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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.05.14

«Como nunca me senti encurralado ou desprotegido na vida sem que no momento seguinte me começasse a "desencurralar" e a "proteger", não vejo nem nunca vi o mundo e a vida como local onde "alguém" em abstracto ou em concreto tivesse que tomar conta de mim ou resolver os meus problemas.

Por isso se não tenho hoje problemas financeiros ou sentimentais é porque, sempre que foi preciso mudar de vida, o fiz, casei-me, divorciei-me, empreguei-me, despedi-me, trabalhei longe, trabalhei perto - e dois dos meus filhos também já têm este cardápio todo porque cresceram nele e sabem que é cortando com passados e "mexendo-nos" que cada um de nós constrói futuros.

Sem perder um minuto com lamentos vários, os problemas começam a resolver-se no preciso momento em que surgem.
De resto um dos meus lemas é "se não fosse eu, o que seria de mim?"


Não sei o que os políticos dizem ou disseram nem me interessa.
Não vejo televisão há mais de 20 anos (zero, excepto a selecção), não leio jornais em papel e mesmo na internet (onde "leio" todos os dias durante três horas os jornais portugueses, espanhóis, franceses, ingleses, americanos, brasileiros) limito-me a muitos artigos de opinião de comentadores que aprecio e a passar rapidamente por cima de títulos que a maior parte das vezes nada me acrescentam e só me irritam.

Mas em contrapartida ando todos os dias quatro horas na rua desde que me reformei, conheço muita gente aí por toda a cidade e uso sempre transportes públicos: aprende-se muito!
Uma das coisas que se aprendem é que as pessoas perdem mais tempo a falar aos outros dos seus problemas do que aquele que usam a tentar saír deles.

E ai de quem lhes queira dar sugestões ou indicar caminhos, não é isso que a maioria quer de nós mas só que os aturemos e concordemos com eles que são bestiais mas toda a gente lhes quer mal, do chefe à vizinha do lado passando pelo homem do talho.

Não me parece que seja defeito assumir o que se faz ou o que se pensa, acho mesmo que isso é uma grande virtude desde que não mintamos a nós próprios, o que é muito vulgar...

Mas isso do tempo nos dar razão no que pensámos ou previmos não é nada que me entusiasme nem sequer me interesse, não me resolve nada de nada e acaba a ser uma espécie de "prazer intelectual solitário".
Se há coisa que eu odeio é dizer "eu tinha razão" - quer dizer que a merda já está toda aí e vai sobrar para mim...

E apontar culpados é interessante mas redutor, a cada dez anos esquecemos uns culpados e substituímos por outros não menos nem mais culpados.
Talvez só tenha uma "utilidade real" (com aspas pois para mim não o é) que é a de nos convencermos que não somos todos culpados, cada um à sua escala.»

 

Do nosso leitor RMG. A propósito deste meu texto.

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2 comentários

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De Rui Herbon a 24.05.2014 às 20:01

Muito bom.
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De da Maia a 25.05.2014 às 00:00

grande malha, RMG.

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