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O clima tóxico do debate futebolístico

por João André, em 18.04.17

Ao ler os comentários desportivos, entre jornais e blogues, descubro que é dominado por um facciosismo clubístico ou sectário (quando intra-clube) que de tão barulhento não deixa espaço para quase nada mais. É um facciosismo que se repete mas bastante amplificado quando passa para as televisões, onde não existem debates, apenas gritos de claques engravatadas. Se eu passar os olhos pelo meu feed do Facebook descubro as mesmas tendências, com posts dedicados a alfinetadas (quando escritos por pessoas educadas), ataques declarados (quando o autor de vê como assertivo) ou mesmo insultos grosseiros.

 

Não é nada de novo. Quem se sentasse à mesa de um café há cerca de 20 anos já o poderia sentir. As conversas eram fortemente tingidas pelas cores clubísticas e envolviam habitualmente um certo nível de oposição aos outros clubes. Isto era normal e saudável, sendo que raramente as discussões atingiam níveis violentos, mesmo que apenas oralmente. Ainda assim os jornais e televsões mantinham posições mais ponderadas, mesmo quando orientados para um clube.

  

 

Desde que as televisões começaram com os "debates" entre adeptos dos 3 grandes (normalmente uma figura mais ou menos pública que deverá ter pontapeado pela última vez um bola numa peladinha algures em 1972) que o tom mudou. O que vende é o conflito, real ou encenado, entre estas figuras. Para o alimentar os meios de comunicação aumentam a estridência das "notícias", investigam qualquer potencial ofensa de um clube (ou alguém ligado ao mesmo, ainda que apenas tenuamente) a outro ao mais infímo pormenor e esmiuçam toda e qualquer decisão de arbitragem que possa ter sobre si a mais pequena dúvida.

 

Isto é depois amplificado pela actual forma de comunicar, onde a atenção é curta e o importante é o título, não o conteúdo. E no caso de faltar conteúdo, inventa-se. Já não bastam as declarações de futebolistas, trienadores ou dirigentes, tem que se adicionar os dos comentadores, que passam de observadores a actores. Adicionam-se os "casos" de arbitragem, mesmo quando envolvem uma (potencial) falta a meio campo que não tem influência em nada no jogo. Acrescenta-se a isto ainda o "campeonato" das transferências, onde se segue o destino dos jogadores que um dia andaram pelo clube e agora estarão a ter um bom período, assim "demonstrando" o acerto da sua escolha pelo clube (sempre em oposição aos adversários). O caso mais ridículo deste último fenómeno é quando vejo Benfica e Sporting a discutirem quem tem mais sucesso: se Cancelo ou Carriço o que, tratando-se de dois jogadores saídos há 3 e 4 anos respectivamente dos seus clubes, se torna ridículo.

 

Estive a dar uma espreitadela por blogues de clubes (do Benfica, FC Porto e Sporting) e cheguei à conclusão que em muitos casos pelo menos metade dos posts têm pelo menos referências a casos de arbitragem ou a ataques aos outros clubes. Note-se que não reparei se tinham ou não razão de ser, mas apenas se existiam e o peso que tinham no respectivo post. Isto notava-se mais nos blogues do Sporting que do Benfica ou do FC Porto. Uma vez que a avaliação rápida que fiz foi apenas aos últimos 4-5 meses, isto não é de estranhar. Os adeptos de clubes em melhor posição têm mais tendência para se mostrar como "moralmente superiores" e ignorarem potenciais ataques. Os sportinguistas, com o clube neste momento numa posição pior que há um ano, terão mais tendência para o ataque e a queixa. Se a situação se invertesse seria normal vermos tendências opostas (como vimos no passado).

 

O resultado é um ambiente tóxico. Não é possível avaliar um jogo ou um campeonato pelos méritos dos clubes. Têm que se procurar razões externas para a má prestação do próprio clube e para a melhor prestação dos outros. Quando o próprio clube tem bons desempenhos, isso é esfregado no nariz dos adversários, para fazer realçar a superioridade. Até episódios como vendas de jogadores são levados à discussão, como se fosse possível decidir de imediato se a transferência de João Mário teria sido melhor ou pior negócio que a de Renato Sanches.

 

E o pior é que estas discussões são feitas na mais pura das ignorâncias. Leio os comentários a decisões dos árbitros por pessoas que provavelmente nem sabem que existe um documento chamado "As Leis do Jogo" ou que não entendem que nem sequer são absolutas, que a sua interpretação muda de ano para ano e até de acordo com as orientações dos organismos organizadores das provas (por exemplo, na Liga Inglesa os árbitros têm indicação para ser mais permissivos com cargas sobre o guarda-redes na pequena área). Outra ignorância é sobre a forma como funcionam transferências, com os comentários a demonstrarem que não há entendimento entre valor da transferência e custo da mesma.

 

Estes são exemplos. Poucos. Não os refiro porque seria atacado indevidamente. Fica apenas o meu comentário. Do meu lado, não reclamo isenção ou imparcialidade, mas tento ser honesto e concentrar-me no essencial. Talvez por isso (e pela falta de talento) nunca irei participar num debate futebolístico nos media portugueses.

 

Também aqui.

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19 comentários

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De Pedro Correia a 18.04.2017 às 13:37

Excelente reflexão, João.

Há dois aspectos a ter em conta: um é o factor de identidade tribal potenciado pelos clubes desportivos. Em regra este é um factor positivo: o ser humano necessita de mecanismos de afinidade grupal e quando faltam outros, mais tradicionais, o desporto - ou, no caso português, apenas o futebol - potencia-o como forma de preencher um certo vazio deixado pelos restantes (família, igrejas, sindicatos, partidos, academias, etc.)

Outro - muito diferente e claramente negativo - é o da diabolização do antagonista. Este é um fenómeno com ramificações muito diferentes, e algumas bem recentes, acentuadas pela linguagem dicotómica das redes sociais, que tendem a ver tudo a preto e branco, numa réplica do imaginário infantil (cowboys & índios; polícias & ladrões, etc) transfigurado para a idade adulta.
O eco que os meios de informação tradicionais fazem do que se publica na Rede, amplificando tudo de forma acrítica e seguidista, produz cada vez mais estragos.
A crise financeira dos 'media' conduziu nos últimos anos a drásticas alterações de âmbito editorial. A deontologia jornalística manda auscultar todas as partes com interesses atendíveis numa determinada história, obrigando também o jornalista a não eleger uma "verdade" sem pelo menos registar a soma das "verdades" em disputa. Acontece que a urgência de conseguir leitores e audiências tem levado muitos jornais e televisões a "queimar etapas" e a elevar o tom do registo noticioso. Os adversários tornaram-se inimigos, os desafios passaram a ser batalhas, os confrontos derivaram em inevitáveis guerras.
Somar a febre do futebol à necessidade imperiosa de estancar quebras de tiragens dos jornais e fugas dos telespectadores para canais temáticos alternativos dá nisto: visões extremadas onde a emoção substitui o raciocínio, toda a moderação é considerada imprestável e o "vencedor" proclamado dos debates é invariavelmente o que berra mais que os outros.
Eis-nos mergulhados num caldo de cultura que nada augura de bom.
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De Jorg a 19.04.2017 às 09:06

Nos mídia, agregado á "diabolização" tem o acomunamento com alguns "stakeholders" da bola onde os jornalistas deixam de o ser para se reduzirem a caixas de ressonância de "cartilhas" com "lembrete", 'noticias" de 'boulevardzeitung' ou operadores de "product placement". Nem em Itália, que conheço bem, as conferências dos treinadores "bola" são transmitidas na íntegra e em directo, repetidas cada hora, nem os programas com 'comentadeiros' ou 'paineleiros' nos canais generalistas são tão conspicuous ( convém porém notar que existe muito de acção de caridade social nesta profusão de paineleiros - muitos deles, beneficiando aliás do enquadramento tributário de "direitos de autor", têm ali fonte de rendimento que os salva de trabalhos na estiva ou, para alguns diplomados, de serem, sei lá, "ambulance chasers"...
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De João André a 19.04.2017 às 13:21

A mim aborrece-me que alguns desses comentadores sejam assim quando aparentemente não necessitariam de o ser, por terem suficientes meios para não precisarem do rendimento do comentário para poderem viver.

Noutros países há também tons estridentes, mas Portugal tem uma cobertura doentia do futebol.
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De João André a 19.04.2017 às 13:01

Abordas um aspecto da discussão em que tentei evitar cair: o actual momento que se vive na comunicação social e o resultado que isso tem na sociedade (e vice-versa, num movimento de constante retroalimentação que se torna um ciclo visioso). Não quis abordar este aspecto porque é muito mais lato que a simples radicalização do tribalismo futebolístico. É uma reflexão necessária que já li muitas vezes a muitas pessoas mas que eu quis evitar.

Neste caso dizes algo de fundamental nesta discussão mais "futeboleira": o tribalismo é importante. Ajuda à identidade de grupo e a que se possa saborear ainda mais o espectáculo. O problema é quando a discussão passa a incidir sobre aspectos não directamente futebolísticos e/ou quando o faz de forma agressiva.

Há media piores ou melhores. Como referi, nos blogues há variação mas os números que referi são mais ou menos típicos. O És a Nossa Fé foi um dos que "computei" e deu valores também semelhantes, embora dependendo muito de quem escreve o post, como não poderia deixar de ser num blogue com tantos autores (há um autor que eu recuso ler e que parece incapaz de um post que não seja negativo. Provocava-me frequentemente asco quando ainda o tentava ler, até quando escrevia acerca de outros sportinguistas de quem discordava, mas é um caso específico).
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De JPT a 18.04.2017 às 15:52

Há 20 anos "as conversas eram fortemente tingidas pelas cores clubísticas e envolviam habitualmente um certo nível de oposição aos outros clubes. Isto era normal e saudável, sendo que raramente as discussões atingiam níveis violentos, mesmo que apenas oralmente." Concordo. É que, há 20/30 anos, quando o assunto era futebol, para encontrar alguém disposto a defender o indefensável e negar o que era evidente (e, depois, se tornou audível) era preciso encontrar um adepto do FC Porto, o que para quem vivia a sul de Aveiro era difícil (eu, por exemplo, durante 30 anos não falei de futebol com um único portista). Agora, no entanto, tornou-se bastante mais fácil.
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De João André a 19.04.2017 às 13:13

Há hoje uma evidente falta de vontade de olhar para aquilo que não se gosta. E concordo que os portistas pareciam viver numa realidade paralela (nem era preciso ser em relação ao FC Porto, tive portistas que quase me mataram quando referi que o famoso golo de Figo à Inglaterra no Euro2000 tinha sido com desvio na perna de Tony Adams). Ainda assim tinham a desculpa de essa realidade paralela ser uma onde conseguiam vencer tudo na realidade "real".

Hoje o problema é mais generalizado e não há real desculpa. O problema anda por todo o lado e os adeptos são cada vez mais facciosos. Discussões normais são quase impossíveis.
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De JPT a 19.04.2017 às 13:29

Eu tive a felicidade de estar no estádio em Eindhoven em que esse golo foi marcado (com Amigos Benfiquistas com que hoje tenho algumas dificuldades de comunicação), e nem foi o pior caso de realidade paralela, pois quando cheguei a casa, no fim dessa jornada épica, era o único (enfim, eu e todos os que estávamos na cabeceira do Rei Balduíno) que tinha visto a mão do Abel Xavier. Não sei o que se disse nas TVs em Portugal, mas quase andei à pancada com os meus pais quando disse que sim, a mão tinha sido tão clara que a bancada toda tinha soltado um suspiro de alívio quando percebeu que o árbitro não a tinha visto (apenas para olhar para o bandeirinha, e baixar a cabeça). PS: acabei, agora de mesmo, ao almoço, de ver dois resumos seguidos do Real v. Bayern (um só dedicado ao “hat-trick perfeito” – cito – do nosso CR7) sem, por uma vez, usar as palavras “fora-de-jogo”, “árbitro” ou “arbitragem”. Se este nível de negação da evidência é possível com uma equipa espanhola, o que se pode esperar quanto o que está em jogo é a verdadeira paixão, ou o verdadeiro interesse do "jornalista" ou do "comentador"?
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De João André a 19.04.2017 às 14:04

Tive experiência semelhante em relação a essa mão de Abel Xavier. Não tanto por ter existido (era quase impossível não a ver na televisão) mas em relação a ser considerada infracção ou não. Hoje parece mais claro, pelo menos à luz das indicações actuais aos árbitros, que preferem marcar penalty em caso de dúvida. Na altura pareceu-me normal que o árbitro desse o penalty e cxonsiderasse que tinha existido intenção. Nem sequer culpei Xavier, que reagiu sem pensar a uma situação difícil. E compreendi que talvez ao contrário o penalty não fosse marcado, as camisolas pesavam. Mas negar a realidade parecia-me simplesmente estúpido.

Vi o mesmo em relação a esse hat-trick de Ronaldo. Claro que ele merece elogio. Não pode estar à espera de saber se está em jogo ou não antes de rematar, apenas faz o seu trabalho. Mas ignorar no mínimo o segundo golo em fora de jogo parece de facto pura cegueira.

Além disso é um exemplo de procurar mérito através de terceiros: nenhum clube português venceu, mas vamos considerar isto um êxito porque foi um português que marcou os golos. Mais: os sportinguistas andam extasiados porque Ronaldo veio da sua academia. Deve haver orgulho, claro, mas esquecer que Ronaldo leva 14 anos longe de Portugal (e de Alcochete) é extremamente selectivo.
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De Luís Lavoura a 19.04.2017 às 10:39

O João André que entende de futebol, explique-me lá uma coisa por favor: o Cristiano Ronaldo ontem no terceiro golo que marcou ao Bayern (aquele a passe do Marcelo) não estava em fora-de-jogo por quê? É que a mim me parece que estava, e o passe do Marcelo foi para a frente.
Desde já obrigado.
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De João André a 19.04.2017 às 13:19

Primeiro aspecto (e peço desculpa se disser algo que já sabe):
há um erro quando se fala em "passe para a frente". O passe para a frente, mesmo quando não há mais defesas, não dá automaticamente fora de jogo. O importante é que o jogador que recebe a bola esteja atrás da linha da bola. O passe pode ser para a frente, para trás ou para o lado. Isso é indiferente.

No caso do terceiro golo de Ronaldo, a dificuldade é ver se estaria em linha com a bola ou à frente dela (atrás não me pareceu estar). Se estava em linha, então não era fora de jogo. A dificuldade era em ver e aqui pode-se desculpar o assistente uma vez que a jogada era muito rápida e as indicações são para, em caso de dúvida, beneficiar o atacante.

Já o segundo golo foi em claro fora de jogo...
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De V. a 19.04.2017 às 11:41

Ou seja: a culpa é dos jornalistas. De acordo.
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De João André a 19.04.2017 às 13:15

Mais ou menos. Como a culpa é da Maseratti quando alguém se mata num carro deles a 250 km/h.

A verdade é que se os jornalistas também têm culpa, no final somos nós quem "usa" essa má informação, especialmente quando a "boa" está igualmente disponível.
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De V. a 19.04.2017 às 18:20

Naah, nada de desculpas. Quem é que obriga os treinadores, por exemplo, a dizer as mesmas banalidades antes e depois do jogo em conferências de imprensa que não têm absolutamente interesse nenhum? Tudo com um propósito: falar do Benfica mesmo quando não é sobre o Benfica.
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De João André a 19.04.2017 às 21:56

E escreveu sobre o Benfica quando ainda não tinha sido referido. Está a apontar o dedo a si próprio?
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De V. a 20.04.2017 às 01:57

Não, mas é o monstro em cima da mesa.

(para o caro Lavoura: tradução "the elephant in the room")
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De JPT a 19.04.2017 às 13:55

"Jornalista desportivo" é, de há muitos anos para cá, um oxímoro.
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De V. a 19.04.2017 às 18:33

Isso é bem verdade. E a idea que eu tenho é que "esses tipos", chamemos-lhes assim, tomaram de assalto as chefias das redacções — a única coisa que explica gastar todo o prime-time das televisões com a m* da bola. Suspeito até que devem ser retornados, a outra única maneira de chegar a chefe nesta terra. Observem bem e verão como tudo se encaixa na perfeição.
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De Plinio a 19.04.2017 às 14:09

O texto de João André aborda várias questões pertinentes.
Todavia como em todas as paixões, o irracionalismo leva a excessos.
Eu sportinguista me confesso.
Chateio-me amiúde quando vejo publicações de amigos meus numa rede social a gozar com o meu clube. Não gosto, mas evito fazer o mesmo e posso até chatear-me com eles, embora passe.
Quando gostamos de um clube ou de uma pessoa, não gostamos que outros falem mal dele ou dela, embora até possam ter razão. A paixão e o amor tem as tais "razões que a razão desconhece".

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De João André a 19.04.2017 às 22:01

As alfinetadas entre amigos "lagartos", "lampiões" e "tripeiros" são normais e saudáveis. Podemos chatear-nos mas ignoramos e perdoamos. Basta ler o primeiro comentário, do Pedro Correia.

O meu post não vai muito por aí. Vai mais pela forma como certos adeptos (de todos os clubes) se definem mais pela forma como optam pelo ataque.

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