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Maduro, o nosso, em plena deriva chavista

por Rui Rocha, em 19.06.14

A situação é de tal forma vergonhosa que me é quase impossível acreditar que um governo constitucional de um país democrático e pretensamente evoluído a admita como possível, quanto mais que a anuncie com a naturalidade das coisas evidentes. O certo é que, do que leio, a coisa passou-se mesmo. Na verdade, independentemente de todas as dúvidas de interpreteção que uma decisão de um tribunal possa levantar, um governo legítimo não pode admitir, em caso algum, que a aplicação dessa decisão tenha como consequência uma violação flagrante do princípio da igualdade dentro de um mesmo grupo profissional ou a completa desacreditação do princípio da certeza jurídica. Mais do que isso, quando o governo a título de pirraça e com vontade de chicana face ao tribunal constitucional usa os funcionários públicos como arma de arremesso político, admitindo diferenciar entre os que já receberam ou ainda não receberam o subsídio, perde qualquer fundamento nas razões de queixa que possa ter. Colocando o debate com o tribunal constitucional no plano da política e da chantagem, com os funcionários públicos como reféns, o governo afoga-se no lodaçal que está a cavar. Que o porta-voz das intenções do governo (juridicamente indefensáveis e incapazes de resistir ao teste do mais elementar bom senso) seja Poiares Maduro, supostamente um ministro preparado e intelectualmente estruturado, apenas acrescenta uma nota de tragédia à natureza indigente da actuação do governo e da situação a que o país chegou. Estamos como se nos encontrássemos todos no recreio da nossa escola, naqueles jogos de futebol de meninos em que íamos mudando as regras de acordo com a nossa conveniência e fazendo birra quando nos marcavam golo. Não havia já grandes dúvidas sobre a infantilidade e a impreparação dos que gerem os destinos do país. Mas, face a este tipo de atitudes, é tempo de perguntar se não estaremos realmente a ser governados por um grupo de bandoleiros.

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18 comentários

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De Branco de Carapinha a 19.06.2014 às 13:39

Não concordando eu que certas medidas de carácter típico da esfera da governação vão sistematicamente parar ao TC, fiquei também completamente estupefacto com o que o governo fez o favor de concluir, i. é, que é patrão de uns que receberam com cortes e também é patrão dos que vão receber sem cortes. Inimaginável falta de vergonha na cara.
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De Carlos Cunha a 19.06.2014 às 14:20

sim, somos governados por um conjunto de pepes rapazotes, sem ofensa para o aka presidente da junta de beirais.
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De Sérgio de Almeida Correia a 19.06.2014 às 15:25

Muito bem, Rui.
Bem que eu perguntava, quando foi ungido, o que estaria um tipo como ele a fazer no meio daquela capoeira. Percebo agora. Optou por colocar-se no patamar da equipa que jogou com a Alemanha. Desqualificou-se voluntariamente.
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De eduardo soares a 19.06.2014 às 15:52

Um texto simples e bem estruturado com um título infelicíssimo. Veja o autor e estude o que se passa não só na venezuela mas noutros países da américa do sul para ver como o seu título está ao nível de poiares maduro !!! Uma pena ...
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De Adiante a 19.06.2014 às 16:10

Não só na Venezuela mas na Argentina está fixe. Avante.
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De da Maia a 19.06.2014 às 16:31

A chave é Maduro!...
Não há Dilma Maduro, nem Christina Maduro, nem Evo Maduro, etc.
Também não temos como nomes de ministro Poiares Roussef, Passos Kirchner, Pires Morales...
Citando o Xeique Se Pia: «Hamlets fazem-se com os ovos à mão».
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De lucklucky a 19.06.2014 às 17:45

O Governo mais socialista dos últimos anos - os outros iam buscar o dinheiro aos mercados - cheio de gente que quer interferir na vida dos outros não se pode esperar outra coisa.

Mas a deriva é também consequência da natureza deste regime socialista- com tantas bancarrotas em alguma iremos parar à Argentina/Venezuela/1ºRepublica.
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De da Maia a 19.06.2014 às 18:12

Uma economia em que ninguém interfere com ninguém, chama-se de "auto-subsistência".
É cada vez mais urgente a alfabetização dos liberalistas modernaços, pelo menos ao nível da 4ª classe.
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De lucklucky a 19.06.2014 às 22:35

A fazer-se desentendido?
Ou é preciso dar uma lição simples de política e vida?

Por grau de interferência das ideologias na vida das pessoas:

No grau máximo temos o Islamismo Radical que tudo quer controlar, a seguir vem o Comunismo que nos exemplos mais extremos (Revolução Cultural por ex.) chega aos graus do Islamismo Radical e até ultrapassa em alguns aspectos, depois o Fascismo, depois os Socialismo Democrático com posição posição variável.
Todas estas ideologias ambicionam controlar vastos aspectos da vida humana.
A Republica Socialista Portuguesa a cada ano se aprofunda mais querendo controlar mais, saber mais e proibir mais aos Portugueses.


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De da Maia a 20.06.2014 às 00:36

Lucky,
a incapacidade de reconhecer um erro crasso é problema do próprio.
Não adianta vir com desculpas, inventando "que quis dizer" outra coisa, só está a entrar em negação.
Você criticou "gente que quer interferir na vida dos outros".
Portanto, a única conclusão possível é que não deve haver interferência.
Não havendo interferência na vida de ninguém, cada um está por si. Não pode impor nem pedir nada aos outros.
Ponto final. Isto não é de hoje, é de sempre - você não quer interferências.
Porém, você só vê as interferências dos representantes do estado.
Porquê?
Porque você, bem como outros liberais limitados de raciocínio, querem que o estado não interfira, mas acham bem que os privados interfiram.
Quando não há interferências, não há interferências de ninguém.
Seja por poder do estado, seja por poder de privados.
Assim sendo, você começa bem, mas pára... parou no "socialismo" porquê?
Porque é limitado. Mas só é limitado porque quer ser.
Quer uma sociedade onde ninguém interfere com ninguém?
- Tem os bosquímanos.
Bom, mesmo assim, acho que ainda têm alguma estrutura familiar.
Sem estrutura familiar, em animais superiores... talvez as chitas?

Meu caro, apesar das divergências, estamos de acordo em prezar a liberdade individual. Eu sou um acérrimo defensor disso, e detesto as manias socialistas de interferência. Mas, para uma sociedade funcionar tem que haver interferências, e têm que ser estatais para evitar as prepotências privadas. Caso contrário, um ou mais grupos privados passam a substituir-se ao estado, sem qualquer controlo.
É óbvio, é elementar, sempre foi assim, e não ver isso é ser muito tapado.
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De lucklucky a 20.06.2014 às 08:52

As pessoas, empresas e qualquer outra organização só pode interferir na vida dos outros pela Força.
E o que constroí o Direito da Força num Estado Moderno - mesmo em boa parte das Ditaduras - é a Lei.
Lei. E o óbvio uso da força que a Lei para tal dá direito.
Como os Socialismos têm uma concepção abrangente de até onde deve chegar o poder politico sobre as pessoas, mais imposição pela força de um pensamento único existe nas sociedades de cariz Socialista e mais leis obviamente.

Ao contrário do que diz por isso é que as grandes empresas desejosas de proteger o seu status se aliam mais ao Socialismo Democrático que a qualquer Liberalismo que consideraria tal não ser seu âmbito.
Os Socialistas com a sua visão abrangente do que consideram seu direito a interferir não terão problema em desenharem uma Lei se a transacção for benéfica para os dois lados.
Não é por acaso que os Grandes Grupos Económicos - para usar uma terminologia conhecida - tendem a ser favoráveis ao salário mínimo, trabalho regulado e em alguns casos preferem lidar com sindicatos.


Quanto ao resto, você chama o PCP um partido Neo-Liberal por deixar ao poder individual a liberdade dos Portugueses escolherem a cor da suas roupa? É nesse sentido que deve entender a minha palavra interferência. O máximo que pode dizer é que é a minha bitola mas para existir um Estado/Comunidade há um mínimo de aceitação de regras comuns.
Se é voluntário não é interferência.


O relevante é que os Socialistas poderiam fazer Socialismo entre si, mas não, precisam de obrigar quem não o é.
Vem da necessidade de impôr a sua vontade aos outros.
Poderiam fazer Kibbutz - do pouco socialismo liberal que alguma vez existiu- no qual a dimensão seria quem conseguissem convencer sem imposição.

As pessoas são diferentes, umas gostam de se sentir parte um movimento onde há mais ideias comuns onde há mais segurança mas que ao mesmo tempo torna difícil a mudança e torna mais fácil construir a opressão, outras preferem ser mais livres e terem menos segurança.
Os primeiros não aceitam que existam os segundos. Não aceitam a diferença apesar de protestarem o contrário.

Se reduzirmos ao mínimo a interferência e substituirmos pelo voluntarismo a sociedade é mais livre e todos podem seguir os seus valores, a sua diferença.
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De da Maia a 20.06.2014 às 13:52


Deve ser a primeira vez que concordo por completo, ou quase, consigo.

Pronto, ficando claro que tem que haver alguma interferência, o que não é claro é qual deve ser essa interferência. Para evitar a manipulação das pessoas, e dar-lhes liberdade, devem ter assegurados: - alimentação, saúde, paz e educação, e isso é uma herança civilizacional, que foi construída à custa de todos. Hoje em dia, o custo disso é perfeitamente suportável por qualquer país, e esse imposto civilizacional seria mínimo. A partir daí, os outros que façam o que quiserem... mas esse é o limite mínimo, na minha opinião.
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De teresinha a 19.06.2014 às 17:42

Subscrevo, Rui. Disse tudo o que eu gostava de ter dito.
(Haverá uma dia em que também conseguirei escrever assim.)
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De Anónimo a 19.06.2014 às 18:21

Não concordo com a opção do governo.
Mas quando diz:«Colocando o debate com o tribunal constitucional no plano da política e da chantagem, com os funcionários públicos» sugiro que retire a vírgula a seguir a chantagem, para que a frase fique completa e passe a definir os exactos termos em que o TC coloca o debate em curso.
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De Bons exemplos a 19.06.2014 às 18:56

Tribunal proíbe líder da oposição de sair da Venezuela

A ex-deputada venezuelana Maria Corina Machado está, por decisão de um tribunal de Caracas que decidiu a pedido do Ministério Público, proibida de sair do país.

(notícia da Lusa)
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De William Wallace a 19.06.2014 às 19:57

E eu a pensar que o líder da oposição na Venezuela se chamava : Enrique Capriles , é muita desinformação para uma cabeça só !

Quanto ao assunto em causa, só me apraz dizer que tenho a certeza que com jeitinho até isso eram capazes de conseguir.

Não comungo é da peregrina ideia de que são impreparados, agem com dolo em beneficio deles, das suas entourages e dos interesses a que são subservientes contra os interesses de Portugal e dos Portugueses tal como os que os precederam e os que lhe irão suceder.
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De Um a zero a 20.06.2014 às 09:41

Lider há só um um Capriles e mais nenhum.
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De :P a 24.06.2014 às 16:12

Não comungo da ideia de que "agem com dolo em beneficio deles, das suas entourages e dos interesses a que são subservientes", porque (sentem) esses benefícios são direitos inalienáveis devidos a pessoas superiores, pessoas realmente humanas e não a populaça que estaria num patamar evolutivo inferior aos verdadeiros homo sapiens, a gente fina e educada, pelo que dolo haveria se não fossem servidos - são apenas, segundo eles próprios, (sentem), repositores da ordem natural adulterada, talvez pela... revolução francesa. Bem, pelo menos pelo 25/4/74 - "você sabe com quem está a falar?"

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