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Mérito de Guterres, naturalmente

por Pedro Correia, em 06.10.16

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A ridícula manobra de última hora, patrocinada por Berlim, de lançar uma vice-presidente da Comissão Europeia de nacionalidade búlgara para travar a candidatura de António Guterres a  secretário-geral da ONU demonstrou que a Alemanha continua a ter um papel na política internacional muito inferior à sua relevância na economia.

A manobra foi canhestra a vários títulos. Desde logo pela aparente incapacidade da Comissão Europeia em perceber que Guterres, enquanto ex-primeiro-ministro de um país membro da UE e candidato oficial do Estado português, já representava o espaço geográfico europeu. Depois por introduzir uma segunda búlgara no processo, sob o demagógico pretexto de corrigir uma histórica desigualdade de género na liderança das Nações Unidas, sem que a primeira candidata – Irina Bokova, secretária-geral da Unesco – tivesse anunciado a desistência.

 

Enfim foi possível perceber que a própria Kristalina Georgieva – comissária europeia com os pelouros do Orçamento e Recursos Humanos – acreditava pouco ou nada no sucesso da sua própria candidatura: lançou-se para Nova Iorque mantendo um pé em Bruxelas, limitando-se a solicitar uma  licença sem vencimento de um mês à Comissão Europeia, logo autorizada por Jean-Claude Juncker.

Acresce que na audição informal prestada esta semana perante os membros da Assembleia Geral da ONU, exprimindo-se num inglês pouco menos que sofrível, Georgieva viu-se em apuros quando o representante diplomático de Kiev a questionou sobre a crise ucraniana: limitou-se a balbuciar umas inanidades que evidenciaram a sua impreparação para o cargo. O ex-eurodeputado português Mário David, que integrava a sua lista de apoiantes, devia ter-lhe dado recomendações suplementares, evitando que a comissária búlgara fizesse tão lamentável figura.

 

Ouvi durante toda a tarde de ontem vozes a proclamar que “a diplomacia portuguesa está de parabéns”.

Temos este costume atávico de diluir o mérito individual num anódino embrulho colectivo. Discordo, pois: o mérito cabe por inteiro a Guterres, político experiente e candidato sem anticorpos, que superou com distinção o mais complexo processo de escolha para secretário-geral desde sempre ocorrido nas Nações Unidas. Exprime-se com fluência em vários idiomas, conhece por dentro a pesada máquina institucional da ONU por ter sido durante uma década alto-comissário da organização para os refugiados. E soube resistir com fleuma a todas as pressões, incluindo as deselegantes declarações do secretário-geral cessante, Ban Ki-moon, que fez campanha pela neozelandesa Helen Clark e pela costarriquenha Christiana Figueres – altas funcionárias da ONU – sob o pretexto de que o cargo devia passar a ser exercido por uma mulher.

 

Mérito dele, pois. Por muito competentes que sejam os nossos circuitos diplomáticos, e por maior que tenha sido o voluntarismo do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, incansável apoiante de António Guterres apesar de ter sido seu adversário político, jamais conseguiriam promover o candidato se o ex-primeiro-ministro socialista revelasse a mediocridade demonstrada pela comissária búlgara. Que o diga a diplomacia germânica, reduzida à insignificância entre os gigantes do Conselho de Segurança ao longo deste processo: do querer ao poder às vezes vai um passo demasiado longo.

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56 comentários

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De Makiavel a 06.10.2016 às 08:45

O mérito é de António Guterres E a diplomacia portuguesa está de parabéns, porque se envolveu activamente no apoio a Guterres.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 10:37

Certo. A diplomacia portuguesa é sem dúvida competente. Não por acaso, de um país como o nosso já emanaram um presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, um presidente da Comissão Europeia e um alto-comissário da ONU para os refugiados. Secretário-geral das Nações Unidas é o marco maior numa série de metas alcançadas.
A verdade, porém, é que o perfil e a personalidade do candidato faz a diferença. Nem a diplomacia mais competente do mundo conseguiria que a medíocre senhora Georgieva lá chegasse - como não chegou.
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De Makiavel a 06.10.2016 às 13:32

Correcto. O mérito vai em primeiro lugar para António Guterres. Mas percebe-se o entusiasmo de quem esteve directamente envolvido no apoio (diplomacia portuguesa, PR incluído)

O episódio Kristalina é de uma pobreza que se torna difícil perceber o que aconteceu com esta candidatura. Licença sem vencimento do cargo de comissária para concorrer adhoc ao cargo na ONU, uma entrevista que nem para directora de marketing de uma empresa internacional servia.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 15:24

É verdade. Eu se não tivesse visto (e ouvido) nem acreditava.
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De Maria Inês a 06.10.2016 às 14:17

Desses todos, o nosso Presidente da comissão europeia foi uma nódoa e conseguiu ser eleito, pelos mesmos métodos que a senhora Georgieva se preparava para o ser e não por mérito próprio.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 15:26

Tinha que aparecer alguém de picareta na mão a cavar uma trincheira. Nestas ocasiões nunca falta quem ponha a trincheira à frente de tudo o resto, para um lado ou para outro.
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De Maria Inês a 06.10.2016 às 16:40

Sempre a verdade. Nada de elogios a quem não os merece e todos, a quem os merece por mérito próprio. Guterres é um daqueles Homens a quem chamamos HOMENS de BOA VONTADE.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 21:27

Nesta mesma caixa de comentários, a propósito da eleição de Guterres para secretário-geral da ONU, há quem venha cavar trincheiras em extremos opostos. Não pode haver espírito mais antagónico ao do texto que escrevi. E ao do próprio Guterres, que sempre procurou ser mais um traço de união do que um ponto de discórdia.
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De Luisa Rodrigues a 06.10.2016 às 09:01


Excelente texto. Claro e esclarecedor sobre os acontecimentos recentes.
Estou de Acordo - Muitos parabéns a António Gueterres e "Devias ter vergonha Oh Alemanha !!!"
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 10:39

Guterres está de parabéns. E nós, portugueses, devemos sentir orgulho nesta eleição. Sabendo sobretudo que foi a mais exigente e aberta e transparente de todos os processos de ascensão a secretários-gerais desde sempre ocorridos na ONU.
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De AntónioF a 06.10.2016 às 09:11

Caro Pedro,
concordo com o que escreve e permita-me que sublinhe a sua primeira frase: «A ridícula manobra de última hora, patrocinada por Berlim, de lançar uma vice-presidente da Comissão Europeia de nacionalidade búlgara para travar a candidatura de António Guterres a secretário-geral da ONU demonstrou que a Alemanha continua a ter um papel na política internacional muito inferior à sua relevância na economia.»
Esta frase poderá ser alvo de uma outra reflexão e análise que é o facto de com a saída do reino Unido da UE ser a França o único país, desta união, a ter no CS da ONU direito de veto. Estará a França dentro da UE disponível para ter um peso político que reflicta isso, ou manter-se-à como tem mantido após Miterrand numa posição co-lateral e muitas vezes subserviente (com Sarkozy com a Alemanha?
Sim, a vitória é em primeira análise de Guterres e não tanto de Portugal. Mais do Guterres ex-Alto-Comissário do que Guterres ex-Primeiro-Ministro, mas, na sua quota parte é igualmente uma vitória de todos os que o apoiaram (todas as forças partidárias portuguesas) e da diplomacia portuguesa.
Dizia ontem alguém num comentário televisivo que Portugal com a democracia goza de um simpatia no concerto das nações, havendo um maior prestígio fora da Europa do que, curiosamente, na Europa.
Por outro lado há derrotados. Por um lado os Mários Davides. Não vou argumentar que foi um Miguel Vasconcelos, naturalmente que não o foi, mas foi alguém que, segundo as palavras dele, estava a trabalhar numa candidatura de última hora à dois / três anos. Quando anos seriam necessários para apresentar uma candidatura a horas? Os Mários Davides a que me refiro, são aqueles que aparentando ser maravilhas fazem um trabalho profundamente atabalhoado. Esse é um dos derrotados.
Os outros são aqueles que após as cinco vitórias ainda viam nisso um profundo impasse. Provavelmente serão os mesmo olhos, incompetentes, que na Comissão Europeia olham para Portugal.

Porém, caro Pedro (vou naturalmente brincar) foi esta personagem que com a sua iniciativa, na passada terça-feira, deu o empurrão que faltava para a vitória de António Guterres.

https://www.youtube.com/watch?v=SJ6pwE7uEYE

Ele é um dos grandes vitorioso desta eleição, quiçá digno que uma medalha presidencial de reconhecimento.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 10:41

Estamos em sintonia no essencial, António. E fez-me sorrir ao trazer aqui a brincadeira do Nilton, de quem sou amigo.
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De Carlos Faria a 06.10.2016 às 10:05

Concordo em absoluto que é essencialmente mérito de Guterres, uma pessoa que nos tempos que correm transmite a imagem de honestidade e de conciliador isento de partes desencontradas, precisamente os atributos que considero fulcrais para o cargo, não o de executivo que infelizmente não considero ser o seu forte. Parabéns a Guterres, desde o princípio lhe desejei boa sorte nesta candidatura e agora nas suas funções que não são fáceis.
Nas críticas que faz a outros no post subscrevo na íntegra.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 10:44

Gosto de ver portugueses satisfeitos com o sucesso de compatriotas. Infelizmente não é muito nosso hábito. Ainda hoje há quem rasgue as vestes por Saramago ter recebido o Nobel e grite "Messi" à passagem de Cristiano Ronaldo.
Atitudes que dão de Portugal a imagem de um país muito mais pequenino do que realmente é.
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De Carlos Faria a 06.10.2016 às 11:28

No caso de Guterres, além da manobra ridícula de Merkel/Kristalina, não conheço os restantes candidatos, folgo por Guterres sobretudo por o considerar bom, não posso dizer que era o melhor por falta de conhecimento dos restantes.
Gosto de Saramago e como tal orgulhei-me do Nobel.
No duelo Cristiano-Messi conheço os dois, há anos que o Português tem sido melhor e outros em que foi Messi, não é falta de patriotismo considerar que em dados anos o galardão de melhor fosse para Messi, nem foi por nacionalismo que penso que houve outros que Ronaldo o merecia é apenas uma questão de justiça.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 11:39

Pois. O que me choca é verificar que mal algum português se distingue logo surgem compatriotas na primeira linha do achincalhamento e do apedrejamento. Esta caixa de comentários serve aliás de amostra a isso, como eu já previa.
Há em muitos portugueses o impulso de dizer mal dos nossos e do que é nosso. O mesmo impulso que levou em Julho, quando conquistámos enfim o campeonato do mundo de futebol, muita gente por cá a dizer que foi uma conquista imerecida. Se tivessem ganho os franceses ou os italianos ou os alemães, aí sim, vibrariam de júbilo e emoção.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 15:18

Campeonato da Europa, quero naturalmente dizer (e agradeço ao leitor que me fez o reparo).
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De Luisa a 07.10.2016 às 09:40

...espero que o seu engano seja profético :)...

E concordo consigo - Os portugueses são lindos, mas alguns tão invejosos...
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De Pedro Correia a 07.10.2016 às 11:55

Foi engano de simpatia...
Na verdade, quem conquista um Europeu pode conquistar um Mundial. Só Argentina e Brasil fazem verdadeiramente a diferença entre um torneio e outro.
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De tric.Lebanon a 06.10.2016 às 10:19

"Que o diga a diplomacia germânica, reduzida à insignificância entre os gigantes do Conselho de Segurança ao longo deste processo: do querer ao poder às vezes vai um passo demasiado longo."
.
reduzida!!!??? podemos designar Guterres a Merkl portuguesa na questão dos refugiados...
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De Anónimo a 06.10.2016 às 10:34

A Dívida continua grande e o Investimento, pequeno.
Os incêndios, uma tragédia!
Mas convenhamos...
- a revolução do Costa;
- as vitórias no futebol e no hóquei em patins;
- o recorde no turismo;
- a eleição do Guterres;
... confirma-nos como um pequeno grande país!
João de Brito
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 10:47

Prefiro pensar Portugal como um grande pequeno país. Grande na língua, na cultura, na história, no desporto, no turismo, na generosidade, no acolhimento, no impulso universalista.
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De Costa a 06.10.2016 às 16:01

Grande na língua. Língua que maltrata num frenesim auto-destrutivo impenitente e absolutamente medonho. Convirá não o esquecer. Da língua portuguesa, da sua variante europeia, a variante - não há que ter vergonha de o dizer - mais nobre, bem mais cedo do que se pensa restará um patoá primitivo, simplista e indefensável.

Sinal de nossa grandeza, isto??

Costa
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 21:04

Não partilho - de todo - do seu pessimismo.
Desde logo por isto:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/escritores-discordam-do-acordo-7805477

E também pelos 119 exemplos enumerados aqui:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/resistencia-activa-ao-aborto-8382679
Exemplos que não tardarão a ser ampliados, assim não me falte o tempo nem a paciência.
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De Costa a 07.10.2016 às 09:44

Eu suponho que a outra parte contará com isso: que, com o tempo, acabe o tempo e a paciência de quem se recusa a aceitar o AO90. Fatalmente uma minoria, desde logo à medida que a máquina escolar expele fornadas de criancinhas formatadas nessa coisa. E o tempo vai passando e as fornadas saindo.

Eles, a outra parte, têm do seu lado, mais não seja pela indiferença perante o assunto, uma imensa legião para quem isto é questão ou de "intelectuais" de interesses bizarros, habitantes de outro mundo, ou de Velhos do Restelo (tomando o seu vulgarizado significado) que recusam a evolução natural e desejável, ou de tipos que têm tempo e meios (e tolos interesses) para pensar noutras coisas além da mera sobrevivência, dos resultados do seu clube, no que fariam com a fortuna do jogador de futebol, do mais recente namoro de não sei quem dos elencos das novelas ou da última grosseria inenarrável passada num qualquer programa televisivo de "voyeurismo".

Uma legião que não estudou mais do que o mínimo que a lei impõe - quando o fez -, que de escrita se fica pelo seu nome assinado em inúmeros formulários, desejavelmente preenchidos para obter do estado o subsídio ou a isenção disto ou daquilo, e cuja leitura se esgota nos títulos de sangue ou escândalo do tablóide, nas "antevisões" ao próximo ou nas "análises às incidências" do mais recente jogo, no jornal de futebol e nas intrigas do nosso "jet set" de fancaria, na revista dessas coisas.

De modo que, sim, estou pessimista. Não vejo, pelo menos, sinais que autorizem mais do que desencantado cepticismo quanto ao desfecho da questão. Talvez subsista por ainda algumas décadas um grupo que até permita a existência de algumas editoras que acolham autores não acorditas, ou lhes permita ou justifique sob o ponto de vista do negócio editar em português autêntico uma parte do seu catálogo.

Mas, evidentemente, gostaria - gostarei - muito de estar enganado.

E em todo o caso não é, de facto, este o tema deste tópico.

Costa
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De WW a 07.10.2016 às 15:20

Também concordo com o Sr º. Costa.
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De Anónimo a 07.10.2016 às 11:22

Pelo que se lê mais à frente, por razões diferentes, mas estou completamente de acordo consigo nos resultados.
Infelizmente, assim é!
João de Brito
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De am a 06.10.2016 às 10:46

Digam bem do Guterres

Deixem a diplomacia alemã em paz e sucesso.... até precisarmos dela ( e de mais alguns) para haver dinheiro para as pensões de reforma.... e não só!

Guterres, não terá nenhuma influência no orçamento português!

Merkell zangada é pior do que um policia bêbado!

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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 10:51

Não precisamos da diplomacia alemã. Precisamos do investimento alemão, isso sim. E do turismo alemão.
Merkel precisa dos mercados europeus, como o nosso, para escoar os produtos alemães a preços ultra-vantajosos, sem as barreiras protecionistas vigentes noutras partes do globo.
Temos todos a ganhar uns com os outros.
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De am a 06.10.2016 às 14:23

Com uma diplomacia "hostil e saloia" adeus investimento e turismo!

O homem da "cadeira de rodas" vale centenas de Centenos....

Louvemos a vitória de Guterres sem menosprezar os outros candidatos...

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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 15:32

Não menosprezo ninguém. Mas critico a comissária europeia dos recursos humanos, que surgiu à última hora, não hesitando em atirar para a berma a compatriota que estava dignamente no processo desde o início.
Bonita maneira de tentar ascender a um cargo que promove a paz e a concórdia à escala mundial.
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De john a 06.10.2016 às 11:03

Quero apenas expressar o meu desacordo com uma ideia que ultimamente tem estado na moda: a ideia de que foi mau Primeiro Ministro ou de que que vai ser eleito Presidente da ONU é o Guterres comissário para os refugiados e não o ex-político português.

Relembro que foi PM durante 6 anos sem maioria absoluta e concluíu o processo de independência de Timor Leste (processo absolutamente desbaratado por Cavaco/Barroso).Isto já evidenciava as suas capacidades para o compromisso e diálogo! Mesmo quanto à parte económica, relembro que era desígnio nacional a adesão ao Euro, e a herança dos anos de Cavaco era o desvio desse desígnio!

Parabéns ao Guterres ex-PM e ex. Alto Comissário dos Refugiados.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 11:13

Está de parabéns, claro. Lembra bem o contributo do executivo Guterres para a conclusão com êxito do processo de descolonização de Timor, hoje um Estado orgulhosamente independente. A inclusão de Portugal no pelotão da frente do euro é outra questão, que tem vindo a ser reavaliada: não falta hoje quem considere que teríamos muito mais a ganhar nessa altura em retardar a adesão ao sistema monetário europeu dadas as patentes debilidades estruturais da nossa economia - algumas das quais se acentuaram de então para cá.
Mas o essencial é sublinhar a personalidade de Guterres como edificador de consensos. É isso que mais se espera dele enquanto secretário-geral das Nações Unidas.
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De AntónioF a 06.10.2016 às 18:56

Na altura em que Guterres era primeiro-ministro...
... vivia-se, segundo se dizia na época, uma época de pleno emprego. Porém eu na altura, recém licenciado, estava sem emprego. Como tinha uma filha tive que arranjar algum trabalho, ainda bem que havia, na altura, a construção civil como escape para muita gente. Felizmente, depois de alternar com algumas colocações como professor, consegui arranjar emprego numa outra área (até agora).
Sim, havia naquela época um generalizado entusiasmo pró-moeda única (Guterres e Marcelo, ou seja PS e PSD/CDS). Porém, convém ler o que alguém, dentro da área PS escrevia à época - bem... talvez um pouquinho antes -, estou-me a referir aos escritos que Torga dedicou à integração europeia.

Não só convém ler, como também reler!
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 21:11

De acordo. Torga é um autor a reler, sempre. A propósito deste ou de qualquer outro tema.
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De john a 07.10.2016 às 01:14

Não me expliquei bem.

Não disse que a adesão ao Euro foi boa ou má. Disse que era desígnio nacional, e que as contas deixadas por Cavaco estavam muito desviadas desse desígnio.
Guterres recolocou as contas "nos eixos" (no que na altura eram considerados "os eixos").

Acho que foi um bom PM e em circunstâncias impossíveis para outros políticos.

Quanto às causas da queda do Euro e do falhanço de Portugal no Euro... ainda há muito para ser analisado e revelado!
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De Pedro Correia a 07.10.2016 às 11:56

Certo. É um tema inesgotável e que ainda promete muita polémica.
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De V. a 06.10.2016 às 11:10

É uma pena não ter perdido. E o novo museu é feio — tal como o dos coches que tem janelas em inox tipo garagem de subúrbio. E o país não está pacificado como os ogres republicanos insistem em repetir (isso é uma ilusão sindical e uma ilusão jornalística de que os partidos com resultados eleitorais legítimos não conseguem beneficiar). Tirando os funcionários públicos, continuamos todos a odiá-los.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 11:16

Tudo feio, porco e mau.
O Eça foi um péssimo tradutor do francês.
'Os Lusíadas' só valem pelo Velho do Restelo.
Portugal ganhou o campeonato da Europa sem merecer.
E até o Messi é muito melhor do que o Ronaldo.

Viva a senhora Georgieva. Hic!
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De M. S. a 06.10.2016 às 12:26

Caro Pedro:
Na mouche.
Mas ainda lhe falta responder assim ao futuro comentário de outra figura de antologia que por aqui aparece de vez em quando.
Aquele que é (ou dispara) mais rápido do que a própria sombra.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 15:30

Já apareceu? Julgo que não: anda com os reflexos mais lentos. Estará talvez a fazer uma sesta.
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De V. a 06.10.2016 às 12:29

Pior ainda: eu vejo isso tudo sóbrio.

Não conheço as traduções de Eça — nem vou conhecer. Muitas saudades d'Os Lusíadas e de quando se aprendia Português (mesmo no "colégio dos burros" na Duque d'Ávila). Não ganhámos sem merecer (a bola lá dentro é que conta), ganhámos foi sem convencer. A única falha do Ronaldo é pagar impostos, nem se compara.

A cena da Búlgara só prova que, se fôssemos um país liberal e decente, nunca nos submeteríamos a ser governados por Merkel e já tínhamos saído da UE. A única razão pela qual a EU é melhor do que a auto-determinação é que a primeira coisa que estes republicanos iriam fazer era enfiar-nos outra vez nos trópicos — em vez de reconstruir a base industrial do País e acabar com o funcionalismo público como vai ser necessário mais tarde ou mais cedo se quisermos mantermo-nos como país independente.

PS. Eu não bebo, é mesmo desespero.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 15:31

Partilho das suas críticas aos republicanos. Sobretudo agora, que escolheram Trump como candidato à presidência.
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De Costa a 06.10.2016 às 15:53

Em todo o caso, não valendo os Lusíadas apenas pelo Velho do Restelo, o facto é que esse episódio vale e muito e permanece bem actual. Vale o suficiente para ser militantemente desvirtuado e aproveitado para se pretender com ele descrever precisamente o contrário daquilo que ele contém.

Aproveitado e bovinamente (com todo o respeito pelos ditos irracionais que chamamos de bovinos) aceite e repetido, dessa pervertida forma, por um povo que manifestamente nada deve à cultura.

Perdoem-me pelo desvio do tema.

Costa
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 21:12

Sobre 'Os Lusíadas', obra maior da literatura universal, já escrevi aqui:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/1145153.html
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De Miguel Ribeiro a 06.10.2016 às 15:47

Não fui grande adepto de Guterres como primeiro ministro, mas tenho saudades dele depois de conhecer todos os que vieram. É um homem honesto, relembro o que passou a sua mulher e a descrição com que viveu o problema em comparação ao ultimo primeiro ministro.

Outra coisa importante é de referir que quando nos juntamos conseguimos vitórias que parecem impossíveis. Aconteceu com Timor e aconteceu agora.

Parabéns ao Guterres, não sei se resolverá muitos problemas, está lá um que andou 10 anos a empurrar problemas com a barriga, mas tenho esperança.
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De V. a 06.10.2016 às 18:08

"relembro o que passou a sua mulher e a descrição com que viveu o problema em comparação ao ultimo primeiro ministro."

A mim assusta-me que alguém que usa este tipo de argumentação para distinguir e julgar superficialmente o carácter de dois políticos vote.
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De Miguel Ribeiro a 06.10.2016 às 20:16

Podia usar outro, por exemplo não se lembrar de pagar impostos. Mas para mim quem passeia em campanha eleitoral a mulher que fazia tratamento oncológico e agora se esquece dela demonstra muito sobre o mesmo, não superficialmente como refere, mas vincadamente.
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De Pedro Correia a 06.10.2016 às 21:25

Sintam-se à vontade para continuarem a esgrimir argumentos "políticos" utilizando a memória de uma Senhora falecida há quase 19 anos.
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De V. a 07.10.2016 às 01:09

Estava precisamente a tentar demonstrar que não é argumento nenhum — é apenas uma tirada de mau gosto. Uma não: duas.
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De Miguel Ribeiro a 07.10.2016 às 11:04

Acredite, na minha opinião ficou só pela tentativa.

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