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O delfim.

por Luís Menezes Leitão, em 12.02.18

Há muito que se sabe que Fernando Medina é o delfim de António Costa e que o PS o anda carinhosamente a preparar para assumir uma futura liderança. Precisamente por esse motivo Medina beneficia de um espaço televisivo semanal e o parlamento está sempre disponível para aprovar todos os disparates que ele propõe, como a lei de salvaguarda de lojas históricas à custa dos proprietários dos imóveis. A verdade, no entanto, é que quem decide a viabilidade dos estabelecimentos, históricos ou não, é o mercado, como o parlamento acaba de comprovar ao assistir ao encerramento da sua própria papelaria. Mas, como é típico de qualquer socialista, desde que sejam os outros a pagar está tudo bem. Como bem salientou Margaret Thatcher, o problema do socialismo é que ele acaba quando acaba o dinheiro dos outros.

 

É por isso que Fernando Medina, que à sua responsabilidade decidiu inventar uma absurda e inconstitucional taxa de protecção civil, que o Tribunal Constitucional prontamente chumbou, agora diz que quer processar o Estado pela taxa que ele mesmo decidiu criar. Para Fernando Medina, uma lei que lhe permite lançar taxas por serviços prestados na protecção civil é uma lei que lhe permite cobrar uma taxa mesmo sem prestar serviço algum. E é óbvio que a responsabilidade pelo que aconteceu é do Estado, uma vez que a lei tinha sido criada "ad usum delphini", pelo que o delfim nunca pode ser responsabilizado pelo (mau) uso que dela faz.

 

E assim se consegue atingir o esplendor do socialismo. Se a Câmara de Lisboa abusou dos seus munícipes, cobrando-lhes uma taxa ilegal e inconstitucional, é óbvio que a responsabilidade por esse buraco de 80 milhões de euros tem que ser passada para o Estado. E até é provável que o parlamento e o governo, tão amigos que são de Fernando Medina, lhe venham a dar razão, fazendo assim com que sejam os munícipes de todo o país, desde o Corvo a Bragança, e incluindo o Porto, Coimbra, Faro, etc., etc., cujos municípios nunca lançaram qualquer taxa de protecção civil, a pagar as pseudo-taxas inventadas pelo autarca de Lisboa. É por isso que Fernando Medina é o melhor candidato a futuro líder do PS, uma vez que sabe ficar com o dinheiro dos outros como ninguém. Se os munícipes de Lisboa, que o elegeram para presidir à sua câmara, não estão dispostos a pagar as suas pseudo-taxas, chamem-se os munícipes do resto do país para pagar a factura. O delfim Fernando Medina é um verdadeiro socialista.

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18 comentários

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De Luís Lavoura a 12.02.2018 às 11:18

Tanto quanto me recordo de ter lido no Expresso desta semana, a taxa de proteção civil não foi inventada em Lisboa, mas sim em Vila Nova de Gaia, e não foi inventada por um autarca do PS, mas sim por um autarca do PSD.
(Mas posso estar errado.)
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De Anónimo a 12.02.2018 às 12:16

Mas é claro que estás errado. Lavourinha.
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De Luís Lavoura a 12.02.2018 às 13:27

Não estou errado. Uma busca na internet revela que a taxa de proteção civil começou a ser cobrada em Vila Nova de Gaia em 2011; em Lisboa só começou em 2015.
Portanto, não foi Fernando Medina quem a inventou.
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De Alexandre Policarpo a 12.02.2018 às 15:19

Tinha que ser! o PSD por interposta pessoa locupletou-se com 80 milhões dos lisboetas, que apesar deste esbulho reelegeram a abécula que os governa. Provávelmente porque já desconfiavam que eu, que vivo no Alentejo, iria mais tarde ou mais cedo ajudar a pagar a taxazinha do Medina.
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De Anónimo a 12.02.2018 às 20:02

Estás errado, Lavourinha.

Errado ao tentares extrair do post a afirmação de que o Medina seria o inventor mundial ou nacional da TMPC.

Errado ao afirmares que a TMPC foi criada pela primeira vez no país em Gaia.

És um caso perdido.
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De Sarin a 13.02.2018 às 16:30

No segundo parágrafo lê-se "É por isso que Fernando Medina, que à sua responsabilidade decidiu inventar uma absurda e inconstitucional taxa de protecção civil"


Não sei qual a guerra que tem com o Lavoura, mas entre tantos anónimos ficar-lhe-ia bem identificar sua excelsa peçonha. A menos que, claro, seja um caso perdido de hombridade.
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De sampy a 13.02.2018 às 20:07

Porra, com um Lavoura ainda se consegue manter uma réstea de esperança neste mundo; mas com dois...

Diga-me sua excelência tóxica de que modo se pode inferir, de forma certa e segura, a partir da frase que cita supra, que o autor do post afirmou (ou fez subentender) que o Medina foi o inventor nacional / europeu / mundial da dita taxinha.

Que tal ideia passasse pela mente do autor quando escreveu o texto, é possível; que a formulação permite especular a esse respeito, não o nego. Aí o Lavourinha, se tivesse a correcção como virtude, trataria de iniciar o seu comentário com uma frase do género: "Se o autor do post pretende afirmar que o Medina foi o primeiro a criar a TMPC a nível nacional, tenho de desmenti-lo" ou "No caso de o autor, ou algum dos leitores, estar a pensar que Medina foi o primeiro... cabe-me repor a verdade" ou "Ao ler o post, assaltou-me a dúvida sobre se se poderia considerar o Medina o primeiro... Lembrei-me então do que tinha lido no Expresso e fez-se-me luz".

Com uma salvaguarda deste tipo (porventura menos floreada), ninguém se atreveria a criticar o Lavourinha pelo teor da primeira parte do seu comentário inicial; mesmo que estivesse a asneirar num segundo momento, quando se mostra convicto de que foi o autarca de Gaia o primeiro... É verdade que, por uns instantes, guardados ciosamente entre parêntesis, ainda afloraram uns laivos de humildade; que, todavia, não resistiram ao primeiro embate. Uma pena.
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De Sarin a 13.02.2018 às 21:27

Tem razão, porra, dois são desesperantes.

Basta ler o que está escrito na frase. Se não consegue, é de lamentar - para si.

Que vários reclamem um invento não seria inédito. Que atribuam o invento ao inventor errado também não. Inédito mesmo é, na sequência da atribuição, alguém negar que a atribuição foi feita.

Notinha para apedeutas: pode sempre falar em adaptação de inventos, de melhoria de inventos, de sublimação ou destruição de inventos. Mas dizer que alguém inventou é atribuir autoria por algo inédito.
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De sampy a 14.02.2018 às 12:35

Bem, lá tenho eu de recorrer ao desenho de um frigorífico...

Que o caro ente volátil queira fazer uma interpretação estrita do vocábulo utilizado, está no seu direito; que se ache no direito de afirmar que tal leitura é a única permitida no contexto em que é utilizado, lamento mas contará com a minha oposição.

Até porque, a validar-se como exclusiva a definição que apresenta em erudita nótula, caberia ao estimado composto avinagrado concluir que o autor do artigo atribuiu ao Medina autoria por algo inédito NO MUNDO INTEIRO. Conclusão essa que, atendo-se ao texto e contexto, e ao que se conhece do autor, se revelaria manifestamente descabida e insustentável.

Será possível uma outra leitura, em que o vocábulo se tome como sinónimo de "criar", aplicado ao contexto do município em causa, de modos que o autor estaria a considerar o Medina enquanto inventor da TMPC em Lisboa, coisa inédita naquele município e que nenhum antecessor ao comando da autarquia alfacinha teve o triste engenho de criar?

Será possível uma outra leitura, em que o vocábulo se tome num sentido pejorativo (e.g. inventar uma história, inventar uma notícia), e através do qual o autor quisesse sublinhar que o Medina se deu ao luxo de criar algo sem bases legais nem adequado à realidade fiscal, com o intuito de ludibriar os munícipes alfacinhas e deitar mão a receitas que não tinha o direito de arrecadar?

Um desabafo para os passantes: tenho consciência de estar aqui entretido a discutir os túbaros dos anjos; mas a verdade é que o diabo está mesmo nos detalhes.
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De Anónimo a 14.02.2018 às 13:50

Obviamente sampy ficou sem pé.

Eu não atribuí nada, foi sampy que admoestou, para ser simpática, outro comentador por ter contestado a invenção. E ainda o fez sob o manto do anonimato (não que pseudónimos e heterónimos identifiquem uma pessoa, mas identificam um comentador que é o que aqui somos).

Que tenha vontade de guerrear menorizando quem, nitidamente, faz leituras literais dos textos que lê, é questão sua que, aliás, muito de si diz; mas talvez fosse aconselhável atacar com factos em vez de com pedras - anda por aí alguma gentinha que não tem qualquer escrúpulo em rebater a sua errónea argumentação, independentemente do que pensa sobre aqueles a quem a dirige mas dependentemente do tom em que o faz.

Os seus ses são sem dúvida um agradável exercício de retórica, pelo menos a avaliar pela proficuidade, mas partem da premissa quando estamos afinal perante factos: Luís Menezes Leitão atribuiu a Medina a invenção de uma taxa de protecção civil, Luís Lavoura rebateu que a invenção fosse de Medina.

O que quereria LML dizer só ele e os seus heterónimos saberão; muitas leituras se extraem, incluindo algumas que sampy escreveu e outras que talvez nem lhe ocorreram.
Luís, que não me paga pela defesa e com quem tenho os meus desesperos, negou o invento a Medina, que não aprecio particularmente e sobre quem tenho particular opinião.
sampy fez as leituras que quis dos escritos de ambos.
E até aqui tudo iria bem - mas sampy escreveu o que quis, como é salutar e até recomendado em democracia, e sampy escreveu como quis, violando o humano direito de outros ao respeito e, por apenas argumentar ad hominem e não factualmente, infringindo a regra basilar do diálogo. Tenho um gene tramado e não gosto de comportamentos abusivos e vexatórios. Mas também não perco tempo a travar com o indicador as testas insanes e iradas. Queira escrever o que lhe aprouver sobre a minha pessoa, a minha argumentação, as minhas capacidades, a minha personalidade. E sobre a dos outros também. Agradeço-lhe é que seja correcto quanto aos factos que debate.
A sua opinião até poderia ser interessante, mas da forma como tantas vezes a (não) expõe não me interessa. De facto.
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De sampy a 14.02.2018 às 17:17

(Pressupondo, com boas probabilidades, que o comentário supra pertence ao personagem anteriormente auto-identificado como Sarin).

Caro(a) Sarin, tenho a pedir-lhe conselho: que epítetos devo usar a seu respeito, agora que o vejo a comentar "sob o manto do anonimato"? Devo mostrar-me condescendente, acreditando que houve um lapso momentâneo no preenchimento dos campos e uma ligeira precipitação ao clicar o botão de publicação? Ou deverei, inclemente, evocar o apodo de "excelsa peçonha" e a insinuação de falta de "hombridade", usado por quem afirma candidamente não gostar de "comportamentos abusivos e vexatórios"? Ilumine-me, por favor, que o desespero é grande.

Quanto ao restante pensamento confuso e contraditório que faz questão de partilhar acima, ele aí ficará, para juízo de quem quer que passe pelo caminho.

Quanto ao tom em que me dirijo ao Lavourinha e seus recorrentes exercícios de exaltação da ignorância humana: por favor, não se meta.
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De Sarin a 15.02.2018 às 00:33

Tem razão, o comentário saiu sem assinatura - mas nem por lapso nem por vontade, antes uma desconhecida falha técnica que despoletou durante todo o dia vários "este blog não aceita comentários" e que recentemente promoveu, a propósito de outro postal, o envio de dois comentários iguais, um assinado outro não.
Lamentável, em todo o caso, e por ter detectado tal estou a verificar e a reclamar responsabilidade, para o bem e para o mal, sobre todos os comentários que publiquei hoje.

Sem dúvida que lhe devo um pedido de desculpa por não ter ponderado que o seu anonimato se poderia dever a uma falha ou a um lapso. No entanto, por excelsa peçonha referia-me não ao anonimato mas ao teor ofensivo e nada esclarecedor sobre ao tema. O que mantenho.

Sobre o restante arrazoado que não li, reitero: a sua opinião não me interessa.
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De sampy a 15.02.2018 às 10:36

Ainda bem.
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De Anónimo a 12.02.2018 às 16:15

O edil em causa ganhou eleições muito recentemente e ao que consta a taxa era para continuar logo a maioria dos lisboetas sabia que tinha de a pagar e mesmo assim votou nele.
Mas a Dra. Cristas apesar de saber do estado calamitoso das finanças do País e presumo de Lisboa (ou de Lisboa e do País - existe quem os confunda) ainda queria fazer melhor, que era não cobrar uma taxa por um "serviço" mas simplesmente endividar Lisboa / Portugal para fazer mais 20 !!! ( VINTE ) estações de metro.
Eu que sou da província e não sou socialista de esquerda ou socialista de direita só me resta pagar os desmandos xuxas.

WW

" A Nação não se confunde com um partido, um partido não se identifica com um Estado. "



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De Sarin a 12.02.2018 às 17:24

Ovação de pé!
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De Anónimo a 13.02.2018 às 09:57

E como eram bem recebidas mais umas quantas estações de Metro; se vivesse e trabalhasse em Lisboa mudava de opinião. Quando se viaja um percurso mais longo, em pé, na versão " sardinha em lata" suspira-se exactamente por isso.
O edil em causa é mais um no país do chico-espertismo.
Aplaudam-no! Ele agradece.
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De Anónimo a 12.02.2018 às 16:18

Já agora o delfim para ser delfim ainda tem de comer muita sopinha...

WW
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De Lucklucky a 12.02.2018 às 17:56

Qualquer um chega ao poder em Portugal se disser aquilo que os jornalistas querem ouvir e pertencer ao clube certo. Uma certa palavra fácil e ligeira e basta.

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