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O horror em Nice.

por Luís Menezes Leitão, em 15.07.16

Há uma diferença muita clara entre os Estados Unidos e a Europa no que respeita aos atentados no seu território. Os Estados Unidos sempre entenderam que o ataque no 11 de Setembro foi um acto de guerra, a que teriam que responder pela mesma forma. E a verdade é que conseguiram controlar ataques posteriores no seu território. Já na Europa insiste-se em ver as situações como meros atentados terroristas, que por isso se vão sucessivamente repetindo.

 

Os ataques em Paris, Bruxelas e Nice são verdadeiros actos de guerra e é nesse sentido que têm de ser encarados. A escolha de Nice para ser alvo de um atentado no 14 de Julho não é inocente. Exprime o ódio dos autores do atentado à Nação Francesa e ao seu dia nacional. E escolhe para atacar não apenas uma zona turística importantíssima na Riviera Francesa, mas especialmente o território que mais recentemente pertence à França. Nice só é território francês desde 1860, sendo que antes era pertença do Reino da Sardenha. O ataque a Nice simboliza assim um ataque ao Estado francês e às suas fronteiras actuais.

 

Há muito que se sabe que esta gente quer destruir os Estados europeus, que consideram inimigos do Califado que pretendem instalar em território europeu. Mas a Europa não parece ter consciência do perigo que a ameaça. Ainda há dias Hollande falava em levantar o estado de emergência em França, que agora se viu forçado a prorrogar. Enquanto não se reagir militarmente contra estes fanáticos, terminando de vez com o Estado Islâmico, os atentados terroristas continuarão a multiplicar-se em solo europeu.

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21 comentários

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De João André a 15.07.2016 às 10:13

Caro Luís,

não discordando de ti, há dois aspectos que me parecem negligenciados no teu post.

1. Se é verdade que os EUA trataram a ameaça terrorista como uma guerra e têm tido sucesso, não é menos verdade que têm a tarefa consideravelmente mais facilitada pela distância e obstáculos naturais que existem entre o país e o território que o Daesh/EI controla. Na Europa não existe essa possibilidade. Além disso, a população árabe que reside nos EUA é também, e em larga medida, cristã, ao contrário do que se passa na Europa. Sendo que os atacantes são sempre muçulmanos e árabes, caso esse segmento da população nos EUA seja mais reduzido, então há menos probabilidades de serem atacados, independentemente das medidas e políticas de defesa.

2. Gostaria de saber como atacar o EI/Daesh de forma eficaz. Tem-se tentado fazer isso contra a Al-Qaeda ao longo da última década e meia e parece ter sido a emergência do EI que lhes causou a maior mossa. Acabar com o EI só é possível com as famosas "botas no terreno" e não há a menor garantia que mesmo uma invasão em força ajudasse. Aliás, poderia levar a uma maior radicalização da população. Há boas razões para pensar que tal ajudou ao crescimento do apoio ao EI.

Não há soluções boas nem óbvias. As comparações entre EUA e França fazem sinceramente pouco sentido. Geográfica, demográfica e historicamente são casos muito distintos. Além disso não se pode dizer que os EUA tenham sido assim tão bem sucedidos. Aquilo onde têm sucessos é em impedir mais ataques de larga escala, os quais requerem organização e múltiplos cumplíces. No entanto tais sucessos são relativos (têm existido alguns ataques) e à custa de liberdades individuais.

Há coisas que podem ser feitas, mas não há escolhas fáceis, ao contrário do que quase se depreende do teu post (não creio que fosse essa a tua intenção).
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De Luís Lavoura a 15.07.2016 às 11:49

a população árabe que reside nos EUA é em larga medida cristã

Nunca ouvi dizer isso. De onde extrai o João André tal informação?
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De João André a 15.07.2016 às 12:38

Citei de memória um antigo artigo da Economist (que não fui procurar), mas uma busca ultra-rápida dá um resultado da Wikipedia:
https://en.wikipedia.org/wiki/Arab_Americans#Religious_background

Claro que é resultado de vagas de imigração antigas e também é óbvio que a proporção de árabes muçulmanos está a aumentar. Contudo, é esta a realidade actual.

Também parece que a esmagadora maioria de muçulmanos nos EUA não é árabe:
https://en.wikipedia.org/wiki/Islam_in_the_United_States#Demographics

Além disso, os muçulmanos nos EUA são cerca de 1% da população. Tudo isto é consideravelmente diferente do que vemos na Europa. A populção muçulmana na UE é de 2%, o que inclui vários países com percentagens mínimas de muçulmanos. Só a França parece ter 7-9% de muçulmanos.
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De Luís Lavoura a 15.07.2016 às 14:32

a esmagadora maioria de muçulmanos nos EUA não é árabe

Isso é normal, porque a esmagadora maioria de muçulmanos no mundo não é árabe.

Já o que não me pareceu normal, é que a maioria dos árabes nos EUA seja cristã.

Mas creio que no Brasil se passa a mesma coisa. O Brasil tem muitos árabes (essencialmente libaneses e sírios), mas creio que a quase totalidade deles são cristãos e de origem cristã.
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De Luís Lavoura a 15.07.2016 às 11:47

O Luís Menezes Leitão parece estar com a mente toldada pela raiva.
1) Quer responder com guerra? Contra quem? Como? Onde? Quem quer o LML ir matar?
2) Não há, que eu saiba, até agora, qualquer razão para se crer que o morticínio foi perpetrado com objetivos políticos. Nenhuma organização (que eu saiba) reivindicou o ataque. (E, mesmo que reivindicasse, haveria que indagar se essa reivindicação era genuína e não meramente oportunista.) O morticínio pode ter sido obra de um louco, tipo Anders Breivik, e/ou de um atacante isolado e atuando por conta própria.
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De Vento a 15.07.2016 às 11:47

Escreve o Luís: "Enquanto não se reagir militarmente contra estes fanáticos, terminando de vez com o Estado Islâmico, os atentados terroristas continuarão a multiplicar-se em solo europeu".

A pergunta é a seguinte: Afinal o que tem vindo a ser feito na região do médio e extremo oriente há já bastantes anos?

Desde os ataques do 9/11 que o alvo seria destruir os focos terroristas. Pergunta: Quantos focos terroristas surgiram posteriormente a estas acções?

Por último, não pense que a destruição, isto é, a neutralização da capacidade interventiva do ISIS acabará com as células terroristas. Serão necessárias medidas de estabilização social para adormecer este fenómeno. E se queremos paz temos de, posteriormente, investir muitos biliões que permitam a essas sociedades retomar as suas raízes. E nunca esquecer o problema dos territórios ocupados por Israel.

Mas também é importante criar condições para a autonomia de povos dessa região, como é o caso dos curdos.
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De tric.Lebanon a 15.07.2016 às 12:02

"Enquanto não se reagir militarmente contra estes fanáticos, terminando de vez com o Estado Islâmico, os atentados terroristas continuarão a multiplicar-se em solo europeu."
.
solo europeu...solo africano...solo do magreb...solo no Levante...A União Europeia e a NATO só sabem congelar o dinheiro do Irão e promovêr sanções à Russia Cristã...contra a Arábia Saudita, Qatar nem vê-las...isto vai continuar ! cometeram a estupidez de destruir o único Império formado para combater o avanço islâmico...agora...só falta mesmo a União Europeia Judaica-islamica e a NATO continuar a fazer o seu papel, que diga-se de passagem estão no a fazer bem, levar o Caos social-económico-financeiro para as Nações Católicas no mediterraneo...quando o mediterraneo está em fogo...os Judeus que controlam a Europa e a NATO sabem o que fazem...
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De JSP a 15.07.2016 às 12:02

Podia aprender-se duas ou três coisinhas com o chamado "método russo" ( de lidar com semelhantes "acontecientos"...).
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De JSP a 15.07.2016 às 12:04

"acontecimentos".
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De V. a 15.07.2016 às 12:12

Onde é que está o botão? Eu carrego.
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De Carlos Faria a 15.07.2016 às 12:37

Concordo plenamente que é um ato de guerra e que a Europa nunca viu isso nesses termos.
Também concordo que é mais fácil controlar estes ataques nos EUA pela inexistência de obstáculos territoriais difíceis de transpor para árabes chegarem à Europa.
Não sei se os autores dos atentados estão tão bem informados da evolução das fronteiras entre Estados Europeus para mandarem sinais desse género neste caso, ainda de fosse da fronteira da máxima expansão islâmica: o Andaluz, a Sicília e os Balcãs... mas entre ocidentais penso que não.
Agora há outro pormenor, o modo como se integram imigrantes, árabes ou não, na Europa e nos EUA/Canada. no Velho Mundo olha-se para os imigrantes como povos inferiores, integram-nos como porteiras, trabalhadores da construção, barmen ou seja uns serviçais, enquanto no novo mundo não há sobranceria do povo hospedeiro, até porque estes são sobretudo imigrantes também e se a primeira geração deixa-se humilhar pois sente que melhorou face à terra de origem, a segunda geração a referência é serem filhos de uma cultura considerada inferior por muitos do povo hospedeiro e por isso a plena integração é difícil de acontecer e tal alimenta ódios muito bem explorados pelos líderes islamitas radicais.
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De da Maia a 15.07.2016 às 12:48

Uma questão que traz resposta em si mesma:

- Se a nacionalidade do condutor fosse portuguesa, inglesa, sueca, haveria a mesma rapidez em ligar o ataque ao terrorismo islâmico?

Portanto, o que temos instalado é um julgamento a priori, que é em si mesmo uma discriminação por origens raciais.

Pior, esta presunção associativa, encerra em si mesma motivos de razão reactiva.

O que está escrito é que o homem era francês, filho de pais tunisinos, estava em processo de divórcio, com complicações financeiras graves, e tinha sido preso por ter provocado um acidente, por ter adormecido ao volante, no mês anterior.

Pode acreditar-se que o Estado Islâmico conseguiu recrutar o homem... mas será sempre de uma simplificação autista, ignorar o que ocorreu na Noruega, onde uma única pessoa decidiu uma chacina.

Apressar uma ligação ao Estado Islâmico, só por causa da nacionalidade... deixa uma mensagem muito clara aos franceses de origem árabe, sejam eles moderados ou extremistas - têm sempre garantido um julgamento a priori.

Esta é a Europa que quer parecer politicamente correcta, mas que facilmente deixa cair esse verniz... seleccionando intenções pela simples raça do actuante.
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De V. a 15.07.2016 às 14:09

Ao contrário, prova que não é preciso ter ligações ao Daesh para ser violento e cumprir o seu destino como manda o cabrão do profeta. Reforça ainda mais a ideia de que os muçulmanos não têm lugar na Europa sejam eles quem forem.

Desculpas de merda que vocês andam sempre a arranjar. Vocês são os maiores culpados disto porque pensam que as culturas são todas compatíveis. Só tenho pena que não sejam vocês a ficar debaixo dos camiões e a levar com as bombas.

Esquerdalha insuportável. Vocês também não têm lugar no mundo civilizado.
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De da Maia a 15.07.2016 às 15:05

Homem, você é um génio...
Anders Breivik, quando decidiu arrumar com 77 noruegueses, foi também influenciado pelo Profeta Maomé...
Claro, por islamofobia!

Aliás, o discurso de Anders Breivik, é muito próximo do seu:
- ... os muçulmanos não têm lugar na Europa sejam eles quem forem.

Até posso entender, mas é esta pérola seguinte, que faz de si e do Breivik quase almas gémeas:
-Só tenho pena que não sejam vocês a ficar debaixo dos camiões e a levar com as bombas. Esquerdalha insuportável. Vocês também não têm lugar no mundo civilizado.

Esquerdalha?... deve ser o nome da sua ex-namorada que o deixou ressabiado.

Não sei se o Breivik recebe cartas, mas olhe que pode ser o início de uma bela amizade gay.
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De V. a 17.07.2016 às 10:20

Não quero saber do Breivik para coisa nenhuma. O Breivik é um pobre diabo, um perturbado, cheio de problemas familiares e com uma juventude de tristeza e de abandono, marginalizado pelo sistema. Tinha uma grande revolta dentro dele e fez aquilo.
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De André Miguel a 16.07.2016 às 09:43

O EI acaba de reivindicar o ataque.
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De da Maia a 16.07.2016 às 12:26

O Daesh também poderia reivindicar que as inundações em Paris, em Junho, foram obra de Alá, em resposta às suas preces...

Mas, se não quisermos embarcar na primeira notícia que aparece, cito o seguinte:

Amaq said a DAESH security source had referred to the killer, Mohamed Bouhel, as a one of its ‘soldiers’ who had driven a 19-ton lorry into a crowd “in response to calls to target nations of coalition states that are fighting” the militant group.
However there are doubts as to whether DAESH is really responsible as it had
failed to prepare propaganda in advance of the attack as occurred on previous occasions.
</i>

http://www.euroweeklynews.com/3.0.15/news/on-euro-weekly-news/world-news/140014-responsibility-for-nice-massacre-claimed-by-daesh

Cumprimentos.
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De jo a 15.07.2016 às 13:25

Voltamos sempre ao mesmo. A misturar terrorismo com ações de guerra. é sempre bom diabolizar um inimigo externo, está à mão.
A maior parte, se não a totalidade, dos ataques terroristas na Europa tiveram participação de cidadãos nascidos e criados na Europa. Imagine o seu espanto se a China resolvesse bombardear Portugal porque chineses descendentes de portugueses tivessem cometido atos terroristas.
Se tem seguido com atenção o contar de mortos em ações violentas nos Estados Unidos nos últimos tempos não diria que têm o problema do terrorismo resolvido, só na semana passada foram 8 polícias. Estas atividades têm muito mais a ver com os outros atentados do que o Daesh alguma vez terá.
O problema não é o Daesh andar a "pescar" operacionais nos países ocidentais, o problema é encontrarem tanta gente disposta a segui-los.
Se os países ocidentais não tivessem descurado parte das suas populações não teriam agora indivíduos dispostos a morrer para matar Não se iluda, estas pessoas se não tiverem a desculpa da religião arranjam outra, porque o que lhes interessa é o ato em si.
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De lucklucky a 19.07.2016 às 14:38

A desonestidade marxista continua.

Os Portugueses emigrantes não foram "descurados", qualquer português dos anos 60 tinha muito menos

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