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O "acordo" é bom, mau é o povo

por Pedro Correia, em 22.08.17

letrinhas_acordo[1].jpg

 

«Não seria

mais simples para o governo

dissolver o povo

e eleger outro?»

Bertolt Brecht

 

Numa recente entrevista, António Mega Ferreira mostra-se muito surpreendido e agastado pelo facto de quase três décadas após o seu atribulado parto o chamado "acordo ortográfico" (AO90) ainda suscitar muita polémica na sociedade portuguesa, apesar de já ter sido considerado de aplicação obrigatória no ensino e na administração pública por governos de cores diferentes. Dando a impressão de que não é o acordo que está mal: são os próprios portugueses.

"Basta olhar para o escândalo que é a reacção ao acordo ortográfico. É inacreditável que, 27 anos depois de o acordo ter sido aprovado - e aprovado duas vezes por unanimidade no Parlamento - as vozes do passado tenham voltado a erguer-se no momento em que iria entrar em vigor. O acordo tem de ser melhorado, aceito isso. Mas contestá-lo dizendo que vamos ficar a escrever como os brasileiros, caramba..." Palavras do escritor e gestor cultural - publicadas, ironicamente, num jornal que continua a recusar a aplicação da aberrante ortografia. Só falta parafrasear Brecht: se o povo não segue o acordo, mude-se o povo.

Mega Ferreira, um dos raros intelectuais portugueses que aplaudem o AO90, erra a pontaria. Desde logo, a aprovação parlamentar não foi unânime: houve escassos mas honrosos votos contra. Além disso, se o dito (des)acordo enfrenta tão óbvia rejeição - não apenas em Portugal mas noutros países, com destaque para Angola e Moçambique - e tarda em ser assimilado na vasta comunidade lusófona, o problema não é seguramente dos utentes da ortografia: é das próprias regras que um escasso número de lexicógrafos procurou impor à revelia do parecer científico da esmagadora maioria das entidades competentes que se pronunciaram sobre a matéria.

Como aqui enumerei, divulgando os nomes de 260 escritores que recusam escrever segundo as normas ortográficas concebidas em 1990 por Malaca Casteleiro numa lista que está longe de ser exaustiva, a esmagadora maioria dos escritores portugueses rejeita o (des)acordo. Incluindo as "velhas vozes" de Afonso Cruz, Afonso Reis Cabral, Ana Margarida Carvalho, António Carlos Cortez, Beatriz Hierro Lopes, Bruno Vieira Amaral, David Machado, Desidério Murcho, Filipa Leal, Gonçalo M. Tavares, Inês Fonseca Santos, João Ricardo Pedro, João Tordo, Joel Neto, Manuel Jorge Marmelo, Miguel Gullander, Miguel Tamen, Nuno Camarneiro, Nuno Costa Santos, Pedro Eiras, Pedro Mexia, Pedro Sena-Lino, Possidónio Cachapa, Raquel Nobre Guerra, Ricardo Adolfo, Tiago Patrício e Valter Hugo Mãe.

Mega Ferreira está portanto, em evidente contramão. Devia interrogar-se seriamente porquê a tempo da próxima entrevista.

 

 

Leitura complementar: Sabiam que Cleópatra era de Idanha-a-Velha?

Do Nuno Pacheco, no Público.

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22 comentários

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De Luís Lavoura a 22.08.2017 às 11:33

o povo não segue o acordo

Isso é falso. Grande parte das publicações escritas hoje em dia seguem o Acordo.

Além disso, é sabido que todas as alterações ortográficas feitas no passado (e já muitas foram feitas) demoraram a impôr, porque as pessoas demoram a acostumar-se (e muitas morrem sem se chegarem a acostumar). O facto de muitas pessoas não seguirem uma qualquer reforma ortográfica não é, portanto, critério para decidir se essa reforma deve ser feita ou não.
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De Costa a 22.08.2017 às 12:15

O povo agirá por inércia. Sem hábitos de leitura dignos desse nome, sem hábitos de escrita que ultrapassem o hesitante preenchimento do formulário oficial necessário para a obtenção desta ou daquela benesse estatal, sem cultura - desconhecendo o que fez do seu idioma aquilo que ele hoje é - e, sobretudo, vivendo muitíssimo bem com essas suas lacunas (que seguramente nem reconhece como tal), o povo ou acha muito bem o AO90 (porque, dizem-lhe, simplifica e isso para mentes "simples" é valor soberano) ou, achando mal (por colidir com as rotinas que adquiriu, muito mais do que pelo chorrilho de objectivos disparates que consagra e que para ele, povo, são largamente irrelevantes), conforma-se encolhendo os ombros e murmurando que "eles é que mandam", ou "eles é que têm estudos".

E, isso feito, entrega-se ao nobre propósito de comentar e ver e ouvir comentar os palavrões que o árbitro terá proferido num qualquer jogo secundaríssimo de futebol, subitamente erigido em acontecimento televisivo nacional.

O povo - que não é infinita e necessariamente sabedor, prudente, ponderado, sereno e o mais que dele se costuma dizer quando convém - conta pouco, Lavoura, no rumo final que este assunto tome. Como nada contou quando este AO foi cozinhado. Que conta pouco ou nada, demonstra-o o facto do dito acordo "vigorar" descaradamente à revelia das normas de um ordenamenro jurídico construído em nome e para protecção do povo.

Mas a lista que compilou o autor do texto a propósito do qual agora comentamos, essa e outras coisas (como as demonstrações exaustivas e nunca substantivamente contrariadas das inúmeras contradições e violações grosseiras e injustificadas das raízes da nossa língua), seria suficiente para fazer reflectir um "acordita" de boa fé.

Mas, como eles próprios - você incluído - cuidaram de garantir, a partir do momento em que se adopta acordo ortográfico não mais se pára para pensar.

Costa
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De Anónimo a 22.08.2017 às 11:57

Muito bom.
Realmente o "povo" é uma chatice ?.
Isto só connosco, os deputados, os partidos e, vá lá, o PR, isto andava tudo sobre rodas.
Que chatice, estes portuguêses.
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De Pedro Correia a 22.08.2017 às 13:05

Quando a esmagadora maioria dos escritores, utentes qualificados do idioma, e a esmagadora maioria da comunidade científica ligada às questões ortográficas rejeita com argumentos de peso este aborto imposto por via legislativa por um poder político ignorante, os escassos defensores da coisa acham uma tremenda maçada aturar esta espécie de "frente interna", preferindo refugiar-se em amenas paragens estrangeiras.
A conclusão é a mesma, por parte de sucessivas gerações de estrangeirados: lá fora é que se está bem.
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De Maria Dulce Fernandes a 22.08.2017 às 13:43

Estamos a cultivar iletrados na confusão a que votaram as palavras que não são o que deviam ser, nem dizem o que deviam dizer. O povo que escreve segundo o AO só o faz porque ê obrigado, na escola, no emprego...
Pessoalmente rejubilo quando sou abordada no trabalho por um grupo de turistas oriundos de Vera Cruz em que a primeira pergunta que me fazem é se falo português... E garanto que isto acontece quase numa base diária...
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De Pedro Correia a 22.08.2017 às 15:38

Esse grupo de turistas brasileiro, habituado desde sempre a ler e a escrever a palavra RECEPÇÃO, chega ao hotel em Lisboa e lê RECEÇÃO (homófona de 'recessão'), na novilíngua acordística.
Esta é uma das "proezas" do aborto ortográfico: em nome da putativa "unificação ortográfica", veio separar o que estava unificado, sem qualquer controvérsia, entre portugueses e brasileiros. Não visando uma ou duas palavras, mas milhares.
Bem andou a Academia das Ciências de Lisboa ao aprovar por larga maioria, no início deste ano, uma razoável proposta de modificação do AO90 com o regresso de consoantes mudas (precisamente em palavras como 'recepção' ou no emblemático 'espectador') e a reposição dos acentos modificativos em palavras homógrafas ('pára'/'para', por exemplo).
http://rr.sapo.pt/noticia/74575/academia_sugere_regresso_de_acentos_consoantes_mudas_e_do_hifen
Proposta vinda de um organismo qualificado, que devia ter a autoridade suprema nesta matéria, e logo contrariada por uma talibã do 'acordo' com argumentos que revelam bem o nível intelectual desta gente:
http://rr.sapo.pt/noticia/74598/professores_de_portugues_contra_alteracoes_ao_acordo_ortografico
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De Octávio dos Santos a 22.08.2017 às 14:07

António Mega Ferreira não merece ser classificado de «intelectual» - aliás, é uma designação inadequada para qualquer pessoa que se submeta ao AO90, pois este implica prescindir... das mais elementares capacidades racionais.

E quanto à aprovação «para lamentar» do dito cujo, a unanimidade (ou não) nem é a questão principal - muito provavelmente os deputados desconheciam então o que estavam a votar:

https://ilcao.cedilha.net/arquivo/9463
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De marta a 22.08.2017 às 14:07

"A história do Matteo poderia ter acontecido em Portugal?
Em Portugal, seria impossível.Basta olhar para o escândalo que é a reacção ao acordo ortográfico. (....)"

Não consigo alcançar o raciocínio do senhor neste ponto... mas vou continuar a tentar.
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De Pedro Correia a 22.08.2017 às 15:26

Confesso que também não atingi, Marta. Certamente por incapacidade minha.
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De Zeus a 22.08.2017 às 15:05

«Não seria mais simples para o governo dissolver o povo e eleger outro?»
Bertolt Brecht

Não foi isso que já fizeram?

Perguntaram se queríamos entrar na União Europeia?

Perguntam quando vendem o País, em retalhos, a "investidores externos"?
(a parte da "carninha" não os "ossos")

Perguntaram se queríamos estar endividados a um Banco Privado o BCE?

Perguntam-nos se podem continuar a receber Ordens externas e se concordamos com toda a Legislação que está a ser imposta?

Escolhemos ter que votar para um Parlamento totalmente dependente do exterior?

Escolhemos votar para eurodeputados que não podem Propor nem Vetar Leis?

Se só precisam do Povo para "enfeitar" porque raio iam necessitar dele para aprovar como queremos escrever?

Verdadeiramente, ainda escolhemos alguma coisa de importante?

Andar, pagar, calar e toca a escrever como eles mandam (na escola "de pequenino é que se torce o pepino", uma ideologia toda igual no comunismo, socialismo ou fascismo, o "nós mandamos e vocês obedecem, para vosso próprio "bem" porque não percebem que é para o bem Virtual do todos, do qual vocês não fazem parte" e, se lhes mandarem ou lhes apetecer, em vez de uma mesquita, fazem meia dúzia e, na escola, até passam a ensinar árabe em vez de português)

Se não gostarem, não quiserem ou desobedecerem, têm muitas multas, taxas, castigos para "tirarem do saco" e, ainda, "funcionários" à disposição para vos "meter na linha", curiosamente, pagos pelos que já não contam para nada, senão para Obedecer.

Alguma dúvida?
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De Pedro Correia a 22.08.2017 às 17:54

De facto. De fato não: está muito calor.
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De Zeus a 22.08.2017 às 19:46

Calor?
Os humanos estão sempre a queixar-se mas, até usam fato se os obrigarem.
Por aqui está fresco, o único facto anormal foi ter-se esgotado a Ambrósia, tive de me contentar com um Häagen-Dazs salted caramel cheesecake.
No entanto, já dei ordem para encher a arca do Olimpo, não vá o Costa querer aumentar o imposto sobre o açúcar, até no Manjar dos Deuses.
Esse quando cá chegar, com a mania de ser um semideus, já lhe estou a guardar uns quantos adstringentes que comerá, sem açúcar nem sal, para toda a Eternidade.
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De Pedro Correia a 22.08.2017 às 22:45

Aí no Alasca está fresco? Não é propriamente uma novidade.
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De Anónimo a 22.08.2017 às 17:42

Repetirei, sempre que vier a propósito:
1. O AO poderá ter muito importância política e económica, mas tem muito pouca importância linguística, porque incide sobre o léxico, que é basicamente convencional e, portanto, sujeito a convenções. não justifica, por isso, tanta fúria, quer de um lado quer do outro.
2. Toda essa gente, e muito boa gente, que se contorce de dor e rasga as vestes por causa do AO, outra coisa não faz que reagir, mais ou menos inconscientemente, à violação de um património que consideram imutável e exclusivamente seu.
3. O verdadeiro e grave problema da nossa Língua são os atropelos à sintaxe, cada vez mais numerosos e violentos, porque, esses sim, desvirtuam o pensamento e atropelam a lógica dos raciocínios, sem que ninguém sequer fale nisso. Nada que espante - sempre fomos peritos em inverter a ordem dos valores, em trocar o essencial pelo acessório - uma das principais razões do nosso atávico subdesenvolvimento.
João de Brito
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De Luís Lavoura a 23.08.2017 às 09:16

Tem você muita razão.
E não pode deixar de ter certa graça ver, aqui neste blogue tão violentamente anti-nova ortografia, pontapés no léxico. Sabem muito bem escrever mas não sabem por vezes o significado em português das palavras.
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De jo a 22.08.2017 às 19:18

Espantoso como 250 deputados insistem em mandar mais do que 260 escritores.

Isto, apesar da insurreição violenta anti acordo que grassa, com o povo mobilizado nas ruas.
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De Pedro Correia a 22.08.2017 às 22:44

Informe-se melhor. Não há 250 deputados: há 230.
Factos são factos. Não são "fatos".
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De Jo a 23.08.2017 às 15:16

Em 1990 eram 250.
Parece que o número de deputados é como a ortografia, de vez em quando muda.
Embora ache que mudar o número de deputados tem mais implicações do que mudar a ortografia.
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De Pedro Correia a 23.08.2017 às 20:49

Engana-se, mais uma vez. Quando a Assembleia da República interveio pela primeira vez neste processo já tinha 230 deputados.

O acordo foi aprovado na Assembleia da República em 2008 com a abstenção do PCP e do deputado Paulo Portas (CDS), e os votos contra dos deputados Manuel Alegre (PS), Nuno Melo (CDS) e António Carlos Monteiro (CDS).
https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/acordo/a-assembleia-da-republica-e-o-acordo-ortografico--e-o-amor-parlamentar-a-lingua-de-camoes/2866
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De João Marques a 22.08.2017 às 19:33

Novamente, neste pequeno País, um "comité de sábios" decide por todos os outros em assunto tão fulcral como a linguagem.

Sim, porque esse "outros", essa massa "amorfa" que é o Povo, nasceu para ser apascentada pelos iluminados.

Não é algo novo. Nem é necessário recuar à era da outra senhora. Tempos houve em que outro iluminado, discricionariamente, como convém a mentes superiores, alterou a hora para o fuso horário da europa central por lhe ser mais conveniente.

O Povo é manso. Aliás, todos os dias brota legislação da AR que deveria ser impressa em papel higiénico, não para uso comum mas para queimar na lareira.

Somos um Povo fascinante. Da "parcimónia intelectual" nasce este grupo de faróis brilhantes, nados e educados para orientar a Manada.
Temos um actualmente em pleno exercício, o Avô que explica aos gentios, em palavras simples, as coisas complexas, tira selfies, anima os desamparados com boas palavras e tem uma opinião "fundamentada" acerca de todos os assuntos, sempre seguido de perto por aquela personagem que se esqueceu ser líder de governo e mais parece um ministro da presidência em campanha eleitoral - não vá o Avô lucubrar, por falta de companhia, alguma crítica implícita.
Ambos, no mesmo enquadramento, evocam Abbott e Costello. Chega a ter graça, se por momentos esquecermos o fio da navalha ao longo do qual penosamente se arrasta este País.

O acordo ortográfico, privilegiando o critério fonético sobre o etimológico, com excepções - há sempre excepções com esta gente -, leva a minha consciência a repousar nas contratações dos clubes de futebol. É irrelevante que o jogador seja ou não adequado.
O importante é que se trate de "um bom negócio". E Portugal é reconhecido por uma segunda casta, além d'Os Iluminados, a d'Os Oportunistas. Enquanto aqueles guiam a manada estes vendem o pasto a preço de ouro.

Ainda que fosse possível abolir irremediavelmente esse nefasto aborto que é o acordo ortográfico, seríamos inevitavelmente derrotados.
Novos manuais escolares (em boa verdade, há sempre "novos manuais" escolares), novos dicionários, e um pseudo-acordo anedótico a confundir as crianças que nele foram educadas.

Por vezes, por muito que custe, mais vale não fazer nada, e mandar regras impostas por lacraus às urtigas.
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De Pedro Correia a 22.08.2017 às 22:49

Um acordo parido por analfabetos funcionais e posto a vigorar por um primeiro-ministro sem tema alternativo em agenda para agradar ao então Presidente brasileiro, Lula da Silva, nas vésperas de uma cimeira bilateral.
Esta é a verdadeira história do embuste ortográfico. Não por acaso, rejeitado pela esmagadora maioria dos escritores e da comunidade científica portuguesa. E também por vários países lusófonos, com destaque para Angola e Moçambique.
Os brasileiros continuam a escrever como sempre escreveram. Recepção e decepção, por exemplo. Ao contrário do que o dito aborto ortográfico prescreve.
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De V. a 23.08.2017 às 00:54

O povo é cada vez menos europeu — agora que voltei a Lisboa constato o número infernal de macacada que invadiu a cidade e tomou conta de todos os empregos: brasileiros, africanos, sarracenos e paquistaneses por todo o lado. És branco e português mas não és homossexual ou funcionário público ou ambos? Em breve estarás na miséria e as hostes de Mordor tomarão conta disto. Que fiquem também com a língua de ratos de esgoto, o Benfica e o país queimado que a Maçonaria e os Lavouras fabricaram para lhes facilitar a vida.

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