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Mais inseguros e menos livres

por Pedro Correia, em 23.03.16

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A chacina que ontem enlutou Bruxelas, numa nova série de atentados meticulosamente preparados por extremistas islâmicos que provocaram pelo menos 31 mortos e 250 feridos, força-nos desde logo a emitir uma palavra de pesar pelas vítimas. Pessoas inocentes que estavam no local errado à hora errada.

Podia ser eu, que escrevo estas linhas.

Podia ser qualquer de vós.

 

No entanto, como o João e o Diogo já sublinharam, por maior que seja o nosso pesar há que resistir à tentação de apelar desde já ao reforço das medidas securitárias, destinadas a transformar o continente europeu numa ilha-fortaleza.

É evidente que a segurança não pode ser menosprezada. Isto implica combater alguns tabus, nomeadamente o menosprezo que a esquerda radical no seu vozear demagógico dedica aos serviços de informações, vitais para prevenir atentados terroristas em larga escala.

Mas o combate ao terrorismo não pode servir de pretexto para novas restrições às liberdades que custaram tanto a erguer nesta Europa durante séculos dilacerada por massacres e guerras.

 

A troca de parcelas destas liberdades pela segurança total - sempre ilusória, sempre inalcançável - constitui um falso dilema. Porque a segurança, tal como a concebemos nas democracias liberais, é inseparavel da liberdade.

Um mundo cada vez menos livre é também um mundo cada vez mais inseguro.

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24 comentários

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De Anónimo a 22.03.2016 às 23:40

"Pessoas inocentes que estavam no local errado à hora errado." Estavam mas é no local errado à hora certa. Se tivessem errado na hora ... seria uma sorte para eles.
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De Pedro Correia a 22.03.2016 às 23:44

No local errado à hora errada. Se estivessem lá noutra hora não tinham sofrido o que sofreram.
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De Anónimo a 22.03.2016 às 23:42

"Mas o combate ao terrorismo não pode servir de pretexto para novas restrições às liberdades " Lá vem você com o seu vozear demagógico. É que pode e tem servido e vai continuar a servir.
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De Pedro Correia a 22.03.2016 às 23:47

Nem uma palavrinha de lamento pelas vítimas? Nem uma condenação dos atentados? Faça um esforço, verá que não custa nada.
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De V. a 23.03.2016 às 01:53

Há um pormenor importante: a liberdade tem de ser merecida, não é um direito garantido. Muitos dos que vêem direitos colectivos em todo o lado são os primeiros a pô-la em perigo porque não sabem que provém do livre-arbítrio e da união de indivíduos em torno do bem comum.

Acho que devem ser aumentadas medidas de segurança e especificamente no caso de imigrantes acho a nacionalidade não deve ser atribuída só porque se nasce num território — os "belgas terroristas" não são Belgas e, pelos vistos, nem querem ser Belgas.
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De Maria Dulce Fernandes a 23.03.2016 às 11:50

O problema é que são Europeus. São mesmo. Nascidos e criados, muitos de terceiras e quartas gerações. E não são de classes desfavorecidas. Estudaram em boas escolas, tiveram excelentes notas, têm negócios de família e foram corrompidos nos ideais culturais familiares. Como, onde, por quem ? É por ai que passa o combate ao terrorismo. Passa por identificar os parasitas que se alimentam de nós, que vivem dependurados da teta da Europa e que dão o bote à primeira oportunidade. Mas não são os corruptores que vão ter com as virgens ao paraíso. São os corrompidos, os radicalizados, aqueles que descobriram a verdade num sopro de veneno. Os cabecilhas seja lá do que for, raramente dão o corpo ao manifesto Continuam cidadão legítimos e insuspeitos deste velho espaço aberto, onde a maldade se permite circular livremente.
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De Pedro Correia a 23.03.2016 às 15:58

Nem mais, Dulce.
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De do norte e do pais a 23.03.2016 às 17:44

Pareceu-me que o que V. disse se enquadra nessa ideia. Pelo menos foi assim que interpretei.
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De Pedro Correia a 23.03.2016 às 16:00

Caro V: de facto, a liberdade tem de ser merecida. Mas até por isso não podemos abdicar dela a pretexto de estarmos a combater os inimigos da liberdade. Porque se os vencêssemos com as mesmas armas que eles usam estaríamos, no fundo, a atribuir-lhes a vitória.
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De do norte e do país a 23.03.2016 às 10:26

"os "belgas terroristas" não são Belgas e, pelos vistos, nem querem ser Belgas."
A Europa do multiculturalismo falhado não o reconhece e portanto isto vai continuar, ou seja, serão necessárias cada vez mais medidas securitárias enquanto se continuar a negar a realidade.
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De Pedro Correia a 23.03.2016 às 15:53

O multiculturalismo tem falhado, sim. Porque ou é uma estrada com dois sentidos ou não consegue ser coisa nenhuma.
Quando apenas uma das partes aceita e promove o 'melting pot', a intenção - por melhor que seja - fica condenada ao fracasso.
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De do norte e do pais a 23.03.2016 às 17:36

Concordo. Por isso a solução tem de ser outra.
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De Pedro Correia a 23.03.2016 às 23:41

A solução tem de passar, desde logo, por não confundir multiculturalismo com relativismo cultural. Há boas tradições e más tradições, boas práticas e más práticas, comportamentos toleráveis e comportamentos inaceitáveis. Existe bem e existe mal.
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De lucklucky a 23.03.2016 às 11:49

"A troca de parcelas destas liberdades pela segurança total - sempre ilusória, sempre inalcançável - constitui um falso dilema. Porque a segurança, tal como a concebemos nas democracias liberais, é inseparavel da liberdade."

A Inglaterra da Segunda Guerra Mundial com fronteiras fechadas estava mais ou menos segura contra a sabotagem Alemã?

A Inglaterra da Segunda Guerra Mundial era mais ou menos Livre que a Inglaterra do antes?

A resposta ás duas é:
-Mais Segura
-Menos Livre

O problema veio depois, quando a guerra acabou continuou a ser menos livre.

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De Pedro Correia a 23.03.2016 às 15:50

O objectivo dos terroristas é tornar a Europa menos livre.
Não podemos, de forma alguma, fazer-lhes a vontade.
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De lucklucky a 23.03.2016 às 16:10

"O objectivo dos terroristas é tornar a Europa menos livre."

Não é. Pelo contrário.
Os terroristas adoram as liberdades na Europa pelas vantagens praticas operacionais de que beneficiam pelo facto.

As referências deles não são as suas, o que você pensa não é o que eles pensam.
Os terroristas só quererão acabar com a liberdade quando tiverem o poder total. Até lá beneficiam dela tal como os Marxistas.


O problema da falta de liberdade na Europa não tem nada que ver com os terroristas mas com o nosso complexo politico-jornalista democrata, centrista e moderado também interessado em acabar com ela.
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De Anónimo a 23.03.2016 às 18:38

De pleno acordo. Perante tal e perante a loucura de doidos que circulam pelo mundo que fazer? Uma coisa é certa, o mundo, principalmente a Europa e EU, não podem continuar a chorar os mortos e os mutilados e ao memo tempo continuam a vender armas a esses que as usam para carnificina. Porque razão até hoje os senhores que destruíram o Iraque, ainda não tiveram a hombridade de pedir perdão àqueles a quem tiraram o chão? Pois é, é isto que todos esquecem, mas eles não esqueceram e têm bem presente, os desvarios dos ocidentais. Há que reunir, meditar e tomar medidas a sério porque andar a correr atrás de terroristas, não nos leva a lado nenhum porque todos sabemos que basta um terrorista para destruir e também sabemos que nunca sabemos onde eles estão.
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De Pedro Correia a 23.03.2016 às 23:45

Tão certo como as andorinhas regressarem pela Primavera é perante mais um atentado terrorista na Europa vir alguém a falar do Iraque. Acontece sempre: alguém que "compreende" e desculpa os autores dos morticínios.
É a mesma lógica que levava os nazis a justificar todas as atrocidades pelas "humilhações" impostas à Alemanha pelas potências vencedoras da I Guerra Mundial.
Nada mais repugnante do que esta cumplicidade moral perante os crimes concretos, esta insensibilidade perante as vítimas concretas, quando o sangue ainda mal acabou de secar.
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De Anónimo a 24.03.2016 às 11:34

Os nazis não têm desculpas nem podem justificar nada porque eles mesmos foram um erro. É aí que está o problema, querermos esquecer o mal que fizemos e esse mal, continua bem presente e actual, nas memórias dos atingidos. Enquanto persistirmos em esquecer, garanto-lhe que bem podemos correr atrás dos terroristas que nunca os encontraremos. Eles não vão desistir de matar e perturbar aqueles que que se meteram em suas vidas. Eles não têm medo de morrer e só isso, já é motivo q.b. para nunca termos paz e tranquilidade e sabermos que os assassinos nos espreitam em qualquer lugar. Pedir perdão pelos actos de malvadez é um acto que devia engrandecer aqueles que provocaram o mal, mas eles insistem em não o fazer. Não se esqueça que destruíram o Iraque, na base da mentira e isso é malvadez pura. Não há cumplicidade, há constatações sérias que nós teimamos em não querer assumir e elas, foram bem reais e estão aí à nossa vista. Quem vive no Iraque desde o fatídico dia, da loucura de quatro individualidades que se lembraram de destruir, aquilo que não era deles, mas de outros que vivemos em pânico e viveremos enquanto não assumirem que erraram.
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De Pedro Correia a 08.04.2016 às 23:03

Essa história da "destruição do Iraque", sempre invocada quando há atentados terroristas na Europa, equivale a dizer que as vítimas inocentes destes atentados "estavam mesmo a pedi-las".
Equivale também a considerar vítimas os assassinos. Coitados, argumentam vocês, eles estão apenas a vingar o que os malandros dos ocidentais fizeram ao Iraque.
Essa é a lógica hitleriana do olho por olho, dente por dente. Hitler conquistou metade da Europa, espezinhando-a e escravizando-a, para vingar as humilhações sofridas pela Alemanha no Tratado de Versalhes. Alegava ele. E muitos concordaram.
Quando começamos a chamar vítimas aos assassinos os nossos padrões éticos estão totalmente invertidos. Regressamos ao tempo das cavernas. Enaltecemos a lei do mais forte - a "lei" da bomba. E passamos a acolher de bom grado todas as manifestações de barbárie.
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De T a 23.03.2016 às 11:49

"But the most important factor is Belgium’s culture of denial. The country’s political debate has been dominated by a complacent progressive elite who firmly believes society can be designed and planned. Observers who point to unpleasant truths such as the high incidence of crime among Moroccan youth and violent tendencies in radical Islam are accused of being propagandists of the extreme-right, and are subsequently ignored and ostracized."

"The debate is paralyzed by a paternalistic discourse in which radical Muslim youths are seen, above all, as victims of social and economic exclusion. They in turn internalize this frame of reference, of course, because it arouses sympathy and frees them from taking responsibility for their actions."


http://www.politico.eu/article/molenbeek-broke-my-heart-radicalization-suburb-brussels-gentrification/
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De Pedro Correia a 23.03.2016 às 15:50

É um interessante ângulo de análise. Agradeço-lhe tê-lo trazido aqui.

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