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O bom trabalho na justiça.

por Luís Menezes Leitão, em 07.01.16

 

Não há nada que eu mais goste do que ver relatórios de pseudo-especialistas, normalmente feitos por encomenda, a dizer disparates sobre coisas de que não conhecem absolutamente nada. Este relatório louva pura e simplesmente o facto de a justiça portuguesa ter passado a ter o nível do terceiro mundo, com elevadíssimas custas judiciais, processos sem quaisquer regras, execuções encerradas sem se conseguir cobrar absolutamente nada, e tribunais a 100 km das populações. Convenientemente omite o colapso do citius, que deixou o país dois meses sem tribunais. Se é este o tipo de justiça de que o FMI gosta, bem podem limpar as mãos à parede. Não é seguramente a justiça de um país desenvolvido no quadro da União europeia. Nos bons velhos tempos, quem apresentasse um relatório destes, enfiava umas orelhas de burro e ia para o canto da sala de aula. Hoje, porém, o direito ao disparate é livre e a propaganda do mesmo também. Se todo o país está triste com o resultado das reformas da justiça, ao menos que o FMI fique satisfeito. Afinal foi seguramente em sua intenção que este desastre foi realizado.

 

Publicado também no Lei e Ordem.

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5 comentários

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De Nuno a 07.01.2016 às 10:03

Eu diria que me preocupa mais o acesso a equipas de neuro-cirurgia à sexta-feira à tarde do que aos tribunais, mas imagino que haja quem tenha preocupações diferentes.

Há quem, diariamente, se desloque mais de 100km para fazer tratamentos crónicos só disponíveis em certos hospitais. Mesmo assim, demonstrou-se ser mais economicamente razoável, e melhor para a saúde pública, transportar esses pacientes, que construir mais hospitais sub-utilizados.

Porque é que a justiça é diferente?
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De Ali Kath a 07.01.2016 às 10:07

magistraturas portuguesas:
«-estou aqui a ganhar o MEU!»
tal como a restante administração pública.

felizmente o povo semi-soberano que não a elege, desconhece que é um órgão de soberania
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De Luís Lavoura a 07.01.2016 às 11:13

Do artigo lincado:

"Os resultados alcançados deveram-se [...] aos seguintes incentivos aplicados pelo governo PSD/CDS:

. incentivando as empresas a recorrerem apenas em última instância aos tribunais;

. transferindo os custos dos contribuintes para os litigantes através do aumento das taxas de justiça"

Ou seja, o relatório do FMI reconhece explicitamente que a justiça melhorou porque se tornou mais difícil e caro aceder a ela.

Isso pode ser encarado de forma negativa, mas também é um facto que, antigamente, o sistema judicial tinha sido efetivamente transformado num sistema de cobrança de dívidas por parte das empresas de telecomunicações, a expensas dos contribuintes. As empresas de telecomunicações faziam contratos a torto e a direito, a altos preços e, quando os consumidores deixavam de conseguir pagar, punham-nos sistematicamente em tribunal. Os contribuintes é que arcavam com os custos da execução de contratos leoninos. Era evidente que o acesso à justiça teria que se tornar mais difícil e caro para algumas empresas que estavam a cevar essa justiça.
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De Vento a 07.01.2016 às 12:32

Um pobre marinheiro como eu, pelos sete mares andarilho, fica sempre a entender melhor de relatórios depois de ler especialistas. Vai muito bem esgalhado, Luís. Aqui está a prova de que não é necessário elaborar uma extensa tese para fazer derrocar a mentira.

Para o FMI há sempre coisas boas. Como por exemplo, ter colocado Passos Coelho na pedinchice para ajudar a rapaziada lesada no BES. Não há dúvida nenhuma que os especialistas do FMI e da UE, e até mesmo do BCE, conseguiram potenciar o que de melhor e com fartura existe na nação: pedintes.
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De cristof a 07.01.2016 às 15:07

Também os da "ciência" dizem o mesmo da relatório que arruinou a "excelência" propalada pelos "cientistas" portugueses.
Também os da educação dizem o mesmo das comparações dos índices com escolas da UE.
Fico na duvida e para isso leio de diversos ângulos, se em cada aspecto não haverá uma verdade à vontade de cada um.
Em tudo o que conheço, a qualidade está mais do lado da maioria, onde a competição, cooperação, influencia mutua , faz regra(nas escolas, nas fabricas...)

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