Ele é um produto da política e não é a da mais nobre.
Atenciosamente
Luís Campos
Imagem de perfil

De amoraconversa a 08.01.2016 às 12:47

Independentemente do resultado final, não há dúvidas que ontem quem ganhou foi mesmo o Marcelo Rebelo de Sousa!
Infelizmente continuamos a assistir a debates fundamentados em ofensas e ataques em vez de em defesas de ideias e ideais ... mas isto sou só eu (que sofro de utopia) a dizer...
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 08.01.2016 às 13:35

Também me pareceu que o Marcelo foi ele próprio, enquanto o Nóvoa mostrou a sua vacuidade, acentuada quando jogou algumas das cartadas que os seus assessores lhe prepararam, como foi o caso da acusação que fez ao Marcelo de que ele quis, em 1982, acabar com o SNS, quando integrava o governo, na qualidade de Secretário de Estado. Pode-se acusar o Marcelo de muita coisa, mas acusá-lo de querer acabar com o SNS ultrapassa o razoável e só pode ser feita de alguém muito mal informado. Por isso, foi fácil ao professor desmontar a falsa acusação, como também lhe foi fácil desmontar a habilidade de truncar afirmações suas feitas em Fátima, mostrando ser possuidor de uma memória prodigiosa.
Em suma, eu que nunca tinha assistido a nenhum outro debate, não gostei deste, muito menos do candidato Dr. Nóvoa, que não sabe ao que veio, mostrando não ter uma ideia correcta do papel dos nossos presidentes da República.
Imagem de perfil

De Francisco Carita Mata a 08.01.2016 às 14:32

Neste momento estão "destacados" dois posts sobre o mesmo debate. Opiniões/visões completamente contrárias!
Imagem de perfil

De José António Abreu a 08.01.2016 às 16:43

Diabos, é a primeira vez que tal acontece neste blogue! :)

(Por acaso nem acho que sejam completamente contrárias.)
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 08.01.2016 às 15:50

"Mas, ao contrário do que se passou há 25 anos, não descurou o debate com Sampaio da Nóvoa. Pelo contrário, entrou completamente a matar, chamando a atenção para a total falta de currículo político do candidato..."

Isto do currículo político sistematicamente invocado como crédito de quem o tem e a aceitação generalizada e pacífica de tal prática por parte de toda a gente deixa-me perplexo.
Tanto, que até peço ajuda para que alguém desmonte o raciocínio que se segue, para que a minha lógica, possivelmente presunçosa, mas de certeza inquieta, possa sossegar:
- Então não estamos todos de acordo que foram os políticos do arco da governação que, com os seus currículos e ao longo de décadas de passado, desgraçaram este País?!
- Então não estamos todos apostados em mudar tais currículos?!
- Então por que carga de água consideramos tais currículos como crédito de quem os tem, em vez de os considerar um descrédito de quem os tem?!
Obrigado, desde já!
Sem imagem de perfil

De do norte e do país a 08.01.2016 às 17:10

"- Então não estamos todos de acordo que foram os políticos do arco da governação que, com os seus currículos e ao longo de décadas de passado, desgraçaram este País?!"

Eu pelo menos não estou de acordo com essa afirmação!
Portanto, esta parte está desmontada, desde já, obrigado!
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 08.01.2016 às 18:38

Antes de mais, obrigado!
Mas, exprimindo eu uma convicção generalizada e nunca desmentida (até pelos próprios, imagine-se!), fico à espera que explique um pouco a sua posição.
Sem imagem de perfil

De do norte e do pais a 08.01.2016 às 23:54

A afirmação peca por defeito. Faltam o be e o pcp. Por outro lado, sou dos que pensa que o governo anterior, ainda que com falhas graves, foi dos menos maus dos últimos 40 anos.
Sem imagem de perfil

De do norte e do pais a 08.01.2016 às 23:55

Logo, porque a afirmação peca por defeito. Faltam o be e o pcp.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 09.01.2016 às 14:05

Falamos de currículos governativos, que os citados ainda não têm...

Comentar post



O nosso livro


Apoie este livro.



Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D