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O discurso de Merkel

por Alexandre Guerra, em 29.05.17

O discurso de Angela Merkel proferido este Domingo num comício para 2500 pessoas em Munique é daqueles que poderá ficar para a História da construção europeia. Não se pode dizer que tenha passado despercebido à imprensa internacional, porque, que se recorde, é a primeira vez que se vê a chanceler alemã a pronunciar-se de uma forma tão assertiva para a necessidade dos europeus contarem com eles próprios e não estarem dependentes dos “aliados” tradicionais, em referências directas aos “afastamentos” dos EUA e do Reino Unido. Ao dizer que a União Europeia tem que “tomar o futuro pelas suas próprias mãos”, Merkel está na prática a assumir que está na hora dos líderes europeus começarem a pensar seriamente na criação de uma efectiva política europeia de defesa e segurança, algo que não existe neste momento. É certo que existem muitas proclamações políticas e alguns mecanismos, mas nada perto daquilo que poderá garantir a defesa física da Europa como um todo perante uma ameaça externa. E nesse ponto é importante não esquecer que a NATO continua a ser a única organização com essa capacidade de resposta, ou seja, com a agilidade de mobilizar forças de diferentes países sob um único “badge” (comando). Em termos de meios militares, a NATO propriamente dita tem uns aviões AWACS (que vão reforçar a sua acção na recolha e partilha de informação entre todos os Estados-membro da Aliança), alguns quartéis-generais e pouco mais, no entanto, tem uma experiência acumulada de décadas, que lhe permite reagir a diferentes ameaças e em diferentes cenários através da interoperacionalidade oleada das forças dos diferentes países colocadas ao serviço NATO. Na prática, a NATO tem sido a estrutura comum da defesa europeia e até há poucos anos o território europeu tinha o exclusivo da sua acção.

 

Não é mentira quando Trump enfatiza o desequilíbrio das contribuições financeiras de cada país aliado para aquela organização. É um facto histórico com origens conhecidas no surgimento da Guerra Fria e que durante muito tempo serviu os propósitos norte-americanos na lógica do sistema bipolar, onde parte da Europa era claramente uma área de influência sob o “guarda-chuva” de Washington. Desde o fim da ameaça do Exército Vermelho sobre a Europa que a discussão sobre a Defesa do Velho Continente tem sido recorrente, nomeadamente ao nível do investimento que é preciso ser feito por cada país. Concomitantemente, várias administrações em Washington têm, ao longo dos anos, lançado avisos à Europa para que começasse a investir mais na Defesa e no orçamento da NATO. Por várias vezes, e sobretudo em momentos de crise, política ou militar, líderes europeus vieram para a praça pública falar entusiasticamente na necessidade da Europa começar a gastar mais na sua Defesa. Chegaram a ser ensaiados alguns projectos comuns, mas que nunca se concretizaram. Por isso, aquilo que Merkel disse no Domingo não é propriamente novo no conteúdo nem na forma. A verdadeira novidade foi ter sido Merkel a dizê-lo, sobretudo no tom particularmente firme em que o disse. É certo que estava influenciada pelo ambiente pouco diplomático provocado por Donald Trump nas cimeiras da NATO e do G7, mas para a chanceler ter assumido uma posição daquele calibre é porque a mesma deverá vir acompanhada de uma política firme nos próximos tempos.

Merkel foi a primeira líder europeia a assumir uma divergência desta magnitude com a administração Trump. Em causa estão valores fundamentais para a Europa, como são as alterações climáticas, mas é preciso não esquecer que, à margem da cimeira da NATO, o Presidente americano tinha ameaçado restringir as importações de carros alemães para os EUA. Nestas coisas da política internacional, e ao contrário do que muita gente possa pensar, as relações pessoais entre líderes podem fazer toda a diferença no adensar ou no desanuviamento de uma potencial situação de escalada político-diplomática. Neste caso, admite-se que a convivência entre os dois, primeiro em Bruxelas e depois em Taormina, não tenha corrido pelo melhor. Acontece. Agora, é preciso que nos corredores da diplomacia sejam encetados esforços no sentido de se manterem os canais de comunicação abertos entre Berlim e Washington, porque, uma coisa é certa: a Europa não está em condições de caminhar sozinha em matéria de Defesa e vai continuar a depender do envolvimento dos EUA na NATO durante muitos e longos anos. Por outro lado, Trump não deve esquecer, nunca, que apesar de todas as diferenças, é com a Europa com quem os EUA partilham os valores basilares da democracia e do liberalismo que norteiam a sua democracia e sociedade. Além disso, Trump também não se deve esquecer de um conceito muito importante e desenvolvido há uns anos por Robert Keohane e Joseph Nye, o da interdependência complexa. E neste aspecto, EUA e Europa estão ligados um ao outro como dois siameses.

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22 comentários

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De Einzturzende nebauten a 29.05.2017 às 20:12

Sempre admirei Angela Merkel, ao contrário do seu ministro das finanças, que ou muito me engano ou é o agente Stavro Blofeld. Penso que após uma pregação no deserto, são cada vez mais os que a ouvem. São cada vez mais os que a chamam. Pergunto-me se para tal terá importância Ângela Merkel ser Engenheira Química de profissão e não uma malabarista da palavra . Uma ilusionista da verdade, como são os advogados . É urgente mais gente das Ciências da Vida à frente dos partidos e dos politicos.
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De Costa a 29.05.2017 às 21:58

Gente honesta, à frente dos partidos e da política. Honesta e, porque não (?) sem curso superior (não confundamos instrução com cultura e, muito menos, com honestidade). Sem compromissos inconfessáveis e venalidade mal contida. Eis o que seria preciso.

Quanto ao resto, a política tem o seu lote de senhores engenheiros - reconhecidos ou não pela Ordem como tal - cuja acção e suas consequências temos vindo a pagar, diria, de forma assaz dura. E longe de estar paga (e não serão eles a pagá-la, definitivamente). A ir por aí, os advogados estão longe de ser os únicos culpados.

Não quero, deste seu comentário e do que de seu já aqui li, vê-lo como mais um daqueles que acha que cursos fora das ciências ditas exactas são uma perda de tempo e de recursos. Mas...

Costa
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De Nebauten a 30.05.2017 às 07:48

Tem razão, Costa! Aliás o magarefe da Síria é médico. E o Ângelo Correia, verdadeiro engenheiro. Quiçá o segredo esteja no género e não no tipo de canudo. Mais mulheres na política...agora lembrei-me ra Thatcher, bollocks
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De Vítor Pontes a 29.05.2017 às 21:29

O Presidente Trump menoriza e critica a Europa, depois recusa cumprimentar Merkel, a Grã-Bretanha sai da CE sem dizer água-vai, Israel despede-se da Eurovisão... O último que apague a luz!
Agora a sério: porque é que depois disto são cristalinos a disputa diplomática entre a CE e a Rússia (por causa da Ucrânia e do mais que não sabemos...) e o significado previdente do próprio Brexit?
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De Vento a 29.05.2017 às 23:04

Esta reflexão que coloca tem outras análises que importam ser feitas.

A Europa vive com uma ameaça de natureza existencial, somente existencial, em relação à Rússia. Sendo Merkel uma ex-cidadã da Alemanha de leste é normal que mantenha esta postura. Mas manter esta postura não a torna de forma alguma credível.

Para os EUA da América, melhor, para a administração Trump, a Europa é uma verdadeira ameaça. É uma ameaça face à sua, de Trump, política económica proteccionista, em particular a que ameaça o seu sector automóvel, financeiro e também farmacêutico; é uma ameaça porque o potencial de crescimento das empresas norte-americanas na Europa é residual; e é uma ameaça porque no sector militar a Europa não faz grandes aquisições, isto é, não investe na sua própria defesa.

Neste sentido, a Europa, não obstante o sentimento existencial de ameaça que sente em relação à Rússia, não vê nenhuma ameaça de natureza militar. Como tal, não necessita fazer grandes investimentos.
Os EUA entendem que o seu potencial de crescimento é a Ásia e a sua principal ameaça é a China.
Por isto mesmo não se estranhe todo este show off em torno da Coreia do Norte. Ele está aí precisamente para impressionar o continente asiático e capitalizar as estratégias económicas que ocorrerão no futuro.
Aliás, não se pode compreender de outra forma uma vez que a situação da(s) Coreia(s), e da ameaça que a Coreia representa para os parceiros, como o Japão, só se resolverá através de uma (re)unificação destas. Por outro lado, não tem outro sentido este show off na medida em que não existe nenhuma ameaça de um míssil atingir os EUA; e ainda que eles tivessem a possibilidade de lançar um ICBM (míssil balístico inter-continental) o mesmo poderia ser interceptado a meu do caminho. Havendo um compasso de mais de 1/2 hora até que um míssil atingisse território americano, com excepção do Havai que seria de cerca de vinte minutos. Também não se compreende que a Coreia do Norte alguma vez atacasse os EUA sabendo que seria destruída nessa acção.

Portanto, a razão é económica e não militar. Os EUA regressarão à Europa quando entenderem que esta é absolutamente estratégica aos seus interesses.

Neste sentido, e somente neste sentido, se poderá entender a afirmação de Merkel.
À Europa só lhes resta viver consigo mesma e criar estratégias credíveis no médio-oriente, onde se inclui o Irão. É nestes dois espaços que a Europa deve capitalizar o seu próprio desenvolvimento económico. O médio-oriente compra armas à Rússia e aos EUA, mas gosta da finesse europeia. Mude esta o seu preconceito de superioridade cultural e ganhará com isso.

Referi num de seus posts que o mundo, após o discurso de Trump em Riyadh, não seria mais o mesmo; e que Europa ou se transformava ou iria jogar o pau com os ursos. (sic)

O Reino Unido é um assunto com desfecho previsível.
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De Einstürzende Neubauten a 30.05.2017 às 11:21

Aplaudido! clap, clap, clap
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De Einstürzende Neubauten a 30.05.2017 às 11:28

Vento, conhece outro país que não os EUA, exceptuando as teocracias orientais, que façam juramentos "sobre o Livro Sagrado", aquando do empossamento governativo?

Radicalmente os EUA são uma teocracia.
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De Costa a 30.05.2017 às 11:57

"Teocracia" por se jurar sobre a Bíblia, num país erguido sob natural, e vistas as circunstâncias crucial, influência cristã? E onde, antes e depois desse preceito, vigora a plena liberdade religiosa. Para o melhor e para o pior, admita-se: do mais respeitável à seita mais bizarra.

Você encontra isso nas teocracias islâmicas? Mesmo que sob a capa formal de estado laico (se é que o Egipto, por exemplo, onde a caça ao copta está declarada, ainda pode ser assim chamado). Você garante que não está a ventilar uma necessidade mal contida, e muito "europeia-culta", de malhar nos EUA sempre que se encontre pretexto, mesmo que rebuscado?

Ou até sem pretexto nenhum. Apenas porque sim.

Costa
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De Einstürzende Neubauten a 30.05.2017 às 14:45

"Teocracia" por se jurar sobre a Bíblia, num país erguido sob natural, e vistas as circunstâncias crucial, influência cristã?"

Nem tudo o que luz é cristão. Muito é herança helénica. Poderíamos optar por jurar sobre a Odisseia de Homero - está lá tudo - ou sobre a Ética de Nicómaco.
Cristão é Cristianismo, é religião.

"E onde, antes e depois desse preceito, vigora a plena liberdade religiosa."

A liberdade religiosa de pouco vale se não houver a liberdade de costumes - veja alguma da legislação de alguns estados americanos.

"Você encontra isso nas teocracias islâmicas?"

Do Irão, com Amor (não muito conforme com a teocracia que imaginamos)

https://www.youtube.com/watch?v=fGhNnwA6ZvA

Dos EUA:
EUA proíbem concerto de orquestra alemã na fronteira com México
Orquestra Sinfônica de Dresden tem permissão negada para se apresentar em solo americano em protesto a muro proposto por Trump. Diretor musical afirma que concerto será mantido e realizado do lado mexicano da fronteira.



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De Costa a 30.05.2017 às 17:35

"Nem tudo o que luz é cristão. Muito é herança helénica. Poderíamos optar por jurar sobre a Odisseia de Homero - está lá tudo - ou sobre a Ética de Nicómaco.
Cristão é Cristianismo, é religião."

Ou seja, arranje-se forma de não se ser cristão, de o negar - como se fosse anátema - ainda que sendo-o nos valores, no legado civilizacional. Não partilho dessa sua vergonha.

"Do Irão, com Amor (não muito conforme com a teocracia que imaginamos)

https://www.youtube.com/watch?v=fGhNnwA6ZvA"

Não arranja nenhuma demonstração mais sólida da grande tolerância religiosa, até da liberdade de nenhuma seguir (de seguir a fé ateísta) e afirmá-lo alto e bom som, inclusivamente metendo a ridículo a religião oficial, por terras do Irão? É que esta, como demonstração imbatível, parece fraquita.

"A liberdade religiosa de pouco vale se não houver a liberdade de costumes - veja alguma da legislação de alguns estados americanos."

O conservadorismo (diria antes, a literalidade interpretativa) religioso presente em algumas dessas paragens, creio poder afirmá-lo, é de infinita doçura quando comparado com a liberdade religiosa que um grupo de heavy metal iraniano, ou lá o que é aquilo, a seus olhos demonstra. Pelo menos pode-se optar por mudar de domicílio, sem que isso signifique de país (leia-se exílio) e sem carregar no corpo as marcas da justiça religiosa islâmica. Isto, é claro, sobrevivendo-lhe.

O último facto que cita não terá a ver com liberdade religiosa. É outra coisa, um fenómeno recentíssimo, cuja evolução ainda se está para ver. Comparemos o comparável, sugiro-lhe. Não creio em todo o caso que implique, essa proibição que invoca, a aplicação de chicotadas, amputações ou execuções. Daquelas feitas sempre em nome de Deus.

Costa



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De Einstürzende Neubauten a 30.05.2017 às 18:58

"Não creio em todo o caso que implique, essa proibição que invoca, a aplicação de chicotadas, amputações ou execuções"

E a cadeira eléctrica? Fala da gravidade dos crimes? Bom, esses mesmos crimes têm outros limites penais noutras paragens.

"O conservadorismo (diria antes, a literalidade interpretativa) religioso presente em algumas dessas paragens, creio poder afirmá-lo, é de infinita doçura "

Klu Klux Klan

"(de seguir a fé ateísta)"

40% do povo americano é criacionista.








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De Costa a 30.05.2017 às 19:49

Será criacionista, será. Mas não mata, encarcera, chicoteia ou amputa quem o não seja. Não por não o ser e por negar a validade do criacionismo. Se o fizer por essas razões, comete crime.

Experimente pôr em causa o Islão, lá onde ele impera...

O que o KKK fez - bem sei que há não muitos anos - é hoje crime.

A pena de morte é coisa a que recorrem regimes vários por esse mundo. É isto, é um facto. Mas não me consta que se condene à morte por desrespeito ao Islão - ou à Bíblia - nos Estados Unidos da América e se alguém, por lá, matar por essas razões comete crime.

Fala-se muito da pena de morte nos EUA porque se pode falar, investigar, questionar, contestar ("fraquezas" da democracia). Experimente protestar pública e sonoramente contra a pena de morte à porta, por exemplo, de uma prisão chinesa ou norte-coreana (e mais haveria que elencar). Depois deixe-nos aqui o relato da experiência.

Se aqui voltar.

Costa
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De Einstürzende Neubauten a 30.05.2017 às 21:01

Costa, desculpe mas lembrei-me disto antes do jantar:

"Não arranja nenhuma demonstração mais sólida da grande tolerância religiosa, até da liberdade de nenhuma seguir (de seguir a fé ateísta)"

Claro que arranjo:

Communist Control Act

https://www.theguardian.com/world/2017/may/22/anti-communist-laws-california-trump-russia
Travis Allen, a Republican from southern California, took to the floor of the state assembly on 8 May to denounce communism:

"To allow subversives and avowed communists to now work for the state of California,” he railed, “is a direct insult to the people of California who pay for that government.”

Sobre Hiroshima:

The Japanese had, in fact, already sued for peace. The atomic bomb played no decisive part, from a purely military point of view, in the defeat of Japan.
— Fleet Admiral Chester W. Nimitz, Commander in Chief of the U.S. Pacific Fleet, [

Número total de mortes civis:

1/4 de milhão

Sobre liberdade ateísta e o saber cientifico livre:

A América que proibiu Darwin

https://www.publico.pt/destaque/jornal/a-america-que-proibiu-darwin-122883

Costa, desculpe mas tenho que me ir embora...cheira-me a queimado!!
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De Costa a 31.05.2017 às 11:13

Então, pegou ao fundo do tacho, a paparoca, ou foi a tempo?

Vamos começar aqui a fazer uma lista de horrores, a rebuscar a história, provados ou suspeitos, para demonstrar que a nossa dama é sempre pelo menos um pouco menos devassa do que a do outro, fatalmente manchada e desonrada para todo o sempre? Se é, eu fico por aqui.

Eu poderia invocar o que o Japão fez na China e na Coreia; invocar o caso de Pearl Harbour. Poderia lembrar-me(lhe) da Ucrânia sob a pata de Stalin. Ou de certa revolução cultural, de certos campos de morte que até deram filme. E outras coisas longe de gentis, que mataram - creio eu - muito. E não se devem aos malvados dos americanos. A menos que você arranje no youtube a tremenda prova de que afinal se devem.

E uma coisa é denunciar o comunismo, chamar-lhe insulto ao contribuinte. E depois a vida continua. Comunistas incluídos. Outra, prender ou matar quem o não seja e o ouse demonstrar.

Quem não seja comunista. Ou islâmico.

Mas você vive numa realidade simplificada: há, à partida e claramente identificados, os maus. Sempre e por definição. E os puros ( façam estes as patifarias que fizerem). Dá jeito, torna o mundo muito mais fácil de olhar, bem sei.

Mas não é honesto.

Costa

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De Einstürzende Neubauten a 31.05.2017 às 15:13

"invocar o caso de Pearl Harbour. "

As forças de inteligência e espionagem estado-unidenses, tanto civis como militares, já tinham entre si informação suficiente para antecipar o ataque japonês algumas semanas antes.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ataque_a_Pearl_Harbor

"Mas você vive numa realidade simplificada"

Olhe que não....acredite! Não apoio nenhuma ideologia, apenas gosto de semear a dúvida - questionar a autoridade. Da pergunta ao ângulo, e não de respostas fechadas e viciosas. Do questionamento, pois penso que só deste surge o progresso - é assim na ciência e em todas as áreas.

Quanto ao jantar...ontem foi a minha mulher que o fez. Não tive tempo para o fazer...hoje penso que conseguirei fazê-lo.

O Poder do Mito
https://vimeo.com/151639520

"A história é um pesadelo do qual eu estou tentando acordar"


Abraço

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De Costa a 31.05.2017 às 22:00

"As forças de inteligência e espionagem estado-unidenses, tanto civis como militares, já tinham entre si informação suficiente para antecipar o ataque japonês algumas semanas antes."

Podiam antecipar, admita-se. Aliás também podiam, parece, ter levado um pouco mais a sério essa coisa então nova e chamada radar. Talvez tivesse comprado algum tempo. Não para evitar a hecatombe; para lhe conter alguns custos. Felizmente - para mim, não me atrevo a falar por si - estavam no mar os porta-aviões.

Mas não deixa de ser verdade que um acto de guerra, de dimensão - ouso dizer - não menor, foi praticado por um estado soberano contra outro estado soberano. E na ânsia, parece, de o praticar, a coisa fez-se antes da formalização de uma declaração de guerra. Coisa em tais casos prevista, regulada e de bom tom, entre estados soberanos e por muito incompetentes que tenham sido os serviços norte-americanos.

Eu diria que não fica bem (raio de eufemismo...). Mas a prática do Império do Sol Nascente foi assaz peculiar (outro eufemismo...) nesse conflito; desde logo sobre prisioneiros de guerra e populações civis dos territórios ocupados.

E, enfim, "informações suficientes" e "antecipação", serão critérios algo subjectivos. No instante que se segue ao sorteio, todos sabemos a chave no euromilhões, não é?

Quanto ao resto que escreve, está muito bem. Mas, desculpe a impertinência, arrisco dizer que o seu questionar da autoridade é algo unidireccional. Mas está no seu pleno direito! Por cá, felizmente, é direito garantido.

Bom jantar,

Costa
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De Vento a 30.05.2017 às 13:35

Neu,
é uma questão cultural, a do juramento sobre o Livro, que não me incomoda nada.
Já me incomoda o facto de não se compreender que o Livro não é um Livro, é uma Biblioteca de Saber; e cujo juramento só devia ser feito por pessoas predispostas a buscar esse Conhecimento.
De Adão, isto é, desde o mito da criação até Jesus é-nos demonstrado o percurso que a humanidade tem de fazer para alcançar o "fim dos tempos". Neste trajecto foi-nos revelado que Deus desce para o Homem subir. É um percurso que só quem é grande por natureza o pode fazer. Neste sentido, prefiro adorar, isto é, prostrar diante de Deus que dos deuses. Os deuses juram sobre o Livro e sobre os livros, e tornam-se escravos da coisa e não da substância. Buscam o acessório, como mulheres com anéis, e perdem a essência.

Há quem se foque na diversão, como por exemplo quem fica por cima e por baixo. Vem a propósito o conflito entre a Adão e Lilith, tema abordado neste blog. Estamos perante um caso de iliteracia sexual, pois escolhida uma posição à canzana o conflito seria ultrapassado.
E isto anda tudo muito fodido, salvo seja, precisamente por não sabermos a posição que devemos adoptar em todas as circunstâncias e em todas as áreas da existência. E também não sabemos sobre o caminho do humano para o Divino.
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De Einstürzende Neubauten a 30.05.2017 às 21:14

Vento, avalie uma coisa pelo que ela e não pelo que nós esperamos que ela seja. Parafraseando a Bíblia avalie a árvore pelos seus frutos:

"e cujo juramento só devia ser feito por pessoas predispostas a buscar esse Conhecimento."

Quem sabe o que é esse Conhecimento e em que página achá-lo?
A Bíblia recorre ao paradoxo, como demonstração da incognoscibilidade do seu Conhecimento. O resto acha-se também nos tratados éticos da filosofia grega (inclusive a ideia de deus único e do panteísmo) - veja a popularidade de Platão entre os escolásticos da idade média e entre a intelectualidade cristã.

Supostas semelhanças entre as divindades pagãs com Jesus Cristo:

De acordo com algumas fontes, se referem à teoria da ressurreição no terceiro dia com um período de três dias em que o Sol se mantém no lugar mais baixo e em 25 de dezembro está num ponto mais alto (como se diz que Jesus esteve morto por três dias e então ressuscitou), mas de acordo com o relato bíblico Jesus morreu durante a Páscoa judaica. Afirmam que os deuses do Sol muito anteriores a Jesus como Horus, Átis, Krishna, Mitra, Dionísio, Buda, todos eles, têm como elemento vital a sua crença na ressurreição no terceiro dia após as suas mortes, também tiveram discípulos que os acompanharam, faziam milagres e nasceram de uma Virgem Imaculada em 25 de dezembro. Segundo os defensores dessa Teoria, algumas destas lendas podem ter sofrido influência direta da história de Jesus, já que os cultos coexistiram com o cristianismo primitivo, mas certamente a imensa maioria surgiu milhares de anos antes do nascimento do mesmo. Entretanto, muitos acrescentam mais similaridades nos deuses antigos por conta própria para criar mais semelhanças:

Tamuz: deus da Suméria e Fenícia, morreu com uma chaga no flanco e, três dias depois, levantou-se do túmulo e o deixou vazio com a pedra que o fechava a um lado. Belém era o centro do culto a Tamuz.

Hórus - 3000 a.C.
Deus egípcio do Céu, do Sol e da Lua;
Nasceu de Isis, de forma milagrosa, sem envolvimento sexual;
Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro;
Ressuscitou um homem de nome EL-AZAR-US;
Um de seus títulos é "Krst" ou "Karast";
Lutou durante 40 dias no deserto contra as tentações de Set (divindade comparada a Satã);
Batizado com água por Anup;
Representado por uma cruz;
A trindade Atom (o pai), Hórus (o filho) e Rá (comparado ao Espírito Santo).

Mitra - séc. I a.C.:
Originalmente um deus persa, mas foi adotado pelos romanos e convertido em deus Sol;
Intermediário entre Ormuzd (Deus-Pai) e o homem;
Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro;
Nasceu de forma milagrosa, sem envolvimento sexual;
Pastores vieram adorá-lo, com presentes como ouro e incenso;
Viria livrar o mundo do seu irmão maligno, Ariman;
Era considerado um professor e um grande mestre viajante;
Era identificado com o leão e o cordeiro;
Seu dia sagrado era domingo ("Sunday"), "Dia do Sol", centenas de anos antes de Cristo;
Tinha sua festa no período que se tornou mais tarde a Páscoa cristã;
Teve doze companheiros ou discípulos;
Executava milagres;
Foi enterrado em um túmulo e após três dias levantou-se outra vez;
Sua ressurreição era comemorada cada ano.

Átis (Frígia / Roma) - 1200 a.C.:
Nasceu dia 25 de dezembro;
Nasceu de uma virgem;
Foi crucificado, morreu e foi enterrado;
Ressuscitou no terceiro dia.

Buda - séc. V a.C.:
Sua missão de salvador do mundo foi profetizada quando ele ainda era um bebê;
Por volta dos 30 anos inicia sua vida espiritual;
Foi impiedosamente tentado pelas forças do mal enquanto jejuava;
Caminhou sobre as águas (Anguttara Nikaya 3:60);
Ensinava por meio de parábolas, inclusive uma sobre um "filho pródigo";
A partir de um pão alimentou 500 discípulos, e ainda sobrou (Jataka);
Transfigurou-se em frente aos discípulos, com luz saindo de seu corpo;
Após sua morte, ressuscitou (apenas na tradição chinesa).

Baco / Dionísio - séc. II a.C.:
Deus grego-romano do vinho;
Nascido da virgem Sémele (que foi fecundada por Zeus);
Quando criança, quiseram matá-lo;
Fez milagres, como a transformação da água em vinho e a multiplicação dos peixes;
Após a morte, ressuscitou;
Era chamado de "Filho pródigo" de Zeus.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_mito_de_Jesus
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De Vento a 31.05.2017 às 13:39

Meu caro Neu,

Arquimedes afirmou: "Dá-me um ponto de apoio e moverei o mundo". Tal ponto a que Arquimedes se referia aplica-se na íntegra ao cristianismo, pois foi a partir da CRUZ que o mundo que tão bem aborda em sua reflexão começou a ser movido. Movido de tal forma que ainda hoje uns e outros reflectem sobre ele de maneira existencial e não meramente académica. A questão académica, nesses que aborda, não influenciou os destinos da humanidade.
Aliás, é o meu caro Neu que corrobora esta sentença minha ao afirmar: "Quem sabe o que é esse Conhecimento e em que página achá-lo?".
A Cruz é a intersecção do tempo e da eternidade.

Aqueles que o meu caro cita ao longo de sua dissertação, bem como os que não cita, profetizaram e intuíram sobre Aquele que cumpriu com todas essas profecias.
Tudo isto para dizer-lhe que a resposta a sua interrogação, aquela que transcrevi no parágrafo primeiro desta minha resposta, encontra-a na carta de Paulo aos Efésios, uma das cartas no cativeiro: "...ainda que estejais enraizados e fundados no amor, para ter a força de compreender, como fazem todos os santos, o que são o comprimento, a largura, a altura e a profundeza QUE PASSA TODO O CONHECIMENTO, o Amor de Cristo". Ef. 3,18-19

De uma outra maneira, o termo "cordeiro de Deus", que nas tradições antigas aparentam uma relação com o totemismo, e que se aproxima também da história de Zeus Amon em Heródoto (Zeus degolando um carneiro para aparecer àquele que lhe suplica vestido com a lã do animal), tem a sua expressão material na afirmação de João, o evangelista: "O cordeiro degolado DESDE A FORMAÇÃO DO MUNDO".
Assim sendo o comprimento, a largura, a profundidade, a altura, que Paulo nos dá conta na carta aos Efésios, é uma "porta" que se abre por dentro do Ser e nunca de fora para dentro. Pois muitos atingiram essas medidas sem grandes estudos e interpretações escolásticas. É por isto que afirmamos que o sangue dos mártires é semente de cristãos.

E por falar em semente (recordo-lhe que poderá pensar na teoria pitagórica do "pneuma" contido na semente) é necessário compreender que esta só "germina se lançada à terra", pois só assim poderá dar muitos frutos. Os tais frutos que o meu caro reclama desta forma: "Parafraseando a Bíblia avalie a árvore pelos seus frutos".
Portanto, esta carne espiritual, ("quem não comer de meu corpo e não beber de meu sangue não terá a vida eterna") é eterna. Seguindo este encadeamento, só será possível alcançar esta "carne viva" com a morte da carne, pois é morrendo para o mundo (simbolizado por esta outra carne) que os frutos brotarão. Esta morte para o mundo não tem de ser forçosamente física, é a morte para os apelos do mundo que nos mata.
No entanto, a seiva que mantém estes "ramos" só corre se enxertados na verdadeira "videira". Ramos que secam não dão frutos.
E existem três elementos simbólicos para alcançar esta "vida eterna" e dar frutos. A saber: " a água, o sangue e o espírito".
Este caminho deixo-o para você percorrer.

O caminho da Humanidade sempre expressou uma intuição pré-cristã, não fosse este Deus Universal, Pai da Humanidade, e o cristianismo já estaria morto, como morreram todas as outras teorias.
Vem a propósito esta afirmação para responder a sua afirmação,
"Mitra - séc. I a.C.:
Originalmente um deus persa, mas foi adotado pelos romanos e convertido em deus Sol;",
com esta:


"O Sol não conhece nenhum ocaso, a estrela sempre brilha, sempre luminosa".

E a Estrela brilhou assim:
"Assim como uma estrela e o seu raio, a virgem apresenta um filho de sua mesma natureza. Nem a estrela pelo seu raio, nem a mãe PELO SEU FILHO será corrompida."
Se você soubesse o que escreve em algumas ocasiões jamais apelidaria de rabeira aquela que lhe deu o Salvador.

Para concluir, permita tirar-lhe algumas confusões sobre Zoroastro ou Zaratrusta que vai espalhando por aqui. Zoroastro segundo a história foi mais do que uma pessoa, Zoroastro do século VI presume-se ser o último de três. Para não me perder muito sobre este personagem, deixe-me dizer-lhe que Zoroastro necessitou do princípe de Itaspa para tornar credível a sua suposta revelação; e Jesus despojou-se de toda a ligação ao poder para revelar-nos a negação da posse e do poder.

Jesus ainda Vive.
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De Einstürzende Neubauten a 31.05.2017 às 15:15

Obrigado, Vento!

Fica a sugestão:

https://www.wook.pt/livro/a-evolucao-de-deus-robert-wright/10984374

Em A Evolução de Deus, Robert Wright leva-nos numa viagem arrebatadora ao longo da história, revelando uma descoberta de importância crucial para o momento presente: há um padrão na evolução do judaísmo, cristianismo e islamismo, e um «código escondido» nas suas escrituras. Lendo as escrituras à luz das circunstâncias que rodearam a sua criação, Wright revela as forças que têm repetidamente levado as religiões abraâmicas a afastarem-se da beligerância e intolerância e a elevarem-se a um outro plano moral. E mostra como essas forças podem hoje deixar que aquelas crenças reafirmem a sua profunda tendência para a harmonia e reconciliação. Além disso, a sua análise levanta a possibilidade de um segundo tipo de reconciliação: a reconciliação entre ciência e religião.

Abraço
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De Vento a 31.05.2017 às 22:31

Grato pela sugestão.

No entanto a afirmação que transcreve ,"Wright revela as forças que têm repetidamente levado as religiões abraâmicas a afastarem-se da beligerância e intolerância e a elevarem-se a um outro plano moral", não me parece que colha no que respeita à essência do cristianismo.

Aliás, basta reproduzir a afirmação de Jesus: "Abraão vosso pai...". Não é por acaso, meu caro Neu, que uma das causas da perseguição a Jesus, e a absurda e incompreendida condenação por blasfémia, passou também pela ignorância do contexto da seguinte afirmação: "Antes que Abraão fosse, eu sou".

Portanto, ou o autor dessa sinopse está equivocado ou há qualquer coisa mal explicada pelo autor do livro que sugere. Vou ler.

Abraço
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De JS a 30.05.2017 às 16:11

Tal como o Euro e o contrair Dívida Euro sem fim, este reafirmado conceito de "A defesa da Europa" é mais um gesto germânico na senda de ir completando a sua mais recente tentativa de criar Reiches.... Desta vez a vulgarmente designada "União Europeia". Duvidam ?.
Afinal podiam começar por dizer quem é o perigoso inimigo que referem.
A Rússia, a invasão islâmica ?. A América de Trump?. A China que já cá está?. A Coreia do Norte a brincar aos soldadinhos?. Ou não será afinal ela, a Alemanhã?.

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