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No País das Maravilhas

por Pedro Correia, em 05.07.17

"Eu, como sou jurista, não consigo colocar ninguém sob suspeita", declarou o ministro da Defesa à SIC, na noite da passada sexta-feira. O que não invalidou o afastamento preventivo de cinco comandantes de unidades - primeiro exonerados, como se comunicou musculadamente ao País dada a necessidade de tomar "medidas robustas", depois  "exonerados temporariamente", espécie de torcicolo semântico para aplacar a  ira generalizada nas fileiras militares, e finalmente dignos da "máxima confiança" de quem os afastou.

Não falta quem diga que esta rocambolesca sucessão de episódios mina ainda mais a confiança dos cidadãos nas instituições e corrói a autoridade do Estado. Ou não tivéssemos um ministro que foi capaz de dizer isto na entrevista televisiva: "Para não pensarmos que somos anormais no contexto europeu e mundial, basta procurar 'roubo de armamamento militar' no Google e vamos chegar a conclusões interessantes."

A mim, por estes dias, o Governo parece-me mergulhado em cenas dignas do País das Maravilhas - com a sua Alice, o seu Gato de Chesire e o seu Chapeleiro Louco. Entretanto, uma semana após a pilhagem (ou "furto", no imaculado eufemismo agora em voga) de Tancos, o ministro, o chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e o chefe do Estado Maior do Exército permanecem agarrados com firmeza aos seus postos.

 

ADENDA: «Nunca foram roubadas tantas armas antitanque num país da NATO. Armas prontas a usar, que têm sido procuradas por grupos terroristas.»

(Nuno Rogeiro, ontem à noite, na SIC Notícias em óbvio contraponto à ligeireza do ministro Azeredo Lopes)

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10 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 05.07.2017 às 07:49

Pedro,considerando mais o que ainda não se passou por Tancos, temo por Pedrógão. Desconfio que aquelas 64 pessoas serão esquecidas na espuma dos dias. E nada mude. Ou se altere apenas a aparência
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De Pedro Correia a 05.07.2017 às 21:00

Garanto-lhe que esses 64 infelizes não serão esquecidos. Por mais que alguns pretendam isso.
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De Anónimo a 05.07.2017 às 08:35

Deixemo-nos de anedotas quando é visível a olho nu que o Sr. Presidente da Republica foi nas miseráveis situações de Pedrogão e Tancos o primeiro a apressar-se a debitar na salvaguarda de um governo desgovernado.
Ainda agora deixa que o espertalhão de sempre passe sem levar uma traulitada??
Desta vez está a deixar que a poeira assente e a onda de calor arrefeça para não se deixar chamuscar feito barrote queimado.
Até o deixam dar-se ao luxo de não comparecer na reunião agendada com os comandos militares e parece que participada por Marcelo e o inimaginável ministro.
O que devia ter sido feito para começar ficou para o fim, mas já com o cu apertado.
O aconchego ao governo e ao seu chefe vindo de cima de avançou sempre primeiro.
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De Pedro Correia a 05.07.2017 às 21:04

Discordo. Nestas duas questões que emocionaram e alarmaram o País o Presidente teve um comportamento irrepreensível. Excepto na apressada declaração inicial já de madrugada em Pedrógão Grande, aliás nunca mais reiterada.
Ainda bem que Marcelo Rebelo de Sousa tem transmitido, por contraponto ao Governo, uma imagem de dignidade institucional. Cumpre o seu dever, é certo. Mas não merece menos elogio por isso.
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De Helena Sacadura Cabral a 06.07.2017 às 22:46

Pedro
Será que "cumprir o seu dever" neste caso basta?!
Será que não será preciso outro tipo de "basta"?
As FA dependem directamente dele...
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De Pedro Correia a 06.07.2017 às 22:59

A meu ver não, Helena. Aliás considero que o ministro ficou muito aquém do que seria o seu dever nesta lamentável ocorrência que envergonhou Portugal e os portugueses.
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De AntónioF a 05.07.2017 às 11:05

Caro Pedro,
recentemente foi publicado um outro título que, presumo eu, seguindo o seu paralelismo, retrata melhor a realidade vivida neste país. Estou a falar de «Alice num mundo real».
No país das maravilhas, com uma qualquer solução mágica - que os pafianos (habitantes do planeta PAF) designam por demissões, tudo ficaria - para inglês ver (como diz o povo) - resolvido.
Mas ficaria mesmo resolvido?
Nós não habitamos no país das maravilhas, não habitamos - felizmente - o planeta PAF, nós habitamos, tal como a Alice a que faço referência, um mundo real.
Se essa Alice se depara com cancro e conta como foi, também nós Portugal nos deparamos com toda a série de problemas, quais cancros, (felizmente - para desgraça de alguns - não há suicídios conhecidos) que não se revolvem com qualquer solução mágica.

P.S.: Remeti para o e-mail que aparece neste seu perfil, a informação que o Pedro me solicitou
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De Pedro Correia a 05.07.2017 às 21:05

Caro António: não sei o que são os "pafianos" nem os "geringonços".
Sei, isso sim, que este Governo está há quase dois anos em funções. E é este Governo que deve ser avaliado, não nenhum outro.
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De cristof a 05.07.2017 às 17:48

O futuro dum país em que prioridade é com crianças felizes, é de tropas muito felizes; também ajuda nunca haver avaliações nem culpados seja do que for.
Um país de responsáveis irresponsvaeis.
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De Pedro Correia a 05.07.2017 às 21:00

Uma irresponsabilidade pegada. E bem paga.

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