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O DN sem Liberdade

por Pedro Correia, em 20.11.16

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Prémio Valmor 1940 deixa de ter um jornal lá dentro 

 

Este domingo é um dia muito triste na vida secular do Diário de Notícias. Mas é também um dia triste para Lisboa e para o jornalismo português. A capital perde um dos seus principais símbolos iconográficos – o primeiro edifício construído de raiz para albergar um jornal em toda a Península Ibérica deixa de ter um jornal lá dentro.

Por amarga ironia, o que a ditadura e a censura não conseguiram – retirar o DN do seu espaço histórico no topo da Avenida da Liberdade – conseguiram-no os poderes fácticos da democracia: o velho jornal onde escreveram tantas penas ilustres do nosso jornalismo e da nossa literatura, começando pela de Eça de Queirós, acaba de ser remetido para uma parcela de uma torre modernaça, próxima da Segunda Circular. Mais distante do bulício da cidade e do ruído da rua. Mais distante das pessoas concretas, de carne e osso.

Isto sucede quase sem um pestanejar de indignação da nossa “sociedade civil” numa semana em que o País andou dias e noites a discutir se dois presidentes de clubes passaram das palavras aos actos numa quase-briga de corredor num estádio de futebol. É um sinal dos tempos no declinar deste ano em que o Dicionário Oxford elegeu pós-verdade como palavra mais emblemática de 2016. Na era das “redes sociais” e da televisão interactiva, onde a suposta verdade é proclamada por quem berra mais alto, a nova palavra de algum modo assinala o dobre a finados do jornalismo.

 

Muita gente, que utiliza a resignação como flor na lapela, dirá que não havia volta a dar: são os cultores do “inevitável”, para quem todo o esforço de remar contra a maré é sempre inglório. O ar do tempo recomenda esta pose cínica: em regra, as energias são gastas a combater alvos remotos e abstractos – quanto mais longínquos melhor.

E no entanto, ao contrário do que possa por vezes imaginar-se, nem sempre foi assim. Na dobra do século, um movimento de jornalistas do próprio DN levou por diante um bem-sucedido surto de indignação que extravasou das paredes do diário para os meios políticos e culturais do País, travando a anunciada transferência do jornal para um espaço arrendado no edifício do Entreposto, em Moscavide. O Conselho de Redacção, de que fiz parte por eleição dos meus colegas, liderou esse movimento que se prolongou durante meses e foi coroado de sucesso. Graças a ele, o periódico fundado por Eduardo Coelho em 1864 manteve a sede durante mais década e meia na principal avenida de Lisboa.

Como porta-voz do Conselho de Redacção, escrevi um memorando sobre o edifício, inaugurado em 1940, galardoado nesse ano com o Prémio Valmor e que integra a lista do património arquitectónico da capital. Esse memorando chegou a centenas de personalidades de reconhecido relevo na vida pública do País.

Foram-se multiplicando as adesões a esse abaixo-assinado que contestava a transferência do DN. Não esqueço Agustina Bessa-Luís, que encabeçava a lista organizada por ordem alfabética e que do Porto nos dirigiu uma mensagem de inabalável solidariedade. Nem da calorosa mensagem que nos fez chegar José Saramago - entre vários outros escritores, de Lídia Jorge a Mário de Carvalho, de Mário Cláudio a Manuel Alegre. Nem das vibrantes palavras de Manuela de Azevedo, então (como hoje) prestigiada decana dos profissionais portugueses da comunicação social.

 

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 Painel de Almada Negreiros no piso térreo do edifício

 

Foram meses febris, a contra-relógio, antes da assinatura do contrato de arrendamento das novas instalações. Eu coordenava o processo e funcionava como porta-voz do movimento junto de outros órgãos de informação, a quem dava nota periódica das adesões. Era raro o dia em que não me chegavam novas mensagens, recolhidas por colegas como a Ana Marques Gastão, o Carlos Albino, o José Manuel Barroso, a Céu Neves, a Filomena Naves ou a saudosa Cadi Fernandes, entre vários outros. Da redacção Norte, sem a menor quebra de solidariedade apesar da distância física, chegavam palavras de apoio reunidas pelo Francisco Mangas, pela Ilídia Pinto ou pelo Fernando Madaíl.

Eu encarreguei-me sobretudo dos políticos – incluindo quatro dos cinco dirigentes partidários à época. Francisco Louçã (BE), Carlos Carvalhas (PCP) e Paulo Portas (CDS) foram dos primeiros a aderir à nossa causa. Durão Barroso, que então liderava o PSD, não quis comprometer-se de início. Mas de todos os quadrantes nos chegavam expressivas demonstrações de apoio.

Quando esgotei a lista dos políticos, passei a outros protagonistas da vida pública portuguesa, pedindo uma declaração exclusiva a cada um. O único que ma recusou foi um historiador muito mediático, já falecido, que do outro lado da linha telefónica me disse em tom agreste que as administrações dos jornais tinham “todo o direito” de transferirem as redacções para onde lhes apetecesse. Agradeci-lhe e desliguei: a pessoa em causa acabara de perder um admirador.

 

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 Postal publicitário de Stuart Carvalhais anunciando o novo edifício (1939)

 

Decepcionante foi também o comportamento de alguns colegas de redacção, felizmente muito poucos. Uns pareciam mais preocupados em reservar lugares de estacionamento no novo edifício, ignorando a nossa recolha de assinaturas, outros opinaram olimpicamente que se tratava de um esforço inútil e foram à vidinha. É sempre mais fácil apregoar camaradagem do que praticá-la.

O tempo demonstrou que não tinham a menor razão. Conseguimos pôr o assunto na agenda mediática, suscitámos uma onda crítica que foi engrossando semana após semana e forçámos a administração do DN a recuar. O ponto culminante foi o depoimento solidário de Durão Barroso, que me apressei a transmitir ao Pedro Lima, no Expresso. Nesse sábado, o semanário destacou-o em lugar cimeiro nas suas notícias da primeira página. Na segunda-feira seguinte, a administração comunicou-nos que a batalha fora ganha. E eu, que até era (e sou) amigo do secretário-geral do Entreposto, partilhei com indizível entusiasmo o sentimento de profunda satisfação que percorreu a Redacção do DN – satisfação que abrangeu os próprios directores, Mário Bettencourt Resendes e António Ribeiro Ferreira.

Foi apenas há década e meia mas parece ter acontecido há uma eternidade.

 

Desliguei-me em 2013 dos quadros do DN, mas mantenho-me profundamente ligado ao jornal, onde passei 15 anos da minha vida profissional. Não houve um só dia em que não me sentisse orgulhoso de trabalhar naquele edifício projectado pelo arquitecto Pardal Monteiro – com o seu elegante torreão, o seu vasto arquivo subterrâneo abrigado num cofre-forte, a sua emblemática porta-giratória, o seu magnífico átrio com painéis de Almada Negreiros.

A tristeza dos profissionais do Diário de Notícias é a minha tristeza. Uma tristeza ainda mais profunda e dilacerante do que a simples despedida do edifício há 76 anos implantado numa avenida chamada Liberdade: o encerramento deste capítulo na vida do diário mais antigo de Lisboa simboliza também, de algum modo, o fim do jornalismo tal como o conhecemos – enquanto alguns charlatães de turno proclamam que qualquer indivíduo pode “tornar-se jornalista” com uma aplicação móvel ao seu dispor.

Nada mais ilusório neste ano da “pós-verdade”. Como o futuro próximo se encarregará de comprovar.

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22 comentários

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De José Leite a 20.11.2016 às 10:31

Caro Pedro Correia

Se me permite a chamada de atenção ...
A foto que legenda de "Painéis de Almada Negreiros no vasto átrio central" não é do edifício do DN mas sim do átrio da Gare Marítima de Alcântara.

Os meus cumprimentos
José Leite
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De Pedro Correia a 20.11.2016 às 10:44

Claro, caro José Leite. Já corrigido o lapso. Agradeço-lhe o reparo. E aproveito para cumprimentá-lo pelo seu persistente esforço de divulgação do património histórico e arquitectónico da nossa capital. Para que a memória de Lisboa não se perca.
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De V. a 20.11.2016 às 12:13

A falta de cultura e a falta da ideia de "legacy" é um dos maiores problemas da sociedade portuguesa (veja-se, por exemplo, o que os militares da marinha —e logo esses— fizeram ao "cutty sark" antes de os Ingleses o resgatarem — e o aberrante detalhe de que os Ingleses só o conseguiram resgatar porque os oficiais eram tão incompetentes que nem conseguiram afundar o navio como desejavam)

Juntando-se-lhe os "progressismos só porque sim lá fora também fazem" e as "catarinas martins" e o "vocês são uns velhos do restelo", fica o retrato perfeito de um país infeliz com uma república feia com gente demasiado estúpida demasiado influente.
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De Octávio dos Santos a 20.11.2016 às 13:50

Creio que não vale a pena o lamento, Pedro: por também se terem submetido ao fascismo ortográfico, o Diário de Notícias e os que nele (ainda) trabalham deixaram de merecer estar localizados na Avenida... da Liberdade.
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De V. a 20.11.2016 às 14:43

Confesso que quando o DN aderiu ao AO e passou a ter uma linha editorial odienta, eu fiz votos de que o jornal no mínimo falisse e o edifício passasse a hotel (para além da deportação do director e fãs do AO para um poço de marés nas Berlengas). Uma prova de que também consigo ser positivo.
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De am a 20.11.2016 às 14:51

Penso que se fosse hoje os "jerónimos" não assinariam:

O edifício e o DN têm costelas e ossos chineses! Mesmo ao lado da EDP!
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De Pedro Correia a 21.11.2016 às 18:33

Agora já ninguém se escandaliza.
Quando há uns anos vieram os angolanos, não faltava quem andasse aí aos gritos histéricos, clamando contra os "novos colonizadores".
Depois começou a vir o capital chinês e de novo se escutaram os berros contra o perigo externo que - horror! - atentava contra a "soberania nacional".
Agora os chineses entram num dos maiores grupos mediáticos do País (precisamente o que detém o DN) e no capital do BCP e não se ouve um sussurro de indignação.
http://zap.aeiou.pt/chineses-vao-ficar-mandar-no-dn-jn-tsf-130195
http://www.tvi24.iol.pt/economia/bcp/bla-bla
Já nem sequer o doutor Pacheco Pereira rasga as vestes na praça pública. As tradições estão a perder-se.
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De Teresa Ribeiro a 20.11.2016 às 17:57

O jornalismo não morrerá, tenho a certeza, mas até encontrar o seu caminho continuará nesta relação promíscua com as "notícias" das redes sociais e outras fontes contaminadas. A funcionar como mera caixa de ressonância dos poderes instituídos. Acrítico, sem memória, inculto.
Teu texto deixou-me triste. Vai-me custar muito a primeira vez que vir o edifício sem o logo do DN, naquelas magníficas letras góticas. Sim, é um dobre a finados pelo tempo em que ainda conseguia falar de "quarto poder" sem me rir.
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De Pedro Correia a 20.11.2016 às 18:24

Mesmo que as letras lá continuem significam coisa nenhuma, Teresa. Porque aquele edifício feito de raiz para sede de um jornal deixou de ter jornal lá dentro. É um triste simbolismo, relacionado de algum modo com a morte acelerada desta profissão - "a mais bonita do mundo", como a classificou Albert Camus.
Uma página que se vira, numa altura em que as impropriamente chamadas "redes sociais" vampirizam o que resta do jornalismo, sugando-o até ao tutano. Já resta pouco para sugar.
Entristece-me o contraste entre a campanha levada a bom porto há década e meia e o silêncio apático dos dias de hoje. Em menos de uma geração os jornalistas ficaram assim: conformistas e resignados, sem capacidade de influência, sem capacidade de mobilizar a sociedade civil. Calados e quietos, à espera de Godot.
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De Luís Lavoura a 21.11.2016 às 09:45

Estou em crer que o protesto que o Pedro encabeçou terá tido mais a ver com o conforto para os trabalhadores de estarem num local bem servido de transportes, do que com a valia arquitetónica do edifício. Muitos trabalhadores estar-se-iam bem nas tintas para esta última, mas sobremaneira preocupados com o já não poderem vir para o trabalho em transportes públicos.
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De Pedro Correia a 21.11.2016 às 17:30

O edifício era um "embaixador" permanente do DN. O melhor cartão de visita do jornal. Publicidade fixa, a todo o momento, numa das mais importantes avenidas portuguesas, no centro de Lisboa.
Uma vantagem incomparável com a concorrência, qualquer que fosse.
Além disso o facto de se encontrar naquele local permitia poupar imenso em deslocações, todos os dias, a toda a hora. Poupar dinheiro e poupar tempo, que também é dinheiro.
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De Luís Lavoura a 21.11.2016 às 17:54

Você tem certamente razão em todos esses pontos. Porém, se a administração decidiu mudar de lugar, foi certamente porque considerou (bem ou mal) que o preço acrescido do edifício não compensa todas essas vantagens.
Faço ainda notar que o menor tempo gasto em deslocações é, em grande parte, um benefício para os trabalhadores do jornal e não para o jornal propriamente dito. Ou seja, são os trabalhadores quem vai passar a perder mais tempo a deslocar-se para as novas instalações do jornal, mas isso em nada afetará a rentabilidade do jornal.
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De Octávio dos Santos a 21.11.2016 às 17:10

Entretanto, eis mais um exemplo da «qualidade» e da «relevância» do jornalismo praticado actualmente no DN...

http://www.dn.pt/media/interior/novo-discordia-na-internet-de-que-cor-sao-os-chinelos-5509874.html?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter
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De Pedro Correia a 21.11.2016 às 17:24

O culto da irrelevância, a reboque das chamadas "redes sociais", é um dos factores que estão a empobrecer o jornalismo. Tornando-o irrelevante também.
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De JPT a 21.11.2016 às 17:31

Os meus parabéns ao PC por ter desprezado o colossal esforço do Luís Lavoura em prol daquele que é, indubitavelmente, o grande objectivo da vida dele: o de que, um dia, o PC o mande (com todas as letras) para o c*****o.
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De José Pedro P. M. Contente a 21.11.2016 às 17:40

Só lamento que nem por uma vez seja referido o nome do Arquitecto desse magnífico edifício, talvez um dos mais importantes e profícuos Arquitectos da cidade de Lisboa no século XX: Porfírio Pardal Monteiro (1897 - 1957), sendo o DN, sem dúvida, um dos mais emblemáticos.
Obras: Gares marítimas de Alcântara e Rocha Conde d'Óbidos, Estação do Cais do Sodré, Hoteis Ritz e Tivoli, Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Cidade Universitária, Instituto Superior Técnico, Bibioteca Nacional, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, alguns exemplos entre muitos outros. Foi também o grande responsável e impulsionador da obra de José de Almada Negreiros.
É importante não nos esquecermos dos grande nomes do nosso País que não se faz só de política e futebol.
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De Pedro Correia a 21.11.2016 às 18:27

Lamento, mas não é verdade.
Transcrevo (parcialmente) um dos parágrafos do meu texto:
«Não houve um só dia em que não me sentisse orgulhoso de trabalhar naquele edifício projectado pelo arquitecto Pardal Monteiro – com o seu elegante torreão, o seu vasto arquivo subterrâneo abrigado num cofre-forte, a sua emblemática porta-giratória, o seu magnífico átrio com painéis de Almada Negreiros.»
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De José Pedro P. M. Contente a 21.11.2016 às 18:34

Tem toda a razão e desde já as minhas desculpas pelo lapso.
Quanto ao painel intitulado "Mapa Mundi" de Almada Negreiros e mostrado no artigo é mesmo do edifício do DN e não da Gare Marítima.

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De Pedro Correia a 21.11.2016 às 18:39

A sua observação, de qualquer modo, permite-me realçar uma vez mais essa grande personalidade que foi o arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, cuja memória nunca pode ser esquecida - pelos portugueses em geral e pelos lisboetas em particular.
Deixou marca em tantos edifícios públicos que constituem boa parte do melhor património artístico e arquitectónico da Lisboa do século XX - a Universidade, a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, a Gare Marítima de Alcântara, o Hotel Ritz, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil...
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De João Pedro a 23.11.2016 às 01:21

Sem dúvida um triste dia para o jornalismo português, este virar de página de perante uma indiferença quase asséptica da opinião pública. Quando referem que o turismo pode chegar a níveis tais que canibaliza a vida nas cidades, podem sempre dar o exemplo da sede do DN, um símbolo do bulício urbano enviado para a semi-periferia. Infelizmente nunca lá cheguei a entrar. Temo que a próxima seja a do JN (que até conheço), embora não tenha a idade nem a história do edifício da Av. da Liberdade.
É por isso que torço para que A Bola não saia do Bairro Alto, embora o exemplo de Fleet Street, de onde finalmente saíram os últimos resistentes este ano, não seja muito tranquilizador.
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De Pedro Correia a 23.11.2016 às 08:57

O que mais me impressionou neste caso foi verificar a ausência total sequer de um esboço de indignação cívica.
Comparado com o que sucedeu no início do século, verifica-se até que ponto regredimos em apenas década e meia. E confirma-se a brutal perda de influência do jornalismo na sociedade.
As "redes sociais" funcionam como um simulacro de mobilização que afinal apenas disfarça a ausência total dela. O real deu lugar ao virtual, onde cada vez mais gente se movimenta.
"Nunca confundas movimento com acção", ensinava Hemingway. Andam muitos por aí cada vez mais confundidos.

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