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O PSD sem rei nem roque.

por Luís Menezes Leitão, em 20.04.17

Depois das confusões que se verificaram na candidatura a Lisboa — e que hoje já tiveram graves consequências — imagine-se o que surge agora: uma proposta de Luís Montenegro para criar um sistema eleitoral à grega que desse um bónus de 50 deputados ao partido vencedor. Não me parece que isso fosse minimamente compatível com o sistema de representação proporcional que o art. 288º h) eleva a limite material de revisão, mas até dou isso de barato. O que me parece é que o PSD continua centrado em não aceitar a derrota que teve em 2015, o que o impede de preparar a vitória em eleições subsequentes, desde logo estas autárquicas, que seriam decisivas. 

 

Isto só me lembra Álvaro Cunhal que em 1999 resolveu escrever um livro (A verdade e a mentira na Revolução de Abril), dizendo que o PCP só tinha perdido as eleições de 1975 porque os partidos adversários tinham mentido aos eleitores. Na altura alguém perguntou-lhe se estava a propor que fossem repetidas 24 anos depois as eleições de 1975... Já é mais que altura de o PSD deixar de falar em 2015 e concentrar-se em ganhar as eleições com as regras existentes, que já deram amplas vitórias ao partido. Não peçam bónus de deputados, que a constituição não permite. Peçam mas é a maioria absoluta aos eleitores.

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14 comentários

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De lucklucky a 20.04.2017 às 18:58

Irrelevante.

As tácticas do jornalismo :

1 -Dá sempre emprego a todos os membros que criticam a direcção de um partido de direita.
2 -Cada membro do PSD e CDS que diga algo de esquerda ou extrema esquerda é logo promovido numa entrevista com grande destaque com fotos cuidadas em perspectiva, cor, tonalidade.
3-Se a Direita promover algo com que os jornalistas não concordem o jornalismo dá logo voz a quem promove protestos e violência.Se for a esquerda a fazer o mesmo temos silêncio. De repente desapareceram as associações, comissões de utentes, etc...
Exemplo: os maior cortes no investimento publico.
Já não há fome, suicídios e maus tratos por causa da austeridade...

É assim que Jornalismo destruiu a Democracia em Portugal

O que o PSD quer ou não quer é irrelevante, o estatuto do PSD nesta democracia é apenas ser muleta legitimadora da Esquerda para que se continue a chamar democrata ao regime.
Nunca mais o PSD e CDS ganharão uma eleição enquanto o "jornalismo" for este.
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De V. a 21.04.2017 às 11:15

[O] Jornalismo destruiu a Democracia em Portugal

Não é o único a ter esta opinião — quando o espaço público está refém das manipulações de uma determinada elite (por agremiação e proveniência) dentro de um grupo profissional não podemos deixar de fazer essas contas. A liderança acaba por ser normal e talvez não fosse um problema tão real se a coabitação com um Estado excessivo e controlador que confisca e distribui a riqueza a seu jeito não se traduzisse na impossibilidade de renovação da própria classe e da própria sociedade civil com sangue novo e independente. É de tal modo que até a irreverência tem de passar pelas "produções fictícias" e tem origem na elite. Ao longo dos anos ainda pensei que a cidade do Porto conseguisse manter-se à parte e afirmar-se como contra-poder e centro criativo e gerador da sua própria riqueza, mas creio que já não vou ver isso em vida (nos 50 anos que me falta viver). Esteve lá perto, mas não conseguiu fazer passar os seus ombros pelo buraco. Isto tem de ser um esforço consciente, bem dirigido, e não pode estar adormecido e tapado por futebóis, boçalidade e partidos rascas — que começam nas AEs das universidades.
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De Einstürzende Neubauten a 21.04.2017 às 18:46

Meu caro o jornalismo está feito com as corporações burguesas e não com o comunismo! Quem são os donos das empresas que detêm os jornais/TV? A URSS?
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De Jorge a 20.04.2017 às 20:47

Aquando da TROIKA e com todas as condições par fazerem verdadeiras reformas, e explicar devidamente ao povo, entreteram-se em não fazer nada, além de aumentar impostos. O resultado está á vista. O PSD bateu no fundo.
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De V. a 21.04.2017 às 13:29

com todas as condições par fazerem verdadeiras reformas

Não é verdade: as verdadeiras reformas exigirão mudanças constitucionais e 2/3 da Assembleia a favor. Mudanças para as quais o PS esteve sempre indisponível com a arrogância e o cinismo que caracteriza aquela agremiação de malfeitores.
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De Anónimo a 20.04.2017 às 22:59

Muito boa noite. Salvo melhor opinião, o PSD desconhece que existe Sul, Leste, Oeste e NORTE. Estão completamente desnorteados. A fazer fé nos OCS, o que se passa em Lisboa é sintomático do destempero que grassa naquelas hostes. Por isso concordo consigo em termos gerais. Respeitosamente, e factualmente, o PSD ganhou as eleições legislativas em 2015, não teve maioria absoluta, e na AR não conseguiu formar governo. A azia já lhe devia ter passado há muito tempo.
António Cabral
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De Luís Lavoura a 21.04.2017 às 09:32

Peçam mas é a maioria absoluta aos eleitores.

Pedir não é difícil. O PSD e o PS sempre pedem a maioria absoluta. Difícil é obtê-la.

Mas o crucial não é a maioria absoluta, que raramente se obtem. O crucial é saber fazer coligações quando ela não é obtida. Foi isso que Costa soube fazer.
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De V. a 21.04.2017 às 13:40

Agora que se sabe que só são possíveis coligações à esquerda, não seria improvável que os portugueses votassem em massa à direita — se existisse um novo partido liberal. Apesar do crescimento e do aliciamento da função pública creio que ainda restará (mas por pouco tempo) um pouco de bom senso na cachimónia das pessoas. Esse partido liberal teria boas hipótese de se implementar logo à primeira e conquistar um espaço que tapasse o buraco de inteligência e boas práticas de que sofrem o PSD e o CDS (na verdade, não sei quantas chances estes dois partido vão ter mais — o CDS e Paulo Portas defraudaram 15% dos votos de 2011, incluindo o meu que me custou tanto a enfiar na urna. É provável até que o CDS já esteja arrumado de vez porque "conservadores" não são aquilo.)
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De Luís Lavoura a 21.04.2017 às 14:16

só são possíveis coligações à esquerda

Como assim?! O anterior governo foi uma coligação PSD-CDS, à direita.

Esse partido liberal teria boas hipótese de se implementar logo à primeira

Não creio. Para já, a ideologia liberal está bastante chamuscada pela crise financeira - em que se viu que os bancos, sujeitos a um regime muito liberal, fazem disparates sem fim que os levam à ruína. Depois, porque implantar um partido não requer somente ideologia, requer também dinheiro e, em Portugal pelo menos, caciques locais, coisa que não é fácil de arranjar do pé para a mão.
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De V. a 21.04.2017 às 17:33

Referia-me a coligações que conquistem maioria absolutas. Depois da Geringonça, qualquer outro governo que não obtenha maioria e que não seja de esquerda está por definição condenado ao fracasso — o que demonstra logo à partida o facciosismo e a falta de cavalheirismo e fair-play das esquerdas.

A confusão entre liberalismo e capitalismo (e a ganância e maldade do "grande capital") faz parte do jargão socialista e jornalístico mas não corresponde à verdade das intenções de uma democracia liberal — onde não há excepções à regra e à Lei estabelecida. Nem mesmo excepções para o PC, como obtiveram já tantas com o seu património.
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De V. a 21.04.2017 às 17:45

requer também dinheiro e, em Portugal pelo menos, caciques locais, coisa que não é fácil de arranjar do pé para a mão.

Se for para fazer um partido igual aos outros de facto não vale a pena.. Mas percebo o toque sarcástico. Todos sabemos que o que não falta são caciques, sabujos e outros canalhas com grande pró-actividade. Aliás, quando lhe disserem "ó não-sei-quantos o que nós precisamos é de gente mais pró-activa" pode estar certo que está diante de um deles.
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De lucklucky a 21.04.2017 às 17:59

Qual regime liberal quando o incentivo ao crédito e o baixo preço do dinheiro foi determinado pelo complexo jornalista-político que queriam crédito a rodos para poder pagar cada vez mais gastos do estado?

Inflação de Crédito foi a alternativa que o sistema jornalista-político encontrou como alternativa à antiga Inflação Monetária impedida de acontecer pelas regras dos bancos centrais. Mais uma vez sempre a jogarem no presente, os filhos que se lixem.
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De e a 21.04.2017 às 23:15

Diga-me o nome dos proprietários dos jornais em Portugal? Todos burgueses, com interesses no Capital/Bolsa e Industria. É isto ser socialista?
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De Vento a 22.04.2017 às 10:51

A governação, a da troika, na qual participou o PSD nos últimos anos, para além do fracasso revelado, destruiu índices de convivência democrática que não se pode imaginar.
Mas ao destruírem tais índices estavam a destruir-se a eles mesmos. A grande aberração do PSD em matéria de postura foi governar para a sua convicção e não para a população.
Ora bem, todos nós sabemos que Hitler, Staline e o regime de Pol Pot, entre outros, também governaram para essa mesma convicção. Pretendo com isto dizer que a convicção não é passaporte para sítio algum. Tenho visto tanta convicção em todas as áreas de uma sociedade revelar-se um verdadeiro desastre, até em matéria de justiça.
Eu tenho a convicção que a convicção é mutável, e por isto mesmo é necessário ter cautelas com a convicção.

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