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O declínio do Ocidente.

por Luís Menezes Leitão, em 18.06.14

 

Enquanto anda tudo entretido com o Mundial há alguma coisa de novo a Leste. Em primeiro lugar, depois dos seus sucessos na guerra civil síria, a Al-Qaeda ameaça agora tomar conta do Iraque, pretendendo construir desde já um Estado islâmico radical nesse território, denominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, na versão inglesa). Será algo absolutamente novo e que demonstrará uma derrota absoluta dos Estados Unidos na denominada guerra contra o terrorismo. Na verdade, o que era até há pouco tempo apenas uma organização terrorista, com recursos consideráveis, é certo, mas sem qualquer base territorial, pode a partir de agora começar a gerir um Estado, a partir de território sírio e iraquiano, iniciando a realização da sua ambição de reconstituir o califado. Trata-se de algo muito mais ameaçador do que qualquer Saddam Hussein, mas a verdade é que Barack Obama não se mostra disposto a nova intervenção militar no Iraque, preferindo deixar os iraquianos à sua sorte. Aposto que vão ser presa fácil para a Al-Qaeda e que em breve um país com a importância estratégica do Iraque estará a servir para o desenvolvimento do terrorismo.

 

 

Na Ucrânia as coisas não estão melhores. Poroshenko, legitimado pela sua vitória eleitoral e estimulado pelo apoio da União Europeia, achou que uma situação altamente complexa como a que herdou podia ser resolvida com uma simples bravata. Garantiu resolver a questão no Leste numa semana, através de uma ofensiva brutal contra os rebeldes russos. A iniciativa era ridícula, uma vez que a manutenção do Leste ucraniano depende muito mais de concessões aos rebeldes, depois da desconfiança criada pelo golpe de Estado, do que de uma ofensiva militar. Era evidente que a Rússia não toleraria um massacre dos rebeldes pró-russos. Mas a reacção de Putin, apesar de curiosamente contida, foi extremamente eficaz. Limitou-se a cortar o gás à Ucrânia, matando com isso dois coelhos de uma só cajadada. Efectivamente, não apenas a Ucrânia vai ser economicamente muito prejudicada, como especialmente a Europa vai morrer de frio no Inverno, o que seguramente lhe vai arrefecer os ímpetos de intervir em zonas que Putin considera de influência russa. Naturalmente que, depois dessa resposta, a Poroshenko nada mais restou do que ir negociar com Putin, engolindo assim a bravata inicial.

 

 

De tudo isto resulta que estamos a assistir neste século XXI a um profundo declínio do Ocidente, associado a um ressurgimento islâmico e ao regresso da Rússia. E neste aspecto ter uma União Europeia exclusivamente dominada pela Alemanha é altamente contraproducente. Uma União Europeia só poderia ter força se efectivamente congressasse os povos europeus. Mas hoje, quando os líderes europeus acham que podem ignorar os votos dos cidadãos e escolher o Presidente da Comissão numa canoa num lago sueco, parece evidente que a Europa está neste momento a meter muita água. Por este caminho arrisca-se a ir ao fundo.

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4 comentários

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De cristof a 18.06.2014 às 11:36

Se nos outros países europeus o sentimento e postura dos cidadãos for a que se vê entre os portugueses que de entre os que têm um bem escasso que é o emprego certo ou a reforma são os que mais se insurgem contra cortes e reduções não entendendo que todos devemos contribuir para minimizar o sofrimento de quemnão têm meios, ou dada a má gestão autarquica ou central perdemos todos os dias comparando com povos que estão a produzir e vender mais que nós. Qualquer europeu quando se fala da China imagina um país atrasado, esquecendo-se que sozinha tem mais comboios e linhas de alta velocidade que todo o resto do mundo juntos.
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De jo a 18.06.2014 às 12:26

Estou desempregado e realmente não compreendo porque razão aqueles que têm emprego não estão dispostos a ser despedidos ou a ganhar menos para resolver o meu problema. Com efeito, eu trabalharia por menos dinheiro, o que é uma vantagem para o patrão, e aqueles parasitas poderiam vir para a rua fazer o que eu fiz, exigir que lhe dessem o meu emprego por um preço menor, dupla vantagem para o patrão. Não percebo é o que é que quem trabalha ganhava com isso.
Quanto ao dinheiro das pensões, corretamente investido em bens de luxo para compradores de vistos Gold, ou em supermercados polacos, seria muito mais produtivo. Digo bens de luxo porque dentro em breve não haverá ninguém com dinheiro para comprara outros bens.
Também podemos transformar o país numa China: de um lado um capitalismo de exportação bem conseguido, de outro um imenso mundo de proletários sem quaisquer direitos, arrebanhados como escravos. A garantir a segurança das instituições a ditadura absoluta e a economia planificada. Temos é de tomar cuidado para vermos em que lado vamos ficar: o dos arranha céus ou o dos bairros da lata.
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De cristof a 18.06.2014 às 20:26

não é boa conselheira a sua situação de desemprego(jáestive dois anos assim),mas tem sido a postura de muito governante e seus apoiantes que permite que as economias que exportam o triplo e crescem o triplo que a nossa tenham provocado o fecho de todas as fabricas aqui nos arredores da minha casa. Custa-me pensar o que será dos milhares de trabalhadores que lá trabalhavam, pois as posições de propaganda pura por melhores salarios e os nossos sagrados direitos constitucionais que eu perceba não os têm ajudado a fazer a vida mais do que marchar com afinco no 15 março . Para viverem fizeram muitos comoo meu filho -emigrar depois de terem vaiado os que lhes sugeriram isso como possivel alternativa. Cuspiram na sopa mas depois comeram-na com uma coerencia de tolo.
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De da Maia a 18.06.2014 às 16:01

Não sei se é bem o caso de "a oeste nada de novo".
A questão principal com os novos rebeldes iraquianos é a sua fonte de receitas... e aos americanos, no final do dia, só interessa saber se a moeda é ainda o dólar.

Não interessaria muito ter uma China a comprar directamente petróleo com yens... nesse momento podiam fazer uma fogueira de S. João com os dólares.

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