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O independentismo luso

por jpt, em 06.10.17

No "Público" de hoje dois historiadores comunistas (PCP/BE) publicam, e um alargado escol intelectual (da CEUD e da Capela do Rato, à LCI, UDP, ex-MRPP, passando pelo BE de XXI e pelo PS pós/Guterres) subscreve, um texto muito ponderado (deve ter sido negociado, denota-o umas aspas conceptuais muito cirúrgicas, para poder ser abrangente no meio-espectro). Apela à negociação. E quem pode não concordar? E recorda-nos o direito à auto-determinação dos povos (por evidente lapso "povos" não vem com aspas) e o direito a todas as formas de luta contra a opressão, e explicita que o que está em causa é a democracia. E critica, com polida veemência, as acções do governo de Madrid. Concordo com tudo.

 

Num texto de jornal não cabe tudo. Mas ainda assim de tantos mestres gostaria de algo mais. Logo o conteúdo substantivo da "opressão", essa que justifica qualquer forma de luta, e que é causa do processo actual catalão. Depois, e já que criticam Madrid, que se aludisse à oportunidade e metodologia do governo de Barcelona, nesta revolução republicana independentista. Num texto que se quer abrangente talvez não lhe pudessem chamar "aventureirismo" (termo em voga quando muitos dos subscritores se formaram). Mas uma breve alusão ao contexto, seja ao espanhol, seja ao europeu ou até mesmo àquilo da geo-estratégia.

 

Outra coisa é a tal cena dos valores e princípios, profusamente citados, qual missal: lembro Gorbatchev na Gulbenkian, quando o confontraram com a questão da autodeterminação ripostar que havia mil entidades na Federação Russa, que nem lhe falassem nisso. Anuíram. O Dalai Lama não foi à Assembleia, e o partido de Loff chamou-lhe "chefe de clique" ou coisa assim. Compreende-se. Desde Sócrates que a lusa língua está enrolada, com vigor, em torno da glande chinesa. Aplaude-se. Há por aí uma FLEC a bramir por Cabinda. Ninguém refere (e ainda bem). A esquerda portuguesa nada aprova os separatismos euro-ocidentais continentais, que lhes são pouco simpáticos ideologicamente (na pérfida Albion é outra coisa, pois nunca lhe perdoou o Ultimato, colonialista como sempre foi e é). Sócrates e Amado fizeram uma radical inflexão pró-marroquina na questão saariana (muito bem, que o moderado e mui vizinho reino de Marrocos é credor de toda a simpatia. Mesmo se reino, porque esta gente não gosta mesmo é dos Borbón, as outras realezas passam). Ninguém notou.

 

Porque longe ou perto, dentro do aceitável e mesmo do inaceitável, reinam as cumplicidades e os financiamentos. E a geo-estratégia. Agora aparenta que não, que são os "valores" que se impõem. Em alguns casos sim, em particular o valor "Barcelona me mata". Mas noutros não, pois esta súbita adesão à autodeterminação vem mesmo da geo-estratégia, da vontade de destruição das instituições democráticas europeias, da sua fragmentação e colapso. E é por isso que são os comunistas os locutores sob a bandeira sagrada "um homem, um voto", eles que sempre negam o voto. Acompanhados pelos tradicionais "companheiros de estrada". Esses que sempre acabam na valeta comum da tal estrada. É a tal geo-estratégia de que se fala agora. Negoceiem-na.

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15 comentários

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De Anónimo a 06.10.2017 às 16:05

Entenda a história da resistência da Catalunha contra o regime de Espanha:

O Que se Passa na Catalunha? Porquê?
- https://www.youtube.com/watch?v=AEHFDdzw7zo&feature=youtu.be

Perseguições, espancamentos, e agressões, contra a população civil da Catalunha efectuados pela Polícia de Choque do violento regime monárquico e clerical de Espanha governado por Filipe Grecia:

- https://twitter.com/CridaDemocracia/status/914599617190400000
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De jpt a 06.10.2017 às 18:18

Obrigado pela sua colaboração.
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De Anónimo a 06.10.2017 às 18:51

"que haviam mil entidades na Federação Russa," Já agora, atenção ao verbo haver. É um dos mais maltratados nos media.
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De jpt a 06.10.2017 às 18:59

Isch. Obrigado. É caso para dizer que até no trapo imundo se nota a nódoa.
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De Anónimo a 06.10.2017 às 19:41

Nunca falham , o s idiotas uteis do costume ( os tais "compagnons de route").
Para acabar com a conversa ( fiada), digamos que se lamenta este galego não estar, nem de longe, à altura do outro...
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De jpt a 07.10.2017 às 00:43

À falta de norte, escolhem o desnorte
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De V. a 06.10.2017 às 19:53

Historiador e Comunista são palavras opostas. Actividades opostas. Não é possível ser-se bom historiador se se for comunista.
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De jpt a 07.10.2017 às 00:39

Não concordo. Por um lado porque todas as versões são interessantes, pelo passado que revivem e pelo presente que denotam. Por outro lado porque casa um é um.
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De Diogo Noivo a 06.10.2017 às 20:57

Aproveito este teu excelente texto para, com lamentável atraso, te dar um abraço de boas-vindas ao Delito. Mesmo não subscrevendo na íntegra o que escreves, tem sido um gosto ler-te, jpt.
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De jpt a 07.10.2017 às 00:40

A agradecer o acolhimento
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De Pedro Correia a 06.10.2017 às 22:21

Os signatários já saíram em defesa de Putin (que esmagou a Crimeia e anexou parte da Ucrânia, à margem do direito internacional), de Assad (responsável pelo maior morticínio de população civil registado neste século em qualquer parte do mundo) e de Maduro (que liquidou a pericilitante democracia venezuelana, condenando os opositores ao degredo, à prisão, à tortura e à morte).
Ficamos conversados.
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De jpt a 07.10.2017 às 00:42

O que me irrita não é a plasticidade É o ademane moralista
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De Anónimo a 07.10.2017 às 22:59

Você fabrica factos; terá de justificar o que acabou de escrever, caso contrário não passará de uma afirmação infundada.
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De Luís Menezes Leitão a 07.10.2017 às 05:26

O exemplo do Gorbatchev é muito bom. Foi ele que se manteve na chefia da URSS sem fazer quaisquer concessões até lhe dizerem que o país que ele governava já não existia. Esperemos que não aconteça o mesmo com Espanha.

Em relação ao texto, confesso que até o achei muito moderado para autores que costumam ser tão radicais. Mas quando os ânimos estão acirrados qualquer declaração só serve para incendiar ainda mais a polémica.
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De jpt a 08.10.2017 às 07:36

O texto é realmente moderado. Por um lado porque quer, e ainda bem, ser abrangente. E por outro, porque reflecte o estado actual da situação catalã, o beco a que o radicalismo do governo regional conduziu.

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