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Mais um ataque sem resposta.

por Luís Menezes Leitão, em 24.05.17

Depois de mais uma cidade na Europa ter sido brutalmente atacada, a única coisa a que se assiste é aos habituais discursos contemporizadores com o terrorismo, muitas vezes com atribuição de culpas próprias aos países ocidentais, como se artistas e crianças inocentes a divertir-se num concerto tivessem alguma culpa do que quer que seja. Há muito tempo que acho que isto só vai acabar quando se fizer uma coligação internacional contra o Daesh, que o persiga no seu próprio território, e ponha ordem nesta confusão que se deixou criminosamente instalar na Síria e no Iraque. Porque a única culpa do Ocidente consiste em precisamente em não fazer nada contra isto, quando o deveria ter feito há muito tempo. Como disse Leonardo da Vinci, "chi non punisce il male, comanda che lo si faccia".

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14 comentários

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De Nebauten a 24.05.2017 às 08:38

Que apoio material concreto recebem os bombistas suicidas do ISIS?
Parece-me que muitos destes assassinos apenas se inspiram no ISIS, na sua mensagem de ódio, e que este, posteriormente, respalda o ataque apenas para autopromoção. O ataque é sempre pensado pelo terrorista e não combinado com a estrutura do ISIS.
De facto se este raciocínio estiver correcto - não tenho visto muita tv - a sua lógica é semelhante há encontrada nos ataques homicidas levados a cabo, em escolas, por jovens americanos que se dizem inspirados num filme, jogo ou banda de Black metal. E ninguém defende a proibição desses filmes ou músicas.
Nesse sentido o mal não está relacionado com nenhuma fé - também existem budistas bombistas - mas sim com algum tipo de patologia psíquica comum a todos estes bombistas, não sendo o ISIS e a sua ideologia mais que uma justificação moral/lógica para dotar o ataque, aos olhos de quem o comete, que é justo e deve ser levado a cabo. Desta forma se convencem que não estão "loucos" e que o problema não está neles. A culpa da sua frustração é causada não pela sua insuficiência, mas sim da sociedade que o rodeia. E a morte é um alívio. A morte, para o fanático, dá o unico sentido a uma vida que nunca o teve.
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De Luís Lavoura a 24.05.2017 às 10:43

Parece-me que muitos destes assassinos apenas se inspiram no ISIS e que este, posteriormente, respalda o ataque apenas para autopromoção. O ataque é sempre pensado pelo terrorista e não combinado com a estrutura do ISIS.

Parece-me exatamente o mesmo.

a sua lógica é semelhante à encontrada nos ataques homicidas levados a cabo, em escolas, por jovens americanos

Exatamente. 100% de acordo.

o mal não está relacionado com nenhuma fé - também existem budistas bombistas

Pois. Convem recordar que os assassínios suicidas foi uma tática iniciada, nos tempos modernos, pelos Tigres Tamiles do Ceilão, que eram tudo menos muçulmanos.

algum tipo de patologia psíquica

Não gosto de atribuir patologias a pessoas que não entendo. São pessoas que querem matar e morrer, certo. Eu não sei por que o querem, porém não vou dizer que são doentes mentais.
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De V. a 24.05.2017 às 10:04

Depois do Daesh virá outra coisa qualquer, presumivelmente — e enquanto houver comunistas para manter o discurso da culpabilização do Ocidente e a sua solidariedade aos movimentos islâmicos, com os quais aliás têm grandes afinidades e interesses comuns.

Outro fenómeno que aumentará de intensidade —e que se nota já um pouco por toda a parte—é o da discriminação racial socialmente aceite contra brancos e cristãos, numa espécie de corolário do politicamente correcto e do facto de o conhecimento que agora estabelece padrões normativos se confundir com a superficialidade e a ignorância selectiva da classe jornalística e a massa estúpida dos facebooks.

Em resumo, é o que vem n'O Senhor dos Anéis.
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De Anónimo a 24.05.2017 às 14:06

"e enquanto houver comunistas " É começar já a acabar com eles. Se calhar isso é a tal qualquer coisa que vem a seguir ao Daesh.
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De V. a 24.05.2017 às 17:55

Se me mostrar onde está botão, carrego já antecipadamente.
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De JPT a 24.05.2017 às 10:15

Primeiro ponto: concordo, desde a primeira hora, que se "ponha ordem nesta confusão que se deixou criminosamente instalar na Síria", na Líbia e no Iraque (obrigado, Srs. Obama e Kerry). Parece-me é que isso não iria ter qualquer efeito sobre atrocidades como as de ontem, praticadas por assassinos solitários ou por grupos fechados, sem qualquer conexão real com o ISIS, mas movidos pelas supostas "injustiças" contra os muçulmanos (e pelo tipo de paranóias associais que também atinge não-muçulmanos de uma certa idade e com um certo perfil psicológico de Utoya a Columbine). Para atacar o (suposto) problema na "causa", parece-me que seria muito mais eficaz uma qualquer acção, mesmo simbólica, contra os financiadores de cléricos radicais da Arábia Saudita, ou contra a limpeza étnica de baixa intensidade que o Sr. Netanyahu vai desenvolvendo em Israel. Mas, como é público, foram os dois regimes que o Sr. Trump resolveu premiar com as suas duas primeiras visitas presidenciais.
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De Luís Lavoura a 24.05.2017 às 10:34

mais uma cidade na Europa ter sido brutalmente atacada

Que raio de hipérbole!!! Houve uma bomba, sim. Mas nenhuma cidade foi atacada, muito menos brutalmente!

Ataques brutais a cidades da Europa houve na Segunda Guerra Mundial.
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De Anónimo a 24.05.2017 às 12:05

Tem toda a razão. Há uma tendência para o pânico injustificada. Há que tomar medidas mas o pânico só serve para dar gozo aos bombistas. Que se devem ter fartado de rir com os discursos do Hollande, por exemplo.
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De Costa a 24.05.2017 às 12:49

Que raio de literalidade a sua, Lavoura! Diga isso aos familiares das vítimas e às vítimas que sobreviveram. Diga isso aos habitantes de cada cidade onde estas coisas, para si, está visto, menores ou mesmo trivialidades, aconteceram e acontecerão.

Mente paroquiana a sua, no sentido mais egoísta e cobarde do termo. Pergunto-me até se não "colaboracionista", seguindo triste exemplo da história contemporânea, no período que invoca, se isso lhe garantir, no seu mundo sem automóveis, saboreando o repolho da horta urbana e culpando os americanos de todos os males do mundo, uma tranquilidade submetida.

E suponho que a pergunta é retórica, apenas.

Costa
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De Luís Lavoura a 24.05.2017 às 10:36

Mais um ataque sem resposta

Mas que resposta quereria o Luís que se desse? O atacante morreu no próprio ataque. Ele puniu-se a si mesmo. Não há mais qualquer punição a dar. (A não ser que tenha havido cúmplices materiais que não tenham morrido no ataque - é isso que a polícia investiga.) Não há qualquer resposta a dar.
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De Barão Marquês a 24.05.2017 às 10:37

A primavera árabe a bater-nos á porta. Uma exportação ocidental mal sucedida para uma encomenda não carimbada. Dos nossos apressados expedidores nem se fala.
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De Vento a 24.05.2017 às 12:29

"Esta é a consequência que vem quando no mundo alguém deixa de mandar: que os demais, ao se rebelarem, ficam sem tarefa, sem programa de vida."
Ortega y Gasset in "A rebelião das Massas"

Há muito tempo que o ocidente devia ter feito isto: deixar de mandar, de impor, de determinar os destinos dos outros e a cultura que entende ser-lhes conveniente.
Os Russos, com o exemplo da ruína que foi a URSS e o Pacto estabelecido, há algum tempo vêm chamando à atenção deste pormenor. Agem em circunstância, quando ameaçados; como na Crimeia e Ucrânia.
Sem a Rússia e sem o Irão não haverá paz na região.

E ainda que o Daesh venha a ser destruído, subsistirão outros mais.
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De Julianna a 24.05.2017 às 13:33

A lógica do fanático é patológica.
( frase do livro "desaforismos" de Georges Najjar Jr" )
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De cristof a 25.05.2017 às 20:40

alem do disparate (para mim, claro) de adjectivar a barbarie e terrorismo, uma insanidade que P.Correia bem destaca, ainda temos a "culpas do ocidente foi o não fazer nada". Impensavel !! o nada já vai em milhões de deslocados. milhares de mortos e milhões de seres com vidas destroçadas, pelo "nada" que os criminosos bush blair, aznar e o criado barroso fizeram , mentindo sobre a mosntruosidade de armas perigosissimas que afinal eram nada (afinal sempre havia um nada) para justificar a prosa inqualificável.

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