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O comentário da semana (extra)

por Pedro Correia, em 16.07.17

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«Como residente de Macau obviamente que tenho acompanhado com muito interesse os acontecimentos em Hong Kong.
Um comentário à hipótese que levantas, no último parágrafo, sobre a possibilidade de o regime chinês decidir encurtar o período (previsto na Declaração Conjunta Sino-britânica de 1984) durante o qual Pequim se compromete a manter basicamente inalterado o estilo de vida que existia na antiga colónia britânica antes de 1997 (data do regresso de Hong Kong à soberania chinesa).
Claro que essa é uma possibilidade sempre em aberto mas não sei se será muito prática nem se valerá a pena (do ponto de vista dos interesses de Pequim), em termos de custos e benefícios. É verdade que o Presidente Xi Jinping deixou claro, na sua recente visita a Hong Kong, que se pode discutir tudo o que se quiser menos a soberania. Portanto não se conte com qualquer tipo de cedência nesse campo.
Mas não é obrigatório que eles sintam necessidade de mexer no rule of law que tem efectivamente continuado a vigorar nas últimas duas décadas, numa Hong Kong sempre rebelde onde tem sido praticada uma efectiva liberdade de opinião, embora sem democracia plena e sem poder legitimado. Afinal, Hong Kong já está reintegrado na China desde 1997, para quê criar uma confusão para conseguir aquilo que já foi conseguido....
Parece-me que o poder central vive bastante bem com uma Hong Kong livre (aliás, devido à censura, pouca gente no Continente chinês sabe o que se passa na antiga colónia britânica, pelo que o perigo de "contágio" é muito limitado) desde que não se ponha em causa o poder soberano do Estado sobre essa região chinesa. Podem criticar o Governo local à vontade e até o Governo Central e o Partido Comunista, como efectivamente têm feito, mas a "soberania não se discute". Creio que é isso que se pode depreender das palavras de Xi Jinping.
A grande e importante novidade da presente situação é o movimento que se tem gerado, com uma consistência considerável, no sentido da defesa da independência de Hong Kong, visando a constituição de um Estado separado da China. Isso, sim, é visto como inaceitável pelo Poder chinês.
Mas repara: faltam 30 anos, o que é muito pouco tempo em termos da prática política chinesa. Se eles quisessem antecipar o marco de 1947 muito provavelmente chegariam à conclusão de que não compensaria, acabando por criar mais problemas sem conseguir resolver os já existentes.
Não sei! Na verdade nada indica que venha a haver pacificação em Hong Kong nos próximos anos e o poder central irá fazer sentir mais fortemente a sua presença, que aliás já existe, nos termos da mini-constituição da região administrativa especial. Para os que não sabem: por exemplo, é Pequim que nomeia, desde 1997, os detentores dos principais cargos políticos da região administrativa, nos termos da lei... E concordo contigo que a nova Chefe do Executivo não vai ser bem sucedida e duvido que algum dos seus sucessores o venha a consguir. Como observador fico com a ideia de que o problema de Hong Kong não é solúvel, pelo menos no curto/médio prazo.
Aguardemos para ver o que vai acontecer nos próximos dois ou três anos.»

 

Do nosso leitor Luís Ortet. A propósito deste texto do Arnaldo Gonçalves.

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