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Loures

por jpt, em 16.09.17

ventura.jpg

 

308 câmaras, 3000 e tal freguesias. É normal e competente que o presidente de um partido não critique ou se demarque do que algum dos seus candidatos diz. O que tenderia a tornar-se num verdadeiro jarro de Pandora, tamanha a possibilidade real de haver candidatos pitorescos (e/ou suas retóricas)  ou, pelo menos, algo desajustados do rumo central. Mas há câmaras mais iguais do que outras. E pitorescos nada pitorescos. Uma sondagem anunciou que em Loures há uma maioria, apoiante de todos os partidos, concordante com as afirmações que o futeboleiro Ventura largou sobre a "ciganada" (não sei se também sobre a castração química ou a pena de morte, pois estes temas foram sendo deixados para trás). Talvez sim, e talvez isso não seja apenas o efeito do "anunciado na TV", como antes eram publicitados os produtos mais pimba. E sim, os políticos, locais ou nacionais, devem dar voz às perspectivas da população, aos seus diversos sectores e interesses. E se há uma particular tensão social no município, se há grupos mais atreitos a tornearem os enquadramentos legais, actue-se, identifiquem-se as questões e proceda-se para resolver os problemas (e não, não é à chibatada). 

 

Mas é óbvio que não é disso que se trata. Nem temos vindo a receber novas de que Loures seja um caso patológico. Nem a argumentação de Ventura assenta num conhecimento sociológico da realidade municipal. É apenas um tonitruante e inintelectual "diz que", um verdadeiro "boçalismo a microfone aberto". E que tendo algum sucesso eleitoral tenderá a alastrar-se (ou sedimentar-se), nas mentes habitantes das 300 e tais câmaras e 3000 freguesias. E dos seus políticos, nem que seja como estratégia de cabotagem. Por tudo isto, ao dinamizar e, acima de tudo, ao ombrear com este venturismo aventureiro, Pedro Passos Coelho está muito mal, etica e intelectualmente. E a mostrar desnorte político, a querer crescer em areias movediças (que o engolirão, a curto prazo). Ou seja, está a atirar a candidatura global PSD para a categoria "lixo" nas agências de avaliação da política. Nós.

 

- Agradeço imenso ao Pedro Correia pelo convite para regressar ao Delito de Opinião. Desde que daqui partira que me sentia blogo-orfão. Sinto-me agora qual o filho pródigo bíblico.

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15 comentários

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De Alain Bick a 16.09.2017 às 11:27

o apoiante da Coreia do Norte
deixou arder o mercado abastecedor

desl-eixo do mal
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De jpt a 16.09.2017 às 15:16

Googlei para perceber o sentido do seu comentário. Goste-se ou não de Bernardino Soares, ache-se ou não inadmissível o seu dislate sobre a Coreia do Norte (eu penso-o totalmente inadmissível), pelo que li parece-me abusivo mandar em público uma "boca" dessas (eu sei, é só um comentário e é só um blog, mas caramba ...). Ou então dá-se corpo à insinuação e argumenta-se sobre a responsabilidade camarária. A notícia do incidente que eu desconhecia: http://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/incendio-consome-armazem-no-mercado-abastecedor-da-regiao-de-lisboa
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De Anónimo a 17.09.2017 às 03:26

O Bernardino Soares, goste-se ou não dele, nunca defendeu a Coreia do Norte. Você deve ser um adepto das "fake news".
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De jpt a 17.09.2017 às 09:25

Abaixo elaborei o suficiente sobre o assertivo e contestatário anonimato nos comentários internéticos. Para quê gastar tempo a ler se o objectivo é incompreender? Eu não disse que Bernardino Soares defendeu a Coreia do Norte. Referi o "dislate" de Bernardino Soares sobre a Coreia do Norte. Não fui o único que se desagradou com isso: https://www.publico.pt/2003/02/25/politica/noticia/posicao-de-bernardino-soares-sobre-coreia-do-norte-contestada-no-seio-do-pcp-281786

Ou seja, não só não sou eu um adepto das "fake news" como é óbvio que este comentário provém de uma recorrente "fake view".
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De José Manuel Faria a 16.09.2017 às 12:32

Bom texto. Parabéns. Parece existir uma ala radical de direita no PSD.
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De jpt a 16.09.2017 às 14:59

Eu creio que não (crença que é também esperança). Penso que há uma degenerescência do discurso público, que passará muito pelo poluente que a actividade política se tornou, o que leva a que seja evitada por sectores sociais. E há o primado da exposição televisiva como motriz de líderes - veja-se como chegaram ao poder Santana Lopes, José Sócrates e António Costa. E se estes eram de uma geração que vieram da política para a tv e nesta se potenciaram, a próxima geração virá directamente da tv. E isso será pior. Ou seja, a política será / está a ser colonizada por gente menos ligada a valores democráticos, mesmo que muito criticáveis, produzidos e reproduzidos em partidos democráticos, mesmo que estes também criticáveis. E há, evidentemente, a fortíssima influência dos discursos populistas de direita que têm ganho grande ascendência no sempre atraente "lá fora" - desde os evangelistas brasileiros e americanos aos soberanistas de direita em alguns países europeus. Ou seja, gente menos capaz, gente menos preparada, gente menos vinculada, à bolina numa brisa destas. E julgando que se navega por cabeçalhos (qual o célebre "huge" de Trump). Obviamente que irão arrombar-se num baixio qualquer ou morrer de escorbuto numa qualquer maior calmaria.

Mas tudo isto não me parece constituir uma verdadeira "ala", com algo de fluída consistência de coalizão de interesses e perspectivas. É mais um oportunista fluxo de oportunistas. Trata-se com antibióticos.
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De Vlad, o Emborcador a 16.09.2017 às 12:32

O irónico é que Ventura provavelmente irá ter um excelente resultado eleitoral. ...trabalhei em Loures e conheço algo do seu perfil sociológico. E se estiver certo quanto à previsão que faço fica reforçado aquele aforismo de " o povo precisa de ser protegido de si mesmo"....ou aquele outro " dividir o povo para uma minoria fazer o que dele quiser"....hoje os ciganos , há um par de anos eram os desempregados e a "peste grisalha"- este último epíteto criado por um político do PSD para designar os velhos reformados que protestavam pelo corte nas reformas. ...e assim continuaremos até a Escola formar não mão de obra, barata, mas sim cidadãos.
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De jpt a 16.09.2017 às 15:07

Eu não tenho esse optimismo pedagógico. Seria bom que uma boa escola formasse bons cidadãos e que estes fossem indivíduos vinculados ao valor Bom. Mas a história mostra o contrário. Ou seja, que não há correlação entre a boa escola e a boa cidadania. Pode haver uma relação entre ambas. Ou não. Sim, o Ventura pode captar votos lá entre os vizinhos. Será mau, para o teor do discurso político nacional. E será muito mau para o PSD. Mas também poderá sair com o rabo entre as pernas, seja porque afinal não terá sucesso. Seja porque o sucesso (que será sempre relativo, dado o historial eleitoral ali e as características sociopolíticas do concelho) não compense os danos reputacionais ao partido e ele vá sendo arrumado pelo aparelho partidário (que não é flor que se cheire dado que carnívora).
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De amendes a 16.09.2017 às 12:58

O mais importante:

Portugal saiu do Lixo... O candidato do BE exige o fim do pagamento da taxa de limpeza urbana em todas as autarquias.
Boa!
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De jpt a 16.09.2017 às 15:09

Um desvio de direita, isso de um candidato (neo)comunista reclamar contra impostos e taxas. Decerto que a coordenadora lhe chamará a atenção para o facto.
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De Pedro Correia a 16.09.2017 às 14:44

Sê bem-regressado, meu caro. Gosto de te ver por cá de novo.
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De jpt a 16.09.2017 às 15:08

Obrigado Um abraço
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De Anónimo a 16.09.2017 às 19:45

Pelo que leio temos um país de pios.
Tivessem vocês uma filha com 6 , 7 , 8 anos e que um malandro qualquer se aproveitasse dela e veriam que pediam a castração química na hora mesmo sem julgamentos. O tal Ventura deve ter filhos.
De contrário são balelas patéticas de quem não tem filhos
Cumps
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De jpt a 16.09.2017 às 23:47

Eu sou antropólogo de formação e de profissão. Como hóbi blogo desde 2003. E este hóbi alterou bastante a minha concepção antropológica. Porque criou em mim uma nova perspectiva teórica sobre a espécie humana: a de que não há uma verdadeira igualdade, há uma hierarquia ética que é hierarquia intelectual. E nesta abaixo do sopé está uma última camada, involutiva, emanada do progresso tecnológico. Ou seja, não há nada abaixo da mole de comentadores anónimos na internet. E é uma perspectiva sedimentada no experimentalismo, em particular numa década de FB, no qual também há muito arrazoado, mas quase sempre acompanhado do nome e da foto, da identificação própria. Há uma série de tipos que gostam, em blog ou alhures, de partilhar ideias, sensações, gostos. E há outros que gostam de gastar tempo a lê-los, a louvarem ou a desatinarem. Óptimo. Faz parte. Quero desatinar com alguém? Boto o nome, o email já agora. Diz-se a isso ter a cara aberta (não usar burka, se se quiser falar estrangeiro, ou rebuço, se se preferir o português). Ser pessoa, no nosso sentido moderno e democrático.

Ainda para mais o anónimo da internet que protesta, contesta, resmunga, insulta, é muito assertivo mas tem uma característica deficitária, é incapaz de compreender o que lê. V., anónimo, vem aqui insultar e contestar e apenas o faz face ao que imagina ter lido. Começa por insultar nessa tão recorrente e tão abjecta colectivização do autor, esse "vocês" que usa - o texto é individual, está assinado, clica nas iniciais do nome com que blogo, na coluna da direita, e tem o nome, até a cara e outros elementos pessoais (não íntimos, mas pessoais). De onde pensa que fala, de que estrado, para esse seu "vocês" em invectiva? E depois, como quase sempre nos invectivadores anónimos, não compreende o que lê, e é assim incapaz de contrapor: em nada do que eu meti no simples texto V. pode retirar que eu me oponho à castração química (ou mesmo à pena de morte). O que eu digo, e é uma realidade factual, é que esses temas foram lançados e depois largados. O que eu penso, mas isso é algo a que não aludi no texto, é que é algo abstruso que um candidato a um município lance esses temas para debate, que são muito mais temas para uma abordagem nacional. Ainda para mais quando o município onde se candidata não tem nem uma realidade criminal particularmente gravosa, em termos de crimes que pudessem levar à ponderação da reintrodução de morte. E que não tem um historial, pretérito ou contemporâneo, de incidência de estupros, pedófilos ou não, que impliquem essa posição ao candidato. É apenas barulho. Mas tudo isto que eu aqui botei, neste comentário, sendo simples é-lhe incompreensível. Porque V. é um anónimo.
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De maria a 17.09.2017 às 12:01

O meu comentário que antecede o seu, julgo estar endereçado a um anónimo. Ora eu pus o meu nome sem qq problema pq nunca ofendo ninguém. É um princípio.
Mantenho tudo o que disse e não chame iletrados aos outros, pq pode muito bem ser alguém mais sabedor do q nós julgamos.
Nunca escrevo muito para dizer pouco.
Cumps.

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