Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O comentário da semana

por Pedro Correia, em 29.10.17

Os%20Grandes%20Incêndios2[1].jpg

 

«Não julgo que fosse caso para uma moção de censura ao governo. Mas é caso para censurar publicamente o governo na sua actuação em relação a este tema (apagar fogos ou outra calamidade em território português ou que os envolva no estrangeiro, evitar mortes e tratar de prevenir e remediar estragos não é a única função governativa).
E não concordo com o que agora se diz de que nada podia ser feito em relação aos fogos do fim de semana 15-16 de Outubro. Mais, julgo mesmo que essa conversa visa descansar os portugueses assentando apenas em causas naturais a calamidade que, aliás, já estava prevista sem que coisa alguma tivesse sido feita para minorar estragos ou poupar vidas. Portanto, essa hipótese será apenas parcialmente verdadeira - as condições eram anómalas. Por exemplo, dado o calor e a seca, julgo que faria sentido prolongar a disponibilidade aérea para combate aos fogos e manutenção activa de bombeiros - as temperaturas não desceram e a consequente seca adensou.

Um governo que se interessa pelo povo serve para isso. Ou não?! De tanta lei e tanta preocupação burocrática que têm, não podem retirar um bocadinho para lidar com a realidade premente do país?! Não, provavelmente não podem. E depois, para remate, têm as atitudes que sabemos. Indesculpáveis. As calamidades são como um líquido revelador, fazem surgir as pessoas na sua nudez. Sem véus. E muita gente é feia no inside. Fede. Está humanamente morta. Mas o dever deles é mascarar a desumanidade e, já que estão no governo, serem humanos a fingir. Os portugueses agradecem.

Sobre partidos ou gente que no passado, recente ou não recente, perpetrou assassínios... não julgo que tenhamos assassinos dentro dos partidos ou do governo. Parece-me antidemocrático, anti-ético e até com toque de racismo exigir a estruturas criadas pelos homens que se mantenham incólumes e perfeitas ao longo dos tempos.

Ninguém é perfeito. Mas culpar um partido pelos erros cometidos noutro país - ou países - ou mesmo neste, é perverso. Os tribunais existem para julgar. E julgam pessoas e organizações específicas em situações também específicas. E eu espero com muita força que o poder judicial seja independente de qualquer outro. Ou ainda os portugueses, sobretudo os mais pobres, se vão sentir mais desamparados.»

 

Da nossa leitora Beatriz Santos. A propósito deste texto do Rui Rocha.

Autoria e outros dados (tags, etc)


7 comentários

Sem imagem de perfil

De jerry khan a 29.10.2017 às 22:46

para ver a MERDA de rectângulo que somos
depois de 30 anos a trabalhar em multinacional em síntese de matérias primas para a indústria farmacêutica
faculdades, arquivos, bibliotecas etc
recusaram 100 grossos dossiers com documentação recolhida em 10 países relativa aos produtos comercializáveis
acabaram arquivados no caixote do lixo (as minhas 10 mil fichas serviram para publicar livros)

acabei a vida profissional a fazer marketing ('vender merda com sabor a merda') numa multinacional americana que entrou pelo cano anos depois. nunca poderei contar a porcaria interna porque me desfiz do diário temático. fora pareceu-me ver corrupção de entidades e preços elevados
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 30.10.2017 às 07:41

Andou na selva a enganar os índios? A patentear -lhes os produtos comercializavéis ?
Se assim foi a sua alma está danada.
Sem imagem de perfil

De jerry khan a 30.10.2017 às 09:50

não preciso sair do prédio para ver índios de tanga de pele de cão, com pena na cabeça e osso no nariz
a tv enquanto 'peidalo' na bicicleta mostra politicos com o mesmo 'bisual' um deles com ar de zombie depois do churrasco
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 30.10.2017 às 14:49

Mude-se da Amadora, para o Chiado. Ou da Campanhã, para a Foz
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 30.10.2017 às 10:39

não concordo com o que agora se diz de que nada podia ser feito em relação aos fogos do fim de semana 15-16 de Outubro

O mínimo que se poderia ter feito teria sido no dia 14 de outubro a ministra da Administração Interna aparecer na televisão e na rádio, numa declaração solene, a informar que se esperava um dia extremamente propício a fogos e a prevenir todos os portugueses para a necessidade de estarem extremamente cautelosos e para a proibição total da realização de quaisquer queimadas ou para a realização no exterior de quaisquer trabalhos que envolvessem fontes de energia artificiais.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 30.10.2017 às 10:44

faria sentido prolongar a disponibilidade aérea para combate aos fogos e manutenção activa de bombeiros

Fazer sentido, fazia. Só que, os meios aéreos são alugados no princípio da época de fogos para um período determinado. O aluguer não pode ser prolongado à vontade, esses meios aéreos (e os seus pilotos), finda a época dos fogos, têm provavelmente outros encargos já programados. O mesmo se diga dos bombeiros, boa parte dos quais são de facto estudantes em férias, os quais em outubro já têm aulas e já não podem estar disponíveis nos quartéis.
Os bombeiros e os meios aéreos têm a sua vida programada, tal como qualquer de nós, e não podem estar disponíveis sem aviso antecipado, só porque de repente se descobre que o mês de outubro vai ser mais quente que o usual.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 30.10.2017 às 14:35

Se se prolongasse a disponibilidade e depois não houvesses fogos que se diria? O mesmo que se disse das vacinas compradas para uma epidemia de gripe que não aconteceu.

Comentar post





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D