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Notas sobre as autárquicas

por Rui Herbon, em 02.10.17

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O Partido Socialista consegue um resultado histórico e domina nas grandes cidades do país, para além de ser a força política com uma distribuição territorial mais homogénea. No entanto, este resultado é bem capaz de alterar a macieza que os partidos à sua esquerda têm mostrado até agora, que, a dois anos das legislativas, estarão já a ver uma maioria absoluta do PS como altamente provável, o que não lhes interessa de todo. Acredito que tanto a nível parlamentar como a nível de agitação sindical as coisas para o PS se tornarão mais complicadas.

 

Por oposição, o Partido Social Democrata sofre uma hecatombe eleitoral. Para além da conjuntura nacional desfavorável, a total displicência na escolha de candidatos, de alianças, de apresentar campanhas dignas desse nome, levaram a este mais que expectável resultado. A humilhação em Lisboa devia ser de per se suficiente para que Pedro Passos Coelho se demitisse. Mas também é possível supor que quanto pior o resultado do partido mais hipóteses PPC tem de continuar como secretário-geral, já que nos partidos de poder (PSD e PS) nenhum líder resiste muito tempo na oposição. E, tendo em conta estes resultados e a conjuntura, é esse o provável destino do líder do PSD, seja Passos ou outro qualquer.

 

O Bloco de Esquerda tem um resultado ligeiramente acima do suficiente. Se por um lado sobe, por outro continua a ser praticamente irrelevante a nível autárquico, tirando um ou outro mandato de vereador nas grandes cidades. Mas parece que o único caminho é para cima e isso será mais uma preocupação para a CDU.

 

O CDS-PP é o outro vencedor da noite. Toda a estratégia fez sentido e teve resultados: além da brilhante prestação de Cristas em Lisboa (arriscou e colheu, legitimando a sua liderança), pode também reclamar a vitória no Porto ao apoiar Rui Moreira. Mais nenhum partido consegue a dobradinha. Pela primeira vez se vislumbra a possibilidade de o CDS deixar de ser o parente pobre da direita portuguesa.

 

A Coligação Democrática Unitária, como é seu timbre, vê sempre os resultados como positivos, mas o número de câmaras perdidas, tanto para PS como para "independentes" saídos das hostes, e em alguns casos em bastiões comunistas (destaque para Almada), só é amortecido pelo facto de os focos estarem na derrocada do PSD. Mas uma coisa é o que se diz e outra o que se faz, e certamente o comité central extrairá outras conclusões e haverá um endurecimento na relação política e sindical com o governo PS.

 

Sobre as candidaturas independentes, convirá não esquecer que muito poucas o são de facto; na maior parte dos casos tratam-se de movimentos originados por desavenças dentro dos partidos. Há duas que, contudo, merecem destaque. Rui Moreira, no Porto, não soube ser magnânimo, e se por um lado desancou o PS, por outro fez ataques pessoais a dirigentes do PSD. É feio bater em quem já está no chão. Reagiu como um qualquer político de carreira com maus fígados. Ao ouvi-lo, não por acaso, veio-me à ideia o pior Cavaco. Já em Oeiras, como infelizmente se esperava, ganhou Isaltino Morais. Um dos concelhos com melhor nível de vida e de instrução escolheu ser liderado por um delinquente, condenado por crimes relacionados com a sua anterior gestão do município. A única coisa positiva desse resultado é provar a distribuição homogénea da estupidez dos eleitores. Há uns anos a elite política e jornalística da capital desdenhava da parolada que reelegia Avelinos Ferreira Torres, Valentins Loureiro e Narcisos Miranda (os dois últimos ontem derrotados nos municípios onde se notabilizaram). Hoje podemos falar dos parolos de Oeiras. 

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5 comentários

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De Rão Arques a 02.10.2017 às 11:37

Sendo que a burra coxa gerigonçona ainda só se passeia com as cangalhas a abanar de vazias, de notar que Passos Coelho é osso duro de roer.
É hora de os contestatários caseiros se chegarem à frente e encostarem a barriga ao balcão para ir a jogo.
Aguarda-se entre outros que Manuel Ferreira Leite entre na marcha para mostrar serviço seja como mandante ou mandatária.
O líder do PSD terá arriscado nos limites com a consciência de que o caldo podia entornar, e preparado para tudo assumiu corajosamente esse risco.
Passos Coelho, um homem integro pouco dado a contorcionismo de caserna não vai entrar em golpes manhosos.
Tendo as suas ideias e carregando as suas convicções, tem também a consciência que não é dono do partido.
Assumindo a situação vai sustentar que seja a S. Caetano a decidir a forma de encontrar novo líder se essa for a vontade geral do agrupamento.
Provavelmente vai assistir de pantufas à chegada de nova aflição ao país conduzido pela estrela iluminada por baterias de candeias que continuam a fumegar.
Depois de pagar as favas da caldeirada que lhe legaram, lá será outro no seu lugar a banquetear-se em molho picante com doçura a gosto e ao momento quando a traquitana se despistar.
-Para o PSD de Passos -0,007%, será isto?
-Se quem se mete com o PS leva, quem lhe faz fretes leva mais. Que o digam os unitários
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De SemioZeus a 02.10.2017 às 13:42

Não tenho Partido Político, sou Voluntarista porque acredito em Pessoas Responsáveis e não em Partidos Políticos, onde as preocupações são cada vez menos sobre os cidadãos mas, aqui, tenho de concordar consigo, "Passos Coelho, um homem íntegro, pouco dado a contorcionismo de caserna", talvez um dos últimos, antes da entrega definitiva do País, ao Cartel que, sem custos e só lucro, fabrica "papel pintado" e que, certamente, vai dar a sua aprovação a um, "mais ao seu gosto".

https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Bilderberg_participants#Portugal

Muitos já tentaram "limpar" páginas mas, os nomes continuam porque, a net, não é, propriamente, a "mercearia" a que, muitos, estão habituados e, até pode levar mais tempo mas, anualmente, são divulgados nomes dos presentes nas reuniões anuais (que, mesmo que os assuntos sejam sigilosos, servem, apenas, para ir tomar um chazinho de tília e, em relação a outros países, vendo o número dos políticos portugueses, devem ter perdido a conta aos bules de chá ).

Não esquecer de ver as outras categorias, para além dos políticos mas, quando olho para os nomes, em certas situações que parecem não fazer sentido...
talvez um que não tenha passado no "exame", mais o que estava todo decidido e voltou com a palavra atrás, aquela que nunca gostou de Passos, aquele que parece dar-se melhor com um, do que com Passos do seu próprio Partido, repetentes cujas carreiras "chegaram até ao topo", tal como o "Clube" se vangloria...
Por vezes, para se perceber o "teatro", há que espreitar os bastidores, onde "costureiros, aderecistas, cenógrafos, realizadores e Produtores" preparam, precisamente, aquilo que o espectador vê mas, não percebe e nem sabe, por quem foi feito. "Peças e Filmes" que nascem de "acasos ou meras coincidências"
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De SemioZeus a 02.10.2017 às 14:19

Coincidência ou não, hoje saiu uma excelente reportagem, sobre um dos maiores especialistas de "chá"
Quem souber como ele nos é servido, em segunda mão, mal ou bem regurgitado e já frio, talvez alguns consigam parar de o "beber" mas, como escreveu Rui Herbon no seu poste "Hoje podemos falar dos parolos de Oeiras" se calhar, para muitos, a reportagem vem tarde demais, até "chá" feito de água de esgoto, lhes passou a saber a ice tea

https://www.youtube.com/watch?v=44I3pMouCnM&feature=em-uploademail
Meet Edward Bernays, Master of Propaganda
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De Luís Lavoura a 02.10.2017 às 12:24

Um dos concelhos com melhor nível de vida e de instrução escolheu ser liderado por um delinquente, condenado por crimes relacionados com a sua anterior gestão do município.

Pode talvez fazer-se uma interpretação diferente. Para as pessoas com alto nível de vida e de instrução, desviar dinheiro para uma conta na Suíça é algo de normal, que qualquer pessoa avisada faz, e não é moralmente criticável, apesar de ser crime de acordo com a lei do Estado. Para as pessoas instruídas e confortáveis de Oeiras, Isaltino Morais apenas fez o que devia ter feito e aquilo que qualquer uma delas também faria se tivesse ocasião para isso.
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De Rui Herbon a 02.10.2017 às 12:33

Bem visto. Diz-me em quem votas dir-te-ei quem és.

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