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Não é Kennedy quem quer.

por Luís Menezes Leitão, em 11.02.18

Um dos factos que mais marcaram a ascensão de John F. Kennedy a presidente dos Estados Unidos foi a sua defesa intransigente da independência da Argélia. Num discurso de 2 de Julho de 1957, o jovem senador do Massachussets defendeu perante o senado que a atitude dos Estados Unidos perante a questão da Argélia se caracterizava pelo abandono dos princípios da independência e do anticolonialismo, que não se podia justificar nem por amabilidades diplomáticas, nem por subtilezas jurídicas, nem mesmo por considerações estratégicas. Os Estados Unidos, que tinham nascido de uma revolução política, deveriam ganhar o respeito e a amizade dos líderes nacionalistas.

 

A mesma consideração deveria aplicar-se a Portugal, que obteve a independência contra o domínio espanhol, e por isso não deveria deixar de se mostrar solidário com a situação da Catalunha, onde políticos se encontram presos pelas suas convicções e onde um parlamento democrático está impedido de eleger como presidente do governo o líder que escolheu. António Costa tinha possibilidade de marcar alguns pontos nesta questão, mas preferiu as amabilidades diplomáticas e as considerações estratégicas aos princípios. Está visto que não é Kennedy quem quer.

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25 comentários

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De Tiro ao Alvo a 11.02.2018 às 18:35

Se me encontrasse consigo, gostava que me explicasse, devagarinho, a causa desta sua fixação na luta pela independência da Catalunha, que o levou a meter-se nesta campanha algo quixotesca.
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De Anónimo a 11.02.2018 às 19:24

Se diz isso é porque não leu as dezenas de artigos do espanholista Pedro Correia sobre esse tópico.
Qualquer português que tenha o mínimo de conhecimento sobre a história do seu país solidariza-se com a causa catalã. E aplaudo o Luís por isso.
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De João Pedro Pimenta a 12.02.2018 às 13:01

Quem tem o mínimo de conhecimento de história não confunde um país com séculos de existência com uma região que nunca o deixou de ser.
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De Luís Lavoura a 12.02.2018 às 13:32

Esse argumento é muito estúpido mas, num post em que se fala da independência da Argélia, a sua estupidez torna-se ainda mais evidente. A Argélia nunca fôra um país antes de ter sido formada aquando da independência!
(Já agora, Portugal, e a maior parte dos países, reconhece o Kosovo, um país que durante séculos nunca foi mais do que uma região.)
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De João Pedro Pimenta a 12.02.2018 às 17:36

Mais estúpido ainda é estar sempre a fazer comparações entre os percursos de Portugal e da Catalunha, que são completamente distintos mas que são reduzidos sempre a uns coitadinhos sob as garras de Castela.
E os fundamentos para o Kosovo podem ser estúpidos, sim (e a Espanha não o reconhece, já agora), mas caso não saiba também se baseiam num território da antiguidade chamado Dardânia.
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De Sarin a 13.02.2018 às 02:01

Que a Espanha não reconhece independências de territórios não é novidade nem incoerência.
A hipocrisia que me delicia é a de países que ora reconhecem uns ora não aceitam outros, conforme as coordenadas geopolíticas em causa. É um exercício engraçado, "descubra as diferenças" em prosa.

O argumento "nunca foram independentes" esbarra em muitos "nunca foram outra coisa que não escravos", "nunca tiveram direito de voto", "nunca foram além da Taprobana"... De Ícaro a Musk, há quem não desista. Desde Fernando que os catalães não desistem; se o argumento é a longevidade da ligação também o poderá ser a longevidade da recusa - coexistem desde então.

Ah, sim: a "região que nunca o deixou de ser" tem estatuto de nação. Um estatuto recente, é certo - mas apenas recente porque foi retirado e restaurado umas quantas vezes ao longo dos séculos.
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De João Pedro Pimenta a 13.02.2018 às 22:58

Não, não tem qualquer estatuto de nação: tem nacionalidade histórica, que é uma coisa diferente. Reconhecida na Constituição que ampla maioria daquela região aprovou.

E já agora, essa dos "catalães que não desistem" também dá para tudo: as revoltas dos séculos XVII e XVIII tinham como primeira intenção a união com a França; o movimento secessionista dos anos 30 acabou quando o governo central espanhol prometeu uma nova autonomia.

E não se admire: a autodeterminação dos povos não é uma coisa que dê para tudo e para toda as situações. Se quer comparar com o Kosovo, é verdade que houve ali uma parcela de terra ocupada pelos albaneses; mas também houve uma larga maioria da população que se quis separar da Sérvia e acima de tudo, uma tentativa de limpeza étnica por parte de Milosevic. Só mesmo os delírios que acusam a Espanha de ser "neo franquista" é que podem insinuar sequer que a situação é parecida.
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De Sarin a 14.02.2018 às 00:13

Presumo que confunde nação e estado, ao contestar o estatuto de nação, pelo que sobre esta matéria deixo-lhe a incumbência de clarificar as diferenças entre nação e nacionalidade.

"Constituição que ampla maioria daquela região aprovou" um ano depois da queda do franquismo, e que em 2006 não apenas a ampla maioria daquela região mas também o seu Parlamento e o Parlamento Nacional expuseram como inadequada ao aprovarem Estatutos que a feriam. De morte. Aliás, na Catalunha e noutras nações, regiões e comunidades.

"Os catalães não desistem" não apenas dá para tudo como sempre foi a mesma questão: a autodeterminação - esta sim distinta de independência. Os catalães nunca se queixaram de ser feudo desde que os deixassem governarem-se como queriam.

E está enganado, eu não quero comparar a Catalunha com nenhum outro território. Nem sequer mencionei o Kosovo. Aliás, indago-me sempre porque é que no processo da Catalunha se lembram sempre da Sérvia e do Kosovo mas ninguém se lembra da antiga Checoslováquia, que em paz pariu a República Checa e a Eslováquia... tenho uma ideia para justificar tal obsessão, mas o João não ia gostar mesmo nada nada nada!
E, já que falou no Kosovo, deixo-lhe as perguntas, mas de retórica: só houve genocídio a par de tentativa de secessão no Kosovo? Indonésia, Rodésia, Marrocos, África do Sul, Síria, ..., gente errada no sítio certo ou gente certa no sítio errado?!

Com a sua notória atenção ao pormenor e gosto pela precisão no termo (a pesar e apesar), caramba, muito me espanta que tenha lido "Espanha neo-franquista" em qualquer dos meus escritos! Mas, e esclareçamos, certamente não negará que Rajoy sempre foi membro do partido que defendia/defende acerrimamente o Nacionalismo Espanhol, e cujos fundadores foram franquistas assumidos e com cargos de destaque no regime... deixe, esta não é retórica mas é histórica.
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De João Pedro Pimenta a 14.02.2018 às 18:23

Tem razão ao apontar o meu comentário ao "neo franquismo"; não era bem para si, mas a verdade é que nestas coisas a conversa normalmente descamba para esse lado.

Não confundo nação e nacionalidade histórica. Por alguma razão é este o termo que aparece na Constituição de 1978; o facto de ser pós-franquista não muda muito as coisas. E é um termo usado abundantemente nas respectivas regiões a que se aplica.

Quanto às causas e razões para secessões, são tantas que só as podemos colocar em cestos diferentes. Mas repare que nalguns casos de genocídio (não sei se o termo se aplica em todas as situações, como Marrocos e África do Sul) que refere, como Timor, acabaram mesmo por levar À constituição de novos estados.
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De Anónimo a 14.02.2018 às 20:33

Compreendo a confusão, também vejo isso acontecer - mas nem sempre há o reconhecimento dessa confusão, o que inibe o diálogo. Não é o caso, como aliás esperava.


Nação vs nacionalidade histórica ou nação vs estado?
Solicitei que esclarecesse o seu entendimento, porque entre nação e nacionalidade não há diferença - a nação catalã ou a nacionalidade catalã. Que nada tem a ver com atributo de origem a constar no registo civil, já que nação é um conceito mais cultural do que político. Já o estatuto de estado pressuporia uma autodeterminação e um poder administrativo que a nação catalã não tem.


As minhas perguntas, que eram de retórica, não visavam trazer à colação a discussão de outras independências ou tentativas de independência, apenas ilustravam a minha afirmação sobre os reconhecimentos destas terem, para um mesmo país que os atribui, critérios diferentes e que nada têm a ver com direitos humanos mas sim com estratégias e alianças político-económicas. No xadrez como na vida.
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De Sarin a 14.02.2018 às 20:33

Compreendo a confusão, também vejo isso acontecer - mas nem sempre há o reconhecimento dessa confusão, o que inibe o diálogo. Não é o caso, como aliás esperava.


Nação vs nacionalidade histórica ou nação vs estado?
Solicitei que esclarecesse o seu entendimento, porque entre nação e nacionalidade não há diferença - a nação catalã ou a nacionalidade catalã. Que nada tem a ver com atributo de origem a constar no registo civil, já que nação é um conceito mais cultural do que político. Já o estatuto de estado pressuporia uma autodeterminação e um poder administrativo que a nação catalã não tem.


As minhas perguntas, que eram de retórica, não visavam trazer à colação a discussão de outras independências ou tentativas de independência, apenas ilustravam a minha afirmação sobre os reconhecimentos destas terem, para um mesmo país que os atribui, critérios diferentes e que nada têm a ver com direitos humanos mas sim com estratégias e alianças político-económicas. No xadrez como na vida.
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De Anónimo a 11.02.2018 às 18:42

Como é que eles dizem, além-Caia?
"La matraca", verdad?...


JSP
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De Anónimo a 11.02.2018 às 19:26

Em 2015 Rajoy opôs-se à Geringonça. Hoje Costa presta subserviência a Rajoy apesar de ser o líder de um partido assumidamente republicano num país que teve que lutar contra o Reino Espanhol pela sua independência pelo menos três vezes ao longo da História.
Não queremos nem reis nem domínio espanhol mas Costa presta subserviência a ambos.
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De João Pedro Pimenta a 12.02.2018 às 13:00

Eu não sei quais são os seus fundamentos históricos, até para falar das "três vezes ao longo da história", mas esquece-se que o país que ao longo de séculos lutou com Espanha/Castela era o Reino de Portugal. E sim, muitos portugueses querem o Rei. Não confunda o estado republicano, imposto com um golpe de estado, com os portugueses, nem a sua vontade particular com as de todos os outros. E já agora, não vejo qualquer "subserviência" a Espanha. Ou queria que de repente Portugal apoiasse uma tentativa de secessão, ilegal e nem sequer maioritária, num país amigo da UE?
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De Luís Lavoura a 12.02.2018 às 14:10

o país que ao longo de séculos lutou com Espanha/Castela era o Reino de Portugal

Quer dizer que em 1910 Portugal passou a ser outro país? O Reino de Portugal e a República Portuguesa não são, afinal, o mesmo país?

O problema é mais grave do que o que eu pensava...
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De João Pedro Pimenta a 12.02.2018 às 17:38

Diga isso ao anónimo de cima. Pelos vistos, ele reduz tudo a uma mirífica contenda monarquia/república e parece achar que quando Portugal andou às turras com os vizinhos era uma república (além de querer fazer dos outros os seus desejos).
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De Sarin a 13.02.2018 às 04:04

Desde a implantação da República não houve um movimento que congregasse os portugueses em torno de um qualquer putativo monarca, nem sequer aquando da revogação da Lei do Banimento, portanto poderemos dizer com toda a confiança que sim, os portugueses querem ser e são estado republicano apesar de alguns não o desejarem. É que em democracia a vontade da generalidade sobrepõe-se a vontades individuais naquilo que é comum (com a devida ressalva para os abusos de poder, mas até nisto há diferença, porque aos abusadores eleitos podemos negar mandato, os outros perpetuam-se pelo sangue).

Por falar em "três vezes", assim de repente ocorrem-me a regina Tareja de Portugal (cujo filho foi mais bem sucedido), a Aleivosa (cujo cunhado a haveria de afastar, a ela cujos reais e justos direitos foram depois reivindicados por sua filha Beatriz) e a Duquesa que preferiu ser Rainha uma hora (e cujo marido tinha menos direitos que o espanhol, e ainda assim foi coroado. Talvez por saber tal tenha dado a Coroa à Padroeira, digo eu). Uma, duas, três. Ok, na última já não era contra Leão e Castela nem contra Castela e Leão - mas a capital continuava a ser em território castelhano (e os catalães, detentores de uma das mais antigas organizações parlamentares europeias, continuavam a recusar afinidades a oeste de Aragão).
Curiosamente, em todos os casos a secessão e a ilegalidade estiveram sempre do lado dos portugueses... Reis partam a História!

Mas deixe, se quer justiça histórica e legalidade, a verdade é que o nosso Rei seria Felipe de Bourbon - se não bastasse esta confusão em três actos, ainda temos os banidos miguelistas a alegarem direitos ao abrigo das cortes de Lamego, o que muitas dores de cabeça deve dar a frei António Brandão "faz como eu escrevo, como eu faço não".
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De João Pedro Pimenta a 13.02.2018 às 23:07

Curioso: também não me lembro de haver qualquer prova de que os portugueses quisessem uma república. Aliás, os dados apontam para o contrário: o partido republicano era claramente minoritário antes de 1910, mas na 1ª república (aquela que se proclamou com uma imensa multidão de 200 pessoas em frente ao município de Lisboa), e quase até ao fim, os partido monárquicos foram interditos. Esquecem-se ainda que a Monarquia do Norte teve bem mais apoio que a revolta do 31 de Janeiro, por exemplo. E podemos sempre falar da proibição total da forma republicana do estado inscrita na CRP. Como nunca se perguntou aos portugueses se queriam um estado republicano, a sua conclusão é abusiva.
Nos casos que menciona não houve qualquer ilegalidade: houve sim um conjunto de situações reconhecidas pelas Cortes Gerais do Reino. Ou julga que isto era só à espadeirada? Aliás, no último caso, e ao contrário do que querem fazer apressadamente crer, evitou-se uma situação que essa sim, iria contra o juramento das cortes de 1581, e que tornaria Portugal numa província. Lamento desiludi-lo, mas o Direito já tinha a última palavra. Os Bourbons nunca seriam Reis de Portugal porque os Habsburgos perderam essa direito (alem de que Portugal combateu a facção Bourbon na guerra de sucessão espanhola).
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De Sarin a 14.02.2018 às 01:41

Nunca houve consulta à população sobre qual o regime prerendido, nas quatro monarquias ou nas 3 repúblicas. A CRP proíbe a monarquia, sim, mas bolas!, não proíbe o PPM - que tem quantos eleitores, exactamente??? Deputados monárquicos em maioria conseguiriam promover uma revisão constitucional - desde 1976 já teve 7, é tudo uma questão de eleitorado.
Supunho que seja análise qb para anular o qualificativo que atribuiu à minha conclusão.

"Cortes Gerais do Reino"... qual reino?
De Leão - ao qual pertencia o Condado Portucalense?
De Castela e Leão - cuja rainha e herdeira do trono português foi combatida pelos nobres portugueses que, não apreciando a secundarização da sua importância, instigaram o povo contra a sua legítima rainha, a qual ganhou, então e para a História, o cognome de Aleivosa?
O de Espanha - cujo rei legalmente herdou a Coroa Portuguesa jurando a sua independência, e que viu ser contestada a sua eventual (ênfase nesta palavra) quebra de juramento com uma forjadíssima lei dinástica promulgada numas cortes que nunca existiram e que, a terem existido, teriam evitado dores de cabeça a João das Regras?
Nem só de espadeiradas vivem as ilegalidades históricas - ah, o Direito medieval, D. Sancho II que o diga; ah, o Direito renascentista, a Excelente Senhora que o afirme...
Por falar em espadeiradas, lembrei-me de Dâmocles, ou talvez tenha sido mera associação. "Os Habsburgos perderam esse direito" sim, e com os cumprimentos da biblioteca de Cister.

Eu sou muito portuguesa e muito republicana, nada me move contra os monárquicos e gosto de ler a História sem a julgar. Não aprecio branqueamentos, mas concedo que, por mais isentas que as possamos querer, as interpretações podem ser cunhadas aqui ou ali pelas ideologias de cada um.
Agradeço-lhe este debate. Sem ele talvez não me apercebesse da chama viva ainda em alguns e das manobras políticas que subjazem a algumas aparentes contradições. Percebo finalmente o apoio de improváveis personalidades à causa republicana catalã. Por mim, é-me real e republicanamente indiferente o seu destino - desde que seja o por eles, catalães, democraticamente escolhido.
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De João Pedro Pimenta a 14.02.2018 às 18:31

Ok, esqueçamos as "primeiras cortes" (julgo que se refere aos monges de Cister mais abaixo a propósito disto. Mas está a ver como já havia sentimento nacional pelo menos no sécuo XVI, muito antes da "moda" dos nacionalismos"?); houve um reconhecimento por parte de Leão, ao cabo de poucos anos, e por parte do Papa, suficientes para a constituição de um novo reino.
Da segundas creio que confunde Leonor Teles (a tal "aleivosa") com D. Beatriz: queira ou não, foram as Cortes de Coimbra que reconheceram D. João como Rei.
Nas terceiras, acreditassem ou não nos monges de Cister, não foram as estipulações das "primeiras cortes" a aclamar novo rei, mas a tal quebra de juramento de que falo, instigada por Olivarez, daí os Habsburgos terem perdido o direito de reinar.
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De Sarin a 14.02.2018 às 23:54

Nunca discuti o sentimento, apenas a legalidade e exclusivamente por causa da ilegalidade da independência catalã.

Afonso VII só aceitou porque não podia combater em 3 frentes e tinha também Inocêncio II, aliciado com a vassalagem, a interceder por Portugal. Ainda assim, haveriam de passar mais de 30 anos até chegar a Bula que sancionaria definitivamente o Reino. Mas as primeiras agitações, ainda com D. Teresa aos comandos, haviam começado mais de 30 anos antes de Zamora. "Poucos anos" só por comparação com a idade do país.

Não confundi. Por "Rainha [de Leão e Castela, pois deste reino falava] e herdeira do trono português" referia-me a D. Beatriz, por "legítima rainha" referia-me a D. Leonor, mãe daquela.

A União Pessoal do Reino foi colocada em causa por Olivares já muito depois do descontentamento estar instalado, entre a nobreza como entre o povo.
As "leis dinásticas das Cortes de Lamego" alcandoraram D. João IV ao trono e afastaram os Habsburgos, pois sendo Filipe I neto de D. Manuel por via de sua mãe, D. Isabel, esta, legítima herdeira, teria perdido o direito de sucessão ao casar com um estrangeiro e ao assumir o trono de outro país. Curiosamente, nas Cortes de Tomar esta particularidade não constituiu óbice às pretensões dos Habsburgos, sabemos hoje porquê. Antes de se atribuir a ilegalidade à quebra do acordo feito nestas cortes, não se deveria considerar primeiro a nulidade do acordo?

Mas concordemos em discordar em quantas ou quais foram as ilegalidades ancestrais.
O objectivo da minha dissertação é demonstrar que alegar ilegalidade num qualquer movimento de secessão é um contra-senso histórico e político. Haverá sempre uma lei que se viola, uma integridade contra a qual se actua, uns interesses internacionais que são comprometidos. A menos que se seja uma Checoslováquia.
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De Anónimo a 11.02.2018 às 19:36

O meu elogio a António Costa pela sua inteligência por saber expressar em espanhol a vontade da esmagadora maioria dos Portugueses.
O ruído das redes teima em fazer ouvir-se apesar da realidade o desmentir a todas as horas todos os dias, é o tempo novo como diria o outro.

WW
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De Anónimo a 11.02.2018 às 20:22

Sei que são a maioria, mas sinto asco relativamente a quem substitui os princípios pelos interesses do momento e da conjuntura.
João de Brito
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De Aurélio Buarcos a 11.02.2018 às 22:05

Realmente a independência da Argélia e a independência da Catalunha é uma e a mesma luta; estou a brincar.
Há algo que pode comparar com a anedótica independência da Catalunha, isto:
«O Rei das Berlengas é um filme português realizado em 1978 por Artur Semedo e contando com Mário Viegas no principal papel.
Mário Viegas encarna o herdeiro dos Teles de Midões, a dinastia que reinava sobre as Berlengas quando foi traída por Afonso Henriques de Portugal e passou a fazer parte do Reino. O filme mostra como os Teles de Midões, ao longo de séculos e em momentos cruciais da história portuguesa, tudo fizeram para recuperar a independência do arquipélago, mas foram sempre ultrapassados pelos acontecimentos.»
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De Jorg a 12.02.2018 às 10:48

O que é que Kennedy de aderência analogical com o odierno cromo?
Faz lembrar a referencia ao livre arbítrio numa anedota embutida em um dos romances de Rubem Fonseca (recordo de memória)
"Padre, comiti adulterio!"
"Minha filha, isso foi contra seu livre arbítrio?"
"Não padre! Foi contra a parede"

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