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O cerco

por Pedro Correia, em 13.12.16

passos_coelho_12_16[1].jpg

 

Paulo Macedo, ministro da Saúde do XIX Governo Constitucional, aceita o convite de António Costa para liderar a Caixa Geral de Depósitos.

Jorge Moreira da Silva, primeiro vice-presidente do PSD e alegado delfim de Passos Coelho, trocou Lisboa por Paris, assumindo um posto de director-geral nesta organização internacional.

Marco António Costa, talvez a figura mais influente do partido laranja no norte do País, deixou de ser porta-voz dos sociais-democratas.

Carlos Moedas, ex-braço direito de Passos Coelho para os assuntos económicos, é hoje comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação.

Luís Menezes, que chegou a ser um dos elementos mais próximos do líder e figura em grande destaque no grupo parlamentar, abandonou a Assembleia da República.

Miguel Frasquilho, outro ex-dirigente da bancada parlamentar laranja, elogia António Costa em entrevista: "Esta solução de Governo já não afasta os investidores."

Pedro Lomba, ex-secretário de Estado, acaba de renunciar à coordenação do Gabinete de Estudos do PSD, para que tinha sido indicado por Passos há oito meses.

 

São sinais dispersos. Mas que, todos somados, permitem tornar ainda mais evidente a solidão política actual de Pedro Passos Coelho.

Entrincheirado no seu bunker da Lapa, única sede partidária sem acesso directo à rua, o presidente do PSD vive hoje numa situação de cerco. Condicionado, por um lado, pelos insistentes apelos à aparição do  novo messias laranja e, por outro, pelas sondagens cada vez mais favoráveis a António Costa, Passos só poderá romper este cerco se mudar muito do que fez até aqui.

Precisa de renovar o núcleo de porta-vozes do seu partido, trocar o financês pelo social no seu discurso e mostrar-se não nos corredores palacianos mas no País real. Sobretudo junto de segmentos da população que nunca votaram nele: nada é tão supérfluo na política como pregar aos convertidos.

 

Entretanto, não deve cair nas armadilhas mais óbvias.

Primeira: continuar a fazer da Caixa um alvo preferencial - a partir de agora, em vez de disparar contra o Governo, dispara fatalmente contra Macedo, seu ex-ministro.

Segunda: hostilizar o CDS a propósito das autárquicas, terreno que Assunção Cristas elegeu para consolidar a sua ainda incipiente liderança. PSD e CDS estão condenados por muitos e bons anos a ser parceiros eleitorais: todas as parcerias exigem cedências mútuas. Em 1593, o Rei francês Henrique IV reconverteu-se ao catolicismo, abjurando do protestantismo: "Paris vale bem uma missa", declarou na altura. Salvaguardadas as distâncias e as proporções, Lisboa bem pode valer um acordo eleitoral.

Terceira, e talvez a mais relevante: manter uma relação crispada com o Presidente da República. Marcelo é oriundo do PSD, foi eleito pela esmagadora maioria dos militantes do partido e mantém elevadíssimas quotas de popularidade. Qualquer  conflito com Belém constitui um inútil desperdício de energias e está antecipadamente condenado ao fracasso - desde logo por ser incompreensível aos olhos do cidadão comum.

 

António Costa, intuitivo como poucos, percebeu isso desde o primeiro instante. Parecer-me-ia incompreensível que Passos Coelho não se apercebesse disto também.

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100 comentários

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De Manuel Silva a 13.12.2016 às 12:43

Caro Pedro:
Está a pedir o impossível.
O Sérgio Godinho tem uma canção no 1.º disco, «Pré-histórias», de 1972, com o título «Pode alguém ser quem não é?»
Boa pergunta a fazer sobre Passos Coelho, ele é assim, goste-se ou não, portanto, jamais será quem não é.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 15:38

Gosto muito das canções do Sérgio Godinho - e desse primeiro disco, em particular, meu caro. Mas de um político, atendendo até à sua natureza e vocação, espera-se que consiga "ser quem não é". Consoante os desafios, consoante os obstáculos, consoante as dificuldades que tem de enfrentar.
Agir do mesmo modo, durante o tempo todo, é ignorar aquilo que Ortega y Gasset nos ensinou: o homem é sempre fruto das circunstâncias.
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De Manuel Silva a 13.12.2016 às 20:24

Caro Pedro:
Cometi um lapso, «Pré-histórias» é o 2.º disco, o 1.º é de 1971, «Os sobreviventes».
E não me diga que não gosta desta maravilha: de melodia, de afecto, de homenagem à cidade branca.
https://youtu.be/xpFASRclZpc
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 21:53

Gosto, sim. Muito.
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De Costa a 13.12.2016 às 12:45

No fundo, eles todos tratam de cuidar das suas vidinhas. Faz parte da alternância em que eles tão amorosamente partilham os cargos próprios de quando se é poder ou, grande maçada, oposição. Nada de novo.

Vivamos nós este nosso natalzinho - estranho é que não se tenha tornado ainda obrigatória a designação de "festa da família", ou coisa laica parecida; mas talvez para o ano a "coordenadora" se lembre de o determinar - de mar de rosas para o funcionalismo público, em si mesmo uma robusta legião (várias vezes multiplicada pelos dependentes de cada funcionário) e devotadíssima guarda pessoal do líder Costa. Ou de quem lhe der o que lhe pareça devido em cada momento.

Uma quadra vivida num país subitamente liberto da criminalidade, da insegurança, onde corre tudo bem, não há uma greve, o retrocesso civilizacional evaporou-se, nenhum salário merece uma observação. Tudo é harmonioso, justo, devido e explicável.

Nós, os "privados", vamos pagando a festa.

Nada de novo.

Costa
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 15:45

Greves, não há: todos os "conflitos laborais" se eclipsaram, numa demonstração cristalina de que o movimento sindical é instrumentalizado em grande parte pelo Partido Comunista.

Quanto à criminalidade violenta, temos de facto motivos para nos congratularmos, sem sombra de ironia: Lisboa tem vindo a ser apontada por organismos credíveis como capital mais segura da Europa, o que aliás vem contribuindo para atrair números sempre crescentes de turistas ano após ano:
http://www.cm-lisboa.pt/investir/investimento/porque-lisboa/uma-das-cidades-mais-seguras-da-europa

Em relação à dicotomia público/privado, não tenho a menor dúvida: somos nós, os "privados", que pagamos a fatia mais grossa da factura. Há dois países dentro do País - o que depende do Estado-patrão e o outro.
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De Simong2 a 13.12.2016 às 19:07

Talvez as greves estejam em greve, porque as pessoas se sentem melhor no seu dia-a-dia, nos seus empregos, etc. Não digo que o PC não tenha relevância numa central sindical, que tem, mas o mais certo é que a "falta" de greves se deva ao que eu disse. Porque há outra sindical que podia fazer barulho, se achasse que o devia fazer e nessa o PC deve ter pouca influência, ou nenhuma.

Pessoalmente acho mal, acho feio, que se diga "nós, os privados é que pagamos". Não façamos divisões entre pessoas, digo eu, que não sou funcionário público.
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De O Santo a 13.12.2016 às 19:58

Mais um que ficou sem a mama do estado. Deve ser mais um dono de umas quantas escolas ou então de uma farmacêutica ou de um banco. Trabalha malandro, falas de mais! Infelizmente muitos dos privados estão há espera dos subsídios (eg. o Passos foi um deles, empresas que nada produzem, só para encher os bolsos) e depois dizem que a culpa é dos outros. Basta olhar para a Europa para ver quem produz, e diga-se de passagem muitos países têm piores sistemas públicos, mais direitos para os trabalhadores e não por isso que eles não vão para a frente. Só aqui é que fogem quando podem.
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De s o s a 14.12.2016 às 00:13

nao sei se é do Sergio, nem sei dizer, nem importa, mas é mais ou menos : caldos de galinha e num sei que cada qual toma o que quer.
O Pedro toma o partido que mais lhe convem, naturalmente, legitimamente. Mas nao seriamente. Estou muito e primeiramente preocupado com a divida privada passada, presente e futura que o estado assume, como é o caso bancario. Ou seja, muitos milhares de portugueses, alguns ate riquissimos, mas no geral vitimas de infortunio viveram e vivem acima das possibilidades, nao pagam as suas dividas...vai o estado pagar. Já para nao falar, no caso dos que falam como o Pedro que nao pagam os impostos e ainda arranjam esquemas para sacar IVA, por exemplo.
Pronto, acho que fui claro.
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De Pedro Correia a 14.12.2016 às 10:14

Foi tão claro e límpido como água turva.
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De Anónimo a 13.12.2016 às 17:00

Que festa? Pagam o quê?
Até agora, os únicos a quem foram ao bolso foram os F.P., sendo por isso de toda a justiça a devida reposição. Perderam salários e subsídios. Perderam dias de férias, viram os valores da ADSE serem desbaratados e os consequentes cortes nas comparticipações.
As carreiras estão congeladas há mais de 10 anos.
Quem é que anda, afinal, a pagar o quê?
Deixem-se de guerrinhas e vamos assumir de vez que somos todos portugueses, cada um com a sua realidade e, como tal, todos merecemos e exigimos ser respeitados nos nossos direitos e ter uma vida digna, sem esmolas.
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De Costa a 13.12.2016 às 19:08

A realidade é tendencialmente uma chatice, mas teimosamente é a realidade, muito que incomode as distopias que se acham donas da verdade. Sei do que falo (escrevo). Como empregado que fui, longos anos (fui e sou "trabalhador", mas levo demasiado a sério essa condição para suportar a conotação política que violentou para sempre essa palavra), do sector empresarial do estado, sei o que é ser "funcionário" para os cortes mas não para as garantias. Sei muito bem.

E como familiar de "privados" - eu próprio, tudo somado, muitos anos, e agora de novo, nessa condição - sei o que é pagar isto tudo. Não me move qualquer ódio ideológico à função pública (já quanto a si, pelo que leio, e em sentido oposto, estamos conversados...) mas a mais elementar inteligência, e isto dirige-se a si, impõe que não se eleve à condição de mártir aqueles que definitivamente não o são nem o foram. Pagaram também a crise (o crime), pagam-na, mas em bem atenuado grau.

O resto é conversa para sacar votos. E felicito-o: perante um povo inculto, estupidificado, embrutecido e para quem a liberdade (a de pensar pela própria cabeça; não a de "safar" o seu e os outros que se danem, que é a "liberdade" dos portugueses) nada vale, você(s) ganhou(ganharam). Goze(m) bem o que nós pagamos.

Costa
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De Maria da Fonte a 14.12.2016 às 09:20

Vós "os privados"? Quem sois? o que fazem para se intitular "privado"? Área de actuação? Esse seu desabafo tem "cheirinho" a saudosismo...
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De Conde de Tomar a 13.12.2016 às 12:52

No inicio ainda pensei que PPC poderia trazer alguma seriedade para a politica. Durante a campanha eleitoral contra Sócrates percebi-o, a tempo. Não lhe dei o voto (também não o dei a Sócrates, por conhecê-lo).
É uma contradição estar à frente de um partido Social Democrata (só por gozo, é que Santana Lopes pode dizer que PPC é o líder mais parecido com Sá Carneiro. Só se for em teimosia, porque ideologicamente está nos antípodas)
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 15:33

Esse é uma questão que pode ser endereçada aos principais partidos, sem excepção.
Quando é que o PSD deixou de ser "social democrata"?
Quando é que o CDS deixou de ser "centrista"?
Quando é que o PS deixou de ser "socialista"?
Quando é que o PCP deixou de ser "comunista"?
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 16:13

Bom, Pedro, a árvore conhece-se pelos seus frutos. Teremos de ler os programas eleitorais para saber o que são
PS - Nunca foi Socialista
PSD = PS, ambos socias democratas.
CDS - não percebo essa do centro. Quanto muito é o partido do Coro.
PCP - deixaram de ser marxistas quando se apresentaram a eleições. Penso que continuam comunistas.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 16:24

O CDS reivindicou-se sempre como partido "do centro". C de centro, aliás. Mas esteve sempre à direita do centro, contrariando aliás a vontade de um restrito núcleo dos seus fundadores.

O PCP só seria comunista se fosse um partido revolucionário. Mas é um partido institucionalista, com base social no funcionalismo público a nível nacional e local. Nada tem de revolucionário.

O PSD nunca foi social-democrata. Foi - e é - um partido liberal, conservador, com matizes populistas nas suas adjacências regionais.

O PS meteu o socialismo na gaveta ainda na década de 70. Teve sempre uma matriz dominante - a da social-democracia clássica, com erupções sociais-cristãs sobretudo no consulado de António Guterres.
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 18:00

O PSD Nunca foi Social Democrata?? Estou em Choque
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 18:03

Quais erupções cristãs no PS? É por António Guterres ter ido à missa quando secretário geral? Assim pela lógica só os comunistas não teriam urticária....e com jeitinho, não sei
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 18:18

Os comunistas não têm urticária. Têm escarlatina.
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De Bordalo a 13.12.2016 às 18:15

Liberal e Conservador?! Liberal em termos económico? Pois é uma contradição ser-se conservador e liberal.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 18:16

Nada contraditório. Thatcher era liberal e conservadora, Reagan também.
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De Bordalo a 13.12.2016 às 18:41

Foi o que lhe disse. Thatcher foi liberal em termos económicos. O liberalismo de Thatcher foi o neoliberalismo, não o outro.
Em termos sociais, assim de repente, só me lembro da carga policial sobre uma greve de mineiros, em 198....
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 21:55

Não confunda liberalismo com neoliberalismo. Desde logo porque boa parte dos neoliberais mamaram em bebés da teta comunista.
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 22:06

Pedro, bem sei que isto vai para aí em 70 comentários, mas anda a escrever coisas que eu não disse. Eu disse: "Thatcher foi neoliberal, não liberal. Por essa razão não existe nenhuma contradição em ter sido conservadora" O Pedro é que escreveu que Thatcher foi liberal

Quanto à teta comunista, não vejo inconveniente nenhum, desde que ela seja como um "cornicho de satanás".
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De Pedro Correia a 14.12.2016 às 10:19

Thatcher foi uma conservadora clássica - liberal na economia, defensora de um Estado forte e zelador dos interesses permanentes do Reino Unido no plano externo (guerra das Malvinas, conflitos permanentes com a Comissão Europeia para garantir maiores quotas agrícolas e de pescas, soberanista britânica contra a burocracia de Bruxelas, etc).
Nada a ver com neoliberalismo. O adjectivo neoliberal (até pelo prefixo, que significa conversão recente) aplica-se de forma bem adequada a um dos sucessores dela no n.º 10 de Downing Street: Tony Blair.
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De Costa a 13.12.2016 às 23:03

Tem que se lhe diga isso do "neoliberalismo", tão facilmente, deturpadamente e injuriosamente invocado, por dá cá aquela palha, como origem e explicação de todos os males.

Seria talvez interessante que quem assim o tem na ponta da língua (não V., Pedro Correia, entenda) se detivesse uns minutos, por exemplo, na pág. 470 e seguintes - numa das anotações dessa página, desde logo - de um livrinho recentemente editado. Mas, bem o sei, Maria de Fátima Bonifácio e António Barreto são para a esquerda dotada da tal "superioridade moral" (e infalibilidade científica, evidentemente), seres abjectos.

Dogmas, enfim.

Costa
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De Porfirio Tinto a 14.12.2016 às 10:09

Costa, neoliberais reconhecem-se pela novilíngua, por exemplo, quando ao falarem de desemprego, lhe chamam oportunidade(sobretudo se os desempregados tiverem mais de 40 anos), quando se referem, aos que choram por se verem obrigados a abandonar pais, filhos e mulher, uns piegas.
Que defendem a privatização de monopólios naturais - electricidade, águas,etc ,que dão receita ao Estado- com o argumento que o Estado, a "coisa pública" gere mal o "bem público"(qualquer Estado, como defende o neoliberalismo) e depois os vende não a um privado, como defende a teoria, mas a outro Estado. Que os direitos que o Estado garantiu aos seus concidadãos são afinal privilégios - ex: reformas. Aliás para os neoliberais não existem direitos, apenas privilégios.
E de uma forma geral os neoliberais e quem fala assim nunca fizeram nada na vida que derivasse de esforço e mérito - "tipo empregos" Tecnoforma, pro bono, ou quase; ou empregos em empresas de "conhecidos".

Não respeito, sendo ele sociólogo, António Barreto desde que o ouvi na TV (SIC) dizer que nada relacionava a crise, em Portugal, com a subida dos suicídios. Conheço uns quantos...

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De Costa a 14.12.2016 às 13:07

Ultraliberais, portanto, como em nota imediatamente abaixo oportunamente se refere. Conviria, talvez, utilizar cuidadosamenre os conceitos. Sobretudo quando se pretende demolir moralmente, pelo menos, os visados. Até para não arrastar nisso quem nada tem que ser arrastado.

Bem sei, é certo, que para a esquerda o liberalismo é mau. E é tudo. Aliás a esquerda é temível perita na ultra-simplificação das coisas, tudo conformando cristalinamente aos seus dogmas, mesmo que torcendo e retorcendo descaradamente as coisas, e servindo às massas (que não convém que pensem - essa coisa subversiva - demasiado ou demasiadamente pela própria cabeça), uma cartilha de consulta e resposta garantidas e unívocas.

Mas, no fundo, veja que o que uns terão dificultado em acesso e valor, chamando-lhe, escreve você, privilégio (e cumprindo, deverá ser recordado, ditames de acordos negociados por um governo de esquerda), outros continuam a dificultar invocando agora a sustentabilidade da segurança social. São talvez variantes da novilíngua. O resultado final é o mesmo.

Talvez interessasse saber, isso sim, como se chegou onde se chegou. Quem, anos e anos, no exercício do poder, ou influenciando-o decisivamente, decidiu como decidiu, prometeu o que prometeu, fez o que fez, gastou como gastou. Como foi responsabilizado, como respondeu perante a sociedade. Claro que isso ficará para a História. Mais ou menos remota. Ou, para já, para umas publicações condenadas à obscuridade e para uns comentadores desconsiderados como loucos. Ou neoliberais, claro.

Quanto ao resto, onde se invoca a Tecnoforma, invoque-se, por elementar equidade, a Octapharma. Pelo menos. Não há santos no mundo da promiscuidade entre a política e os "negócios" (desses mesmo, com as aspas). Haverá sim mestres e aprendizes. E suspeito que divergimos, nós dois, quanto a quem integramos numa e noutra categorias.

Costa
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De Porfirio Tinto a 14.12.2016 às 17:47

Sim, invoquem-se outros casos. O que quero dizer é que a direita não me venha com as parlemices do tipo: "Foi a esquerda que pôs o país onde ele está agora; querem sovietizar o país; O PREC e camandro...Vivo numa cidade PSD e tenho visto "obras" que me enojam (as tais obras que muito adequadamente são adjudicadas sem concurso). Quer um exemplo? Um pavimento posto de novo e rebentado 2 meses a seguir para o porem de novo, etc....
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De Pedro Correia a 14.12.2016 às 10:27

Os liberais clássicos estiveram na vanguarda do reformismo político. Quando as reformas políticas foram alcançadas na generalidade, estenderam a defesa desses princípios à esfera económica. Mas nunca preconizaram a existência de um Estado fraco, antes pelo contrário: defenderam uma espécie de equivalência entre a sociedade e o Estado, com este a desempenhar sobretudo funções de regulação e correcção de injustiças sociais.
O que se entende hoje por neoliberalismo é no fundo um ultraliberalismo: o Estado mínimo, tolhido na sua função regulatória e indiferente às injustiças sociais, que seriam supostamente corrigidas pelo efeito mágico da "mão invisível".
Vários neoliberais - incluindo em Portugal - vieram da esquerda, alguns mesmo da extrema-esquerda. São "cristãos-novos" do liberalismo, com os excessos de zelo típicos dos recém-convertidos.
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De Bordalo a 13.12.2016 às 12:57

Frasquilho já estava meio afastado desde a bronca do GES/BES.
Carlos Moedas é um crânio que não precisa da politica para nada.
Luís Menezes afastou-se por razões "processuais", a bem de PPC
Marco António, pela mesma razão de Menezes.
Paulo Macedo e Moreira da Silva, o mesmo que Carlos Moedas.

Se dissesse que o cerco se apertava em virtude do afastamento de Miguel Relvas, ou Maria Luís, isso era outra coisa.
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De Bordalo a 13.12.2016 às 15:33

...e de Luís Montenegro, de Paulo Rangel (ponham lá este dr. e vão ver para onde vai parar o PSD)
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 16:01

Rangel sempre correu em pista própria. Nunca integrou o estado-maior de Passos Coelho.
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 16:15

Tal como o Nuno Melo mandaram-no para longe, para a Europa - ou seja compraram-lhe o silêncio.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 16:24

Nuno Melo também corre em pista própria. E quem corre por gosto não cansa.
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 18:04

Sim, sobretudo com o ordenado de eurodeputado
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 18:17

Igual ao do insigne doutor Marinho e Pinto.
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 18:42

Nem mais...
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 15:34

Maria Luís não se afastou. Pelo contrário, é uma das raras figuras do PSD que se tem mantido em sintonia total com PPC.
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 16:15

Foi o que eu disse
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 16:25

O Bordalo é você?
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 17:59

Sim, o Porfírio é também um Bordalo...tenho problemas de personalidade
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 18:15

E sabe fazer manguitos?
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De Bordalo a 13.12.2016 às 18:43

O Bordalo não é o Zé Povinho!
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De Bordalo a 13.12.2016 às 22:09

Sim, desde Freud que os pais são culpados pelos insucessos dos filhos. Um pouco como os treinadores.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 23:10

Há quem chame fraude a Freud.
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De JSPzessilvapereira@gmail.com a 13.12.2016 às 13:09

A manjedoura, meu caro, a manjedoura.
Até Oliveira Martins, "in illo tempore",se deixou empalmar pelo Zé Dias...
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 15:31

Oliveira Martins é um funesto exemplo do que sucede com frequência aos intelectuais quando enveredam pela vida política. Ninguém melhor do que eles para avaliar o abismo entre as intenções e as concretizações.
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De Luís Lavoura a 13.12.2016 às 14:36

Lisboa bem pode valer um acordo eleitoral

Mas o PSD não tem a mínima hipótese em Lisboa, pelo que não vale a pena.

Medina é, de longe, o melhor autarca em Lisboa de que há memória (para não dizer mesmo que é, de facto, o único bom autarca que Lisboa teve desde o 25 de abril). Tem muita e boa obra feita ou a acabar de fazer. É o único autarca que coloca os lisboetas à frente dos forasteiros que utilizam Lisboa. É conhecido do público.

O PSD não tem nada nem ninguém para apresentar em Lisboa. Não tem nem uma cara nem uma ideia. E portanto não tem hipóteses.

Se é para lutar por Lisboa, não vale a pena o PSD aliar-se ao CDS.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 15:48

1. A sua opinião está muito longe de ser consensual. Aliás seria irónico concluir-se que o único autarca pós-25 de Abril que não foi eleito pelos munícipes seria "o melhor" de todos - ao ponto de haver quem o considere imbatível.
2. Em democracia não há infalíveis nem imbatíveis. Em democracia há sempre alternativas.
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De Jorg a 13.12.2016 às 17:49

Se fosse assim dado a tacticas de chico-esperto fazia como o Capatraz da Geringonça, candidatava-se ele próprio a CML - sempre podia tentar depois alugar uma cobertura na Av. da Liberdade a uns empresários mais parcimoniosos, enquanto punha a requentar um outro pató na liderança do PSD até chegar a ocasião certa para o apear, assim á má fila, e depois se alcandorar a liderança do governo com o apoio de uns 'direitolas' populistas e corporativos, emprenhados pelos ventos de Trump no solo luso. Depois, chegado a chefe do Governo - deixava lá pelo municipio da capital um betinho vacuo (daqueles que, ao nos aproximarmos o suficiente com os nossos ouvidos das temporas do cromo, quando este sorri, nos consente ouvir as brisas do mar) com dinheiro para "obras" -, só tinha de expandir afectos, ir de vez em quando a Nova Iorque, 42nd Street, fazer umas vénias ao Tonecas e depois regressado a solo luso e lançar umas bazófias sobre "défices" maquilhados, dizer que a Geringonça andou a "destruir" o sistema financeiro, vender ao preço da uva mijona, sei lá, o então intervencionado BPI, a uma xafarica espanhola com sede em Badajoz, e aumentar o funcionarado para comprar votos que lhe enxaguam a falta de vergonha politica, e assim ir saltando de "sucesso" em "sucesso" e afirmar a sua habilidade genial como politico com "Visão" para as maltas. Teria de ignorer porém o aviso do sabido Hamburguês Helmut Schmidt que, de cada vez que lhe apareciam um cromo com "visões" o aconselhava a consultar um medico.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 17:53

Às vezes faz falta ouvir o conselho avisado dos mais velhos e mais experientes, que já viram tudo e não se iludem com quase nada. Essa frase do Helmut Schmidt é um bom exemplo.
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De lucklucky a 13.12.2016 às 14:54

Errado.
O problema de Passos é que não é muito diferente. São todos socialistas.

Porque é que alguém que não seja socialista vai votar em Passos?
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 15:49

Curiosidade minha: na sua lógica, "alguém que não seja socialista" vota em quem?
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 18:06

Pedro, para o Luck até o Papa Francisco é socialista.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 18:15

Isso foi no ano passado. Este ano já foi despromovido a comunista.
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De Porfirio Tinto a 13.12.2016 às 18:45

Acho que para o ano o Luck o vai despedir da Cúria (é o que se ouve). Mais um para o desemprego.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 21:58

Deus lhe valha.
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De lucklucky a 14.12.2016 às 15:37

Eu só disse que é o primeiro Papa não Católico.
Tal como Obama foi o primeiro Presidente Anti-Americano.

Tudo pessoas influenciadas pela cultura Marxista.

PS: não confundam mais uma vez Marxismo com Comunismo. Comunismo é só uma das soluções que os Marxistas tentaram.
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De lucklucky a 14.12.2016 às 15:33

Não vota. Ou vota no mal que considera menor.

Por vezes não há solução ou mal menor.
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De Conde de Tomar a 14.12.2016 às 17:56

Já sei, vota no partido dos fadistas!
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De Simong2 a 13.12.2016 às 15:20

Que Passos Coelho se aperceba de alguma coisa é que me parece incompreensível.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 15:53

Nada para mim mais incompreensível, num político com larga experiência, do que a incapacidade de avaliação dos danos reputacionais -- sobretudo quando se reflectem numa sucessão de sondagens.
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De alberto a 13.12.2016 às 15:25

PERSEVERAR...
É palavra pouco prestigiada. Paciência e humildade já não são virtudes.Mas não falta muito para 2017, o ano de todos os perigos como dizia o filme do Camboja.
Persevere Pedro ! A cãzoada, mesmo ao seu lado, está cada vez mais barulhenta porque o seu instinto é apurado e já percebeu que TUDO ESTÁ PRÓXIMO. E mais não digo pois não gosto de dar trunfos à Presstituta...
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 15:55

Gosto da palavra perseverar.
Detesto a última palavra que você escreve, aliás totalmente desconhecida para mim. Qualificativos desse género matam à nascença a hipótese de qualquer debate sério.
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De alberto a 13.12.2016 às 16:43

Como se pode detestar uma coisa que nos é totalmente desconhecida? É por estas e por outras que o mentiroso se apanha mais depressa do que o coxo; é assim que o "debate sério" deve começar?
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 17:20

Para si o "debate sério" começa com insultos?
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De alberto a 13.12.2016 às 17:43

Não confunda insultos com factos...
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De Anónimo a 13.12.2016 às 15:54

PPC está apenas a ser aquilo que sempre foi....titular de uma cegueira intelectual assinalável. Houve em tempos alguém que dizia que nunca se enganava e raramente tinha duvidas, estava rodeado de excelentes conselheiros, hoje quase todos a braços com a justiça ou a fugir dela airosamente. PPC tudo fez (e faz) para seguir esta linha de pensamento, igualmente rodeado de conselheiros com sérios problemas legais e morais, felizmente que o país não lhe deixou ir até ao fim, pelo que lhe resta ficar a falar sozinho, condenado ao abandono politico.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 16:04

A verdade é que o tal que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas foi o único político pós-25 de Abril vencedor de quatro eleições por maioria absoluta.
"O homem imperfeito", como lhe chamei aqui:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-homem-imperfeito-8293750
As coisas são o que são.
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De Anónimo a 13.12.2016 às 16:24

As 4 maiorias absolutas apenas demonstram o quanto eramos (e ainda somos) um povo facilmente manipulável. Este, tal como o que nunca se enganava, tiveram oportunidades de ouro de mudar realmente o país (para melhor), mas ambos falharam completamente, ao venderem a alma aos interesses instalados. Faltou muita capacidade, mas sobretudo carácter.
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De Pedro Correia a 13.12.2016 às 16:30

Há nove meses escrevi aqui estas palavras que agora reitero:
«Cavaco Silva foi o primeiro Presidente civil não oriundo das endogâmicas famílias políticas da classe média-alta lisboeta que em regra se vão revezando nos circuitos da decisão. Homem da província, com raízes humildes, funcionou como personificação viva das virtudes e defeitos da democracia, um sistema em que o elevador social funciona e supera as delimitações territoriais dos clãs dominantes.
Neste sentido prestou um bom serviço ao regime democrático - incipiente e frágil mas superior a qualquer outro. Por definição, o regime dos homens imperfeitos. Porque a perfeição, a que tantos aspiram, na política só existe em ditadura.»

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De Jorg a 14.12.2016 às 09:48

Com os seus defeitos, foi entre os politicos, o melhor "public servant" que o País terá tido. Tinha o estigma de não ser (nem nunca perseguir pretensão de fazer ) parte dos carrosseis do "Beau Monde" da Capital e mesmo das Academias. Noutros Países - por exemplo, na Alemanha, onde vivo "et pour cause" conheço um pouco - tal é valor, pilar da vida pública e da ponderação politica, senão constante, pelo menos preponderante.

PPC, de forma distinta, também se distanciou dessas auto-designadas natas, tantas delas, demasiadas, parasitárias - se calhar por circunstâncias que, moldando como mencionado por Ortega y Gasset, lhe foram alheias, como a chegada/tutela da Troika por causa da Bancarrota xuxó-Socretina. Nunca teve boa "prensa" - talvez apenas as vénias do Arquitecto.. -, a ubicação de "dimora" em Massamá era caçoada como novo "estilo marquise", a praia da Manta Rota inspirava condescendências que nos lembravam Boliqueime dos inicio dos anos 90. Mas, pior e porventura fatal, disse que não a um dos "patriarcas" desse "Beau Monde", Ricardo Salgado, e pôs a Banca a responsabilizar-se pelos próprios problemas - ainda vamos valorar o trabalho feito por José de Matos, terrível a tapar buracos e limpar tantas porcarias paridas naquela desavergonhada promiscuídade entre a politíca e a finança que foi a verdadeira "ideologia" do Socretinismo - e tantas maltas do "Beau Monde" a ter de procurar "financiamento" sem se poder valer de "contactos", "relações públicas" e pouco ou nenhum trabalho. Julgo que tal é a razão principal do ajuste de contas, (adicionando aindo o topete de ter ganho eleições e ainda assim se apresentar no Parlamento perante o farsolas Geringonço que assim é continuadamente confrontado com a sua golpada) que PPC é alvo das recorrentes avaliações de caducidadeque eventualmente determinem a sua "termination".
Se tal parada de "auto de fé" prosseguir, não como "cerco" como refere- são demasiado diferentes, inclusive em relação a relevância, os personagens que menciona para conjugarem tendência -, mas com muita da irresponsabilidade, deslumbramento pela fantochada geringonça, desonestidade intelectual e até deslealdade - e nisto, o actual PR, numa faida recorrente em que demasiadas vezes anda a convocar o líder do partido vencedor das eleições para dele bombo fazer - e eventualmente determinar o seu afastamento, dirá mais sobre o apoucamento e seriedade do debate publico - e depois não se queixem se aparecer um Trump ou uns palhaços syrizas, podemitas ou "Grillini" que serão inevitavelmente o simétrico contraponto da Geringonça - do que da flexibilidade vertebral (ou falta dela) do "common guy" Passos Coelho
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De Pedro Correia a 14.12.2016 às 12:38

Não tenho a menor dúvida de que há-de aparecer um Trump português. As condições estão maduras para o efeito, para usar a expressão do velho Marx.
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De Tiro ao Alvo a 14.12.2016 às 13:27

Não sei se, forçosamente e brevemente, aparecerá por aí um Trump português. O que sei é que eu não gostaria que me confundissem com um apoiante dessa saída.

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