Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O comentário da semana

por Pedro Correia, em 11.02.17

«É inegável que o ensino tem decaído substancialmente em qualidade. "Eu sou do tempo" em que no Liceu se estudava a fundo o que hoje nas universidades apenas se aflora. Em demasiadas disciplinas de muitos cursos superiores, a matéria, o conteúdo é a única preocupação dos professores (muitos deles catedráticos), com peso na atribuição de nota e sequente trânsito na disciplina. Tantas vezes o português escrito é de tal modo ilegível em caligrafia, construção, morfologia, sintaxe e conjugação verbal, que me pergunto para quando o advento do Messias que travará está geração de Doutores analfabetos.
Quanto às traduções e legendagem, já tive ocasião de manifestar o meu profundo desagrado. Antigamente qualquer escrit,a antes de publicada, passava pela revisão. Agora os Words e afins têm correctores automáticos que são de bradar aos céus...

Para o livrinho de notas do Rui Hebron:
Episódio do CSI (o único de seu nome):
Na morgue, pergunta o Nick ao Documento: "Do you know the COD?"
Traduzido alegremente: "Sabe do bacalhau?"

Lembro-me de ter reclamado, se não estou em erro para a Santa Claus. Nunca obtive qualquer resposta.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

Autoria e outros dados (tags, etc)


11 comentários

Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 11.02.2017 às 17:07

O meu pai também se queixava de que o ensino que me era ministrado não prestava. Ele achava chocante que eu não soubesse os nomes de todos os afluentes do rio Douro, por exemplo, que ele no tempo dele tinha sido forçado a decorar - os afluentes da margem esquerda separadamente dos da margem direita.

Ou seja, já há 40 anos o ensino era muito pior do que outrora.
Sem imagem de perfil

De V. a 12.02.2017 às 12:54

Sempre a mesma estratégia: o ensino de hoje é bom (entenda-se o ensino público, o ensino do PS e dos sindicatos, desenhado exclusivamente para o comforto de uma classe profissional) porque no tempo do Salazar era mau e tínhamos de decorar nomes das estações de comboio.
Sem imagem de perfil

De V. a 12.02.2017 às 14:38

errata: conforto.
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 12.02.2017 às 16:34

V, e porque não comforto?! Comforto, ou conforto é quando um homem quiser
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 12.02.2017 às 17:36

Eu não disse que o ensino atual fosse bom. O que disse é que estas queixas, de que agora o ensino é muito pior, já eram correntes há uma geração. São queixas recorrentes.
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 11.02.2017 às 17:28

Lembro-me de, em miúdo, ir à aldeia e os mais velhos chamarem-me:

" - Anda cá miúdo! Então diz-me lá os nomes dos rios de Portugal? "

Eu, cabisbaixo, dizia 5-6 nomes, penso que os dos maiores.

" - Então e os apeadeiros e estações de comboio?"

Aí, mais cabisbaixo ainda, só dizia o nome da estação da minha terra. Não costuma andar muito de comboio. Nesse tempo andava mais de bicicleta.

Vendo os velhos a minha vergonha, riam-se dando-me palmadinhas nas costas, ao mesmo tempo, que diziam ao meu avô (ele e os outros com a famosa 4ºclasse):

"- Esta miudagem de hoje nada sabe! "

Foi assim. É assim. Será assim. Sempre. No meu tempo é que era. E quem fala assim de uma coisa pode estar certo. É velho.

Só quem não tem filhos, ou anda desatento, pode falar na insuficiência dos conteúdos das disciplinas ensinadas - alguém, por aqui, já pegou num manual de matemática, português, química de um aluno de 9-10ºano?

E vamos lá a ver se nos entendemos. No tempo da outra senhora é que se ensinava a não pensar. A não questionar. A não pôr em duvida. Sempre foi assim e será nas ditaduras. Mas naquele tempo é que era...é que se sabia pensar.

Dulce, não me leve a mal.




Sem imagem de perfil

De sampy a 11.02.2017 às 18:46

"pergunta o Nick ao Documento"
???
Sem imagem de perfil

De sampy a 12.02.2017 às 06:15

Será que alguém traduziu o original "Doc" por "Documento"?
Sem imagem de perfil

De Einstürzende Neubauten a 11.02.2017 às 18:54

Enquanto corria (Maia-Nogueira-Castelo da Maia - Maia) pensava cá para comigo. Foste injusto, parvo ou as duas coisas.

Atenção!

Existe uma diferença entre ser-se e estar-se velho. Ser-se implica permanência. Estar-se alguma temporalidade. Queria dizer estar-se velho.

Uma volta do chouriço, merece um raciocínio do mesmo fumeiro.
Sem imagem de perfil

De V. a 11.02.2017 às 19:16

"Na morgue, pergunta o Nick ao Documento: "Do you know the COD?"
Traduzido alegremente: "Sabe do bacalhau?""


AHAHAH. Brilhante.
Sem imagem de perfil

De Manuel Silva a 11.02.2017 às 19:20

A este texto-comentário de Maria Dulce Fernandes, respondo com dois textos-citações sobre a juventude, os alunos e o que cada um vê na realidade que o cerca.
----------------
Egipto:
«O nosso mundo atingiu um estado crítico. Os filhos não escutam os seus pais. O fim do mundo não pode estar longe». (Sacerdote egípcio, 2000 a.C.)
---------------------
Oriente Próximo:
«Esta juventude está podre desde o fundo do coração. Os jovens são maus e preguiçosos. Não serão nunca a juventude de outrora. Os de hoje não são capazes de manter a nossa cultura.» (Frase descoberta nas ruínas de uma olaria babilónica datada de 1000 a.C.)
----------------
Grécia:
«Não tenho nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje toma o mando amanhã, porque esta juventude é insuportável, sem moderação, simplesmente terrível». (Hesíodo, 720 a.C.)

«A juventude ama o luxo, é mal-educada, zomba da autoridade e não tem nenhuma espécie de respeito pelos velhos. As crianças de hoje são tiranas. Não se levantam quando um velho entra numa sala, respondem a seus pais e são simplesmente más». (Sócrates, 470-399 a.C.)
----------------
Roma:
Onde é que isto vai parar? «Outrora, um desonesto era algo incrível. E agora, um tipo verdadeiramente íntegro é visto como um prodígio. Quanto aos jovens, é melhor nem falar. Onde já vai o tempo em que era visto como um sacrilégio um jovem não se levantar perante um idoso? Em resumo, devoção, correcção, rectidão, palavra de honra, respeito, valor, civismo, património cultural, etc. Tudo isso desapareceu. (...) Já não há em Roma mais lugar para um bravo Romano.» (Juvenal, séc. II d.C.)
----------------
Portugal:
«A maioria dos estudantes […] desfalece perante o mais rudimentar trabalho analítico; raciocina errado, se raciocina; não sabe classificar; deduz mal, induz pior» (Decreto de 1894).

«Em Portugal, o aluno sai da escola primária um verdadeiro ignorante» (Albano Ramalho, inspector primário, 1909).

«Verifica-se nas respostas de muitos examinandos uma ignorância absoluta de certas matérias e lêem-se em muitas delas os disparates mais fantásticos» (Alves de Moura, 1939).

«O nível mental da maioria dos alunos do ensino liceal é muito baixo» (Fernando Pinho de Almeida, 1955).

«Para já, tenho a impressão e creio que vários colegas pensam mais ou menos como eu que haveria vantagem em facultar aos alunos mal preparados – que são quase todos – a frequência de um ano pré-universitário a funcionar na Universidade ou em alguns liceus.»
«O referido ano pré-universitário teria essencialmente carácter de transição, de orientação e de recuperação – à semelhança do que se faz em outros países.»
(Prof. Sebastião e Silva, A Capital, 4 de Dezembro de 1968)
----------------
Que concluir?

Talvez ouvir o poeta António Gedeão no poema Impressão digital:

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos, e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

Comentar post



O nosso livro


Apoie este livro.



Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D