Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Nunca é de mais lembrar

por Pedro Correia, em 18.10.17

 

O secretário de Estado da Administração Interna, que agora mandou os portugueses apagar fogos, impelindo as "comunidades a ser pró-activas" no combate às chamas perante a ausência dos bombeiros e com os dispositivos de protecção civil em notório colapso, é precisamente o mesmo que a 17 de Maio, numa audição na Assembleia da República destinada a apresentar o "dispositivo especial de combate aos incêndios florestais", declarou isto: «Quero transmitir aos portugueses que temos um dispositivo capaz, devidamente estruturado e organizado, no qual temos plena e total confiança, para fazer frente ao período mais crítico dos incêndios florestais» (minuto 8 deste vídeo); «O País tem um dispositivo integrado, competente, forte e mobilizado para defender a floresta, o património e a vida dos portugueses.» (10' 30'' do vídeo).

Cento e sete mortos depois, cento e sete vítimas da fúria dos incêndios e da incúria estatal entretanto sepultadas, esta solene garantia prestada por Jorge Gomes na Casa da Democracia desfez-se em cinzas: não passava de propaganda vazia e barata. Nunca é de mais avivar memórias antes que alguns (ir)responsáveis procurem passar entre os pingos da chuva que começou a cair e já tardava.

Autoria e outros dados (tags, etc)


38 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 18.10.2017 às 09:35

serviço militar obrigatório com um pouco de treino também para a luta contra fogos...o serviço militar obrigatório é urgente o seu regresso!!!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.10.2017 às 23:14

Porquê militar? Não bastaria um serviço cívico no âmbito civil?
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 18.10.2017 às 09:37

temos um dispositivo capaz [...] para fazer frente ao período mais crítico dos incêndios florestais

O problema foi que os piores incêndios ocorreram fora do período mais crítico - ocorreram na "fase Bravo" e não na "fase Charlie" - um antes do período mais crítico, em junho, os outros depois do período mais crítico, em outubro.

E, para piorar isto, esses incêndios ocorreram também em fins-de-semana. Em ambos os casos, de sábado para domingo.
Sem imagem de perfil

De Javardoura a 18.10.2017 às 10:10

Constança Urbano de Sousa exigiu a Costa sair para preservar a sua “dignidade pessoal”

Lavoura mais do que quando começa e acaba a fase Charlie deveria inteira-se sobre o que é dignidade pessoal.

Presidente da Liga dos Bombeiros critica redução excessiva de meios de combate a incêndios

O país está a passar por uma situação gravíssima de destruição florestal” afirmou, nas Caldas da Rainha, lamentando que não tenha havido “um planeamento como devia ser”, nem “uma prevenção estratégica”, depois de a Liga dos Bombeiros Portugueses ter alertado que “não pode existir uma ‘décalage’ tão grande da fase Charlie e a fase Delta”.

Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 18.10.2017 às 11:30

O Presidente da Liga dos Bombeiros não é aquele Jaime Marta Soares, ex-autarca (de Penela, salvo erro) do PSD? Esse gajo é uma das figuras que mais detesto (tal como aliás detesto os barões do PSD em geral, e o PSD em geral) neste país. Estou ansioso por que ele se reforme de vez e que deixe de nos chatear, mais os seus bombeiros voluntários, que são muito voluntariosos mas muito incompetentes a combater os fogos.
Sem imagem de perfil

De am a 18.10.2017 às 12:02

O presidente da Camara de Pedrogão não é aquele que se vendeu por 30 moedas ao PS... ????
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 31.10.2017 às 07:48

Foi rejeitado pelo PSD, numa daquelas decisões incompreensíveis dos sociais-democratas nestas autárquicas. Depois aceitou um convite do PS para concorrer com esta sigla enquanto independente.
E ganhou. Tão simples como isto.
Sem imagem de perfil

De Javardoura a 18.10.2017 às 10:13

Isto da época dos fogos não é como a época venatória.

Incêndios só durante a semana, das 8 às17h.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.10.2017 às 23:16

Só num país oficial de bestas quadradas a "época de incêndios" se equipa à época venatória. Ou, noutro âmbito, a "época balnear". Onde as mortes também se sucedem perante a total indiferença do estado, que apenas vê os portugueses como contribuintes, não como cidadãos.
Sem imagem de perfil

De V. a 18.10.2017 às 10:51

Para eles é sempre "fase Bronco"
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.10.2017 às 23:17

Alguns já chegaram à "fase Charro".
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 18.10.2017 às 11:15

Para quem não leu este imbecil, Lavoura, sobre a fotografia do camponês de Ventosa:

"Eu tenho vergonha de que em Portugal os camponeses ainda tenham este aspeto, tão diferente do dos camponeses franceses ou alemães.

Este camponês vivia numa casa de pedra, provavelmente frígida no inverno, com telhado apoiado sobre vigas de madeira. Quando veio o incêndio, a madeira na qual as telhas se apoiavam pegou fogo, o telhado desabou e todos os móveis da casa pegaram fogo também. O camponês da Ventosa vai ter que repensar seriamente os materiais com que constrói a casa."

Meu grandessíssimo filho da puta! Cabrão. Vales tanto como merda

Sem imagem de perfil

De V. a 18.10.2017 às 11:35

É de propósito, só para chatear. Vou enviar-lhe um cagalhão pelo correio.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 18.10.2017 às 14:45

Não faça isso, V. Deixe -o jejuar.
Sem imagem de perfil

De am a 18.10.2017 às 13:57

Eu aconselharia o camponês a usar como material os CORNOS do Lavoura!


Sem imagem de perfil

De Fernando Antolin a 18.10.2017 às 17:06

Já não dei com o comentário, foi aqui no Delito ?

Foi apagado ?

O comentário é indescritível...
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 18.10.2017 às 19:57

Este Lavoura é mesmo uma besta. Merecia ser enxovalhado em público.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.10.2017 às 19:33

Muito bem!
Sem imagem de perfil

De jerry khan a 18.10.2017 às 09:44

é a triste figura mais indicada para o MAI dada a sir-constaça
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.10.2017 às 12:14

Não acho concebível que este secretário de Estado seja promovido a ministro. Pelos motivos acima expostos.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 18.10.2017 às 13:06

Sou natural do concelho de Vouzela um dos que foi fustigado pelo fogo; vivendo desde os 21 anos em Lisboa, penso que, cada vez mais, se torna urgente a regionalização. O centralismo do poder, a preocupação com os números, afasta os governantes dos problemas do interior ,alguns nem conhecem a província, só lá vão quando há eleições.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 18.10.2017 às 15:31

Infelizmente vejo na regionalização apenas um meio para aumentar os clientelismo. Se isso já sucede com as autarquias então com os governados regionais era o descalabro. Portugal é um país pequeno. Necessitavamos era de extinguir mais umas autarquias.
Sem imagem de perfil

De jerry khan a 18.10.2017 às 17:54

ironia sobre o amanuense
Imagem de perfil

De AntónioF a 18.10.2017 às 09:49

Caro Pedro, recordo as aulas de um professor de História que interrogava os alunos se Portugal seria um país de marinheiros ou um país de camponeses.
Não vou falar sobre isso, vou recordar que o Portugal marítimo tem os seus fantasmas, tão bem descritos na nossa literatura: o Adamastor, a Aventesma, o Mostrengo.
E para o Portugal camponês, quais serão os demónios que por estes tempos andaram à solta?
Acho que se chama simplesmente aselhice colectiva, a qual foi refinada pelos políticos, todos!

--

«- E se ele é tormentoso! Atravessámos as águas tórridas e, de repente, após largarmos de uma angra dita das Voltas, tombou-nos em cima uma tormenta tal que andámos duas semanas a navegar de capa, com vento de popa de mais de 50 nós e a agulha a nordestar e noroestar como doida! (Pausa:) E quereis saber? Quando, no fim da tormenta, rumámos a Oriente em busca de terra, não havia ali terra senão que ainda muito mais mar.
MANUEL não tira os olhos do PAI.
PAI (Continuando)
- Tínhamos passado para além do Fim do Mundo! (Pausa:) Só no regresso é que demos com ele, com o Cabo. Por isso, por mor da tormenta que passámos, que o Senhor Bartolomeu Dias o chamou de Tormentoso!
(Pausa. Em tom pensativo:) Por pouco morria eu ali…
MÃE (Angustiada)
- Morrias...?
PAI
- Salvou-me o meu Anjo da Guarda, mulher. A tormenta foi tal que ao décimo dia já não tínhamos mais forças. Uma noite, fazia eu o quarto da modorra, amarrei-me com um nó de oito à mezena para não ser levado pelas vagas alterosas. Mas a mezena quebrou-se como um galho seco e fui atirado ao mar e sorvido por ele...
MÃE
- Virgem Maria!
MANUEL (Ansioso)
- E depois, e depois? Conte, meu pai…
PAI
- Havia tão grande tumulto no mar e as vagas eram tão altas que não conseguia nadar. Engoli canadas de água salgada (Pausa:) A certa altura alcancei uma verga e agarrei-me a ela mas, de repente, senti-me puxado com força para o fundo. Um monstro marinho enorme e repelente, com a força de quinze touros, puxava-me para o fundo, apesar de eu me debater com todo o ânimo que tinha...
MANUEL empalidece.
MANUEL
- Um monstro? (Assustado:) Meu Deus, a Aventesma!
PAI
- Que Aventesma?
MÃE
- Foi um sonho que ele teve! Sonhou que morrias no mar… (Para Manuel:) Que te dizia eu dos sonhos, filho, que te dizia eu?
PA! (Prosseguindo)
- Um monstro como nunca vira! Lutei com ele por um espaço de mais de duas ampulhetas. E já morria, afogando-me, quando me valeu o Anjo da Guarda.
Uma sombra - homem não, que não seria possível, mas decerto algum anjo veio em meu socorro e afastou de mim o repelente demónio com grandes
pancadas. E logo o demónio acabou a fugir dali muito depressa, soltando urros
raivosos e levantando ondas do tamanho de montanhas.
MANUEL fita a MÃE, transido.
MANUEL
- O meu sonho! A Avantesma! Meu Deus, foi tudo verdade!
PAI
- A tempestade amainou de repente e puderam então lançar o batel e arrancar-me ao mar. (Pausa:) Agora estou seguro de que seria o monstro quem levantou aquelas águas e aqueles ventos contra a caravela!
A MÃE abraça o PAI, chorando.
MÃE
-Vês, vês? No tornes mais ao mar que morres lá!»

PINA, Manuel António - Aquilo que os olhos vêem ou o Adamastor. [s.l.] : Angelus Novus, 2012. pp. 32-34
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.10.2017 às 23:21

Bem lembrado, caro António. Vem muito a propósito.
Sem imagem de perfil

De am a 18.10.2017 às 10:13

Este Lavoura não tem um mínimo pingo sentimento pelas vitimas mortais e feridos e pela dor dos seus familiares...

Esta "peste" deve ser bem pago pelo pela geringonça... Só pode.
Sem imagem de perfil

De M a 18.10.2017 às 14:49

O que entristece é que este produto de uma incubadora avariada é um entre muitos (demasiados) outros na nossa sociedade. Lá para o norte da Europa há também umas criaturas de geração espontânea semelhantes que acham que os camponeses lusitanos são mais dóceis e exóticos em comparação com os seus camponeses (pessoas que vivem da produção primária - agricultura e criação de gado - e de quem o resto da população depende). Um clone desta criatura disse-me um dia que no país dele já não havia distinção de classes. Eu pensei logo que ele era ingénuo ou tolo até que ele continuou dizendo que havia uns mais grunhos e bêbados que viviam no meio da lama rodeados de animais. Cada vez que leio as bojardas deste Lavoura lembro-me dessa criatura infeliz 8'o(.
Perfil Facebook

De Rão Arques a 18.10.2017 às 10:39

INFANTIL OU TENEBROSO?
Com espetos na garganta, o figurão dá corda à saída da ministra feita saco de pancada na esperança de ainda desta vez salvar a própria pele.
Devia destroçar à frente, mas com uma pequena gota de reflexão da parca seriedade que ainda lhe reste não se demore a por os próprios calcantes no mesmo trilho mas levando a traquitana cheia.
A não ser assim terá forçosamente que ser Marcelo a dar-lhe o ultimo empurrão.
Imagem de perfil

De Pedro Azevedo a 18.10.2017 às 12:40

Vou deixar aqui o meu testemunho: quando cumpri o Serviço Militar Obrigatório, o meu quartel ara um dos que colaborava no combate aos fogos. Inicialmente, combatíamo-lo mesmo, mas após algum tempo - ainda durante o meu período de "tropa" - saíu uma decisão do Quartel General no sentido de os militares não combaterem os fogos. Tal, deveu-se à morte de pelo menos 1 militar ocorrida durante um fogo na região da Beira, salvo erro. De facto, nós militares, não tínhamos qualquer experiência ou treino nessa matéria e apenas contactávamos (e éramos enquadrados por) os bombeiros durante os incêndios. Como o meu quartel se situava numa zona de pinhal intenso acabámos por cumprir a importante função de Ronda aos Fogos: aí, todos os dias viajávamos num Unimog equipado com comunicação rádio e cobríamos uma zona que ia da Fonte da Telha ao Meco. Algumas vezes alertámos para situações de incêndios a começar e penso que essa actividade era importante. Diria que foi o trabalho mais útil que tive durante o SMO. Não sei, francamente, se esse serviço de patrulhamento ainda está adstrito às forças militares, mas deixo a interrogação: porque é que os incêndios raramente ocorrem em zonas que têm muita passagem de pessoas e viaturas, do tipo Serra da Arrábida ou Costa da Caparica? O patrulhamento não deveria ser essencial?
Cumprimentos
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.10.2017 às 23:25

Vou destacar o seu comentário, caro Pedro. Abraço.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 18.10.2017 às 14:18

Se este senhor tivesse um pingo de vergonha tapava a cara com um pano preto e deixava de sair à rua. Ou imigrava, para um sitio longe, onde pudesse esconder a culpa que também é dele, nem que seja por apenas por representar este papel de figura triste de um regime podre.
Perfil Facebook

De José Teixeira a 18.10.2017 às 14:26

Isto ultrapassa tudo
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.10.2017 às 23:22

Propaganda barata e totalmente infundada. Ludibriando os portugueses. Brincando literalmente com o fogo.
Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 18.10.2017 às 16:58

A coordenação e a inépcia foram de bradar aos céus.
O meu genro é militar de carreira nas tropas especiais . Alguns contingentes tiveram guia de marcha para se deslocarem para zonas com muitas frentes de incendio durante 6 dias. Saíram numa 2a feira, voltaram na 4a feira sem entenderem muito bem porquê, aliàs é certo é sabido que na "tropa" , o planeamento é a primeira coisa a falhar... senão vejam o que "choveu" nos campos da Chamusca... eh lerdaços, tomem lá mais um puzzle, que nós vamos ali aceitar uma demissão para as pessoas poderem finalmente ter férias ... A barbeiragem segue dentre de segundos...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.10.2017 às 23:24

Raio de coincidência. Logo as armas haviam de "reaparecer" perto de Tancos no preciso dia em que a ministra Urbano arrumava as gavetas do gabinete escassas horas após ter sido demitida pelo Presidente da República e era preciso arranjar um foco de diversão qualquer para diluir a notícia.

Comentar post


Pág. 1/2





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D