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Nem Soares nem Ronaldo

por Pedro Correia, em 13.03.17

ba6[1].jpg

 Aeroporto do Montijo, futuro complemento da Portela

 

Não sei por que motivo os aeroportos hão-de ser baptizados. Os dois melhores aeroportos que conheço, o de Singapura e o de Amesterdão, são conhecidos pelos seus nomes de origem, Changi e Schiphol respectivamente. O que nada lhes diminui o prestígio, antes pelo contrário. Nem deixam de ser concorridíssimos e prestigiadíssimos por causa disso.

Dar nomes de pessoas a aeroportos colide, além disso, com o princípio da igualdade. Porquê não fazer o mesmo a estações ferroviárias ou fluviais? Porque não chamar Diogo Cão ao Cais da Rocha de Conde de Óbidos ou Fontes Pereira de Melo à gare de Santa Apolónia?

 

Sempre achei de tremendo mau gosto pôr o nome de Francisco Sá Carneiro ao aeroporto de Pedras Rubras – sabendo-se, como sabemos, que o ex-primeiro-ministro morreu a bordo de um avião precisamente quando se dirigia àquele destino.

Considero inqualificável que o aeroporto do Funchal passe a chamar-se Cristiano Ronaldo, alguém que nunca se distinguiu por proezas no domínio da aviação civil ou militar nem consta sequer que tenha brevet. Bem basta ter já, aos 32 anos, uma estátua erguida no Funchal que rivaliza com a do descobridor João Gonçalves Zarco.

E acho lamentável que o Presidente da República se tenha apressado a sugerir o nome de Mário Soares para designar o aeroporto do Montijo na hipótese de ser adaptado a voos civis como apoio ao da Portela, agora denominado Humberto Delgado.

 

Se os decisores políticos pusessem travão à demagogia e pensassem duas vezes antes de falar verificariam que existem duas enormes lacunas nesta matéria. Se a ideia é atribuir nomes de personalidades ilustres aos nossos aeroportos, ninguém tão prioritário do que os mais célebres aviadores portugueses de todos os tempos, protagonistas em 1922 da travessia aérea do Atlântico Sul.

Sim, refiro-me a Gago Coutinho (1869-1959) e Sacadura Cabral (1881-1924). Já serviram para designar ruas e avenidas, e até escolas, mas se quisermos continuar a atribuir nome de gente aos nossos aeroportos há que prestar-lhes esta homenagem. Eles merecem-na, muito antes de qualquer político passado ou presente – de D. Afonso Henriques a Marcelo Rebelo de Sousa.

Quanto aos futebolistas, por mais campeões que sejam, reservem-nos para os estádios: é lá que mostram o que sabem, é lá que merecem ter nomes e estátuas.

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42 comentários

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De Einstürzende Neubauten a 13.03.2017 às 17:54

"Dar nomes de pessoas a aeroportos colide, além disso, com o princípio da igualdade"

Não existe igualdade. Basta ver o nome das ruas, ou o Panteão - faça-se como em N. Y e ponham-se apenas números, nas ruas.

Mais vergonhoso são as malditas placas de inauguração - uma vergonha, até parece que foi usado o dinheiro pessoal dos autarcas. Só falta, por vezes, uma estátua equestre - na Maia, até temos, na praça central a estátua em bronze de uma facho....Vieira de Carvalho

Quanto a um hipotético nome, então e o de Aristides de Sousa Mendes, ou António Damásio?

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De Pedro Correia a 13.03.2017 às 17:59

Num país que demorou mais de sete séculos a erguer uma estátua ao seu fundador na cidade-berço não admira que as prioridades andem invertidas - e à mercê das agendas políticas momentâneas.
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De V. a 14.03.2017 às 01:58

O mesmo País que permitiu que um regime político roubasse a data da fundação da nacionalidade, o 5 de Outubro, que é a data do Tratado de Zamora — feito de propósito para confundir a fundação da nacionalidade com a República. Gente decente, que se dá ao respeito, não faz estas coisas. Essa arrogância destruidora continua bem viva diante dos nossos olhos de boi no pasto.
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De Einstürzende Neubauten a 14.03.2017 às 10:23

23 de Maio de 1179
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De Baudolino a 14.03.2017 às 21:51

Exacto!
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De V. a 15.03.2017 às 02:10

É o T. de Zamora em 1143 que marca a independência e a fundação da nacionalidade, não a bula.
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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 23:06

De facto, não convém confundir a acta original da nossa independência com a bula papal.
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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 22:52

Essa terá sido uma homenagem que os republicanos fizeram ao nosso primeiro Rei.
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De Anónimo a 13.03.2017 às 18:16

Em noime do princípio da igualdade: por que não chamar a este blogue precisamente "Blogue Pedro Correia"?
Agora Delito de Opinião? Que nome mais foleiro!
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De Pedro Correia a 13.03.2017 às 18:34

Eheheh. Podíamos dar-lhe sempre o nome Blogue Anónimo. É o comentador que mais vezes aparece aqui. O Anónimo.
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De V. a 13.03.2017 às 18:19

Nunca percebi esta mania meio mediterrânea de dar nomes de pessoas a ruas — e este impulso para celebrizar uns em vez de todos ou nenhuns — sobretudo quando já existia um nome original. Palácio de Cristal não é melhor do que Pavilhão Rosa Mota? Por muito que mereça não tem nada a ver com o Pavilhão, gaita. Façam-lhes estátuas e retratos que há muitos desempregados em Belas-Artes.
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De Tiro ao Alvo a 13.03.2017 às 20:49

Só para que se saiba que o Palácio Cristal tinha uma designação que se justificava por ter janelas com vidros de cristal, constituindo um importante espaço dedicado à cultura. Por via disso, estava ali instalado um órgão de tubos, que era dos maiores do mundo e que, em 1951, foi destruído à martelada, tal como o edifício, para aí ser construído, em betão armado, o chamado Pavilhão dos Desportos, hoje, Pavilhão Rosa Mota. Foi o que alguns chamam evolução, outros involução.
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De Pedro Correia a 14.03.2017 às 10:32

Destruir o Palácio de Cristal, o verdadeiro, foi um crime de lesa-património.
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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 22:54

Pavilhão Rosa Mota ainda é o menos. Quando vemos em Amarante um estádio Adelino Ferreira Torres a coisa torna-se mais inaceitável.
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De Fernando Antolin a 13.03.2017 às 19:45

Não podia estar mais de acordo consigo, caro Pedro Correia.

Se o nome de Sá Carneiro em Pedras Rubras é de um péssimo gosto, tal como o de João Paulo II para o o aeroporto de Ponta Delgada não é muito melhor, brada aos céus ignorar-se Gago Coutinho e Sacadura Cabral para esta nova aventura aeroportuária...

Se bem que nunca entendi a razão por que o nome de Sacadura foi usado para uma discreta avenida/rua ali ao Campo Pequena, "abandonando" Gago Coutinho na larga avenida que parte do Areeiro.

Abraço amigo, aqui do aeroporto da Portela ( tão tarde baptizaram isto com nome de Humberto Delgado, se bem que a acção deste fosse merecedora do gesto, pelo que fez em prol da aviação civil )
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De Pedro Correia a 13.03.2017 às 22:40

Também eu, Fernando, nunca percebi por que motivo Sacadura Cabral tem nome numa avenida esconsa e escura ali ao Campo Pequeno, em claro contraste com a avenida rasgada e larga, que parte da rotunda do aeroporto e a que foi dado o nome de Gago Coutinho.
Nada que surpreenda excessivamente quando sabemos que a rua Eça de Queirós é uma irrelevante transversal à Avenida Duque de Loulé. Como se este alguma vez tivesse merecido mais louvores da posteridade do que o grande autor d' "Os Maias".
Quanto a Humberto Delgado, pelo menos devemos-lhe o início da aviação civil em Portugal, a celebração do acordo das Lajes e a edificação do aeroporto que hoje tem o seu nome.
Um abraço.
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De xico a 13.03.2017 às 23:44

Pois eu votarei sempre no nome de JOÃO TORTO, um humilde enfermeiro e mestre escola de Viseu que, poucos anos após Leonardo da Vinci ter desenhado as suas máquinas voadoras, engendrou uma geringonça e subiu com ela à torre da Sé de Viseu na esperança de alcançar o céu, lançando-se dali em pleno vôo, cheio de coragem e atitude, estatelando-se logo de seguida nos telhados da capela de S. Luís. AEROPORTO JOÃO TORTO, JÁ!
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De Pedro Correia a 14.03.2017 às 10:29

Não esquecer também Bartolomeu de Gusmão.
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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 22:55

E a propósito de Bartolomeu de Gusmão: gosto muito da palavra passarola.
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De V. a 14.03.2017 às 09:53

Ainda bem que os comunas moram todos em Almada. Os fanáticos do bloco todavia devem ter todos rendas baratas da Câmara nas melhores zonas da cidade. Um perigo do caraças.
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De Maria a 14.03.2017 às 19:19

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De AntónioF a 14.03.2017 às 10:00

Citando outros exemplos, caro Pedro, os Aeroportos JFK e Charles de Gaulle, em Nova Iorque e Paris, também são de péssimo gosto!
Não vejo que isso seja grande mal, o reconhecimento da sociedade a personalidade que entende homenagear.
É o que se passa com um dos nomes que hoje não nos dirá nada e que é um dos topónimos mais comuns nas cidades portuguesas: o Tenente Valadim, alguém a quem a falta de prudência o transformou, momentaneamente, em herói e para sempre presente na nossa toponímia. Acho que é, igualmente, altura de mudar o nome dessas ruas todas pelo país inteiro!
Não concorda?
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De Pedro Correia a 14.03.2017 às 10:31

Pois, meu caro. Se formos por aí temos tema para um ano inteiro neste blogue. Basta referir o nome do Almirante [Cândido dos] Reis, suicida tornado herói para efeitos de propaganda política que dá nome a uma das principais avenidas de Lisboa.
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De AntónioF a 14.03.2017 às 12:00

Sim, tem razão caro Pedro.
Porém, esse suicídio serviu para que a vontade de «De V. a 14.03.2017 às 01:58» fosse uma realidade e não existissem dois feriados seguidos: o do 4 de Outubro (a implantação da República e o dia seguinte - 5 de Outubro - pelas razões que ele, com razão, diz.
E depois, o que teria dito no passado a troika, e agora os "pafistas", com dois feriados seguidos?
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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 22:57

As coisas de que você se lembra, António. Nunca isso me tinha passado pela cabeça.
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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 23:25

E não deixa de ser irónico que o malogrado almirante republicano fosse Reis de apelido.
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De lucklucky a 14.03.2017 às 16:57

Qual reconhecimento da Sociedade qual carapuça . É simplesmente uma mensagem pouco subliminar ao narcismo dos políticos para continuarem a fazer muitas obras.

É a mesma razão porque os porta aviões da Marinha Americana cada vez mais têm o nome de Presidentes e agora já se está a seguir para unidades menores com nomes de políticos.
Como um Almirante respondeu sobre o fim da tradição de dar nomes de animais marinhos a submarinos, nomes de batalhas e outros nomes relacionados com o mar a navios:
"Os peixes não votam orçamentos da marinha".
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De AntónioF a 15.03.2017 às 09:33

Caro «luckyman»,
também poderá ser essa, uma das razões para certos políticos, nomeadamente autarcas que constroem equipamentos municipais, sem haver necessidade alguma dos mesmos, só para se auto-homenagearem. Porém quero acreditar que a verdadeira razão que origina a atribuição de qualquer nome é aquele que anunciei: a homenagem da sociedade a uma qualquer personalidade. Os motivos dessa homenagem, pelos exemplos - entre muitos - que eu e o Pedro referimos, poderão ser díspares e condicionados no tempo em que foram concretizados, mas quer num quer noutro exemplo, o sentido de homenagem da sociedade da época, foi a razão para que esses nomes estivessem na toponímia de várias cidades.
O mesmo se passa com o nome dos aeroportos, em parte estou de acordo com o Pedro, não na crítica ao nome de pessoas que nada tiveram a ver com a aviação, mas sim acto (ou será ato?) do renomear. Quando está enraizado na população um determinado nome, que por vezes pode nem ser o oficial, porque razão os políticos mudam esse nome, como é o caso dos aeroportos da Portela e Pedras Rubras?

Fica a pergunta, caro Pedro:
Sendo ele algarvio, irá o aeroporto de Faro, num qualquer futuro governo PSD, ser designado de Aeroporto Aníbal Cavaco Silva?
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De Anónimo a 15.03.2017 às 16:52

"Quando está enraizado na população um determinado nome, que por vezes pode nem ser o oficial, porque razão os políticos mudam esse nome, como é o caso dos aeroportos da Portela e Pedras Rubras?"

Porque quanto mais Totalitária for a Política mais poder tem os políticos.
A mensagem é que as coisas só existem por causa da política.

Se as pessoas virem a política em tudo convencem-se que só a política pode resolver os seus problemas. E assim dão cada vez mais poder aos políticos sobre as suas vidas. Em vez de serem elas a estudarem, conhecerem e resolverem os problemas vão bater a porta deles.

Por exemplo a vida dos portugueses nos últimos 40 anos melhorou porque razão?
- A maior parte da melhoria da vida dos portugueses nos últimos 40 anos pouco que teve que ver com os políticos. Teve sim que ver com a evolução tecnológica mundial que até pouco teve que ver connosco.

PS: estou sem alguns acentos.




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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 23:03

"A maior parte da melhoria da vida dos portugueses nos últimos 40 anos pouco que teve que ver com os políticos. Teve sim que ver com a evolução tecnológica mundial que até pouco teve que ver connosco."
É uma tese interessante.
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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 23:02

Aeroporto Cavaco Silva em Faro? Não me admirava nada, António.
Um dia destes o Presidente da República lembra-se de sugerir isso.
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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 22:58

Por uma vez, de acordo com o comentador LuckLucky.
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De lucklucky a 19.03.2017 às 17:17

Milagres acontecem.

É o que acontece quando as sociedades de tornam hipereficentes.

Num Estado cada vez maior, mais organizações estão dependentes, logo a competição pelos recursos aumenta e precisam de maximizar as tácticas de os obterem.
A marinha que tinha uma grande importância no orçamento ao virar do século XX, primeiro com o desenvolvimento da aviação, depois com o crescimento do Estado Social etc... passou para segundo plano. Logo precisa de arranjar maneiras de seduzir o Poder.
Com o tempo tudo terá nome de político. Dos Hospitais aos Parques Naturais.

De Anónimo a 15.03.2017 às 16:52 também fui eu, devo ter feito algum erro não foi com o meu nick..


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De Pedro Correia a 19.03.2017 às 17:58

Tese interessante, reafirmo.
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De Luís Lavoura a 14.03.2017 às 10:54

Em que é que os aeroportos de Amesterdão e Singapura são melhores do que os outros, na opinião do Pedro?
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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 22:58

Respondo assim que regressar da minha próxima viagem aérea.
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De Luís Lavoura a 14.03.2017 às 10:57

Já que as estátuas dos futebolistas devem estar nos estádios, questiono quando é que o clube de Pedro instalará no seu estádio uma estátua de Peyroteo.
(Ou então uma estátua com cinco violinos.)
Já estarão a angariar verba para o efeito?
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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 22:59

Peyroteo não precisa de estátua. Merece, isso sim, ser trasladado para o Panteão Nacional.
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De Manuel a 14.03.2017 às 13:33

Proponho Azeiteiros. Aeroporto dos Azeiteiros (europeus)
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De Pedro Correia a 15.03.2017 às 22:27

Não me parece bem que haja oliveiras junto à pista de aterragem. Pode causar acidentes.

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