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Não basta querer para acontecer

por Pedro Correia, em 10.11.16

150904-hillary-clinton-5-gty-629[1].jpg

 

Quem acompanhou o dia eleitoral norte-americano apenas pelo principal serviço noticioso da SIC, ficou certamente estupefacto ao acordar na manhã seguinte com a notícia de que Donald Trump tinha sido eleito Presidente dos Estados Unidos. Nada – mesmo nada – do que aquele canal mostrara no seu Jornal da Noite indiciava algo diferente de uma vitória clara de Hillary Clinton.

No momento em que milhões de norte-americanos votavam nele, Trump foi apresentado aos telespectadores portugueses como uma irrelevância condenada ao fracasso – tom que prosseguiu madrugada adiante no canal de notícias da SIC, onde era quase impossível distinguir opinião de factos entre tanta reportagem “editorializada”.

 

Vale a pena mencionar exemplos concretos.

Logo a abrir, o Jornal da Noite visitou um concorrido local de voto em Manhattan. Espantosamente, segundo garantiu o repórter, todos puxavam para o mesmo lado: “Uma longa fila de eleitores onde, por acaso ou talvez não, não encontrámos ninguém que fosse votar Donald Trump.”

Nos depoimentos recolhidos entre esses eleitores, tudo a preto e branco: ele intolerável, ela extraordinária.

Sobre o candidato republicano: “péssimo”; “execrável”; “vergonhoso”; “louco”; “odeio Trump”.

Sobre a candidata democrata: “É a pessoa mais inteligente, mais bem preparada; “É a mais inteligente, a mais qualificada”.

 

Noutro ponto de reportagem, com outra equipa no terreno, a SIC manteve a nota: “Têm sido óptimas notícias para Hillary Clinton, estas últimas sondagens”; “Consegue a Florida, tudo parece muito bem encaminhado”; “O que temos vindo a ver é que ela pode até superar o recorde de Barack Obama no que diz respeito à participação dos hispânicos”; “Ela tem vindo a construir a sua muralha azul”.

 

Um cenário idílico para a candidata democrata, pois. Cenário que nunca foi posto em causa ao longo de todo o serviço noticioso.

20.08: “As pessoas parecem querer votar contra a América que Trump propõe: uma América muito extremada, muito anti-imigração, muito xenófoba, muito anti-semita. Hillary pode ter feito a sua jogada no sentido de não alienar minorias porque a América é um país de minorias que daqui a 30 anos serão maiorias e creio que o Partido Republicano vai pagar cara esta alienação de votos dos hispanos e sobretudo dos afro-americanos.”

20.56: “As sondagens apontam para que o cenário mais provável seja a vitória de Hillary.”

21.00: “Eleitores queixaram-se de que estão a ser intimidados por apoiantes de Donald Trump.”

Já bem depois da meia-noite, no canal de notícias, ainda a reportagem in loco da SIC transmitia aos portugueses a noção de que "ele [Trump] talvez tenha alguma razão para estar nervoso".

 

Como os resultados demonstraram, não podia ser maior a discrepância entre a realidade e o quadro que a SIC pintou. Sem matizes, sem contraditório, sem um assomo de dúvida que pudesse abalar tantas certezas preconcebidas.

Opinião a mais, factos a menos. Não basta querer - ou crer - para acontecer.

 

Hillary acabou por ser derrotada: a "muralha azul" só existia na propaganda.

Este jornalismo destituído da elementar noção do equilíbrio também perdeu.

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70 comentários

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De Anónimo a 10.11.2016 às 12:34

A mistura habitual de ignorância,arrogância e irremediável provincianismo.
Que dá a ideia exacta daquilo que pensam em quanto aos eventuais masoquistas que os vêem/ouvem...
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 12:37

A SIC amarrou o seu destino nesta campanha ao de Hillary Clinton. Os resultados estão á vista.
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De JSP a 10.11.2016 às 12:58

"quanto aos"...
Mea culpa.
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De Maria Dulce Fernandes a 10.11.2016 às 13:02

Eu segui a CNN com o Anderson Cooper e o Wolf Blitzer e restante equipa.
Creio que por volta das 3 da manhã o Wolf Blitzer debitava actualizações com a voz embargada. Penso que por essa altura, já temia que o pior se concretizase. Desliguei a TV com um mau pressentimento e por volas das 6:30h constatei que pressenti bem o mal.
Fiquei sentia a olhar e a pensar em que espécie de sonambulismo caiu os EUA. Dar a um arruaceiro espertalhão o poder de brincar de Deus, não é apenas mandar o establishment às urtigas, não é o mesmo que o ver armado em semideus no Aprendiz, a proferir o célebre " you're fired". Isto é a sério e muito sério, ou doravante a vida vai passar a funcionar num interminável 24/7 reality show ?

Hope the next time he says "you're fired" the fire won't be of the nuclear kind...
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 13:21

Também segui a emissão da CNN noite fora e madrugada adiante. Seguindo aliás um ritual que iniciei em 1988, acompanhando a corrida eleitoral entre George Bush (pai) e Michael Dukakis.
Continuo a admirar na CNN a separação escrupulosa entre notícia e comentário - pedra angular do jornalismo. No comentário, como é óbvio. não faltaram as mais duras críticas a Trump. "É um pesadelo", desabafou Van Jones, um dos principais analistas políticos da estação, dando voz a milhões de norte-americanos.
Como os jornalistas não são máquinas, entendo bem a voz quase embargada do Wolf Blitzer. Tal como fixei o esforço de Walter Cronkite para não ceder à emoção no momento em que divulgou ao país - aos microfones da CBS - que o Presidente Kennedy fora assassinado.
Mas a regra número um da comunicação social enquanto serviço público mantém-se: as opiniões são livres, os factos são sagrados.
Posso pensar o pior de Trump - e penso. Mas acho inaceitável o tratamento jornalístico que ele mereceu da SIC na noite eleitoral.
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De Maria Dulce Fernandes a 10.11.2016 às 13:36

Acredito piamente. É por isso mesmo que raramente vejo a SIC. Os noticiarios, raramente são isentos. Emissões como estas noite afora com convidados enciclopedicamente irritantes fazem-me alergia.
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 15:48

Eu vejo a SIC. E continuo a elegê-la como meu canal preferido de informação. Daí a minha decepção ser maior quando falha em toda a linha, como agora aconteceu.
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De Maria Dulce Fernandes a 10.11.2016 às 16:05

Gosto mais da SIC Notícias. É menos condicionada. Mas isto sou eu, claro.
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 16:18

Eu também. Quando refiro SIC já abrange a SIC N também. Até porque muitos noticiários são comuns hoje em dia.
Gosto de ouvir o Miguel Sousa Tavares à segunda-feira. E alguns outros.
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De M. S. a 10.11.2016 às 13:47

Caro Pedro:
Quem não sabe expressar-se correctamente na sua língua muito dificilmente pensa bem ou poderá ser bom profissional.
E a SIC, nessa matéria, nunca nos surpreende: é a «bombar» calinadas todos os dias e a todas as horas.
Sabe se eles têm Provedor do espectador a quem nos possamos queixar?
Cumprimentos.
(Manuel Silva)
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 15:49

Tanto quanto sei não têm, caro Manuel. Nem do espectador nem do "espetador".
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De Luís Lavoura a 10.11.2016 às 15:10

Continuo a admirar na CNN a separação escrupulosa entre notícia e comentário

Consta que em 1991 a CNN fez uma figura vergonhosa na transmissão da 1ª guerra do Iraque. Basicamente, transmitiam acriticamente (ao que se diz) todas as informações do militares norte-americanos. Talvez a admiração que o Pedro manifesta pela CNN devesse ser moderada em certas ocasiões.

(Eu não sei, porque não vejo a CNN.)
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 15:48

Você insiste em pronunciar-se sobre aquilo que não conhece.
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De Luís Lavoura a 10.11.2016 às 15:55

Eu não me pronunciei. Eu apenas referi aquilo que algumas outras pessoas disseram sobre a cobertura que a CNN fez da 1ª guerra do Iraque. Talvez o Pedro tenha visto essa cobertura e se queira pronunciar sobre ela?
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 16:04

Comecei a ver a CNN em 1989, quando a estação fundada por Ted Turner fez um trabalho exemplar na cobertura da agitação política na China que culminou no massacre de Tiananmen. Com raras interrupções, foi-me servindo sempre de referência na cobertura dos grandes acontecimentos internacionais.
Também na Guerra do Golfo, sim. Foi aliás a única cadeia de TV americana que manteve durante todo o conflito um repórter em Bagdad, Peter Arnett, permitindo estabelecer o contraditório com a versão dos acontecimentos a partir da capital do Iraque.
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De Maria Dulce Fernandes a 11.11.2016 às 10:37

Eu segui noite dentro o Peter Arnett e o "fogo de artifício" que tinha como pano de fundo. Se algumas outras pessoas me contassem que ele estava no bar a tomar Martinis, talvez , como pessoa do contra, acreditasse que aquilo tudo foi mau jornalismo e uma lástima tendenciosa.
Mas isto sou eu, que tenho a mania de tentar conhecer a realidade das coisas (percepcionada através dos meus sentidos, os tais que ajudaram a formar a minha personalidade) antes de tecer comentários sobre as mesmas.

Antigamente na escola, algumas outras pessoas contavam que Salazar olhava por nós...
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De Pedro Correia a 11.11.2016 às 11:19

Agora temos alguns canais de televisão a "olhar por nós" e a meterem-nos na cabeça a narrativa simplória dos bons e dos maus, forçando-nos a gostar de X e a detestar Y.
Vivemos na era da TV a cores mas parece que regressámos aos tempos do preto&branco.
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De lucklucky a 10.11.2016 às 16:42

Por alguma razão CNN = Clinton News Network

É só ver as notícias que não passaram na CNN. Para começar a violência política.
Só vão noticiar quando existir resposta

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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 22:08

A CNN foi fundada em 1980, existia muito antes de Clinton, que só chegou ao poder em 1993.
É continua a existir muito depois de Clinton.
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De JSC a 10.11.2016 às 14:22

Curioso dizer isso de Trump, quando o nosso Presidente foi eleito pelos anos que passou na televisão a debitar o que lhe diziam (o seu amigo Ricardo Salgado está bem agradecido, PT, BES...) e a opinar pensando que sabia tudo. Tanto que já foi enganado na lei dos vencimentos da caixa, é o o problema da malta de advocacia, fala, fala, ouve, fala, fala, fala sobre o que ouve, já é expert do que ouviu e agora debita.
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 15:54

Eu sobre Trump só sei que nada até ao momento me faz simpatizar com a personagem. Acontece no entanto que acaba de ser eleito Presidente da maior economia mundial. E nada, numa estação de referência como a SIC, me esclareceu até hoje sobre os méritos do senhor e das propostas que apresentou aos americanos - e acabam de ser sufragadas.
Algum mérito há-de ter. Esta vitória não pode resultar só da experiência mediática do magnata nem da simples vontade de "mudança" dos eleitores.
Essas são as explicações simplistas, que pouco ou nada explicam. Daí eu achar que ficou até agora uma história muito interessante por contar. Um relato jornalístico de que a SIC abdicou para se concentrar na redução de Trump à caricatura e à anedota, enquanto apoiava a candidata derrotada.
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De Maria Dulce Fernandes a 10.11.2016 às 16:38

Ter um presidente não enciclopédico mas conhecedor e opinativo, é um privilégio só de alguns, os que reconhecem o mérito e a rectidão.

Dizia o meu bisavô que há comparações tão absurdas, que são como comparar o traseiro a erva de cheiro. A sua é uma delas. Deixo aqui a outra, um excelente momento cultural e de teor argumentativo digno dos melhores comentários.

https://youtu.be/AiZqFGLAeAc
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 19:01

Também considero um privilégio. Um dia mais tarde todos lembraremos com saudade este tempo com MRS em Belém.
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De JSC a 10.11.2016 às 20:05

Se calhar o seu bisavô não era o sábio que pense que ele era.

Infelizmente o nosso presidente já não pode ir com o seu amigo para o Brasil, hoje em dia fica mal.

PT a empresa mais elogiada pelo Sr. Presidente se calhar por ter metido lá o seu filho através do seu amigo.

A pessoas que têm memória curta, outras nem têm.

A comparação faz sentido, pois se não tivesse a enchido as televisões durante cerca de 15 anos teria alguma dúvida que não teria sido presidente? De modo similar assim foi Trump.

(Isto não quer dizer que haja alguém perfeito e que MRS não era o melhor candidato)
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De Maria Dulce Fernandes a 10.11.2016 às 22:57

Como lhes chamava aquele poço de limpidez, esclarecimento e sabedoria popular que foi o meu bisavô?
Anteolhos!!! É isso mesmo.

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De Patrício a 11.11.2016 às 13:24

Provavelmente o Sr. 1º Ministro também não quis ficar para trás e eis - lo uma porr@da de anos na Tv a apimentar a Quadratura dita do Círculo. E, para não fazer feio, dado que a academia foi a mesma, também ele falou, ouviu, falou, falou, mas sem chegar sequer aos calcanhares do expert e incrível Presidente MRS que muito me honra.
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De JSC a 11.11.2016 às 15:22

Bem como isto está a descambar um pouco.

Para mim a comparação faz sentido, pois sem a exposição televisiva/mediática nenhum dos dois teria sido eleito e penso que isto é claro e foi isto que quis dizer.

Alguns membros do marketing acreditam que não existe má publicidade.
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De sampy a 10.11.2016 às 13:23

Estive esta manha a seguir a France Info.
Resumindo: não aprenderam nada.
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 15:55

Não aprendem nada, não esquecem nada. Como a aristocracia parasitária do Ancien Régime.
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De Anónimo a 10.11.2016 às 14:25

Impressiona!
E lembra o que se passou na sequência do processo que viabilizou o nosso atual governo.
Parece um ninho de serpentes assanhadas.
Todos os que controlam o establishment, ou dele beneficiam, ou simplesmente julgam que beneficiam não aceitam o óbvio:
- sempre manipularam e exploraram o povo-povo, sobretudo através dos meios de comunicação e do marketing;
- aconteceu que o povo-povo finalmente acordou e fez-lhes um manguito;
- mais, tal aconteceu com establishment de todos os establishments (com o introito do Brexit);
- o que faz prever que a coisa não ficará por aqui.
E é vê-los desorientados e furiosos, em todos os fóruns, a debitar discursos inflamados e cheios de contradições, contradições que eles acham que o povo-povo não percebe, porque a isso estavam habituados.
Impressiona!
João de Brito
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 15:56

Devemos pedir aos jornalistas que se concentrem no essencial: indagar e divulgar informação.
A propaganda deve ser deixada aos propagandistas.
A retórica política deve ser deixada aos políticos.
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De cristof a 10.11.2016 às 18:04

Isso sim ,apoiado; e deixar os halls dos hoteis e ir para a rua.
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 19:01

Às vezes fazer o mais simples parece o mais complicado. Custa-me entender porquê.
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De WW a 10.11.2016 às 20:02

Muito bem escrito caro João de Brito.

O que o Pedro Correia escreve sobre a SIC estende-se a todos os outros órgãos de comunicação social em Portugal, todos alinharam pelo mesmo prisma, diabolizar Trump e tecer loas a Hillary escamoteando todo o passado da mesma.

Felizmente foi mais um tiro no porta-aviões do establishment e espero sinceramente que continue no próximo ano em França e na Alemanha.
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 22:06

Os órgãos de informação, sobretudo em campanhas eleitorais, devem fazer sempre um esforço de isenção - ver os dois lados da questão, estabelecer o contraditório, analisar prós e contras.
Direi mais: nem devia haver necessidade de fazer esforço algum. Essa deve ser uma regra básica, natural.
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De Anónimo a 10.11.2016 às 14:35

Na SIC hoje ao almoço uma ipifania em directo. ?.
O mesmo profissional que durante dias, e noites, disse cobras e lagartos sobre Trump foi iluminado pelo Espirito Santo e esplicou as propostas do candidato apresentadas na sua campanha. Uma reportagem como deve ser.

Pergunta: o reporter já conhecia os FACTOS e não tinha autorização do chefe ... ou foi mesmo uma ipifania ?.
Podemos acreditar na informaço SIC(K) ?.
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 15:57

Não vi. Já me bastou a noite eleitoral.
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De Luís Lavoura a 10.11.2016 às 14:35

Opinião a mais, factos a menos.

Mas, pelo que é relatado neste post, houve factos - a SIC fez uma reportagem em dois ou três locais de voto e entrevistou alguns eleitores concretos.

É difícil pedir à SIC mais factos. O que deveria ela ter feito? Enviado repórteres para mesas de voto em todos os recantos dos EUA? Entrevistado, não meia dúzia mas cinco dúzias de eleitores?
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 15:58

Eu limitar-me-ia a pedir à SIC que procedesse exactamente ao contrário do que procedeu.
Tirando isso, nada a objectar.
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De rmg a 11.11.2016 às 00:10


Vou com muita frequência ali para as bandas da Praça Luis de Camões pela manhã, tenho por ali uns conhecidos...

Acontece assim que com não menos frequência desço o Chiado um pouco antes da hora do almoço para vir almoçar cá abaixo, à Baixa própriamente dita.

Costumo assim ser abordado por equipas de reportagem de TV que, por uma razão qualquer que me ultrapassa, me foram pondo insistentemente e ao longo dos anos perguntas variadas.

Nunca por nunca ser as minhas evidentemente notáveis declarações tiveram honras de antena.

De modo que agora digo-lhes sempre "Não sei qual é a pergunta mas V. não íam gostar da resposta".

Últimamente já não me ligam, felizmente.

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De Pedro Correia a 11.11.2016 às 00:15

É notável que uma equipa de reportagem depare com centenas de pessoas prestes a votar em Nova Iorque e só consiga encontrar eleitores de uma candidatura, como se estivesse em Cuba ou no Zimbábue.
Por vezes certos jornalistas reduzem a sua actividade a uma caricatura. Depois admiram-se de que a profissão seja cada vez menos respeitada.
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De Anónimo a 10.11.2016 às 17:38

Factos ?. O que a sic, e rtps, deveriam ter feito era simplesmente apresentar e comparar os programas dos dois candidatos.

O da candidata era continuar e agravar, o desastre Obama Care e "refugiados sirios", etc.

As propostas do candidato ... convenceram.
Se Trump vai namorar as internas da WH, depende da Ivanka.
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De Pedro Correia a 10.11.2016 às 19:02

Em matéria de assédio às estagiárias da Casa Branca há um ilustre (e lamentável) precedente.
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De José da Xã a 11.11.2016 às 09:31

Pedro,

Como já escrevi Trump (tal como Marcelo) foram para estas eleições já com a vitória no bolso. Bastou para isso a imagem permanente que durante anos deixaram nas televisões onde foram naturalmente estrelas.
A SIC devia ter percebido isso muito antes dos outros... Mas cego não é quem não vê mas quem não quer ver.
Abraço.
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De Pedro Correia a 11.11.2016 às 10:13

Viva, José.

Espanta-me que a SIC não tenha sido capaz de estabelecer um padrão de cobertura da campanha americana que fosse tão equilibrado quanto possível: prós e contras de cada candidato, algumas das principais propostas de ambos. Tão simples quanto isso.
Preferiu apostar todas as fichas na "história do ano": uma mulher pela primeira vez presidente dos EUA, diabolizando o único que poderia opor-se.
Saiu mal. A história acabou por ser a oposta. Acontece quando se é imprevidente e se acredita mais nas "histórias" imaginadas do que nos factos.
Bastaria ter aplicado as mais elementares regras jornalísticas para as coisas terem saído bem.

Abraço.
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De ozymandias a 11.11.2016 às 11:04

lol como se entrevistas a alguém no meio de NYC fosse achar alguém que votasse no trump. era tipo achar uma agulha num palheiro, se tivesse havido entrevista no michigan ou na pensilvãnia...
e duplo lol, a CNN é lixo, é pior que a Fox news. A CNN é um chevron gigantesco de tweeters e post do facebook, sem qualquer tentativa de apresentar algo substantivo ou de valor. Nem sequer é apresentar opinões de ambos os lados, é que não acrescenta nada, não analisa nada, é só "opiniões" e "feels".
Os unicos outlets ainda decentes de noticias são a Vice e a Motherjones.
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De Pedro Correia a 11.11.2016 às 11:18

É obra, dar a volta ao quarteirão cheio de eleitores e deparar só eleitores de uma tendência.
Como se Nova Iorque fosse Harare ou Pequim.

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