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O cerco aperta-se.

por Luís Menezes Leitão, em 31.03.16

Escrevi aqui que Passos Coelho estava a deixar o PSD ficar absolutamente cercado, quer pelos partidos da maioria governamental, quer pelo CDS, quer até pelo próprio Presidente da República. Na verdade, Marcelo não perde uma oportunidade para desancar Passos e apoiar Costa. Aliás, Marcelo e Costa até parecem o Senhor Feliz e o Senhor Contente da rábula criada por Nicolau Breyner. Hoje estou convencido de que o (para mim na altura) incompreensível apoio de António Costa a Sampaio da Nóvoa não visava outra coisa que não permitir a eleição de Marcelo, como veio a ocorrer. E Marcelo tem-se mostrado extremamente agradecido, nunca vacilando no apoio ao actual governo. 

 

Passos Coelho, pelo contrário, parece o Senhor Triste, todos os dias suspirando de saudade pelos tempos em que chefiava o governo e só falando desses tempos. Ainda ontem, no debate quinzenal, foi patético vê-lo pedir a António Costa que avaliasse as reformas que o governo anterior fez, parecendo completamente focado no passado e ignorando os combates do presente, que são duríssimos e onde não se pode fraquejar.

 

Só que até ontem faltava mais um elemento na equação: o surgimento da oposição interna. Essa oposição surgiu agora, com uma entrevista de Rui Rio, logo seguida de outra entrevista de Paulo Rangel. Ambos alinham pelo mesmo diapasão, dizendo em primeiro lugar o óbvio: que a oposição que Passos Coelho está a fazer ao governo está a ser muito frouxa e que o PSD precisa de uma renovação profunda, como aliás o CDS fez agora. O que é curioso, no entanto, é que não assumam desde já o objectivo (para todos evidente) de conquistar a liderança, dizendo Rui Rio que nem sequer se vai dar ao trabalho de ir ao congresso e Paulo Rangel que se sente muito bem no Parlamento Europeu.

 

Estamos assim perante o calculismo típico dos políticos portugueses em que António Costa fez escola. O objectivo daqueles dois é fritar Passos Coelho em lume brando durante dois anos ou mais, para depois lhe dar o golpe mortal nas vésperas das eleições. A Passos Coelho estaria assim reservado o papel de ser o António José Seguro do PSD, que irá de vitória em vitória partidária esmagadora — mesmo com 95% — até à derrota final, no momento em que o D. Sebastião há muito aguardado surgirá numa manhã de nevoeiro, para depois disputar as eleições sem o peso dos anos na oposição.

 

Confesso que me irritam profundamente estes esquemas de calculismo político. Era mais que altura de os partidos acabarem com isto. Mas é manifesto que é isso que vai suceder.

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13 comentários

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De cb a 31.03.2016 às 12:49

Mas que são calculismos belissimos são...porque Passos arrisca-se a tornar o PSD pior do que na altura em que Cavaco saiu do governo e entrou Nogueira...foram tempos de quase irrelevancia politica do PPD/PSD. Nesta fase é engraçado ver uns boys imberbes a seguir um lider em direção á irrelevancia porque a Historia fará dele um carrasco de um povo que sem qualquer clarividencia se tornou um dos piores líedres da sua geração num partido em que o carisma foi esquecido em nome de amiguismos e favores politicos e sociais que conduziram á elevações dos Relvas da vida.
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De Manuel Figueiredo a 31.03.2016 às 13:02

As notícias do enterro não serão manifestamente exageradas? É que agora o tempo é de espera, de travessia do deserto - não há nada sério que se possa contrapor com sucesso à "generosidade" do governo e respectivo apoio parlamentar. Quando chegar a conta, lá teremos que recorrer ao defunto. Entretanto, os "calculistas" não estarão a laborar no erro de esquecer a resistência do homem?
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De Anónimo a 31.03.2016 às 13:55

Passos Coelho não precisa de ser queimado, queimou-se a si próprio. Sempre mostrou que era, é, um péssimo negociante político que nada sabe de política e que se rodeou de oportunistas como ele. A política tem de ser feita por políticos e não por aprendizes da mesma que por muito que a tentem aplicar, não o conseguem fazer porque não sabem o que é ser político. Paulo Rangel não tem qualquer carisma politico, não consegue cativar nada nem ninguém, não se entendendo o porquê de se pôr em relevo neste comentário tal político.
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De Luís Menezes Leitão a 31.03.2016 às 15:11

Deu hoje uma entrevista criticando Passos Coelho e louvando Rui Rio. Além de que foi o anterior adversário de Passos Coelho na candidatura à liderança. Acho que são motivos suficientes.
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De Anónimo a 31.03.2016 às 14:47

O calculismo político é fruto da má imagem que o Parlamento tem em Portugal. Qualquer político ambicioso prefere promover-se a fazer comentários numa TV, do que passar uma legislatura na Assembleia da República como líder da oposição. Passos está a diminuir o seu estatuto dia-a-dia, enquanto os outros o "fritam" em lume brando a partir da TVI, da RTP ou da SIC. É o que todos fazem, e Passos não é "virgem".

Quanto às reformas que Passos diz que fez, grande parte do país vê o seu liberalismo como um "comunismo" de direita, que teve como resultado a substituição de uma oligarquia "nacional" por outra estrangeira, sem que o povo daí colha qualquer benefício. Tal como aquando do PREC, que atacou o capitalismo português e beneficiou o capitalismo estrangeiro como resultado, o "liberalismo" do PSD não se imiscuiu na economia, deixando cair os Espírito Santo, entre outros. Mas em contrapartida, entraram chineses para os "monopólios", e agora os espanhóis ameaçam tomar conta dos bancos, sempre com os portugueses a bancar. Digam em que é que os portugueses vivem melhor com tantas "reformas".
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De ali kath a 31.03.2016 às 14:59

diria
'o circo aperta-se'
rangel já aperta melhor as calças
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De Tiro ao Alvo a 31.03.2016 às 15:03

Nem todos podem estar comprometidos, mas que esta campanha contra o Passos Coelho cheira mal, cheira.
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De carlos faria a 31.03.2016 às 15:55

irritam-me posicionam-se para a luta fora do espaço do partido para marcarem terreno, mas no lugar certo são uns cobardolas que me enojam e me dão cada vez menos esperança no futuro do PSD.
https://cefariazores.wordpress.com/2016/03/26/a-cobarde-oposicao-interna-a-passos-ja-se-manifesta/
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De Luís Menezes Leitão a 31.03.2016 às 16:12

Inteiramente de acordo. O mínimo que se poderia exigir era que tivessem apresentado uma candidatura alternativa. Seria aliás uma demonstração da vitalidade do partida.
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De cb a 31.03.2016 às 16:25

Só tem um problema...o centrão está podre quer na Europa quer noutras partes do mundo, e os partidos do centrão tendem a tão depressa não colocarem as unhas no poder sem os chamados partidos perifericos. Notem que a crise económica foi prepertada pelos partidos do centrão. Não foram os partidos periféricos que foram participantes directos na sua eclosão.
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De JgMenos a 31.03.2016 às 16:34

Nada de novo!
Chama-se 'próprio da política' a sacanagem pusilânime.
Diz-se próprio da democracia um jogo continuado de falsidades,
Entende-se que ser oposição é ser obstáculo à situação, seja ela qual for.

A ética republicana regressa ao pântano da 1ªRépública!
Só nos faltava um segundo Costa para a merda ser total!
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 31.03.2016 às 21:59

Pedro Passos Coelho é um politico com as suas limitações. Falta-lhe um "golpe de asa" para acantonar os adversários quando eles se comportam como costuma fazer o actual 1º ministro. Dizer que o PSD quer os exames da 4ª classe para "domesticar" os futuros eleitores, como disse ontem António Costa no Parlamento, merecia uma resposta que o encostasse às cordas. PPCoelho não o fez.
Mas não estou a ver no "panorama politico" português, mais ninguém que fizesse o que ele fez enquanto cá tivemos a troika. Deu o peito às balas, fez o que entendeu que era o melhor para o país sair do buraco em que os socialistas o meteram, sem se importar com as sondagens.
E isso está a causar muito mal-estar aos treinadores de bancada à esquerda e à direita que não têm "bolas" para fazer o que continua a ser preciso fazer, Rui Rio é um deles. De resto como foi hoje noticiado, António Costa na sua mediocridade, está a tentar alterar as regras do jogo enquanto vai fazendo as suas jogadas pró peão aplaudir.
Como andam (quase) todos embevecidos com os anúncios diários do 1º ministro, nem notaram que até agora este governo tem trabalhado com o OGE de Passos Coelho. É a partir de hoje que vai começar o verdadeiro show. Déjà vu!
O espectáculo degradante que anda nos media, não há pateta tipo Marques Lopes que não dê a táctica que o PSD deve seguir, envergonharia pelo menos aqueles que ainda pensam que têm vergonha.
O PSD e Pedro Passos Coelho merecem mais respeito!
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De Vento a 31.03.2016 às 23:20

Não pretendendo ofendê-lo, eu não disse por acaso que o PSD era um partido de esqueletos. E referi também que Passos já deu o mote ao referir que "O PSD não pode pensar que eu sou um sempre-em-pé", cito.

Depreendo de tal afirmação que Passos também está consciente que o partido são esqueletos, e aguarda alguém com corpo para avançar com a liderança do partido. Será que tal pessoa já nasceu?

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