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O dia seguinte.

por Luís Menezes Leitão, em 26.05.14

 

O que se passou ontem foi uma hecatombe para os partidos do arco da governação. E se não arrepiarem caminho, poderemos assistir a uma "pasokização" geral dos partidos tradicionais, que revolucionará o nosso sistema político, levando partidos extremistas à vitória eleitoral, como se passou ontem na Grécia. PSD e CDS demonstraram que neste momento em coligação não valem sequer 30% dos votos. E o CDS irá provavelmente ter menos deputados europeus do que o MPT. Por muito menos que isto, já se desfizeram coligações à direita. Freitas do Amaral rompeu com a AD quando em 1982 esta teve 42% dos votos numas autárquicas. Mas agora, depois da sua birra de Julho passado, Portas tornou-se tão irrevogável que vai manter a coligação até ao fim, que será provavelmente também o do seu partido. Quanto ao PSD, entrou de tal forma num delírio pró-troika que Marques Mendes até já propôs Maria Luís Albuquerque como sucessora de Passos Coelho. Na verdade, os actuais dirigentes do PSD estão de tal forma deslumbrados com o reconhecimento que obtêm por parte dos nossos credores, que estão a encaminhar o PSD para o suicídio político. Não é com ratings e mercados que se ganham eleições, mas com os votos daqueles portugueses que todos os dias estão a sacrificar. E como eles não são masoquistas, não é provável que voltem a votar nesses partidos.

 

Quanto ao PS, está longe de poder cantar vitória. O discurso de vitória ensaiado por Seguro soou completamente a falso. Se o PS fosse inteligente, substituía-o imediatamente. Neste momento, também está demasiado comprometido com um discurso pró-troika para ser alternativa.

 

O grande vencedor de ontem foi Marinho e Pinto, que só não teve um resultado melhor, porque foi ignorado pela comunicação social e poucos conheciam o partido pelo qual concorria. Mas a partir de agora é preciso contar com ele. Acredito que vai marcar presença nas presidenciais. E se os candidatos forem tão insossos como Guterres e Marcelo, o seu discurso pode fazer muitos estragos. Aguardemos para ver.

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9 comentários

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De Morcega a 26.05.2014 às 09:01

«os actuais dirigentes do PSD estão de tal forma deslumbrados com o reconhecimento que obtêm por parte dos nossos credores, que estão a encaminhar o PSD para o suicídio político. Não é com ratings e mercados que se ganham eleições, mas com os votos daqueles portugueses que todos os dias estão a sacrificar. E como eles não são masoquistas, não é provável que voltem a votar nesses partidos.»

E está tudo (muito bem) dito. Mas abster-se de votar, não é a solução. Ou então de nada valerá a democracia e terão razão os que apregoam que o português só lá vai com o chicote.
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De JP a 26.05.2014 às 10:47

Quando li a sua segunda frase pensei que o problema dos extremistas era a extrema direita ter ganho num dos maiores países da europa. Caso quisesse falar na Grécia, podia ter sublinhado o facto de - pela primeira vez - um partido neonazi ter conseguido representação parlamentar.

Mas afinal não, afinal o extremista e o partido que amedronta é ..... o Syriza.

Acho que este detalhe revela bem o posicionamento do "arco da governação".
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 26.05.2014 às 11:17

Pois é verdade, o povo castigou os que defendem as politicas da troika, ou seja, não podemos gastar o que não temos. Marinho Pinto, em quem eu votei para pôr o PS onde ele hoje está, é o politico ideal para nos levar à felicidade.
E, bem à portuguesa, já lhes estamos a augurar vôos para que ele não tem asas.
O populismo é doce, mas nunca deu bons resultados...
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De da Maia a 26.05.2014 às 11:33

PS e AP tiveram praticamente o mesmo resultado medíocre, que ronda 1 milhão de votos.
Marcelo Caetano não obrigava ninguém a ir votar, as queixas eram aliás contrárias, e teve 1,4 milhões de votos em Outubro de 73, seis meses antes do 25 de Abril.
Não tinha troika, mas tinha guerra colonial, a população era muito menor, portugueses com mais de 21 anos não ultrapassariam muito os 5 milhões.

É verdade que estas eleições não foram legislativas.
Se fossem, este regime tinha menor legitimidade eleitoral do que tinha o de Marcelo Caetano quando foi deposto.

Não se pode falar de legitimidade democrática quando a totalidade dos partidos representados na AR somaram 25% dos eleitores.
Um afastamento de 75% da população da representatividade é um problema de regime. Foi assim no Estado Novo, e é assim neste Regime de Alternadeiras.

O panorama eleitoral que se vislumbra está tão insonso (prefiro esta forma antiga), que se pode perguntar que mudança é que as pessoas podem esperar com as eleições de 2015?
Se o regime fosse minimamente inteligente aproveitaria Marinho Pinto para criar um partido de reabilitação eleitoral, para acolher o protesto em forma de votos.

Excluindo Marinho Pinto, seja remetendo-o para presidenciais, seja bloqueando-lhe espaço televisivo, só irão piorar as coisas.
A natureza do PS e PSD, enquanto máquinas totalitárias e autofágicas, está a condenar o regime ao seu fim pela manifesta falta de legitimidade representativa.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 26.05.2014 às 14:44

A mim parece-me que o Marinho Pinto é musica para os ouvidos da direita. O PS é que tem de se pôr a pau.
Se o Marinho Pinto for o fenómeno que já andam por aí a propalar, o PS nunca mais passa dos 35%!
A direita só tem de descobrir o caminho das pedras para ganharem 2015. Não sei é se tem "olhinhos" para tanto.
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De rmg a 26.05.2014 às 18:56


De facto basta lembrar o que foi sendo dito (e portanto "percebido" por um grande número de pessoas) ao longo dos últimos anos por e sobre Marinho Pinto para se perceber que é ao PS mais que ao PSD que ele foi buscar muitos votos "flutuantes".

Tenha ele quando das legislativas equipa , projecção e tempo de antena equivalentes ao que tinha o PRD em 1985 e a coisa vai fiar muito fino .
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De da Maia a 27.05.2014 às 11:59

Pois.
Não sei bem se o MPT, apesar das iniciais Marinho Pinto Total, será uma estrutura suficientemente passiva para acolher o homem.
É verdade que ele apressou-se a dizer que vota Verdes no PE, e depois Schulz.
Só que há o voto reformado não comunista, que ainda tem alguma nostalgia de Pinheiro de Azevedo, gosta de Marinho Pinto tal como gosta do Prof. Marcelo.
Os mesmos que até simpatizavam com o Paulinho das Feiras... é esse tipo de eleitorado de direita que Marinho Pinto capitaliza.
Por isso, acho que ele até capitaliza mais no eleitorado flutuante da direita do que no da esquerda, onde cai bem o discurso anti-establishment.

Estou de acordo que pode ser um fenómeno tipo PRD, basta que o MPT não cometa as mesmas idiotices de alimentar uma máquina.
Marinho Pinto chega para estas eleições, mas não chega sozinho... nesse aspecto vale menos que Eanes.
Para o fenómeno se consubstanciar é preciso ir buscar mais umas figuras que se caracterizem por alguma imagem impoluta... por exemplo, o Paulo Morais, e algumas outras figuras que se tenham caracterizado por objectividade na vida pública.
Se isso acontecer, e se não for negado espaço televisivo, aí o PS e PSD podem começar a tremer... o que só era bom para a democracia.
Partidos sem fim, das Jotas ao Senadores, que vêem o seu futuro infindável, sempre a controlar um país, sem oportunidade de rejuvenescimento de ideias, onde a lógica é o poder oligárquico, são o oposto do ideal democrático.
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De rmg a 27.05.2014 às 18:33



Não quero deixar de lhe dar razão nas suas observações em relação a algum eleitorado de direita do grupo reformado não comunista (e não só) mas há muito nostálgico do governo anterior que se revê muito nele dadas as posições que tomou e que , muitas vezes , levavam a que fôsse acusado de defender "demasiado" o governo de Sócrates .

Há assim toda aquela gente que vota habitualmente PS mas que nem quer ouvir falar de Seguro e pode ter visto aqui uma oportunidade de juntar o útil ao agradável , votando em alguém que nada nem ninguém cala (aqui o ter ido buscar Pinheiro de Azevedo foi perfeito) e pode vir a ser imposto pelas circunstâncias e tornar-se imprescindível para re-equilibrar forças em coligação ou apenas em acordos pontuais na AR .

Não é para tirar uma conclusão salomónica mas é capaz de ter ido buscar aos dois lados em quantidades semelhantes ...

Quanto ao resto estamos totalmente de acordo , como já se tinha visto .
Marinho Pinto vale muito menos que Eanes valia à altura mas em contrapartida tem agora a oportunidade de ír buscar uma equipa (como já o frisei) que não sofra das evidentes debilidades de que sofria a do PRD .
De facto aquela começou por ser um grupo de pessoas que puxou por Eanes e agora é dada - apesar de tudo com alguma surpresa - a Marinho Pinto a oportunidade de ser ele a puxar pelas pessoas e partir quase do zero (o que é muito bom mas também muito difícil) .

Se ele terá a capacidade de escolher entre os que fazem (e não andarão atrás dele) e os que dizem que fazem (e não o vão largar) , isso é outra conversa .

Obrigado pelo bate-papo (aqui é mais bate-tecla!)
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De Carlos Faria a 26.05.2014 às 12:35

Mantenho que o ausente da noite eleitoral foi um dos que ganhou: Cavaco. Pelos votos deduz-se que PS e PSD estão forçados a consenso, isto se o PS aceitar que Seguro seja o próximo candidato a Primeiro-ministro.
Não concordo, o PSD não caminha por um suicídio político ou prosseguirá por mais tempo com Passos e passistas se Seguro for o seu adversário com um emagrecimento maior do partido ou seguir-se-á o pós-passismo, que o estabilizará e, tal como eu, muitos outros não têm alternativa no centro direita para votar, o MPT dificilmente será o Syriza do PSD, exceto se Marinho e Pinto me surpreender e muito, pois não o vejo como um grande Ribeiro Telles que o tempo lhe veio dar razão.

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