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O «fim» da austeridade, o início das mentiras

por José António Abreu, em 18.10.17

Governo falseou dados das listas de espera para consultas e cirurgias no Serviço Nacional de Saúde. Entre 2014 e 2016, o tempo de espera subiu, o número de cirurgias desceu. Em 2016, 2605 pessoas morreram à espera de cirurgia.

Bem-vindos ao maravilhoso mundo da Geringonça, recuperado dos tempos de Sócrates, no qual tudo é perfeito, ainda que tenha ser à força. Muitos parecem acreditar que António Costa é, no que respeita ao estilo de governação, diferente do homem que teimou numa ilusão até ao instante em que o dinheiro acabou. Infelizmente, é igual. O roubo de Tancos e os incêndios mostraram amplamente a sua incapacidade para assumir erros, a sua indiferença pelos portugueses (que não pela opinião que os portugueses têm dele) e o despudor com que transforma os próprios correligionários em escudo pessoal (por muitos erros que tenha cometido, a Ministra da Administração Interna poderia ter sido poupada à humilhação de, na prática, se ver demitida pelo Presidente da República). Esta notícia - que certamente não irá incomodar os parceiros da Geringonça, outrora tão vocais acerca de situações menos graves - revela a sua disponibilidade para usar absolutamente todos os truques, de forma a manter as ilusões e se agarrar ao poder. E que possa não ter partido dele a indicação concreta para maquilhar os números pouco importa: em ambientes malsãos, pejados de yes men, nos quais as aparências são tudo, as estruturas fazem o que sentem ser necessário fazer.

Enfim, talvez nada disto interesse no país em que Isaltino é eleito e Sócrates ainda recebe aplausos. Talvez até constitua motivo para felicitações. Num país decente, porém, depois da forma vergonhosa como geriu o caso dos incêndios, seria razão bastante para conceder a António Costa o mesmo género de férias forçadas com que ele presenteou Constança Urbano de Sousa. Em Palma de Maiorca, como quando pretendeu escapar à polémica de Tancos, ou noutro lado qualquer.

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24 comentários

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De jerry khan a 18.10.2017 às 17:57

no orçaminto é tudo virtual
tolices no rectângulo das canavilhas
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De José António Abreu a 18.10.2017 às 21:10

"Orçaminto" é um neologismo cativante (e, como sabemos, as cativações estão na moda). Já a referência à ex-ministra, esse vulto insigne da mais pura presunção (suponho que não da água benta), deixou-me um sabor desagradável na boca.
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De jerry khan a 18.10.2017 às 22:14

foi substuída pelo cabrito (género obriga)
a quem a bruxa velha disse
'não vale o dinheiro que ganha'
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De Costa a 18.10.2017 às 18:15

"Num país decente", escreve. E fica tudo dito.

Costa
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De José António Abreu a 18.10.2017 às 20:44

Dá para desanimar, às vezes. Mas - aplicando uma versão invertida daquele fatalismo tão típico dos portugueses - o que se pode fazer senão manter alguma esperança?
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De Anónimo a 18.10.2017 às 18:37

Não ocorreu qualquer furto de armas em Tancos.
O que aconteceu foi uma translação espontânea de corpos sólidos, vulgo teletransporte, micro fenómeno que nesse dia afectou Portugal continental.
Os meus óculos, por exemplo, desapareceram da mesa de cabeceira e materializaram-se na garrafeira da cave, dentro de uma garrafa de touriga. Só há quatro dias consegui encontrá-los. Nunca fiquei tão satisfeito por receber amigos para jantar.
Como estatisticamente estes fenómenos acontecem uma vez no tempo de vida de cada milhão de universos, devemos estar seguros nos próximos quinhentos mil milhões de biliões de anos, mais ano menos ano.
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De José António Abreu a 18.10.2017 às 20:53

É uma explicação possível. Talvez Costa e o ministro possam convencer o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas a apresentá-la.



(Quanto aos óculos, a sua memória se calhar já não é o que era. No que me diz respeito, esse problema não se põe.)

(Não me refiro à possibilidade de a minha memória também já não ser o que era - disso tenho a certeza. Refiro-me à possibilidade de me esquecer dos óculos, porque sem eles nem sequer vejo a ponta do nariz...)
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De João Marques a 18.10.2017 às 18:38

Não ocorreu qualquer furto de armas em Tancos.
O que aconteceu foi uma translação espontânea de corpos sólidos, vulgo teletransporte, micro fenómeno que nesse dia afectou Portugal continental.
Os meus óculos, por exemplo, desapareceram da mesa de cabeceira e materializaram-se na garrafeira da cave, dentro de uma garrafa de touriga. Só há quatro dias consegui encontrá-los. Nunca fiquei tão satisfeito por receber amigos para jantar.
Como estatisticamente estes fenómenos acontecem uma vez no tempo de vida de cada milhão de universos, devemos estar seguros nos próximos quinhentos mil milhões de biliões de anos, mais ano menos ano.
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De José António Abreu a 18.10.2017 às 20:55

Ora bolas, devia ter respondido aqui, que sempre tinha um nome a quem responder. Eu até tinha reparado que o comentário estava duplicado. Mas - lá está - a minha memória já não é o que era.
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De João Marques a 18.10.2017 às 21:49

É esta a prova! Também acontece com os comentários!
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De Anónimo a 18.10.2017 às 19:53

A baixa do desemprego também tem os seus truques.Seria interessante haver uma vistoria ás formas de atuar.
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De José António Abreu a 18.10.2017 às 20:59

Acredito que o desemprego tenha mesmo descido, apesar do crescimento económico não estar nos níveis do que se verifica em Espanha. Ainda assim, é provável que os números também beneficiem de alguns truques contabilísticos.
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De Rão Arques a 18.10.2017 às 20:50

Costa, entre o inicio do cadáver e o fim da putrefação anunciada.
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De José António Abreu a 18.10.2017 às 21:21

Sim, mas desconfio que ainda vai ficar a empestar durante muito tempo.
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De Anónimo a 18.10.2017 às 21:30

Este blogue era para mim um dos melhores, senão o melhor e que eu lia assiduamente. Agora transformou-se no blogue da oposição ao presente governo. E fê-lo de maneira demasiado óbvia com argumentos muito primários que dificilmente levarão á vitória do PSD. Este precisa de ideias e não de bocas ao estilo de Passos Coelho e do Delito. Começo a ficar farto e mesmo enjoado de tanta repetição. Haja imaginação!!
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De Terry Malloy a 18.10.2017 às 23:06

Quando anónimos começam a aparecer a chamar bocas e argumentos primários a afirmações factuais do tribunal de contas, que revelam o aumento (alô, fim da austeridade) e a falsificação das listas de espera por parte do governo, temos a porca nas couves.

Calma, assessor, respira. Vai tudo correr bem.
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De Rão Arques a 19.10.2017 às 07:36

Este blogue continua para mim um exemplo de seriedade sempre aberto a todas as opiniões.
Como se constata pela presença e opinião deste sr. anónimo que só por si contraria aquilo que tem a ousadia de afirmar.
Tanta imaginação!
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De José António Abreu a 19.10.2017 às 17:59

Das duas, uma: ou você lucra com este governo e está-se nas tintas para a verdade ou, por alguma razão que talvez Freud explique (não sou especialista), gosta de ser enganado.
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De Anónimo a 19.10.2017 às 01:58

Parabéns pelo artigo.
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De José António Abreu a 19.10.2017 às 18:06

Obrigado. Devo dizer que não é agradável escrever este género de textos - ainda por cima, no que respeita aos relatórios do Tribunal de Contas e aos truques do governo, quase uma cópia dos que escrevia há sete ou oito anos.
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De Anónimo a 19.10.2017 às 05:38

Concordo consigo JAA mas a geringonça era necessária tal como o é um novo 28 de Maio.
PORTUGAL e os Portugueses acima de tudo !
WW
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De José António Abreu a 19.10.2017 às 18:07

Duplamente não.
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De Anónimo a 20.10.2017 às 00:44

Os dados de 2014 e 2015 relativos ao governo de Passos Coelho foram falseados pela geringonça?
Escapa-me alguma coisa...

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