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O estado da arte

por Ana Vidal, em 15.06.16

O problema dos humoristas em Portugal é que são como o estado islâmico: auto-proclamam-se. Alguns, como é o caso de Rui Sinel de Cordes, vão mais longe ainda nesse fascínio e trocam graças por mísseis e bombas contra um público que, evidentemente, não reage como eles gostariam. Não percebem os auto-proclamados humoristas que escolheram a mais difícil e ingrata de todas as artes, e que fazer rir muitos é para muito poucos. E quando isso não acontece, quando fatalmente constatam o fiasco, reagem como onze virgens ofendidas e vão fazer humor, enormes e injustiçados, para o seu micro-público amante de cintos de explosivos.

 

Não percebem também outra coisa muito básica: o direito à liberdade de expressão que lhes permite violentar todas as fronteiras (as dos outros, claro) é o mesmíssimo direito que assiste a esses outros para os crucificarem depois em praça pública. A mesma praça pública, aliás, e com a mesma violência.

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14 comentários

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De Anónimo a 15.06.2016 às 15:30

Não percebo. Qual é a manifestação artística em que não há "auto-proclamados"? Os cantores vão a alguma repartição receber a certificação de cantor? Os actores dirigem-se à Loja do Cidadão para receber o cartão de actor? Os escritores aguardam parecer de alguma comissão até se considerarem escritores? Ou todos esses também se "auto-proclamam" cantores, actores e escritores? E quem é que decidiria que um humorista é humorista? A Ana?
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De Anónimo a 15.06.2016 às 21:08

Boa questão. Não se entende porque é que esse é "o problema dos humoristas em Portugal". Em que país é que os humoristas não se "auto-proclamam"? Há algum país com cerimónia de investidura de humoristas?
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De Ana Vidal a 16.06.2016 às 01:25

Respondo a ambos: claro que acontece o mesmo com os artistas em geral, mas todos são julgados pelo o público que os lê, que os ouve, que os compra, etc. (eu também, claro, enquanto parte desse público).
Falo aqui particularmente dos humoristas porque o que aconteceu em Portugal foi, de há alguns anos para cá, uma proliferação de novos "humoristas" por todo o lado, todos os dias. Como se fosse fácil, como se fosse possível haver assim tantos génios natos de uma arte tão exigente como é a comédia. Sim, ponho-os entre aspas porque a maioria deles não tem a menor graça e acha-se um Monty Python de geração espontânea. É a minha opinião, não precisam de concordar comigo.

Mas este caso ainda mais particular, cujo nome cito no post, é o de alguém que agride toda a gente desde sempre com um "humor" (aspas outra vez, sim) violento, muitas vezes de forma brutal e desumana. Está no seu direito, exerce o seu direito à liberdade de expressão? Está. O que não pode é depois estranhar que lhe paguem na mesma moeda, fazendo birras e queixando-se de ser um genial incompreendido quando os outros exercem o mesmo direito e o atacam também.
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De Anónimo a 16.06.2016 às 09:45

Continuo a não perceber. Os humoristas não são igualmente julgado por quem os lê, ouve e compra? Também houve uma proliferação de fadistas e não são todos a nova Amália, uma proliferação de escritores e não são todos o novo Eça. Qual é mesmo a especificidade aqui? Além disso, o texto diz "os humoristas", não diz "certos humoristas".
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De Pedro Correia a 15.06.2016 às 19:28

Alguns "humoristas" que andam por aí não têm graça nenhuma, Ana. Confundem humor com graçolas boçais. Só não menciono os nomes deles para não lhes fazer publicidade.
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De Ana Vidal a 15.06.2016 às 23:03

Também pões a palavra entre aspas. Presumo que aches, tal como eu, que há humoristas a mais e graça a menos. Sofremos de um surto de humorite aguda, ainda por cima de fraquíssima qualidade.
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De BELIAL a 15.06.2016 às 23:19

Li uma entrevista à "Sábado".

Se não estava a gozar, relatando a sua vida - acho que é demasiado pirulas.
Apesar do ar arrumadinho, que desconcerta.

À pala do humor dá largas à maluquice, sem freio.

O direito à capitis diminutio que ousa dizer o seu nome: humor negro.

Gosto desse humor, mas em doses brutais como faz é uma loucura.
Na verdade, não é difícil fazê-lo: basta gozar tudo e todos, incontinentemente.

Quantas vezes não amortalhamos tal - no íntimo.
E soltamos em estado de inebriação, sem censura interna - ou externa, dos que estão na mesma "frequência".

Não. Não pagava para vê-lo.
Mas de borla: "sinto a liberdade a passar por aqui".
Desnuda bem preconceitos e "clichés".

Por mau gosto que integre - a uns, mais que a outros...

Por curiosidade, ver
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rui_Sinel_de_Cordes
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De Ana Vidal a 15.06.2016 às 23:47

Desnuda bem preconceitos e clichés?

Por curiosidade, veja também isto: https://vidabreve.wordpress.com/2016/06/15/o-humorista-susceptivel/
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De am a 15.06.2016 às 23:36

A propósito do "Estado da arte":-

Será preciso dar duas "bofetadas" no promissor ministro da Cultura para que ele acorde e diga ou escreva qualquer coisinha, nem que seja uma quadra para um manjerico d? Santo António?

Ou está em França com a selecção?
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De BELIAL a 16.06.2016 às 00:56

Totalmente chanfrado...

E o diabo da entrevista, estragou-mo completamente.

Os "produtos" que toma - viraram-no de vez...
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De Ana Vidal a 16.06.2016 às 01:28

Não li essa entrevista à Sábado. Desinteressei-me por tudo o que vem dali há muito tempo, não só porque não me diverte mas porque me incomoda.
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De V. a 16.06.2016 às 12:07

O post tinha piada. Já muitas vezes me interroguei porque carga de água vem um tipo ou uma tipa queque escrever um livro para ensinar os outros a "viver com a doença". Há um paternalismo idiota nos auto-intitulados VIPs das têvês que não é dissemelhante da cultura proteccionista do estado. Tem a ver com o facto de serem quase todos retornados que ocupara as televisões e os cargos mais altos da funcão pública: e criaram esse discursozinho educador e supremacista contra a populaça (os famosos "populares"). Eles é que sabem ser verdadeiramente chiques e vocês são uns saloios portanto tomem lá um livrinho para vos ajudar a ser felizes. No fundo precisam deles para vender os seus programazinhos de astrologia patêga, os seus livrinhos de auto-ajuda e o seu marketing ranhoso e aldrabão.

Daí o "ataque" do humorista não ser contra a tal apresentadora não-sei-quantos ou lá o que é, mas sim contra toda a classe de panfletários e os politicamente-correctos de carnaxide e de toda a subúrbia. Irrita-os profundamente e isso é bom porque já andam há demasiado tempo a mandar nisto e precisam de apanhar nas orelhas e eventualmente no focinho também.
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De Ana Vidal a 16.06.2016 às 21:32

https://vidabreve.wordpress.com/2016/06/15/o-humorista-susceptivel/

Ainda lhe acha assim tanta piada? Óptimo para si e para ele, que ganhou mais um fã.
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De V. a 17.06.2016 às 11:47

Não, essas não têm piada. O post que eu li do fulano pareceu-me ligeiramente mais elaborado e em linha com algumas coisas absurdas que já me tinham suscitado dúvidas como as que mencionei anteriormente (os livrinhos: eu compreendo as suas razões da esfera pessoal e a simpatia que geram, mas estranho o impulso e encontro paralelos com o universo de onde provêm).

Para ser franco, nunca apreciei comédia, nem humoristas e muito menos stand-up comedy que acho mentecapta e exprime o impulso para a cópia dos nossos génios caseiros (os auto-intitulados e os outros, banhados a ouro pela "opinião") embora ache obviamente graça a algumas perspicácias. Não é o caso deste sujeito que verifico agora é um autêntico idiota.

Não é comigo que estes tipos ganham a vida. Nem esta cópia manhosa do Louis C.K. (é esse imbecil que este imbecil está a copiar) nem os hermans josés. Disto podem ter a certeza.

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