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Mulheres portuguesas, deixai hoje de trabalhar

por Patrícia Reis, em 15.10.17
Não é grave, é apenas para manter a paridade.
 

Se nos próximos 79 dias as mulheres não recebem salário, porque carga de água é que devem ir trabalhar? De acordo com os últimos dados, a disparidade de salários entre mulheres e homens em Portugal é de tal ordem que, para efeitos práticos, as mulheres não ganham nada até ao fim do ano, mesmo mantendo um ritmo de trabalho igual, melhor ou pior do que o habitual.

Os salários para as mulheres são 21,8% por cento menos. E são prejudicadas no local de trabalho se, por acaso, engravidarem, tiverem de licença de parto, precisarem de ir a uma consulta pré-natal. Os relatos são inúmeros e mesmo quando uma mulher chega a um lugar de topo, aufere menos do que um homem no mesmo lugar. É um facto, comprovado, sem volta a dar. Porquê? Porque o mundo muda lentamente, muito lentamente.


Não é grave, é apenas para manter a paridade.
 

Se nos próximos 79 dias as mulheres não recebem salário, porque carga de água é que devem ir trabalhar? De acordo com os últimos dados, a disparidade de salários entre mulheres e homens em Portugal é de tal ordem que, para efeitos práticos, as mulheres não ganham nada até ao fim do ano, mesmo mantendo um ritmo de trabalho igual, melhor ou pior do que o habitual.

Os salários para as mulheres são 21,8% por cento menos. E são prejudicadas no local de trabalho se, por acaso, engravidarem, tiverem de licença de parto, precisarem de ir a uma consulta pré-natal. Os relatos são inúmeros e mesmo quando uma mulher chega a um lugar de topo, aufere menos do que um homem no mesmo lugar. É um facto, comprovado, sem volta a dar. Porquê? Porque o mundo muda lentamente, muito lentamente.

As mulheres, ao longo da História, tiveram de cumprir apenas duas quotas: ou são umas Evas – logo demoníacas e tentadoras, perversas e afins – ou são Marias – a mãe, beatificada e calma, sempre cumprindo a tradição e, acima de tudo, o silêncio. Desde o chamado pecado original que temos esta avaliação extrema das mulheres seja em que situação for.

No caso dos ordenados ou promoção nas carreiras, andámos muito, conseguimos muito, mas falta bastante para chegar à famosa e pouco cumprida paridade.

O Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social aponta como diferença ao nível dos salários dos tais 21,8% (dados de 2016) e releva que 28,9% das mulheres recebem o ordenado mínimo nacional. O mesmo ordenado mínimo vai para 18,5% dos homens.

Como combater esta desigualdade? Mantendo ferozmente a convicção de que os direitos são iguais. Por favor, não me falem em mérito.

As mulheres portuguesas trabalham muito. Todas as mulheres trabalham muito, dirão. Sim. A tradição pesa e a cultura também. E, se existem filhos, cabe por regra à mulher tratar dos infantes, da casa, dos mais velhos, desdobrar-se. Considerando que esta situação, em pleno século XXI, parece perpetuar-se, talvez seja mesmo bom irmos para casa fazer o que nos apetece, ou passear, já que para muitas de nós o que fazemos não vale o mesmo do que aquilo que é feito por homem.

Depois dizem-me que ser feminista é uma coisa datada? Tenham paciência.

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5 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 15.10.2017 às 19:14

Patrícia, se me permite, relembro Lisístrata , de Aristófanes. Quem sabe?
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De Anónimo a 15.10.2017 às 19:16

Aos homens também coube, ao longo dos séculos, um papel pouco agradável: fazer a guerra. Como pertenci (à força) ao exército colonial, eu, na altura, tinha muita inveja das mulheres. Eu e muitos outros e dizíamos: nós vamos batê-las e elas ficam em casa a rir-se. Claro que lamentavam a nossa partida mas eu sempre preferi esse papel: ficar sossegado em casa a lamentar. Não consegui esse papel e fiquei com um muito mais duro. Voltei inteiro mas alguns dos meus amigos não regressaram ou regressaram mas deixaram lá um braço, uma perna ou um olho. Muito pior do que ganhar menos que elas.
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De passante a 15.10.2017 às 22:17

As mulheres recebem 21% menos porque vivem 21% mais.

(Estatística com estatística se paga.)
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De Anónimo a 16.10.2017 às 12:56

Mulheres portuguesas comecem hoje a ajudar a apagar os fogos e não esperemos que nos promovam.
Manuela Alves
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De Anónimo a 17.10.2017 às 11:57

Manuela:
Discordo. As quotas foi a invenção mais maravilhosa com que os nossos homens nos brindaram. Eles ajudam-nos e nós devemos responder com delicadeza aceitando.
Joana Tancos.

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